quinta-feira, abril 23, 2026

É a Mídia Boca Alugada Lageana em Ação... (Parte II)

 

Do Papel à Cascata: O Abismo entre o "Protocolo" e a Realidade no Salto Caveiras

A mídia "boca alugada" de Lages amanheceu em festa. Pelas manchetes, parece que o mirante do Salto Caveiras já está pronto, com fita cortada e turistas batendo fotos. Mas, para quem sabe ler um contrato e conhece os trâmites da administração pública, a notícia real é bem menos esfuziante: o que foi assinado é apenas um Protocolo de Intenções.

No dicionário da política em ano eleitoral, "Protocolo de Intenções" é o equivalente a uma promessa de namoro que depende da aprovação de dez tios jurídicos, dois avôs regulatórios e uma conta bancária que ninguém sabe se está cheia.


1. A Ilusão da "Entrega"

Por que a mídia local trata um documento de intenções como se fosse a entrega das chaves? A resposta está no Pix da publicidade governamental. É preciso manter a narrativa de que a cidade é um canteiro de obras, mesmo quando a única coisa que avançou foi o gasto com papel e caneta para a foto oficial.

Um protocolo de intenções não garante recurso, não dispensa licitação e, muito menos, resolve o licenciamento ambiental — que, como bem sabemos, em áreas de usinas hidrelétricas, é um processo complexo e demorado.


2. O Jogo das Responsabilidades

O texto é vago: a Celesc "estuda" a cessão, a Prefeitura "propõe" a infraestrutura. Na prática, o que temos é o seguinte:

ü  Jurídico e Regulatório: O pedido ainda vai passar por análise. Ou seja, pode ser vetado a qualquer momento.

ü  Modernização da Usina: Esta, sim, tem data e licitação (maio de 2026). A ampliação da potência é o negócio real da Celesc. O "parque" é o adereço político para tornar a obra industrial mais palatável ao público.


3. O Salto Caveiras Merece Respeito, não Fantasia

O Salto Caveiras é um dos maiores patrimônios naturais da Serra Catarinense. Tratá-lo como moeda de troca em protocolos vazios é um desrespeito com o lageano que espera, há décadas, por uma infraestrutura turística digna.

Vender a intenção como fato consumado é uma estratégia para anestesiar a cobrança. Se o projeto não sair — como tantos outros "protocolos" que dormem em gavetas — a mídia de aluguel simplesmente esquecerá o assunto, partindo para a próxima "intenção" bombástica.


Concluindo: Menos Fotos, Mais Cronogramas

Como técnico que sou, prefiro ver o cronograma físico-financeiro, o licenciamento ambiental aprovado e o empenho da verba. Até lá, o Parque do Salto Caveiras continua sendo o que sempre foi em vésperas de eleição: um belo mirante de papel, construído sobre um mar de boas (e convenientes) intenções.

O povo de Lages não quer mais protocolos. O povo quer a obra. E a mídia, se fosse séria, estaria perguntando: quem vai pagar, quando começa e qual o prazo real de entrega? O resto é silêncio comprado.

Protocolo vs. Realidade: O que a mídia não te conta

O que a Manchete diz

O que o Documento Real significa

O que falta para ser VERDADE

"Governo cria o Parque Salto Caveiras"

As partes assinaram um papel dizendo que "gostariam" de fazer algo no futuro.

Orçamento empenhado, Licenciamento Ambiental e Edital de Obra.

"Celesc cede terreno para a Prefeitura"

A Celesc deu um "ok" preliminar, mas o jurídico ainda pode vetar a qualquer momento.

Escritura de cessão de uso ou contrato de comodato assinado e publicado.

"Turismo será impulsionado agora"

Não há tijolo, nem mirante, nem data para o primeiro turista entrar.

Projetos executivos de engenharia aprovados e canteiro de obras instalado.

"Modernização da Usina garante o Parque"

A prioridade da Celesc é lucro e energia (9,40 MW). O parque é apenas um "anexo" político.

Prova de que o lucro da ampliação será reinvestido na infraestrutura turística local.

 

Enquanto a mídia lageana celebra o 'papel assinado', quem trabalha com projetos reais (como a execução de PRADs ou Planos de Restauração) sabe que a distância entre uma intenção e uma entrega é medida em suor, técnica e dinheiro real — coisas que não aparecem na foto oficial.

