quarta-feira, julho 01, 2026

Cresça... Cresça e Apareça Governador.... A Marketagem da Mentira e o Mitômano de Plantão (Parte VII)

 Asfalto de Papel: Como o Marketing do “Estrada Boa” Tenta Apagar o Passado e o Governo Federal

O cenário político de Santa Catarina tem sido marcado por uma tática antiga, mas perigosa: a blindagem por meio da propaganda institucional. O exemplo mais recente dessa conduta se reflete na postura do governador Jorginho Mello ao atacar o presidente Lula, acusando-o de faltar com a verdade sobre a proposta de investimentos de R$ 25 bilhões destinados à infraestrutura do estado. Essa narrativa demagógica cumpre uma função clara: tentar manipular a opinião pública para mascarar a ausência de protagonismo próprio e o isolamento institucional da gestão estadual perante o governo federal.

Enquanto o governador gasta energia em embates retóricos, a máquina publicitária de Santa Catarina opera a pleno vapor. Sob o manto de campanhas milionárias — inseridas no montante que já atinge a marca histórica de R$ 444 milhões de dinheiro público investidos em publicidade ao longo de seu mandato —, o governo tenta fixar a imagem de um realizador obstinado através do programa “Estrada Boa”.

Contudo, ao confrontarmos os comerciais de televisão com os relatórios técnicos e o histórico financeiro do estado, a propaganda desmorona, revelando-se uma colcha de retalhos feita com o trabalho alheio e sustentada por dívidas.

 

A Ilusão das Telas: Drones, Concreto e Inflação Estatística

A estratégia de marketing do “Estrada Boa” segue uma cartilha agressiva de comunicação. Os comerciais de rádio, televisão e redes sociais são verdadeiras superproduções. Imagens aéreas de alta definição captadas por drones mostram retroescavadeiras, rolos compressores e operários em ritmo acelerado, aplicando asfalto ou concreto fresco sobre rodovias antigas. O objetivo é transmitir uma sensação de dinamismo absoluto e urgência.

Essa estética é acompanhada por um discurso de "reconstrução". Jorginho Mello aparece caminhando pelas rodovias estaduais (SCs), conversando com caminhoneiros e afirmando ter tido "a coragem de tirar as obras do papel", sugerindo que o estado viveu décadas de abandono absoluto. Para impressionar o eleitorado, o marketing oficial infla as estatísticas, propagando que o programa saltou o índice de rodovias em boas condições de meros 20% para expressivos 95%, anunciando um pacote de R$ 5 bilhões.

 

O que a Propaganda Omite: A Herança de Carlos Moisés

O que os comerciais de trinta segundos omitem de forma deliberada é a continuidade administrativa. O programa “Estrada Boa” não nasceu do zero; ele herdou uma robusta base técnica e financeira da gestão anterior, comandada por Carlos Moisés.

ü  Projetos Prontos e Pagos: Muitas das ordens de serviço assinadas com pompa pela atual gestão utilizaram exatamente os mesmos projetos executivos de engenharia que foram licitados, elaborados e pagos entre 2021 e 2022.

ü  O Confisco do Plano 1000: Na gestão anterior, o "Plano 1000" pulverizava recursos transferindo dinheiro diretamente para as prefeituras executarem as obras. Jorginho Mello extinguiu esse modelo, cancelou os repasses aos municípios e concentrou todo esse dinheiro no caixa central do Estado para financiar as obras sob a sua própria marca, centralizando o dividendo político.

ü  O Caixa das Operações de Crédito: Os recursos estruturais que financiam as frentes de trabalho já haviam sido engatilhados no passado. A atual gestão revisou esses contratos e se apropriou dos fundos para carimbar o selo do novo governo.

 

O Contraponto dos Fatos: Empréstimos, Rachaduras e Investigação

Ao contrário do que a publicidade faz parecer, as obras não são custeadas por "economias próprias" da arrecadação do governador. O programa é sustentado por pesados endividamentos públicos. O marketing esconde que o “Estrada Boa” depende diretamente de financiamentos de R$ 631,9 milhões junto ao BNDES (recurso do Governo Federal que Jorginho tanto critica) e de negociações de US$ 300 milhões com o Banco Mundial.

