domingo, fevereiro 22, 2026

Enquanto isso... no Estado mais Nazifascista e Corrupto do Brasil... (parte V)

 

O Teatro do Marketing em Santa Catarina — A "Fabricação do Consenso" entre o Estado Fantasia e a Realidade


Santa Catarina vive hoje sob um regime de "realidade aumentada" pela propaganda. O governador Jorginho Mello transformou a gestão pública em um laboratório das estratégias de manipulação descritas por Noam Chomsky. O objetivo é claro: fabricar um consenso de eficiência enquanto se apaga a participação da União e se esconde o sucateamento estadual sob camadas de verniz publicitário.


1. A Estratégia da Distração e as "Obras Invisíveis"

Chomsky ensina que o controle social exige desviar a atenção do público dos problemas reais para temas insignificantes ou puramente ideológicos. Enquanto o ministro dos Transportes, Renan Filho, enumera investimentos federais concretos — como o Contorno Viário da Grande Florianópolis, a duplicação da BR-470 e as obras na BR-280 —, o governador utiliza a "mídia boca de aluguel" para criar uma cortina de fumaça.

Dizer que "não há obras" não é apenas um erro; é a aplicação da técnica de negação da realidade para manter a militância engajada em um sentimento de abandono fictício. Enquanto isso, o cidadão que trafega por Rio Negrinho ou pelas SCs do Meio-Oeste (Videira, Iomerê, Água Doce) sente na suspensão do carro que o programa "Estrada Boa" é, na verdade, uma peça de ficção que não chega ao asfalto.


2. Criar Problemas para Vender Soluções: O Mito das Cirurgias

Outra tática clássica de Chomsky é criar (ou inflar) um problema para depois oferecer a solução "salvadora". A propaganda das "1 milhão de cirurgias" é o exemplo perfeito. O governo estadual utiliza números inflados por pequenos procedimentos para vender um milagre administrativo.

O que a mídia comprada não questiona é: como isso é pago? A resposta é o SUS. Ao omitir que esses procedimentos são financiados pelo Governo Federal (via Teto MAC e programas de redução de filas de Lula), o governador "privatiza" politicamente um sucesso que é fruto do pacto federativo. É a manipulação da gratidão do eleitor através do apagamento da fonte do recurso.


3. Gradualismo e Retrocesso: O Ataque às Cotas e ao Campo

A aceitação de medidas inaceitáveis é feita de forma gradual e justificada por uma falsa tecnicidade. Assim, a gestão ataca as cotas raciais e veta a compra de 30% da agricultura familiar, desmanchando políticas de inclusão sob o silêncio complacente de setores da mídia que sobrevivem de verbas oficiais. É o estado agindo contra os mais vulneráveis enquanto a propaganda foca em discursos de "mérito" e "liberdade", conceitos vazios quando aplicados a um cenário de profunda desigualdade.


4. A Infantilização do Debate: "Camburão" e Separatismo

Chomsky alerta para o uso de uma linguagem infantilizada para desarmar o senso crítico. Ao falar em "receber o MST com camburão" ou flertar com o movimento "O Sul é o Meu País", Jorginho Mello abandona o papel de estadista para se tornar um agitador de massas.

Essa retórica do ódio serve para manter o "rebanho perplexo" (termo de Chomsky para a massa manipulada) focado em inimigos imaginários, impedindo que a sociedade se pergunte por que o ProUni é ignorado em favor de um programa estadual menos abrangente, ou por que o governo catarinense prefere o isolamento diplomático à cooperação que traz verbas de Brasília.


5. O Apagamento do ProUni e a Invenção da Roda

Na educação, a estratégia é a mesma: o "Universidade Gratuita" é vendido como a salvação do jovem catarinense. No entanto, o governo estadual tenta apagar da memória coletiva que o ProUni, criado pelo governo Lula em 2004, já formou milhares de catarinenses em universidades comunitárias e privadas muito antes de Jorginho Mello sonhar com a cadeira de governador. O que se vê é uma tentativa de substituir um programa consolidado por um modelo que impõe contrapartidas burocráticas pesadas aos estudantes.