Como diz o ditado popular: 'De intenção, o inferno está cheio'. O povo de Lages já está cansado de ser guiado por miragens. Queremos ver o cronograma, queremos ver o orçamento e, acima de tudo, queremos que parem de tratar o cidadão como alguém que não sabe a diferença entre um plano e uma realização.

quarta-feira, abril 22, 2026

Enquanto isso... no Estado Mais Nazifascista e Corrupto do País... (Parte X)

 

Santa Catarina entre a Suástica e o Superfaturamento: A Anatomia da Nossa Miséria Ética

O que conecta uma bandeira nazista estendida em Guabiruba a um esquema que infla custos cirúrgicos em 20 vezes no SC Saúde? À primeira vista, nada. No entanto, se olharmos mais de perto, veremos que ambos bebem na mesma fonte: o desprezo absoluto pelo próximo e a certeza de que "não vai dar nada".


1. O Cinismo sob a Suástica

Em Guabiruba, um homem foi condenado por exibir o maior símbolo do extermínio humano em sua residência. O que mais assusta não é apenas o ato em si, mas a frase dita pelo réu ao ser alertado: "não daria nada".

Essa frase é o resumo da nossa tragédia ética. É a convicção de que o ódio pode ser exibido na vitrine sem consequências. A justiça agiu, mas a "consciência da ilicitude" demonstrada pelo réu prova que a ideologia da aniquilação — a mesma que discutimos sobre Deuteronômio e o Nazismo — ainda respira no Vale do Itajaí, alimentada por um sentimento de superioridade e impunidade.


2. A Máfia do Bisturi e o Sangramento do SC Saúde

Enquanto ideologias de morte são exibidas em varandas, o dinheiro da saúde do servidor público é sequestrado por uma máfia de jaleco e gravata. A Delegacia de Combate à Corrupção revelou que médicos e advogados transformaram cirurgias de R$ 29 mil em R$ 600 mil.

Isso não é apenas "corrupção"; é aniquilação social.

ü  Cada real superfaturado nesse esquema é um exame que falta, uma fila que não anda e um servidor que fica sem atendimento.

ü  É o "andar de cima" — o mesmo que discutimos com Sakamoto — operando sua "Filosofia da Miséria" para enriquecer às custas da dor alheia.


3. Do Lixo de Garopaba às Rachaduras da SC-477

A lista de horrores de abril de 2026 não para:

ü  Garopaba: Onde a coleta de lixo virou caso de polícia e prisão de prefeito.

ü  SC-477: Onde o asfalto racha meses após a entrega, provando que a corrupção tem o poder de destruir até o que deveria nos conectar.

ü  Operação Fundo do Poço: Onde licenças ambientais — um tema que conheço profundamente pela minha atuação técnica — eram trocadas por favores.


Concluindo: A Mídia que Calou e o Povo que Paga

Onde está a "mídia de boca alugada" diante desse banquete de irregularidades? Muitas vezes, ela está ocupada demais gastando os R$ 163 milhões em publicidade governamental para investigar a fundo por que o asfalto racha ou por que o SC Saúde foi saqueado.

O réu da suástica disse que "não daria nada". Os corruptos do SC Saúde e das prefeituras catarinenses parecem pensar o mesmo. O nosso papel, enquanto cidadãos, é garantir que a indignação não se perca no feriado de Tiradentes, e que lembremos que o Alferes foi morto por denunciar um sistema que, guardadas as proporções de tempo, ainda tenta nos enforcar hoje através da corrupção e do ódio.



terça-feira, abril 21, 2026

Tiradentes foi a vítima da "primeira mídia de boca alugada" do Brasil....

Os editais da Coroa o pintaram como um criminoso infame para que o povo não o visse como um herói... (Qualquer semelhança com a realidade com toda a certeza, não é mera coincidência...)

Celebrar o 21 de abril sem denunciar a "aniquilação" atual das populações vulneráveis e o sequestro da verdade pela mídia paga é apenas repetir o teatro que a Coroa Portuguesa montou em 1792. Tiradentes morreu para que o Brasil fosse livre; a "boca alugada" trabalha para que continuemos escravos da ignorância.

A morte de Tiradentes é o exemplo acabado de como o "andar de cima" utiliza o sacrifício de um indivíduo para enviar um recado de terror a todos os que ousam questionar a estrutura de privilégios.

Aqui está a análise relacionando o legado da aniquilação e a "mídia de boca alugada" com o martírio do Alferes:


1. A Traição como Mecanismo de Ascensão

Assim como o texto de Deuteronômio exigia a exclusão total do "outro", o sistema colonial exigia a aniquilação de quem rompesse a lealdade à Coroa.

ü  Joaquim Silvério dos Reis é o protótipo do traidor que busca o benefício pessoal (o perdão de suas dívidas) em troca da cabeça de um idealista.