Além disso, a realidade das rodovias passa longe da perfeição exibida nas telas:

  1. Suspensão pelo Tribunal de Contas (TCE/SC): O órgão fiscalizador interveio e chegou a suspender pagamentos de contratos que somavam R$ 150 milhões devido a graves falhas de sinalização, fiscalização precária e, pior, trechos de asfalto novos que apresentaram rachaduras e buracos poucos meses após a entrega.
  2. Inquéritos por Corrupção no MPSC: A 27ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina instaurou inquéritos civis para apurar supostas práticas de corrupção passiva e irregularidades contratuais envolvendo a Secretaria de Estado da Infraestrutura e empreiteiras em trechos do programa, como as obras de concreto na SC-477.
  3. As Obras Eternas: Enquanto a propaganda celebra metas, parlamentares da oposição na ALESC e comunidades locais expõem trechos esquecidos que se arrastam desde 2021 (como na SC-281), exibindo menos de 10% de execução física e gerando isolamento logístico real.

 

Concluindo: O Programa "Boa Propaganda"

Recentemente, para se esquivar das reclamações sobre a péssima durabilidade do asfalto entregue, o governo passou a divulgar um novo jargão: um modelo de manutenção desenvolvido com o Banco Mundial, apelidado de “coisa de primeiro mundo”, onde as empresas só recebem se a via estiver impecável. Trata-se de mais uma cortina de fumaça para transferir a responsabilidade.

Como bem ironizam os deputados de oposição na tribuna da ALESC, o único programa que funciona perfeitamente e sem atrasos em Santa Catarina é o "Boa Propaganda". Trocar a diplomacia institucional com o governo federal e a execução transparente de engenharia por R$ 444 milhões em maquiagem publicitária pode até render belos vídeos de campanha, mas o catarinense que de fato trafega pelas SCs sabe que o asfalto real não aceita filtros de internet.



Cresça... Cresça e Apareça Governador.... A Marketagem da Mentira e o Mitômano de Plantão (Parte VI)

 O Estado da Fantasia: Como o Marketing de R$ 444 Milhões Esconde a Realidade de Santa Catarina

Enquanto hospitais catarinenses enfrentam crises estruturais crônicas e dezenas de escolas estaduais clamam por manutenção básica, o governo de Jorginho Mello parece operar em outra dimensão. É a dimensão da propaganda. Sob uma avalanche diária de comerciais de televisão e peças digitais milimetricamente produzidas, a atual gestão tenta impor uma narrativa demagógica que beira o absurdo: a de que antes de sua chegada, Santa Catarina vivia no absoluto abandono absoluto.

Mais do que mera vaidade, a estratégia do governador revela traços severos de uma mitomania institucionalizada. O caso mais recente e escandaloso dessa postura se deu na tentativa infantil de desmilitarizar a verdade ao acusar o presidente Lula de mentir sobre a proposta de parcerias e investimentos de R$ 24 bilhões federais para as rodovias catarinenses (BRs 470, 280 e 282). Ao tentar manipular a opinião pública para mascarar a sua deliberada ausência em agendas institucionais com a União, Jorginho Mello esbarra em um obstáculo intransponível: os fatos comprovados.

E os fatos mostram que a atual gestão prefere investir no verniz da publicidade do que na solidez da verdade. De janeiro de 2023 a dezembro de 2025, o Governo do Estado torrou a impressionante cifra de R$ 444 milhões de dinheiro público com publicidade institucional. Somente em 2025, os gastos com propaganda dispararam 136% em relação ao primeiro ano de mandato, injetando R$ 216 milhões na máquina de mídia para vender uma Santa Catarina que só existe nas telas.

Abaixo, desmascaramos mais uma das maiores peças de ficção desse governo cosmético.


A Maquiagem do "Escola Boa": Demagogia e a Apropriação do Passado na Educação de SC

A política catarinense vive um momento de forte macromidiático, onde a imagem e a narrativa parecem ter mais peso do que a realidade dos fatos. O governador Jorginho Mello, que já demonstrou uma inclinação para a "mitomania" em outras ocasiões (como no caso da propaganda enganosa sobre as 1.300 mil cirurgias), agora utiliza o programa "Escola Boa" como vitrine de uma suposta revolução na infraestrutura escolar. No entanto, por trás da estética impecável e dos números grandiosos, esconde-se uma estratégia de apropriação de projetos anteriores e uma grave omissão das dificuldades crônicas que ainda persistem na rede estadual de ensino.


