sábado, janeiro 17, 2026

A CAMALEOA ULTRADIREITISTA E O KIT ESCOLAR...

 

O Camaleão Político e o Kit Escolar: Quando a Ideologia se Esconde sob o Panfleto

Em política, dizem que a forma é tão importante quanto o conteúdo. Em Lages, porém, a "forma" encontrou um jeito criativo de esconder o conteúdo — ou melhor, de esconder a origem do dinheiro que paga o material escolar das nossas crianças.

A recente propaganda veiculada pela prefeita Carmen Zanotto e seu secretário de Educação, Dr. Cristian de Oliveira, é um estudo de caso sobre a desfaçatez administrativa. O vídeo, banhado em música emocional e sorrisos de "missão cumprida", tenta vender uma gestão eficiente. Mas, como diz o ditado, o diabo mora nos detalhes. Ou, neste caso, mora atrás de um panfleto estrategicamente posicionado.

A Mágica do Orçamento: O Dinheiro é de quem?

A prefeita agradece à equipe, o secretário exalta a "solicitação da senhora prefeita", mas nenhum dos dois tem a honestidade intelectual de dizer: "Obrigado, Governo Federal".

O kit escolar é custeado 100% pelo Salário-Educação, um recurso federal gerido pelo FNDE. É dinheiro público federal. No entanto, na peça publicitária, a logomarca do Governo Federal e do FNDE — que obrigatoriamente consta nas caixas — desapareceu. Foi "amordaçada" por um panfleto da Secretaria Municipal com o slogan "Lages Educadora".

A Ironia do Slogan: Uma Paráfrase de Conveniência

A ironia beira o deboche. O slogan "Lages Educadora" é uma cópia descarada do "Pátria Educadora", lema do governo Dilma Rousseff. É fascinante observar como a prefeita, que hoje caminha de braços dados com o governador Jorginho Mello (bolsonarista de primeira hora), utiliza a estética da esquerda petista para rotular um projeto pago pelo governo Lula, mas escondendo a autoria deste último para não melindrar seus novos aliados da extrema-direita catarinense.

O Risco Jurídico: Promoção Pessoal ou Informação Institucional?

A Constituição Federal, em seu Artigo 37, é clara: a publicidade dos atos públicos deve ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

Ao dizer que a entrega ocorre porque "a senhora nos solicitou", o secretário retira a política pública da esfera do direito do cidadão e a coloca na esfera do "favor" da governante. Isso fere o Princípio da Impessoalidade. Transformar a entrega de material (pago com dinheiro alheio) em um palanque digital é, no mínimo, passível de investigação por improbidade administrativa.

O Militante e a Lucidez Crítica

Como temos discutido aqui no blog, a verdadeira militância exige lucidez. Não podemos aceitar o "pragmatismo" que justifica o apagamento da verdade em nome de alianças políticas exóticas.

A prefeita Carmen Zanotto tenta equilibrar-se em duas canoas: usa o dinheiro da esquerda federal, mas esconde a marca para agradar a direita estadual. No fim, quem fica no escuro é o cidadão, que recebe o kit achando que é um "presente" da prefeitura, quando na verdade é o retorno dos seus próprios impostos federais.

A "Lages Educadora" deveria começar educando seus próprios gestores sobre um valor básico: a honestidade com os fatos.

Este texto reflete a análise crítica sobre a denúncia apresentada pela Coluna Jean Carlo Lima, no SC em Pauta.

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