ü  Na política atual, vemos isso naqueles que, em troca de cargos ou verbas publicitárias (a boca alugada), entregam os interesses do povo e fingem não ver a corrupção ou os "penduricalhos" nas Câmaras Municipais, Estaduais, e no Congresso.


2. A Morte como Espetáculo e Propaganda (A Mídia da Época)

O enforcamento e o esquartejamento de Tiradentes não foram apenas uma execução; foram uma peça de propaganda.

ü  A Coroa Portuguesa usou o corpo de Tiradentes como um "outdoor" de carne e osso. Espalhar seus restos pelas estradas de Minas Gerais foi a forma que o poder encontrou para dizer: "Quem respira contra nós, deixará de respirar".

ü  A "mídia de boca alugada" de hoje cumpre função semelhante: em vez de esquartejar o corpo, esquarteja a reputação. Quando alguém denuncia as injustiças em qualquer parte do país, do estado ou da região, essa mídia é acionada para ridicularizar, silenciar ou "cancelar" o crítico, mantendo o medo e o conformismo.


3. A "Morte em Vão" e o Cinismo das Elites

Dizemos que a morte de Tiradentes foi "em vão" no sentido de que os outros Inconfidentes (muitos deles da elite e ricos) foram apenas exilados, enquanto o único "pobre" do grupo foi executado.

ü  O sistema escolheu o elo mais fraco para pagar a conta, poupando os donos do poder que estavam na mesma conspiração.

ü  Isso se reflete hoje quando vemos a justiça e a mídia perseguirem o pequeno delito ou o cidadão comum, enquanto normalizam auxílios e penduricalhos para quem já ganha salários privilegiados. A morte do ideal de justiça ocorre todos os dias quando a lei é aplicada com pesos diferentes.


4. Tiradentes e a "Filosofia da Miséria"

O feriado de hoje é cercado de hipocrisia. Muitos dos que hoje discursam em homenagem à "Liberdade" de Tiradentes são os mesmos que:

ü  Defendem o silenciamento de vozes dissonantes.

ü  Alugam suas bocas para defender governos que priorizam a propaganda em vez do saneamento básico.

Mantêm o povo em uma "miséria de informações" para que não percebam que o Brasil de 2026 ainda tem estruturas coloniais

Como a Mídia Boca Alugada Mantém Vivo o Holocausto e a Barbárie... todos os dias...

 

Como a Mídia Boca Alugada mantém viva a chama da barbárie....

A pergunta é cirúrgica. A "mídia de boca alugada" é o oxigênio que mantém viva a chama da barbárie ao longo dos séculos. Para que um extermínio ocorra — seja ele físico, como nos tempos dos bugreiros, ou social e político, como vemos hoje — é necessário que a sociedade civil esteja "anestesiada" ou, pior, convencida de que a violência é um mal necessário.

A mídia comprada atua como o braço de propaganda que transforma o massacre em "limpeza" e a barbárie em "progresso". Veja como esse legado se perpetua através dela:


1. A Construção do "Inimigo Conveniente"

Assim como no texto bíblico o "outro" era o pagão que corrompia, a mídia de boca alugada cria estigmas para justificar a agressão.

ü  Ontem: Os índios em Santa Catarina eram descritos nos jornais da época como "feras sanguinárias" e "obstáculos à civilização" para justificar o pagamento por par de orelhas trazido pelos bugreiros.

ü  Hoje: Populações vulneráveis, moradores de rua, ou opositores políticos são rotulados como "terroristas", "vagabundos" ou "ameaças à ordem", preparando o terreno psicológico para que o público aceite a retirada de direitos ou o uso da força.


2. O Eufemismo: A Maquiagem da Morte

A mídia de aluguel é mestre em trocar palavras reais por termos técnicos que escondem o sangue:

ü  Não se diz "matança de civis", diz-se "neutralização de alvos" ou "danos colaterais".

ü  Não se diz "expulsão de camponeses", diz-se "reintegração de posse para fins de desenvolvimento".

ü  No caso de Gaza, a mídia muitas vezes foca no "direito de defesa" de um lado, enquanto silencia sobre a desproporcionalidade estatística do massacre do outro, criando uma falsa simetria ética.


3. O Silenciamento Seletivo (Omissão)

O legado da aniquilação se perpetua pelo que não é dito.

ü  Quando a mídia de Santa Catarina recebe R$ 163 milhões em publicidade governamental, ela perde o interesse em investigar por que Cerro Negro tem o 3º pior IDH do estado ou por que se aprovam auxílios de R$ 800 para vereadores enquanto 1/3 da população vive do Bolsa Família (R$ 600,00/Mês), com um valor total transferido pelo Governo Federal que supera R$ 185 mil mensais (dados de janeiro a março de 2026).