O "Padrão Escola Boa": Uma Fachada Mercadológica

A propaganda do programa "Escola Boa" é um exemplo claro de marketing de alto padrão. Os vídeos exibidos nas redes sociais do governador e do Governo do Estado adotam o jargão "Padrão Escola Boa!", focando em imagens dinâmicas e de alta definição: fachadas recém-pintadas, salas de aula climatizadas com aparelhos novos, quadras poliesportivas modernas e alunos sorridentes com uniformes organizados. A narrativa constrói um "Antes" vs. "Depois", onde o governador aparece como o herói que "voltou a tratar a educação com seriedade", sugerindo um abandono total por gestões passadas.

Para gerar um impacto de eficiência, a publicidade divulga cifras bilionárias, como R$ 3,5 bilhões exclusivos para infraestrutura escolar, e celebra metas rápidas, como a conclusão de 58 obras apenas no primeiro trimestre. Essa grandiosidade de números visa consolidar a imagem de um governo dinâmico e realizador.


A Realidade Fora das Câmeras: Omissão e Precarização

No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (SINTE-SC) e parlamentares de oposição trazem um contraponto necessário a essa narrativa idílica. O "Padrão Escola Boa" é, na verdade, uma apropriação do passado. Grande parte das reformas e ampliações inauguradas com pompa como "obras do Escola Boa" são projetos cujos projetos executivos, orçamentos plurianuais ou licitações já haviam sido iniciados em governos anteriores. A atual gestão limitou-se, em muitos casos, a dar uma nova identidade visual a projetos cujas bases contratuais e financeiras começaram a ser estruturadas em governos passados.

Mais grave ainda é a omissão da realidade fora das câmeras. Enquanto a propaganda foca nas unidades modelo, dezenas de escolas da rede estadual ainda convivem com precarização crônica, falta de pessoal de apoio e problemas de manutenção básica. O sindicato publica frequentemente materiais paralelos mostrando essa realidade que não aparece nos comerciais de televisão, evidenciando que o "Padrão Escola Boa" é uma exceção, não a regra.


O Contraste com os Investimentos Históricos

Este artigo quer desmascarar a ideia de que a educação catarinense sofria com falta de investimentos em gestões passadas. Nos anos anteriores à atual gestão, Santa Catarina registrou aportes financeiros significativos e históricos na educação pública estadual. Em 2021, o Estado atingiu o investimento total recorde de R$ 7,7 bilhões na educação pública, alcançando 27,40% da Receita Corrente Líquida (RCL), superando a obrigação constitucional de 25%.

O plano plurianual anterior já havia iniciado e licitado as diretrizes para a informatização escolar, equipando escolas com computadores de alta performance e projetores digitais, e estruturando a infraestrutura de rede básica necessária para o Novo Ensino Médio. Programas de permanência e infraestrutura, como o Bolsa Estudante de 2022 e repasses de R$ 104,7 milhões em emendas de 2020, mostram que a educação já era tratada com seriedade e planejamento.


Concluindo: Demagogia e Manipulação

A atitude do governador Jorginho Mello, que infantilmente acusa o presidente Lula de ter mentido sobre uma proposta de investimento de 25 bilhões, insere-se nessa mesma lógica de demagogia e manipulação da opinião pública. Ao focar em propagandas grandiosas e na apropriação de projetos alheios, o governador tenta consolidar uma imagem de eficiência que não condiz com a realidade dezenas de escolas ainda precarizadas.

Enquanto o governador gasta recursos em inúmeras e incoáveis propagandas (onde já investiu 444 milhoes de reais durante o seu governo), a educação catarinense precisa de mais do que uma fachada bonita e um novo nome para projetos antigos. Precisa de transparência, de planejamento sério e de um compromisso real com a comunidade escolar, e não de maquiagem publicitária e apropriação do passado.



Cresça... Cresça e Apareça Governador.... A Marketagem da Mentira e o Mitômano de Plantão (Parte V)

A Fábrica de Ilusões: O Abismo entre o Marketing da Saúde e a Realidade das Filas em SC

Em uma era dominada por narrativas de forte apelo popular, a fronteira entre a propaganda institucional legítima e a manipulação da opinião pública torna-se cada vez mais tênue. Em Santa Catarina, o governo de Jorginho Mello adotou uma estratégia de comunicação agressiva e milionária, calcada em números grandiosos e histórias emocionantes de superação. A peça central dessa engrenagem publicitária é o anúncio massivo de que o estado atingiu a marca de “1 milhão de cirurgias realizadas”.