Concluindo: O Papel deste Blog contra a "Mídia Boca de Aluguel"

Este espaço surge como um contraponto à fábrica de consenso. Santa Catarina não é uma ilha, por mais que o marketing queira cercá-la com muros ideológicos. As obras federais citadas pelo ministro existem, o SUS é quem sustenta a saúde, e a agricultura familiar merece respeito, não vetos.

Governar exige mais que "marketagem"; exige honestidade intelectual. Está na hora de rompermos a bolha da manipulação e exigirmos que os recursos públicos — sejam eles estaduais ou federais — sejam aplicados onde o povo realmente vive: nas estradas sem buracos, nas mesas com comida do pequeno produtor e nas universidades verdadeiramente inclusivas.

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Aqui estão os links e as referências fundamentais que embasou o editorial. Como os fatos envolvem declarações recentes e dados de programas governamentais, organizei-os por tópicos para facilitar a inserção como hiperlinks no texto:

1. Embate sobre Infraestrutura (Ministro vs. Governador)

a)     Vídeo da Entrevista (Renan Filho): Instagram @renanfilhoFonte primária onde o ministro lista as obras federais em SC.

b)    Contorno Viário da Grande Florianópolis: Portal GOV.BR - Ministério dos TransportesDetalhes sobre a entrega e o papel do governo federal/concessionária.

c)     Investimentos Federais em SC: Agência BrasilDados sobre o aumento de repasses para as BRs no estado.

2. Saúde e Cirurgias Eletivas

a)     Programa Nacional de Redução de Filas (PNRF): Ministério da SaúdeExplica como o Governo Federal envia recursos extras para estados realizarem as cirurgias.

b)    Dados do SUS em SC: Painel de Indicadores do SUSPara consultar a produção hospitalar financiada pela União.

3. Educação e Questões Raciais

a)     Programa Universidade Gratuita (SC): Site Oficial do Governo de SCPara citar as regras e contrapartidas do estado.

b)    ProUni (Histórico): Portal MEC - ProUniReferência sobre o programa federal que já atua desde 2004.

c)     Proibição de Cotas: Notícia sobre o posicionamento do Governo de SC contra as cotas(Busque por notícias locais como NSC Total ou G1 SC sobre o veto ou questionamento das cotas no estado).

4. Agricultura Familiar e Veto

a)     Veto aos 30% da Agricultura Familiar: Assembleia Legislativa de SC (ALESC)Procure pelo histórico de vetos do governador a projetos que estabelecem percentuais mínimos de compra de alimentos de pequenos produtores.

b)    Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Federal): CONAB - PAAA base federal para comparação de incentivo ao pequeno produtor.

5. Postura Política e Ideológica

a)     Declaração sobre o MST (Camburão): Poder360 / MetrópolesReportagem sobre a fala polêmica do governador.

b)    O Sul é o Meu País / COSUD: Notícias sobre o Consórcio Sul-SudesteContexto sobre a união regional que gerou críticas de separatismo.


Cresça... Cresça e Apareça Governador... (Parte III)

 

O Coquetel da Omissão — Enquanto o Governo Faz Marketing, Santa Catarina Bebe Agrotóxico

Há algo de muito podre — e tóxico — sob as águas de Santa Catarina. Enquanto o governo de Jorginho Mello investe milhões para vender um "Estado Fantasia", os dados mais recentes do Sisagua, revelados por um relatório do Ministério Público (MPSC) em fevereiro de 2026, trazem uma realidade aterrorizante: 52% dos municípios catarinenses têm resíduos de agrotóxicos correndo nas torneiras.

O que estamos presenciando é a aplicação mais perversa da Estratégia da Distração de Noam Chomsky. O governo mantém a população ocupada com pautas ideológicas e ataques ao STF, enquanto silencia sobre o "efeito coquetel" que atinge 155 cidades do estado e que contém uma mistura de até 27 substâncias químicas diferentes.