ü  O silêncio sobre a dor do "andar de baixo" é o que permite que o "andar de cima" continue sua marcha de privilégios e exclusão. Se o povo não vê a dor no jornal, a dor não existe para a opinião pública.


4. A Inversão da Moralidade

A mídia de boca alugada consegue o feito de transformar o agressor em vítima e a vítima em culpada.

ü  Durante a colonização, o espanhol que roubava o ouro era o "civilizador".

ü  No nazismo, a propaganda de Goebbels convenceu parte da Alemanha de que o judeu era o agressor da economia alemã.

ü  Hoje, essa mídia convence o cidadão comum de que programas de assistência social (como o Bolsa Família) são o "problema", enquanto os bilhões em isenções fiscais para grandes grupos de mídia e empresas são "incentivos necessários".

 

O Fio Condutor: Da Bíblia ao Rádio Local

O comando de "não deixem com vida nada que respire" só pôde ser executado porque havia uma narrativa de que aquelas vidas não tinham valor. A mídia de boca alugada é a versão moderna do "pregoeiro" que convencia a tribo de que o vizinho precisava morrer.

Enquanto o financiamento público for usado para comprar o editorial dos veículos de comunicação, a "Filosofia da Miséria" de que fala Sakamoto continuará vencendo. A mídia deixa de ser um cão de guarda da democracia para se tornar um cão de guarda do orçamento, protegendo quem paga a conta e latindo apenas para os que já estão no chão.

Quando os Homens em Suas Insanidades e Delírios, Criaram DEUS á Sua Imagem e Semelhança.... (Parte IV)

 

Uma análise profunda e necessária: Onde está Deus (O  verdadeiro)???

Esta é uma análise profunda e sensível, que atravessa milênios de história, teologia e ética humanitária. Para realizar essa comparação, precisamos observar o conceito de "aniquilação do Outro" sob duas óticas: a justificativa ideológica (o porquê se faz) e a mecânica da violência (como se faz).

Aqui está uma análise comparativa estruturada entre o texto bíblico de Deuteronômio e os eventos históricos citados:


1. A Raiz do Discurso: O "Mandato Divino" vs. O Estado

O texto de Deuteronômio 20:16-17 apresenta o que teólogos chamam de Herem (o anátema ou interdição). A justificativa era de ordem teológica: evitar que os costumes das nações locais "corrompessem" a identidade religiosa de Israel.

Essa mesma lógica de "Superioridade Moral/Espiritual" foi transposta para os eventos históricos:

ü  Colonização (Portugueses e Espanhóis): O massacre foi justificado pelo "Requerimento" e pelas Bulas Papais. Os povos originários eram vistos como seres sem alma ou "gentios" que precisavam ser convertidos ou eliminados. A religião foi usada como escudo para a extração de riquezas.

ü  Bugreiros em Santa Catarina: Aqui, o discurso era o do "Progresso". Os índios (Xokleng, Kaingang) eram vistos como obstáculos ao desenvolvimento econômico e à colonização europeia. O Estado catarinense da época chegava a pagar por pares de orelhas de indígenas, uma desumanização absoluta.

ü  Nazismo: Substituiu-se o "Deus" pela "Raça". A aniquilação não era para evitar uma corrupção religiosa, mas uma "contaminação biológica".

ü  Conflito em Gaza: O uso de retórica bíblica por setores da extrema-direita em Israel (citando frequentemente passagens sobre "Amaleque") busca transformar um conflito territorial e político em uma guerra existencial/religiosa de aniquilação.


2. Tabela Comparativa de Elementos de Aniquilação

Evento

Justificativa Principal

Alvo

Método de "Invisibilização"

Deuteronômio

Pureza Religiosa

Povos de Canaã

Ordem de "não deixar nada que respire".

Colonização Ibero-Americana

Expansão da Fé e Coroa

Povos Originários

Escravidão, doenças propositais e massacres rituais.

Bugreiros (SC)

Expansão Territorial/Progresso

Xokleng e Kaingang

Caçadas profissionais e extermínio de aldeias inteiras.

Nazismo

Pureza Racial (Ariana)

Judeus, Ciganos, etc.

Escala industrial e sistemática (campos de extermínio).

Gaza (Atualidade)

Segurança Nacional/Retribuição

População Civil/Infraestrutura

Cerco total e bombardeios de alta densidade em áreas civis.