Contudo, quando as luzes dos estúdios se apagam e entram em cena os relatórios técnicos dos órgãos de controle, a contabilidade fantástica do marketing governamental desmorona, revelando um abismo alarmante entre a ficção televisiva e a vida real dos cidadãos que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).


A Conta Não Fecha: A Descoberta do TCE e da ALESC

A oposição na Assembleia Legislativa (ALESC), amparada em dados oficiais obtidos via Pedidos de Informação, confrontou diretamente a narrativa do "Paciente 1 Milhão". O confronto dos números é pedagógico: para que a publicidade oficial fosse verdadeira, os hospitais catarinenses precisariam operar uma média irreal de 1,4 mil pessoas todos os dias, ininterruptamente.

Uma auditoria oficial do Tribunal de Contas do Estado (TCE/SC) revelou o tamanho da distorção: somando todas as cirurgias eletivas realizadas em Santa Catarina entre os anos de 2020 e 2024, o montante real chega a apenas 485 mil procedimentos — menos da metade do propagado nos comerciais de televisão. Em outro relatório técnico focado no exercício de 2024, o total efetivo contabilizado foi ainda mais restrito, apontando cerca de 284,8 mil procedimentos no período.

Para inflar os gráficos e justificar o vultoso investimento publicitário, o governo incluiu de forma controversa pequenas intervenções, exames ambulatoriais cotidianos e procedimentos de urgência que ocorrem na rotina hospitalar padrão. Trata-se de uma simbiose de dados estatísticos operada para gerar uma falsa sensação de eficiência administrativa.


Filas Recordes e o Calvário do Tempo de Espera

Enquanto a propaganda tenta passar a ilusão de que o problema estrutural da saúde foi superado, a realidade das famílias nas pontas dos municípios é de dor e sofrimento contínuo. Em fevereiro de 2023, a atual gestão lançou um programa com a promessa pública de "zerar as filas" em até seis meses. Na prática, as listas oficiais de espera por cirurgias eletivas não apenas deixaram de ser zeradas, como alcançaram o maior nível de sua série histórica, saltando de 107 mil pessoas para um recorde superior a 116 mil pacientes aguardando atendimento.

O tempo de espera exposto pelas planilhas oficiais beira a desumanidade:

·        Cirurgias de mama: Média de 697 dias de espera.

·        Cirurgias reparadoras: Média de 644 dias de espera.

·        Procedimentos osteomusculares: Média de 420 dias de espera.

·        Vias aéreas superiores (face/cabeça/pescoço): Média de 366 dias de espera.

Até mesmo os procedimentos oncológicos (câncer), que registram a menor média de espera no estado (66 dias), violam frontalmente a Lei Federal nº 13.896/2019, que estipula o prazo máximo legal de 60 dias para o início efetivo do tratamento pelo SUS.


Furos de Fila e a Intervenção do Ministério Público

A gravidade do cenário motivou ações severas por parte do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e do TCE/SC, que intensificaram as investigações sobre o que ocorre nos bastidores da rede. Inquéritos civis instaurados em 2026 identificaram que hospitais conveniados à rede estadual agendavam cirurgias eletivas para pacientes que sequer possuíam registro formal no sistema de regulação do Estado. Essa conduta configura uma burla direta à ordem cronológica legal, desrespeitando os princípios constitucionais de equidade e universalidade do SUS.

Além disso, a judicialização da saúde explodiu. Auditorias recentes constataram que mais de 16,4 mil pacientes catarinenses precisaram recorrer aos tribunais para conseguir atendimento básico, forçando a criação emergencial do Núcleo 4.0 de Saúde Pública para tentar frear o crescimento desenfreado de liminares geradas pela falta de vagas na rede hospitalar. Longe da propaganda, o MPSC e o TCE enfrentam problemas estruturais graves de gestão de contratos, desabastecimento de insumos básicos e atrasos salariais em hospitais regionais administrados por Organizações Sociais (OSs).


Concluindo:

(i)              Demagogia versus Transparência

Apontar o dedo para o governo federal ou construir narrativas demagógicas para desviar a atenção da opinião pública são táticas velhas da politicalha manipuladora. Quando um governo escolhe investir somas expressivas em peças de publicidade para sustentar uma marca fictícia de sucesso, enquanto esconde seus pacientes sob listas de espera de mais de 300 dias, a comunicação deixa de ser informativa e passa a ser uma ferramenta de omissão.

