sábado, junho 20, 2026

VERGONHA.. VERGONHA.. VERGONHA: A REFLEXÃO QUE A MÍDIA BOCA ALUGADA LAGEANA, CATARINENSE E NACIONAL, JAMAIS LEVARÁ ATÉ VOCÊ... (Parte V)

 

O Espelho de Brasília: O Analfabetismo Político e o Custo do Voto Movido pelo Ódio


Olhar para as votações e relatórios que tramitam no Congresso Nacional costuma gerar um sentimento de indignação generalizada. É comum culparmos os parlamentares pelo atraso, pelo privilégio ou pela burocracia que sufoca o país. No entanto, uma análise puramente técnica e despida de ilusões nos obriga a encarar uma verdade mais desconfortável: o Parlamento é, em grande medida, um reflexo fiel da nossa própria sociedade. Brasília funciona como um espelho que devolve a imagem de um eleitorado frequentemente alienado, onde o analfabetismo político e o voto motivado pelo ressentimento e pelo ódio cobram um preço altíssimo das futuras gerações.

Três movimentos recentes no cenário legislativo e político nacional servem como um perfeito laboratório para entender como a ausência de um voto consciente, ético e comprometido deforma as prioridades da nação.


A Deformação do Mercado pela Burocracia

O primeiro sintoma dessa miopia coletiva surge no campo econômico. Um estudo recente revelou que impressionantes 86% das propostas que tramitam no Congresso restringem a liberdade econômica, com o ímpeto regulatório atingindo assustadores 95% do setor industrial. O dado mais alarmante é que essa sanha intervencionista não escolhe partido; ela une a esquerda e a centro-direita em um pragmatismo fisiológico.

O analfabetismo político se manifesta quando o eleitor celebra discursos protecionistas ou intervenções estatais sem compreender o custo oculto dessas medidas. Cada amarra burocrática criada para satisfazer lobbies ou acenar para bases eleitorais sufoca a produtividade, afasta investimentos e encarece a vida na ponta. Votar sem consciência econômica é condenar o país a um voo de galinha permanente, sabotando o futuro dos jovens que herdarão um mercado engessado.


O Duplo Padrão Moral e a Conivência com o Privilégio

A falta de um compromisso ético e moral com a coisa pública também se desvela no avanço de privilégios corporativos disfarçados de fé. A recente ampliação de blindagens fiscais para instituições religiosas expõe o duplo padrão que vigora na nossa cultura política.

Muitos daqueles que aplaudem o corte de impostos para templos e defendem a isenção de despesas institucionais de grandes corporações religiosas são os mesmos que, no debate público, demonizam programas de transferência direta de renda voltados à subsistência dos mais miseráveis, sob o pretexto moral de que o auxílio "gera preguiça". Quando o ódio ideológico ou o fanatismo se sobrepõem à justiça social e aos princípios éticos mais elementares, o eleitorado aceita passivamente que o orçamento público seja desonerado para os fortes, enquanto vigia com desconfiança a sobrevivência dos fracos.


A Blindagem da Impunidade pelo Sentimento de Ódio

Por fim, o espetáculo da anistia a caminhoneiros e empresas de transporte que bloquearam rodovias estratégicas após o pleito de 2022 demonstra o perigo de um Legislativo movido pelo revanchismo. A introdução de um "jabuti" em uma medida provisória sobre fretes para perdoar multas pesadas e apreensões decorrentes de atos que flertaram com o desabastecimento essencial é a institucionalização da impunidade.

O voto guiado pelo ódio político cega o cidadão para o valor supremo da segurança jurídica e do Estado de Direito. Quando as urnas são utilizadas para chancelar a vingança ou a blindagem de aliados, rompe-se o pacto social. O eleitor alienado comemora o perdão ao seu correligionário hoje, sem perceber que está destruindo a autoridade das leis que deveriam protegê-lo amanhã.


O Caminho da Consciência

A engrenagem política que produz a intervenção sufocante, o privilégio fiscal corporativo e a anistia ao vandalismo logístico só é interrompida quando o processo de escolha muda na base. O Brasil real e sustentável não será construído por salvadores da pátria alimentados pela polarização estridente.

Votar com compromisso com o amanhã exige abandonar o fígado e acionar a razão. Significa exigir dos candidatos consistência programática, respeito absoluto às regras democráticas e responsabilidade com o equilíbrio fiscal e social. Enquanto o voto for um instrumento de desabafo emocional ou de ignorância técnica, continuaremos a colher em Brasília exatamente aquilo que plantamos nas urnas.



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