1. O Mapa do Veneno: Cidades e Substâncias Proibidas

O levantamento do MPSC não apenas detectou agrotóxicos; ele encontrou substâncias banidas no Brasil por sua altíssima toxicidade. O 2,4-D foi o herbicida mais frequente, presente em 81 municípios.

A gravidade aumenta quando olhamos para as cidades onde foram encontrados agrotóxicos proibidos pela Anvisa (como o Carbofurano e o Metolacloro):

ü  Cidades com substâncias banidas: Balneário Camboriú, Itaiópolis, Ituporanga, Rancho Queimado, Imbuia, Canelinha e São João do Sul.

ü  O "Recorde" do Coquetel: Em Ituporanga, foram encontrados 23 tipos diferentes de agrotóxicos na mesma amostra. Em Imbuia, foram 17.

ü  Região Sul: É a mais afetada proporcionalmente, com registros em 76,1% dos seus municípios.


2. A CASAN e a Incapacidade Técnica

Aqui o marketing de Jorginho Mello colide com a engenharia sanitária. A CASAN, responsável pelo abastecimento em quase 200 municípios, alega que a água é "segura" porque segue os limites brasileiros. No entanto, há duas verdades que a propaganda estadual esconde:

1.    Tratamento Obsoleto: O tratamento convencional usado pela CASAN (floculação, areia e cloro) foca em bactérias. Ele é incapaz de remover moléculas químicas complexas de agrotóxicos.

2.    Padrões Permissivos: O que o governo chama de "nível seguro" seria considerado contaminação criminosa na Europa. O Brasil permite concentrações de Glifosato na água centenas de vezes maiores do que os países desenvolvidos.


3. A Omissão do Estado e a Negação do Federalismo

É irônico que o governador Jorginho Mello negue as obras federais citadas pelo ministro Renan Filho (como as BRs 470, 280 e 101) sob a desculpa de "defender SC", mas silencie sobre a contaminação que vem da lixiviação agrícola.

Ao atacar o MST com retórica de "camburão", o governador criminaliza quem defende a agroecologia — a única solução real para proteger nossos mananciais. Ele prefere proteger o lobby das grandes químicas e o marketing do "agronegócio heroico" do que admitir que as regiões de grãos (Oeste e Meio-Oeste) e de arroz (Litoral Sul) estão envenenando os aquíferos.


Concluindo: O "Estrada Boa" não cura o Câncer

Como ensina Chomsky, o governo tenta infantilizar o debate, tratando a contaminação como um "detalhe técnico" dentro da lei. Mas a exposição crônica a esse coquetel está ligada a cânceres de tireoide, estômago e desregulação hormonal.

Santa Catarina não precisa de mais vídeos de Instagram; precisa de investimento em estações de tratamento de carvão ativado e de uma política de redução de venenos. O asfalto novo do programa "Estrada Boa" não serve para nada se o destino final do catarinense for uma fila de oncologia financiada pelo SUS que o governador insiste em desmerecer.

 

Tabela: O Abismo Regulatório (Brasil vs. União Europeia)

Esta tabela demonstra como substâncias que o governo catarinense trata como "dentro dos limites" são, na verdade, permitidas em quantidades alarmantes quando comparadas ao padrão europeu.





sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Do Vale do Silício ao Vale do Itajaí: A Ciência da Manipulação Algorítmica e o "Efeito Manada" em SC

 O recente estudo da Queensland University of Technology (QUT) confirmou o que muitos já sentiam na pele: o algoritmo do X (antigo Twitter) foi ajustado para amplificar vozes de direita e, especialmente, o conteúdo de Elon Musk. Mas, enquanto olhamos para as "big techs" com espanto, negligenciamos um fenômeno muito similar e mais próximo de nós: a atuação da chamada "mídia de boca alugada" em Santa Catarina.