O cidadão catarinense não precisa de comerciais emocionantes com o "Paciente 1 Milhão". Precisa de leitos, de insumos, do cumprimento da Lei Estadual nº 17.066 (Lei das Filas) e, acima de tudo, de respeito à sua dignidade. Enquanto o marketing governa, a fiscalização e os órgãos de controle continuam sendo a única trincheira de defesa da verdade e da saúde pública em Santa Catarina.


ii) O Custo da Ilusão — Propaganda versus Investimento Real

Para compreender a fundo a inversão de prioridades na gestão pública, é necessário seguir o rastro do dinheiro. O vultoso investimento publicitário do Estado — que gerou duras críticas e representou um aumento expressivo nos gastos com comunicação governamental — contrasta de forma violenta com a asfixia financeira vivida pelos hospitais na ponta do sistema. Enquanto milhões de reais são injetados para rodar campanhas audiovisuais sofisticadas nas redes sociais e na televisão, os órgãos de controle precisam intervir judicialmente para conter o desabastecimento de insumos básicos e atrasos salariais em hospitais regionais administrados por Organizações Sociais (OSs).

A matemática da maquiagem publicitária cobra o seu preço diretamente na dignidade humana:

ü  A verba que filma versus a verba que opera: O marketing institucional utiliza narrativas cirurgicamente desenhadas para associar a eficiência administrativa à imagem direta do governador. Contudo, o Tribunal de Contas (TCE/SC) e o Ministério Público (MPSC) apontam que essa suposta eficiência esbarra em falhas graves de gestão de contratos e repasses financeiros para as unidades de saúde.

ü  A invisibilidade dos municípios: Ao centralizar o debate em números inflados que misturam exames de rotina e pequenas intervenções ambulatoriais, a publicidade oficial omite a realidade dos prefeitos e secretários municipais de saúde. São as administrações locais que herdam a pressão da demanda reprimida, lidando com pacientes que convivem diariamente com a dor e o sofrimento enquanto a propaganda exibe um cenário de sucesso.

ü  O custo da judicialização: A ausência de um fluxo de trabalho transparente e a falta de investimentos estruturais na rede hospitalar empurraram mais de 16,4 mil catarinenses para as vias judiciais apenas para conseguir atendimento básico. O dinheiro que deveria estruturar novos leitos acaba sendo drenado para custear a máquina pública que tenta conter a enxurrada de liminares causadas pela falta de vagas.

Governar por meio de comerciais de TV pode até render dividendos eleitorais imediatos, mas não cura o câncer dentro do prazo legal, não opera o quadril de quem espera há mais de 400 dias e não abastece as farmácias dos hospitais regionais. Cada centavo gasto para inflar estatísticas e sustentar uma mitomania institucional é um centavo retirado da linha de frente do SUS. 




terça-feira, junho 30, 2026

VAI PIORAR... E PIORAR MUITO... (Parte IX)

 O Mundo Planta Bilhões de Árvores; o Brasil Tenta Desarmar os Satélites

Enquanto o planeta corre contra o relógio das mudanças climáticas, desenhando megaprojetos de restauração ecológica, a política brasileira parece caminhar na contramão da história e da ciência. O contraste é violento. De um lado, nações investem fortunas e mobilizam exércitos de voluntários para cobrir a terra de verde. De outro, o Congresso Nacional brasileiro articula o enfraquecimento dos mecanismos tecnológicos de fiscalização ambiental.

O exemplo mais recente dessa desconexão com o futuro é a tramitação do Projeto de Lei (PL) 2.564/2025 na Câmara dos Deputados. Conhecido criticamente como o "PL dos Embargos Remotos", o projeto visa proibir ou dificultar as autuações automáticas feitas por órgãos ambientais (como Ibama e ICMBio) baseadas exclusivamente em imagens de satélite geoespaciais. Trata-se de um ataque direto ao coração da fiscalização moderna. Com fiscais de campo escassos, o monitoramento remoto é a única linha de defesa ágil para paralisar desmatamentos ilegais antes que o dano seja irreversível.


