sexta-feira, fevereiro 13, 2026

O Carnaval da Indiferença e a Anatomia da Barbárie: Por que nossos animais estão morrendo?

Neste final de semana de Carnaval, enquanto o país busca o refúgio da festa, um eco de agonia ressoa de forma mais nítida no Sul e Sudeste do Brasil. Casos como o do cão Orelha em Santa Catarina ou o arremesso de um animal do alto de um prédio não são incidentes isolados de "loucura juvenil" ou "maldade gratuita". São sintomas de um fenômeno mais profundo, enraizado em ideologias de exclusão e métodos de dominação psicológica.


A Crueldade como Experimento Ideológico

Não é coincidência que o aumento de casos de crueldade extrema contra animais ocorra paralelamente à proliferação de células de inspiração nazifascista em estados como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Historicamente, o fascismo se alimenta da ideia de uma "hierarquia de seres". A violência contra o animal — o ser mais vulnerável da cadeia social — funciona como um campo de treinamento. Eric Fromm e outros teóricos da Escola de Frankfurt já alertavam: a incapacidade de sentir empatia pelo "outro" (seja ele um animal, um imigrante ou um opositor) é a base do caráter autoritário. Ao desumanizar o bicho e tratá-lo como descarte, o agressor exercita o poder absoluto, um pilar da estética e da prática supremacista.


Chomsky e a "Mídia Boca Alugada"

Como essa barbárie se torna palatável ou invisível? Noam Chomsky, em seus estudos sobre a Manufatura do Consentimento, descreve como os grandes meios de comunicação operam para manter o status quo.

A "mídia boca alugada" contribui para essa onda de três formas principais:

  1. A Fragmentação da Realidade: Os crimes são noticiados como fatos policiais isolados. A mídia raramente conecta o "adolescente que jogou o cachorro" com os fóruns de internet que frequentam ou com a ideologia que consome. Trata-se o sintoma, mas esconde-se o vírus.
  2. A Distração e o Entretenimento: Enquanto a violência estrutural avança, o debate público é inundado por trivialidades. A indignação é momentânea e "espetacularizada" para gerar cliques, mas não para gerar mudança política ou educacional.
  3. A Normalização do Ódio: Ao dar palanque a discursos que pregam o extermínio do diferente, a mídia cria um caldo de cultura onde a vida — qualquer vida — perde o seu valor sagrado.

Por que no Sul?

O mito da "Europa Brasileira" criou, em certas franjas da sociedade sulista, um complexo de superioridade que, ironicamente, descamba para a barbárie. Ao tentarem preservar uma pureza imaginária, grupos extremistas utilizam a violência para marcar território. O animal, no seu silêncio, é a primeira vítima dessa "limpeza" de empatia.


Concluindo: O Despertar da Consciência

Neste feriado, a reflexão que fica é: que tipo de sociedade estamos construindo quando o grito de um animal não nos mobiliza a atacar a raiz do problema? O combate à violência animal no Sul não passa apenas por leis mais duras, mas pelo desmantelamento das redes de ódio e pela denúncia do silêncio cúmplice de uma mídia que fatura com a tragédia sem explicar o porquê dela existir.

Para que o Carnaval não seja apenas uma máscara sobre o rosto de um Brasil que se torna, dia após dia, mais intolerante e cruel.

Referências: Noam Chomsky (Manufacturing Consent), Relatórios de monitoramento de grupos neonazistas no Brasil.


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