 

Ver em:

https://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia-e-tecnologia/estudo-comprova-manipula%C3%A7%C3%A3o-do-x-para-favorecer-direita-%C3%A9-chocante/ar-AA1WFNRQ?ocid=hpmsn&cvid=69974a1a3f1746a0b1695d7c671a8988&ei=102

 

1. O Algoritmo de Musk e a Mídia Catarinense: O que eles têm em comum?

O estudo mostra que o X não apenas exibe o que você quer ver, mas o que querem que você veja. Em Santa Catarina, esse "algoritmo" é analógico, mas igualmente eficiente.

A "mídia de boca alugada" — composta por portais, radialistas e influenciadores financiados por grupos políticos ou econômicos — opera sob a mesma lógica de amplificação artificial. Se no X o código favorece uma ideologia, aqui, o financiamento garante que certas narrativas dominem o rádio, os grupos de WhatsApp e os jornais locais, asfixiando o contraditório.


2. O Efeito Manada na Sociedade Catarinense

Santa Catarina é um estado conhecido pela sua coesão social e cultural, mas essa mesma característica o torna vulnerável ao Efeito Manada. Quando o algoritmo digital (no X) e o algoritmo social (na mídia local) convergem, cria-se uma percepção de "consenso absoluto".

  • A Validação do Viés: O catarinense médio, ao ver a mesma narrativa no X e ouvir o radialista da sua cidade repetindo os mesmos bordões, sente-se validado.
  • O Isolamento da Dissidência: Quem pensa diferente sente que está sozinho, mesmo que represente uma parcela significativa da população. O medo do isolamento social em comunidades menores acelera a conformidade com a manada.


3. A Manipulação das Massas: Do Código ao Microfone

A manipulação no X é invisível, feita por linhas de código. Em SC, ela é muitas vezes ruidosa. No entanto, o objetivo é o mesmo: o controle da agenda.

Enquanto Musk utiliza a plataforma para moldar o cenário eleitoral americano e global, a mídia cooptada em Santa Catarina utiliza sua proximidade com o povo para manter estruturas de poder locais intactas. O "boca alugada" não informa; ele pauta o que deve ser odiado e o que deve ser exaltado, muitas vezes ignorando problemas reais de infraestrutura, saúde ou educação para focar em pautas de costumes que inflamam a base.


4. Reflexão Final: O Despertar da Bolha

O estudo sobre o X é um alerta de que a neutralidade tecnológica é um mito. Da mesma forma, a neutralidade da imprensa regional que sobrevive de verbas de gabinete é outra ilusão que precisamos dissipar.

O primeiro passo para quebrar o efeito manada é entender como ele é construído. Seja através de um algoritmo no Vale do Silício ou de um microfone em uma rádio do interior catarinense, a manipulação floresce na ausência do pensamento crítico e da diversidade de fontes.

terça-feira, fevereiro 17, 2026

O Passado como Campo de Batalha: De Trump ao Nazifascismo Regional

 

A recente decisão judicial nos Estados Unidos, que impediu o governo Trump de censurar a história da escravidão em exposições, trouxe à tona uma frase de George Orwell que nunca foi tão atual: "Quem controla o passado controla o futuro". Essa tentativa de "limpar" a história não é um caso isolado de Washington; é um sintoma de uma patologia autoritária que ecoa com força nas terras catarinenses e no discurso de setores da mídia local.

Ver em

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/02/juiz-impede-governo-trump-de-censurar-historia-da-escravidao-em-exposicao-e-cita-george-orwell.shtml


1. A Lição Americana: A História não é Propaganda

O juiz federal, ao citar 1984, lembrou ao Estado que ele não possui o monopólio da verdade histórica. A tentativa de remover a escravidão do foco expositivo é uma forma de "Buraco da Memória" (o mecanismo orwelliano de destruir fatos inconvenientes). Ao apagar a dor do passado, o poder busca silenciar as reivindicações do presente.


