O Contraste do Analfabetismo: Enquanto o Brasil
Avança, Santa Catarina Trava na Burocracia e na Incompetência de Gestão
O
combate ao analfabetismo ganhou contornos dramáticos no cenário nacional
recente. Estamos diante de uma realidade de duas velocidades: por um lado, o
país comemora um marco histórico em suas políticas educacionais; por outro,
assistimos indignados à paralisia e à falta de priorização política que
condenam milhares de catarinenses ao atraso.
O Marco Nacional: O
Brasil Mostra que é Possível
É
preciso reconhecer quando o trabalho estruturado colhe frutos. O Governo
Federal alcançou um marco histórico para a educação do país ao registrar a
queda da taxa de analfabetismo para o patamar de 4,9%. Esse avanço demonstra que, quando há
articulação técnica, foco orçamentário e vontade política de enfrentar as
desigualdades educacionais, os indicadores sociais respondem positivamente.
Reduzir essa chaga histórica é devolver dignidade e cidadania a milhões de
brasileiros de Norte a Sul.
No
entanto, essa vitória nacional torna o cenário local ainda mais inaceitável.
A Realidade em Santa
Catarina: Verba "Parada" e Ineficiência Crônica
Enquanto
o Brasil avança, Santa Catarina caminha na direção oposta, falhando em atingir
as metas de alfabetização infantil estipuladas pelo Ministério da Educação. O
que se vê no estado não é escassez de recursos, mas sim um festival de lentidão burocrática, falta de
priorização política e falhas graves de articulação jurídica dentro da
Secretaria de Estado da Educação (SED).
Auditorias
recentes expuseram as vísceras de uma gestão estadual que beira a negligência:
Ø R$
22 Milhões Retidos: O
Governo Federal enviou cerca de R$ 22 milhões carimbados para o programa de
alfabetização na idade certa. Pois bem: esse montante ficou parado por dois anos nas
contas do estado devido à incapacidade da SED em criar mecanismos burocráticos
e chamadas públicas para usar o dinheiro. Uma verdadeira retenção prolongada
que prejudicou diretamente a infraestrutura das nossas escolas.
Ø Lentidão
no Envio de Leis: Para
que a política estadual funcionasse, o Poder Executivo precisava enviar um
projeto de lei básico estabelecendo as metas locais. A demora do governo
catarinense em enviar esse projeto para a Assembleia Legislativa (Alesc) travou
juridicamente os gestores e congelou as ações práticas.
Ø Prejuízo
aos Professores: Parte
desse recurso milionário deveria custear a capacitação continuada e bolsas de
tutoria para os docentes que atuam no 1º e 2º ano do Ensino Fundamental. O
estado gerou entraves logísticos que travaram o início desses cursos
essenciais.
Ø Abandono
dos Municípios: A
alfabetização infantil é de responsabilidade prioritária das prefeituras, e
cabe ao estado atuar como coordenador. Ao demorar para consolidar o pacto de
cooperação, o governo estadual deixou cidades menores e com menos recursos
completamente sem rumo e sem acesso ao suporte financeiro retido.
O Alerta: Disparidades
Regionais e Avaliação Falha
O
resultado desse apagão administrativo não se resume a números frios; ele cobra
um preço social alto. O analfabetismo em nosso estado ainda resiste bravamente
em bolsões de pobreza, sobretudo na Região Serrana e no Planalto Norte catarinense.
Nessas áreas, marcadas pelo fechamento de indústrias antigas e pelo isolamento
rural, a ausência de um monitoramento eficiente — agravado por avaliações
estaduais com sérias falhas metodológicas e logísticas — impede que as salas de
aula recebam o socorro necessário em tempo hábil.
Concluindo: Urgência
para Corrigir o Rumo
É
vergonhoso que um estado com a pujança econômica de Santa Catarina figure
abaixo das metas nacionais por pura incapacidade de executar o orçamento
disponível. Somente após severas cobranças e a exposição pública desses dados
vergonhosos é que a Alesc e o Executivo começaram a correr contra o tempo para
acelerar votações e estruturar programas de correção de aprendizado.
O
direito das nossas crianças de ler e escrever na idade certa não pode ser refém
da burocracia estatal. Governar é escolher prioridades, e a educação básica de
Santa Catarina precisa, urgentemente, sair da fila de espera.








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