A Visão Global: O Esforço Coletivo pela Vida

Para entender o tamanho do nosso retrocesso, basta olhar para o cenário internacional. O mundo civilizado compreendeu que a segurança nacional e econômica do século XXI depende da estabilidade climática. Iniciativas integradas à Trillion Tree Campaign (Campanha Trilhão de Árvores) mostram governos agindo de forma radical pela restauração:

ü  Etiópia: Lançou em 2019 um projeto monumental com a meta de plantar 20 bilhões de árvores, tornando-se um dos líderes globais em reflorestamento massivo e restauração de ecossistemas.

ü  China: Financia megaprojetos históricos como o Grain for Green e a sua própria "Grande Muralha Verde", plantando bilhões de árvores para conter o avanço do Deserto de Gobi e mitigar tempestades de areia e erosões.

ü  Índia: Através de campanhas como o Van Mahotsava, mobiliza alianças voluntárias e regionais para plantar centenas de milhões de mudas, revitalizando paisagens rurais e urbanas.

ü  A Grande Muralha Verde da África: Liderada pela União Africana na região do Sahel, envolve múltiplos países em um esforço continental para restaurar 100 milhões de hectares de terras degradadas através de um mosaico transcontinental verde.

ü  Vietnã: Adotou um plano nacional rígido com a meta clara de plantar 1 bilhão de árvores para proteger seu solo e biodiversidade.

Esses países entenderam que dados de satélite, tecnologia e florestas em pé são ativos de sobrevivência. Mas, o que faz a bancada federal de Santa Catarina diante disso?


O Voto Catarinense: Quem Escolheu Desarmar a Fiscalização?

Sob o manto do "direito de defesa" e atendendo a pressões corporativistas do setor ruralista tradicional, a ampla maioria dos deputados federais de Santa Catarina votou A FAVOR do PL 2.564/2025, endossando a restrição da fiscalização por satélite:

Ø  Caroline de Toni (PL-SC)

Ø  Cobalchini (MDB-SC)

Ø  Coronel Armando (PP-SC)

Ø  Daniel Freitas (PL-SC)

Ø  Daniela Reinehr (PL-SC)

Ø  Geovania de Sá (PSDB-SC)

Ø  Gilson Marques (Novo-SC)

Ø  Luiz Fernando Vampiro (MDB-SC)

Ø  Pezenti (MDB-SC)

Ø  Ricardo Guidi (PL-SC)

Ø  Zé Trovão (PL-SC)

Em contrapartida, a resistência a esse retrocesso na bancada do estado foi minúscula, representada apenas pelos votos contrários de Ana Paula Lima (PT-SC) e Pedro Uczai (PT-SC).


O Choque Jurídico e a Insegurança do Amanhã

O argumento dos defensores do projeto é de que os embargos remotos violam a ampla defesa. Trata-se de uma interpretação torpe e perigosa. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), através da Súmula 618, já pacificou que o direito ambiental se rege pelo princípio da precaução (in dubio pro natura). Na dúvida, protege-se o ecossistema primeiro, investigando-se os detalhes depois. Afinal, uma floresta centenária derrubada não pode ser colada de volta após anos de litígio judicial.

Legislar para "cegar" o Estado diante de crimes ambientais não é defender o produtor; é blindar o infrator ilegal e queimar a reputação internacional das exportações brasileiras. Enquanto o mundo planta bilhões de árvores para segurar o deserto e as tempestades, a maioria dos parlamentares catarinenses preferiu assinar um salvo-conduto para o retrocesso.

O projeto agora aguarda apreciação no Senado. Resta saber se o bom senso e a visão de futuro vão prevalecer, ou se continuaremos isolados, assistindo ao mundo se reflorestar enquanto sabotamos nossas próprias defesas territoriais.

 

A Lista da Vergonha: Quem escolheu a flexibilização (Lei 15.190/2025)?

Observem (abaixo) que o elenco dos nomes daqueles deputados que votaram a favor do PL 2.564/2025 (acima); é praticamente o mesmo que votou a favor da flexibilização das regras de licenciamento ambiental no Brasil, que foi consolidada pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei Federal 15.190/2025), originada a partir do PL 2.159/2021. A legislação unificou as diretrizes do setor e entrou em vigor no início de 2026.