2. O Espelho Catarinense: O "Nazifascismo" e a Identidade Higienizada

Não podemos ignorar a conexão dessa "Guerra Cultural" americana com o que ocorre em Santa Catarina. O estado, frequentemente palco de episódios de apologia ao nazismo e crescimento de células extremistas, vive uma tentativa constante de vender uma identidade "europeia pura", higienizada e superior.

·         A Negação da Barbárie: Assim como o governo Trump tentou suavizar a escravidão, setores do extremismo regional tentam suavizar a influência do pensamento fascista na formação política local.

·         O Inimigo Interno: O discurso orwelliano de "nós contra eles" é usado para estigmatizar qualquer movimento que denuncie as raízes da desigualdade e da violência histórica no Sul.


3. A Mídia "Boca Alugada": Os Alto-Falantes do Ministério da Verdade

Nenhum projeto autoritário sobrevive sem a mídia de aluguel. Em Santa Catarina, é notável o papel de certos veículos e comunicadores que atuam como o "Ministério da Verdade" de Orwell.

·    A "Novafala" da Mídia: Eles não informam, eles pautam a distorção. Chamam censura de "preservação de valores", chamam racismo estrutural de "vitimismo" e atacam a ciência e a história com o cinismo de quem recebe para mentir.

·         A Função do Mercenarismo: Essa mídia "boca alugada" vende o silêncio sobre as mazelas sociais enquanto amplifica o pânico moral. Eles são os responsáveis por garantir que o "Duplipensamento" — a capacidade de manter duas crenças contraditórias simultaneamente — torne-se a norma na população.


Concluindo: Resistir é Lembrar

A decisão judicial nos EUA é um lembrete de que a história é um direito coletivo, não um joguete governamental. No Brasil, e especificamente em Santa Catarina, a luta contra o nazifascismo e contra a mídia subserviente passa obrigatoriamente pela preservação da memória.

Se permitirmos que a "boca alugada" e os ideólogos do apagamento reescrevam o que fomos, não teremos ferramentas para decidir o que seremos. O Carnaval que afronta a morte (como discutimos antes) e a justiça que afronta a censura são faces da mesma resistência: a insistência em ser humano em tempos de desumanização planejada.

Síntese: Carnaval como Forma de Afrontar a Morte no Brasil

 

A matéria publicada no blog "Morte sem Tabu" apresenta uma entrevista ou reflexão baseada na visão de um historiador sobre a função social e existencial do Carnaval em um país atravessado por desigualdades e violência.

Ver em:

https://www1.folha.uol.com.br/blogs/morte-sem-tabu/2026/02/em-um-brasil-marcado-para-morrer-carnaval-e-uma-forma-de-afrontar-a-morte-diz-historiador.shtml

 

1. A Festa como Resistência Vital

O argumento central é que o Carnaval não é apenas uma diversão alienante, mas uma resposta política e existencial à morte. Em um "Brasil marcado para morrer" — onde a expectativa de vida e a segurança variam drasticamente conforme a classe social e a raça — a alegria torna-se um ato de insubmissão.


2. O Contraste entre a Tragédia e a Folia

O historiador destaca que:

ü  A Morte no Cotidiano: O Brasil convive com altos índices de violência e descaso estatal, o que gera uma sensação constante de finitude.

ü  O Carnaval como Parênteses: A festa cria um tempo onde o corpo, que normalmente é alvo de opressão ou trabalho exaustivo, pode experimentar o prazer, o riso e a liberdade.


3. A Simbologia do "Corpo Vivo"

O texto explora como o Carnaval coloca o corpo em evidência. No desfile, na dança e no suor, o brasileiro reafirma que está vivo, apesar das estatísticas que tentam "matá-lo" socialmente. É uma forma de dizer que a vida não pode ser reduzida apenas à sobrevivência econômica ou ao medo da violência.


