sexta-feira, junho 12, 2026

Responsabilidade Fiscal Não Tem Lado: Ou... A Coragem de um Estadista...

 O Acerto de Lula ao Enfrentar as Pautas-Bomba do Senado

O cenário político de Brasília frequentemente nos força a escolher entre a retórica partidária e a realidade dos números. No entanto, quando o assunto é a sobrevivência econômica do Estado brasileiro, a responsabilidade fiscal precisa deixar de ser um joguete de negociação paroquial para se consolidar como o dever de todo e qualquer gestor público.

Nesse sentido, a recente decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de confrontar a agenda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra as chamadas "pautas-bomba" é mais do que um movimento de autodefesa política — é uma demonstração de coragem institucional e bom senso administrativo.


A Anatomia da Irresponsabilidade Legislativa

O pacote de bondades aprovado ou impulsionado a toque de caixa no Senado Federal acendeu todos os alertas fiscais da equipe econômica. Sob o pretexto legítimo de atender demandas setoriais — que vão desde a renegociação bilionária de dívidas de grandes produtores rurais a pisos salariais sem contrapartida de custeio —, o parlamento ensaiou um movimento que, segundo estimativas do Ministério da Fazenda, poderia cavar um buraco de até R$ 800 bilhões nas contas públicas nos próximos anos.

Aprovar despesas dessa magnitude sem apontar a fonte de receita correspondente não é apenas uma infração técnica à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF); é uma afronta à estabilidade econômica que sustenta o emprego, a inflação sob controle e o poder de compra da população mais vulnerável. O Senado, ao abraçar o populismo fiscal, flertou com o fantasma da desorganização macroeconômica.


O STF como Salvaguarda Orçamentária

Ao judicializar a questão, o Palácio do Planalto toma uma decisão madura. O uso do STF como árbitro de conflitos distributivos não é uma novidade na nossa Nova República, mas adquire contornos pedagógicos neste momento. O recado enviado ao mercado financeiro e à sociedade civil é claro: o teto do arcabouço fiscal e a previsibilidade orçamentária do país não serão sacrificados no altar de disputas de poder ou barganhas de sucessão legislativa.

Como bem sinalizaram ministros da Suprema Corte nos bastidores, criar despesas sem lastro orçamentário é flagrantemente inconstitucional. O orçamento público não aceita ficção jurídica ou contabilidade criativa reversa promovida pelo Legislativo.

 

Que não se cale o cantor, porque o silêncio

Covarde apadrinha a maldade que oprime

Não sabem os cantores de submissão

Jamais se calarão de frente ao crime

 

Que se levantem todas as bandeiras

Quando o cantor se puser de pé com seu grito

Que mil violões sangrem na noite

Uma imortal canção ao infinito

(Horacio Guarany e Mercedes Sosa)



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