São representantes que, em vez de buscarem soluções para evitar desastres ambientais, preferiram facilitar o caminho para quem destrói o nosso bioma:

 Partido

Deputado(a)

PL

Caroline de Toni, Daniel Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé Trovão

MDB

Cobalchini, Luiz Fernando Vampiro, Pezenti

NOVO

Gilson Marques

PP

Coronel Armando

PSDB

Geovania de Sá

União

Fabio Schiochet




sábado, junho 27, 2026

PROJETO “VOZ ÚNICA”: Entre o Pragmatismo Útil e a Politicalha Manipuladora... ou... o Lado Bom e o Lado Podre desta iniciativa...

 O "Voz Única": Pragmatismo Produtivo ou Blindagem Política?

Em Santa Catarina, o projeto Voz Única, capitaneado pela FACISC e seus parceiros, apresenta-se como a bússola para o desenvolvimento do estado. A iniciativa propõe colher, na ponta, as demandas dos setores produtivos — comércio, indústria e agronegócio — para entregá-las como um roteiro aos governantes. À primeira vista, o discurso é de eficiência: diálogo entre municípios, estado e união, além da busca por soluções via Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Contudo, ao analisar a "voz" que o projeto ecoa, percebemos um silêncio ensurdecedor: não há ali a voz da sociedade civil organizada, dos movimentos sociais ou das classes trabalhadoras que, embora participem de conselhos e sindicatos, raramente detêm a caneta que dita a agenda do "Voz Única". O que temos, na verdade, é um projeto que atua na fronteira entre a necessidade real de infraestrutura e uma politicalha manipuladora.


1. A Mídia e o "Blindado" Catarinense

Sob a ótica de Noam Chomsky, a mídia catarinense cumpre o papel de "manter a ordem" através da fabricação do consentimento. É notável como a cobertura do projeto foca quase exclusivamente nas carências de rodovias federais — um problema inegável, mas estrategicamente eleito. Ao concentrar o desgaste na esfera federal, a mídia "boca alugada" poupa deliberadamente o governo estadual, que, municiado por um orçamento bilionário em propaganda, permanece imune a qualquer questionamento sério sobre suas próprias falhas de gestão.


2. O "Engenho da Consentimento" de Bernays

Seguindo Edward Bernays, a "preocupação" do empresariado com a mobilidade não é apenas filantropia econômica; é propaganda. Em anos eleitorais, o medo é um ativo valioso. O objetivo oculto não é apenas consertar estradas, mas gerar um desgaste calculado contra candidatos progressistas, rotulados como inimigos do desenvolvimento. Vende-se a ideia de que o "setor produtivo" (o "eu") é quem carrega o estado, e que qualquer visão de mundo diferente da sua é uma ameaça ao progresso.


3. O Breviário da Bajulação

Como bem descreveu o Cardeal Mazzarino (ou Nazarin) em seu Breviário dos Políticos, a necessidade de bajulação é a arte da sobrevivência corporativista. O empresariado catarinense, em suas elites articuladas, cultiva o acesso aos candidatos de direita não por uma abstração ideológica, mas para garantir que o Estado continue sendo um balcão de negócios privados. É uma simbiose onde a "voz" da federação se confunde com a "voz" do poder executivo estadual.


4. A Assimetria como Método (Goebbels e o Mito dos 16%)

Por fim, não podemos ignorar a tática goebbeliana da repetição: a mentira de que a União devolve apenas 16% dos impostos recolhidos. Essa cifra, desprovida de rigor técnico e amplamente propagada pela base aliada ao governo estadual, serve a um propósito separatista e infantil. Ela desumaniza o debate, fomentando desde discursos que flertam com o separatismo ("O Sul é o meu país") até encenações patéticas de bravata contra o MST. O objetivo é claro: criar um inimigo externo para que o cidadão não veja o inimigo interno — a ineficiência administrativa e o uso político dos recursos públicos catarinenses.


Concluindo: Quem realmente fala por Santa Catarina?

O projeto "Voz Única" tem méritos técnicos no mapeamento de gargalos, mas falha gravemente ao se colocar como o porta-voz exclusivo de um estado plural. Enquanto a agenda for construída para poupar o "poder local" e demonizar a "esfera federal" (em nome de uma narrativa de classe), o desenvolvimento catarinense continuará sendo refém de uma visão de mundo estreita, corporativista e, acima de tudo, manipuladora.

Precisamos de uma "Voz Única"? Talvez. Mas, para ser autêntica, ela precisaria começar a ouvir quem, hoje, é obrigado a escutar em silêncio.