4. A Influência das Raízes Culturais

A matéria menciona como as tradições afro-brasileiras e populares lidam com a morte de forma menos binária do que o pensamento ocidental tradicional. No Carnaval, celebra-se a memória dos que se foram através do samba e do enredo, transformando o luto em celebração da ancestralidade.


5. Reflexão Política

O historiador sugere que o Carnaval "afronta a morte" ao desobedecer a lógica do sofrimento. Ao escolher a alegria em cenários de precariedade, o povo brasileiro exerce um poder que as estruturas de poder não conseguem controlar totalmente.


Concluindo:

A síntese da matéria revela que o Carnaval funciona como uma tecnologia de sobrevivência emocional e social, permitindo que a população recupere sua humanidade frente a uma realidade que muitas vezes a nega.

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

A Lente que Deforma: A Homenagem a LULA... a Manipulação Global e as Lições de Noam Chomsky

 

Este Artigo foi baseado no que foi publicado em https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/globo-manipula-edi%C3%A7%C3%A3o-do-desfile-sobre-lula-adverte-especialista/ar-AA1Wt5Sb?ocid=hpmsn&cvid=6993ceae7f394e249c4ad5f1d3abde62&ei=142


Recentemente, um episódio envolvendo a edição do desfile de uma escola de samba pela Rede Globo trouxe à tona, mais uma vez, o debate sobre a ética jornalística e a imparcialidade das grandes corporações de comunicação. Segundo especialistas, a emissora teria manipulado a edição para suavizar ou alterar a percepção do público sobre homenagens e críticas políticas. Este fato não é isolado; ele é uma engrenagem fundamental do que Noam Chomsky chama de "Manufatura do Consentimento".


O Filtro da Edição: O Que Você Não Vê

Para o espectador comum, a imagem na TV é a realidade. No entanto, para a "mídia boca alugada", a imagem é uma matéria-prima a ser esculpida de acordo com interesses econômicos e políticos. Quando uma emissora edita um desfile para omitir o apoio popular a uma figura política (como o presidente Lula) ou para descontextualizar uma manifestação, ela está aplicando o que Chomsky descreve como o Filtro dos Flak (Pressões) e o Filtro da Ideologia.

A manipulação não ocorre apenas na "mentira descarada", mas no corte preciso:

  • A seleção do ângulo: Mostrar o vazio onde há multidão.
  • A edição do áudio: Silenciar o coro das arquibancadas.
  • O comentário enviesado: Sobrepor a imagem com uma interpretação que induz o espectador ao erro.


Estratégias de Chomsky na Prática Global

Podemos identificar claramente ao menos três das estratégias de manipulação de Chomsky neste comportamento midiático:


1. A Estratégia da Distração

Ao focar em detalhes técnicos do desfile ou em polêmicas superficiais, a mídia desvia a atenção do público do conteúdo político e social que a escola de samba tentou levar para a avenida. A política é tratada como "ruído", e não como mensagem.


2. Criar Problemas, Depois Oferecer Soluções

A mídia muitas vezes cria uma narrativa de "caos" ou "polarização extrema" através de suas edições tendenciosas para, em seguida, apresentar-se como a única voz equilibrada e racional capaz de interpretar a realidade para o cidadão "comum".


3. Dirigir-se ao Público como Crianças de Baixa Idade

A edição manipulada pressupõe que o espectador não tem capacidade crítica para analisar o desfile por conta própria. Ao "mastigar" e filtrar o que deve ser visto, a televisão trata o cidadão como um sujeito passivo, incapaz de lidar com a complexidade dos fatos.


O Perigo da "Boca Alugada"

O termo "mídia boca alugada" nunca foi tão atual. Quando o jornalismo deixa de ser um serviço público para se tornar um braço de lobby, a democracia adoece. O caso da manipulação do desfile serve como um alerta: a liberdade de imprensa não pode ser confundida com a liberdade de fraudar a percepção da audiência.

Noam Chomsky nos ensina que o sistema de propaganda das democracias ocidentais é muito mais sofisticado que o das ditaduras, pois ele nos faz acreditar que somos livres enquanto nossas mentes são moldadas por editores que decidem o que é "verdade".


