A Fabricação do Consentimento e o Preço da
Opacidade: De Chomsky ao Descalabro em SC
Noam
Chomsky, Professor Emérito do MIT e um dos intelectuais mais influentes do
nosso tempo, revolucionou a forma como entendemos o poder. Em sua obra seminal,
“Manufacturing Consent” (A
Fabricação do Consentimento), ele demonstrou que, nas democracias modernas, o
controle das massas não é feito pela força física, mas pela gestão da mente
através da propaganda e da filtragem da informação.
Hoje,
assistimos no Brasil a uma demonstração prática e dolorosa dessas teses, em
duas escalas diferentes, mas com o mesmo DNA: a crise de credibilidade da Rede
Globo e o preocupante remanejamento de verbas da educação básica em Santa
Catarina.
1. O "Sistema Adoecido": O Recibo
da Grande Mídia
As
recentes revelações de ex-executivos da Rede Globo e os recuos narrativos da
Globonews sobre fatos históricos não são meros erros de apuração. São, como
Chomsky previu, o colapso dos "filtros" de propaganda. Quando o
jornalismo profissional entra em "ladeira abaixo", é porque a busca
pela manutenção do poder corporativo atropelou a ética.
Para
entender como isso funciona, preparei este comparativo entre a teoria de
Chomsky e os fatos que dominam o noticiário atual:
Filtro de Chomsky
O que a Teoria diz
O "Recibo" na Crise da Globo
1.
Propriedade e Lucro
A
notícia serve aos donos e anunciantes, não à verdade.
Ex-chefes
revelam um "sistema adoecido" que prioriza o lucro e o poder sobre
o jornalismo.
2.
Dependência de Fontes
A mídia
usa fontes "oficiais" para validar suas próprias narrativas.
O
"verdadeiro jogo" exposto: a notícia é moldada pelo que as elites
permitem ou desejam dizer.
3. Flak
(Pressões)
Ataques
contra quem sai da linha editorial da empresa.
Relatos
de perseguição interna e um ambiente de "ladeira abaixo" para quem
questiona o status quo.
4.
Ideologia
Uso de
um "inimigo" ou ideologia para mobilizar o consenso.
Recuos
estratégicos de narrativas após manipulações históricas serem desmascaradas
pela realidade.
5.
Publicidade
O
público é o produto vendido aos grandes anunciantes.
O uso
de verbas de propaganda para sustentar estruturas de poder em detrimento da
informação isenta.
Filtro de Chomsky
O que a Teoria diz
O "Recibo" na Crise da Globo
1.
Propriedade e Lucro
A
notícia serve aos donos e anunciantes, não à verdade.
Ex-chefes
revelam um "sistema adoecido" que prioriza o lucro e o poder sobre
o jornalismo.
2.
Dependência de Fontes
A mídia
usa fontes "oficiais" para validar suas próprias narrativas.
O
"verdadeiro jogo" exposto: a notícia é moldada pelo que as elites
permitem ou desejam dizer.
3. Flak
(Pressões)
Ataques
contra quem sai da linha editorial da empresa.
Relatos
de perseguição interna e um ambiente de "ladeira abaixo" para quem
questiona o status quo.
4.
Ideologia
Uso de
um "inimigo" ou ideologia para mobilizar o consenso.
Recuos
estratégicos de narrativas após manipulações históricas serem desmascaradas
pela realidade.
5.
Publicidade
O
público é o produto vendido aos grandes anunciantes.
O uso
de verbas de propaganda para sustentar estruturas de poder em detrimento da
informação isenta.
2. A Engrenagem Local: O Caso dos R$ 15
Milhões em Santa Catarina
Não
há diferença estrutural entre o que Chomsky descreve no topo da pirâmide
midiática e o que assistimos na gestão pública de Santa Catarina. O mecanismo é
o mesmo: a fabricação da
invisibilidade.
Enquanto
a grande mídia utiliza seus filtros para maquiar interesses, o governo estadual
utiliza a triangulação com agências de publicidade (como Neovox e One One) para criar um
"ponto cego" sobre o destino de R$ 15 milhões. Este montante, retirado da Educação Básica via decretos de
suplementação, alimenta uma máquina de propaganda opaca que dificulta o
rastreio por parte do cidadão da Serra ou do Meio-Oeste.
A
conexão é direta e cruel:
ü A
Propaganda: Tenta
vender uma imagem de eficiência e "governo técnico".
ü A
Realidade: Santa
Catarina figura entre os poucos estados que não atingiram a meta nacional de alfabetização.
Retirar
verbas de salas de aula para "vender" uma imagem de governo é um
desvio de finalidade ética. É a tentativa de fabricar um consentimento de que
"está tudo bem", enquanto o futuro de uma geração de crianças é
hipotecado pela falta de investimento real em alfabetização.
Concluindo: O Despertar do Cidadão Crítico
Seja
nos estúdios do Jornal Nacional ou nos gabinetes que assinam decretos de
suplementação em SC, o objetivo da opacidade é o mesmo: manter o cidadão no
escuro para que o poder possa operar sem ser questionado.
Entender
Noam Chomsky nos dá o "óculos" necessário para ver através dessa
névoa. A verdade não é o que a tela mostra ou o que a publicidade governamental
anuncia, mas o que eles tentam esconder. O nosso papel, como sociedade civil, é
exigir transparência radical. Afinal, a propaganda pode até silenciar críticas
por um tempo, mas ela jamais conseguirá alfabetizar uma criança.






