O Combate
Institucional e a Inaceitável Normalização do Neonazismo em Santa Catarina
O
desenvolvimento econômico e o cooperativismo que tanto orgulham Santa Catarina
exigem, como pré-requisito básico, a defesa intransigente da dignidade humana e
da ordem democrática. Por essa razão, é impossível assistir passivamente à
persistente e audaciosa movimentação de células neonazistas em nosso
território. Os fatos recentes nos obrigam a fazer uma distinção urgente entre
dois lados de uma mesma moeda: de um lado, a necessária e louvável firmeza dos
órgãos de controle; de outro, a leniência e as brechas institucionais que
teimam em relativizar o horror.
A Estrutura do Ódio: A Operação Nuremberg
Recentemente,
a denúncia oferecida pela 39ª Promotoria de Justiça de Florianópolis, fruto da Operação Nuremberg conduzida pelo
GAECO, revelou o tamanho do abismo.
O dado mais
alarmante e que exige profunda autocrítica das forças de segurança é a
infiltração institucional: o grupo contava com o apoio operacional de agentes
públicos, incluindo um policial militar e uma escrivã da Polícia Civil de São
Paulo, além de suporte jurídico de um advogado.
A Gravidade da Relativização Cultural
Se a atuação do Ministério Público e
das polícias na repressão dessas células estruturadas traz um alento técnico,
as decisões que tangenciam a apologia pública acendem um sinal de alerta
vermelho no campo cultural. O julgamento recente que
manteve a absolvição de homens flagrados portando e exibindo suásticas em uma
tradicional festa comunitária no norte do estado
O
argumento técnico e a interpretação restritiva da lei penal não podem servir de
escudo para normalizar manifestações que carregam o peso histórico do
extermínio de milhões de pessoas. Justificar a exibição pública de símbolos de
ódio sob o pretexto de "contexto" ou "ausência de dolo
específico" é abrir uma avenida perigosa para a condescendência. O nazismo
não é uma excentricidade cultural, tampouco uma opinião política protegida pela
liberdade de expressão; é a negação absoluta do direito à existência do outro.
Enfrentar o Problema sem Conivência
Santa
Catarina é uma terra de trabalho, acolhimento e associativismo. Permitir que o
nome do nosso estado seja internacionalmente associado ao crescimento de
células extremistas é um prejuízo incalculável para a nossa identidade e para o
nosso tecido social.
O combate ao neonazismo não se faz com
panos quentes ou fingindo que o problema não existe. Exige
rigor absoluto do Ministério Público — como demonstrado na Operação Nuremberg —
mas exige também coragem do Judiciário para aplicar as leis de racismo e
apologia com o rigor que a história demanda, além de intolerância social por
parte de cada cidadão.







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