Concluindo: O Papel do Leitor Crítico

Neste cenário, o papel dos blogs independentes e dos leitores críticos é fundamental. É preciso comparar fontes, buscar as transmissões na íntegra e, acima de tudo, entender que editar é um ato político. Não deixe que a "Vênus Platinada" ou qualquer outro oligopólio de mídia decida o que você deve sentir ou pensar sobre a história que acontece diante dos seus olhos.

sexta-feira, fevereiro 13, 2026

O Carnaval da Indiferença e a Anatomia da Barbárie: Por que nossos animais estão morrendo?

Neste final de semana de Carnaval, enquanto o país busca o refúgio da festa, um eco de agonia ressoa de forma mais nítida no Sul e Sudeste do Brasil. Casos como o do cão Orelha em Santa Catarina ou o arremesso de um animal do alto de um prédio não são incidentes isolados de "loucura juvenil" ou "maldade gratuita". São sintomas de um fenômeno mais profundo, enraizado em ideologias de exclusão e métodos de dominação psicológica.


A Crueldade como Experimento Ideológico

Não é coincidência que o aumento de casos de crueldade extrema contra animais ocorra paralelamente à proliferação de células de inspiração nazifascista em estados como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Historicamente, o fascismo se alimenta da ideia de uma "hierarquia de seres". A violência contra o animal — o ser mais vulnerável da cadeia social — funciona como um campo de treinamento. Eric Fromm e outros teóricos da Escola de Frankfurt já alertavam: a incapacidade de sentir empatia pelo "outro" (seja ele um animal, um imigrante ou um opositor) é a base do caráter autoritário. Ao desumanizar o bicho e tratá-lo como descarte, o agressor exercita o poder absoluto, um pilar da estética e da prática supremacista.


Chomsky e a "Mídia Boca Alugada"

Como essa barbárie se torna palatável ou invisível? Noam Chomsky, em seus estudos sobre a Manufatura do Consentimento, descreve como os grandes meios de comunicação operam para manter o status quo.

A "mídia boca alugada" contribui para essa onda de três formas principais:

  1. A Fragmentação da Realidade: Os crimes são noticiados como fatos policiais isolados. A mídia raramente conecta o "adolescente que jogou o cachorro" com os fóruns de internet que frequentam ou com a ideologia que consome. Trata-se o sintoma, mas esconde-se o vírus.
  2. A Distração e o Entretenimento: Enquanto a violência estrutural avança, o debate público é inundado por trivialidades. A indignação é momentânea e "espetacularizada" para gerar cliques, mas não para gerar mudança política ou educacional.
  3. A Normalização do Ódio: Ao dar palanque a discursos que pregam o extermínio do diferente, a mídia cria um caldo de cultura onde a vida — qualquer vida — perde o seu valor sagrado.

Por que no Sul?

O mito da "Europa Brasileira" criou, em certas franjas da sociedade sulista, um complexo de superioridade que, ironicamente, descamba para a barbárie. Ao tentarem preservar uma pureza imaginária, grupos extremistas utilizam a violência para marcar território. O animal, no seu silêncio, é a primeira vítima dessa "limpeza" de empatia.


Concluindo: O Despertar da Consciência

Neste feriado, a reflexão que fica é: que tipo de sociedade estamos construindo quando o grito de um animal não nos mobiliza a atacar a raiz do problema? O combate à violência animal no Sul não passa apenas por leis mais duras, mas pelo desmantelamento das redes de ódio e pela denúncia do silêncio cúmplice de uma mídia que fatura com a tragédia sem explicar o porquê dela existir.

Para que o Carnaval não seja apenas uma máscara sobre o rosto de um Brasil que se torna, dia após dia, mais intolerante e cruel.

Referências: Noam Chomsky (Manufacturing Consent), Relatórios de monitoramento de grupos neonazistas no Brasil.