domingo, fevereiro 08, 2026

O Louco sem Deus e o Louco de Deus

Esse artigo, fundamenta-se na publicação feita pelo filósofo e colunista Luiz Felipe Pondé no jornal a Folha de São Paulo (08/02/2026), É um dos seus textos mais provocativos, onde ele utiliza a figura do "louco" para criticar tanto o niilismo moderno quanto o fanatismo religioso.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcos-lisboa/2026/02/o-louco-sem-deus-e-o-louco-de-deus.shtml

Aqui está uma síntese dos pontos centrais da obra:



Síntese: O Louco sem Deus e o Louco de Deus

A tese central de Pondé gira em torno da perda de referências morais e existenciais na contemporaneidade, dividindo o comportamento humano em dois extremos patológicos:


1. O Louco sem Deus (O Niilista Desesperado)

Este personagem representa o homem moderno que abraçou o ateísmo ou o materialismo absoluto, mas não conseguiu lidar com o vazio que isso gera.

ü  A Angústia do Vazio: Ao retirar o sagrado do mundo, esse "louco" se vê em um universo indiferente, sem propósito e sem freios morais objetivos.

ü  O Narcisismo: Sem uma transcendência para prestar contas, ele se torna escravo do próprio desejo e da satisfação imediata, caindo em um ciclo de depressão ou tédio existencial.

ü  A Falta de Limites: Para Pondé, o louco sem Deus é aquele que acredita que "tudo é permitido", mas acaba esmagado pela falta de sentido da vida.


2. O Louco de Deus (O Fanático Autoritário)

No outro extremo está o fanático, que utiliza a divindade como um porrete para validar seus próprios preconceitos e neuroses.

ü  Deus como Espelho: Esse "louco" não serve a Deus; ele faz Deus servir aos seus interesses. Ele projeta na divindade o seu ódio, sua sede de controle e sua intolerância.

ü  A Fuga da Responsabilidade: Ao afirmar que age "em nome de Deus", ele anula a própria consciência moral e comete atrocidades ou julgamentos implacáveis, sentindo-se protegido por uma armadura de santidade.

ü  O Medo da Liberdade: A religiosidade aqui não é busca por verdade, mas uma necessidade patológica de regras rígidas para não ter que lidar com a complexidade do mundo.



A Conclusão de Pondé

O autor sugere que ambos são, no fundo, faces da mesma moeda: a incapacidade humana de aceitar a finitude e a imperfeição com equilíbrio.

ü  Enquanto um se perde no vazio absoluto, o outro se perde no absolutismo cego.

ü  O texto é um convite à reflexão sobre a necessidade de uma espiritualidade (ou filosofia) que seja capaz de reconhecer o mistério da vida sem cair na arrogância do ateísmo militante nem na violência do fundamentalismo religioso. 

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