 

3. Pontos de Convergência Ética

Ao comparar essas barbáries, emergem três padrões assustadores que conectam o texto antigo aos crimes modernos:

  1. A Desumanização do Alvo: Em todos os casos, a primeira etapa é retirar a humanidade do "inimigo". Se eles são "animais", "bugres", "ratos" ou "amalequitas", a consciência de quem mata é silenciada.
  2. A Piedade como Fraqueza: Deuteronômio ordena explicitamente "não ter piedade". Essa ordem ecoa nas instruções dos bugreiros em SC (que não poupavam crianças para não "criarem novos guerreiros") e na lógica das guerras totais modernas, onde o sofrimento civil é visto como um "dano colateral" necessário.
  3. A Apagamento da Memória: A destruição total (aniquilação) visa não apenas matar pessoas, mas apagar a cultura, a língua e o direito à terra. O que os espanhóis fizeram com os códices astecas é o mesmo que a destruição de arquivos e universidades em conflitos modernos busca atingir: a morte da identidade de um povo.


4. Reflexão Final

Embora o contexto de Deuteronômio seja debatido por historiadores (muitos defendem que foi uma retórica hiperbólica de guerra da época, e não um fato histórico literal), o impacto desse texto ao longo da história foi real. Ele serviu de "manual" para que impérios coloniais e regimes autoritários justificassem seus próprios massacres, alegando estarem cumprindo uma vontade superior ou uma necessidade histórica inevitável.

A história mostra que, quando o poder (seja ele religioso ou estatal) decide que um grupo de pessoas "não deve respirar", a civilização regride ao seu estado mais primitivo de barbárie, independentemente da tecnologia ou da época.

domingo, abril 19, 2026

🏹 O Sangue na Terra e o Grito na Mata: Uma Homenagem à Resistência Indígena

 

NÃO É APENAS SOBRE O QUE FOI TIRADO, É SOBRE TUDO O QUE ELES NÃO PERMITIRAM QUE MORRESSE. 19 DE ABRIL: DIA DE MEMÓRIA E LUTA.

Neste 19 de abril, não pedimos celebrações vazias ou estereótipos de livros didáticos. Pedimos silêncio para ouvir o que a terra tem a nos dizer — e ela fala em tons de resistência e luto. Hoje, homenageamos o povo mais heróico destas terras: as nações originárias que, há mais de cinco séculos, enfrentam o fim do mundo todos os dias.


A Cicatriz Aberta de Santa Catarina: A Era dos Bugreiros

Não podemos falar de valentia sem falar da crueldade que tentou calá-la. Em nossa Santa Catarina, a história oficial muitas vezes tentou esconder o rastro de sangue deixado pelos bugreiros. Esses "caçadores de gente", contratados para "limpar" o terreno para a colonização e as estradas de ferro, cometeram atrocidades indescritíveis contra os povos Xokleng e Kaingang.

Foram décadas de emboscadas, onde a vida indígena era tratada como obstáculo ao progresso. Mas eles não contavam com a força espiritual e a bravura de um povo que pertence à terra, e não o contrário. Cada vez que um bugreiro tentava apagar uma linhagem, a mata se encarregava de proteger a semente da resistência.


Séculos de Violência, Milênios de Dignidade

A perseguição não foi apenas física. Foi a escravidão disfarçada, a exploração desenfreada e o apagamento cultural. Foram as doenças trazidas como armas e o roubo sistemático de territórios sagrados. Ainda assim, diante de todas as formas de violência, os povos indígenas permanecem de pé.

Homenageamos hoje:

ü  A Valentia: De quem protege as florestas com o próprio corpo, sendo os verdadeiros guardiões da biodiversidade que ainda nos resta.

ü  A Sabedoria: De quem entende que o rio é um antepassado e que o progresso que destrói a natureza é, na verdade, um suicídio coletivo.

ü  A Herança: Que pulsa no nosso sangue, nos nossos nomes, na nossa culinária e, acima de tudo, na nossa luta por justiça social.


O Compromisso com o Amanhã

Homenagear o povo indígena hoje significa, obrigatoriamente, apoiar a demarcação de terras, combater o marco temporal e denunciar a violência que ainda ceifa vidas nas aldeias e retomadas.

O povo indígena não é o nosso passado; eles são o nosso único futuro possível se quisermos um planeta vivo. Que a valentia de cada guerreiro e guerreira que tombou sob as lâminas dos bugreiros e dos exploradores se transforme em combustível para a nossa indignação e para a nossa solidariedade.

Honra aos povos originários. Ontem, hoje e para sempre.