As Controvérsias e Investigações da Gestão Jorginho Mello
Enquanto o Governo do Estado de Santa Catarina empenha cerca de R$ 444 milhões em publicidade e propaganda para polir a imagem institucional, dados oficiais, auditorias de órgãos de controle e investigações policiais revelam um abismo entre o estado idealizado nas campanhas de TV e a realidade dos serviços públicos.
Abaixo, organizam-se os principais pontos de atrito, números contestados e escândalos sob investigação que confrontam o discurso oficial da gestão Jorginho Mello (PL).
1. O Escândalo das Fraudes e "Bolsistas Milionários" no Universidade Gratuita
Prometido como a vitrine da atual gestão, o programa estadual Universidade Gratuita (UG) tornou-se o centro de denúncias de desvio de finalidade e falta de controle público:
Auditoria do TCE-SC: Em meados de 2025, o Tribunal de Contas do Estado apontou indícios de irregularidades em mais de 18 mil cadastros — cerca de 43% de todas as bolsas concedidas —, com um potencial de prejuízo estimado em mais de R$ 300 milhões aos cofres públicos.
Bens de Luxo e Fraudes Confirmadas: O cruzamento de dados identificou beneficiários cadastrados cujas famílias possuíam lanchas, imóveis de alto padrão e empresas milionárias. Embora o governo tenha alegado que grande parte dos casos decorreu de "erros de digitação", investigações da Polícia Civil indiciaram dezenas de estudantes por falsidade ideológica por burlar critérios obrigatórios, como tempo de residência no estado.
Transferência de Verba e Doutor Honoris Causa: Entidades da sociedade civil criticam o repasse bilionário de impostos públicos para instituições comunitárias/privadas em detrimento da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Em 2026, gerou forte repercussão o fato de o governador ter recebido o título de Doutor Honoris Causa de quatro dessas instituições beneficiadas pelas verbas do programa.
2. Contradições na Saúde: Cirurgias Eletivas e Filas
A propaganda oficial exaltou publicamente o feito de 1 milhão de cirurgias realizadas no estado. No entanto, o contraponto trazido por fiscalizações e oposição demonstra uma contabilidade bem diferente:
Contagem Inflacionada: Dados e levantamentos de órgãos oficiais indicam a realização de cerca de 396 mil procedimentos entre janeiro de 2023 e julho de 2025 — número substancialmente inferior ao alardeado na comunicação governamental.
Aporte Federal Desconsiderado: O balanço divulgado pela gestão estadual omitiu a inclusão de repasses diretos do Governo Federal no financiamento dos procedimentos, enquanto milhares de pacientes catarinenses continuam enfrentando filas expressivas por atendimento especializado.
3. Programa "Estrada Boa": Suspensão e Irregularidades no TCE
Vendido em comerciais como o maior pacote de obras viárias da história recente de Santa Catarina, o programa Estrada Boa acumula questionamentos sobre a qualidade das entregas:
Fiscalização do TCE-SC: O Tribunal de Contas do Estado chegou a determinar a suspensão de pagamentos em virtude de irregularidades contratuais.
Qualidade Crítica: Relatórios técnicos apontaram problemas de sinalização e deterioração precoce do asfalto em trechos recém-executados, evidenciando o descompasso entre o volume de recursos empenhados e o resultado prático entregue aos motoristas.
4. Impasse nos Recursos Federais para Rodovias
No debate sobre as concessões e infraestrutura, a postura diplomática da gestão gerou controvérsias políticas com Brasília:
Recusa de Aportes: Aliados do governo federal acusam a gestão estadual de rejeitar parcerias bilionárias e manter uma retórica de abandono por parte da União para alimentar o apelo político eleitoral.
A Argumentação do Governo: Jorginho Mello rebateu sustentando (sem comprovação) que as propostas federais envolviam concessões com previsão de pedágio em rodovias estaduais, defendendo que o usuário catarinense não deve pagar novas tarifas sobre trechos já recuperados pelo Estado.
5. Desinformação em Redes Sociais e Tragédias Climáticas
A atuação da comunicação governamental também foi posta à prova durante episódios de crise social e ambiental no Sul do país em 2024:
Checagens e Desmentidos: Notícias de checagem e veículos de imprensa expuseram publicações em redes sociais oficiais/aliadas alegando retenção deliberada e multas a caminhões com doações. As alegações foram categoricamente desmentidas pela Polícia Federal e órgãos de trânsito.
Defesa Oficial: O Palácio do Agronômico justificou que houve autuações pontuais de rotina antes da decretação de liberação total dos trâmites excepcionais.
6. Retrocesso Social: O Fim das Cotas Raciais no Ensino Superior
Em janeiro de 2026, o governo sancionou a lei que proíbe o sistema de cotas raciais nas universidades estaduais públicas (Udesc) e nas instituições privadas beneficiadas com verbas do Universidade Gratuita. A medida gerou contestação pública do Ministério da Igualdade Racial e de sindicatos da educação, que apontam inconstitucionalidade e retrocesso no acesso da população negra ao ensino superior.
A soma de escândalos sob investigação, auditorias de órgãos de fiscalização e contabilidade maquiada deixa claro que a barreira de R$ 444 milhões em propaganda serve mais para blindar a gestão de críticas legítimas do que para resolver os problemas estruturais de Santa Catarina.











