domingo, setembro 20, 2026

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... A Máscara da Falsa Moralidade... (Parte XIV)

 A Violência Contra a Imprensa e a Submissão Cafajeste ao Dinheiro

A política brasileira vive um dos seus momentos mais degradantes, em que o ódio cego e a hipocrisia tornaram-se moedas de troca eleitoral. Duas notícias recentes escancaram a entranha desse ecossistema doentio: de um lado, a agressão misógina e covarde sofrida pela jornalista Juliana Dal Piva; de outro, o vazamento de áudios que mostram a submissão subserviente e cheia de segundas intenções do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a figuras do poder financeiro.

É preciso dar nome aos bois e encarar a realidade: enquanto a militância extremista é alimentada por discursos de ódio para atacar quem investiga e noticia a verdade, nos bastidores, os ditos "paladinos da moral" agem no velho e fisiológico toma-lá-dá-Cá.


A Covardia contra o Jornalismo Independente

A repórter Juliana Dal Piva vem sendo alvo de uma escalada inaceitável de agressões virtuais e psicológicas perpetradas por apoiadores do extremismo político. O crime de Juliana? Exercer o jornalismo de investigação com rigor, revelando os bastidores do poder.

Como a própria jornalista desabafou com coragem e lucidez:

“Quando começamos a planejar a cobertura da eleição de 2026, eu logo senti que precisaria me preparar psicologicamente para reviver muito trauma. Não costumo falar disso porque me recuso a ser colocada nesse lugar de vítima. Meu lugar é de repórter, mas infelizmente, sim, já fui vítima de muita violência por simplesmente exercer meu trabalho e isso me deixou traumas. Então, ao decidir fazer o perfil do Flávio Bolsonaro em podcast, eu entendi que isso poderia se repetir e comecei a me preparar.

Já na matéria da foto do Flávio com o Sicário todos os ataques meio que recomeçaram ainda que numa proporção que parecia usual. Aos poucos, porém, tudo foi crescendo. Obviamente explodiu depois da matéria do áudio do Nikolas e segue crescendo. Essa última semana foi bem difícil. Já tinha lidado com agressões de incentivo ao suicídio, mas foi talvez a primeira vez que, pra mim, chegou a questão da agressão sexual. É tudo nojento demais. Absurdo demais. Surreal mesmo. Eu estou bem. Cuidada pela minha equipe, amigos e família, mas não vou naturalizar não. Nada disso é normal e existem muitos responsáveis. Não dá pra gente se acostumar com isso. Eu, ao menos, não vou.”

A agressão de cunho sexual e o assédio moral direcionados a uma profissional no exercício de sua função não são apenas ataques pessoais; são tentativas deliberadas de silenciar a imprensa e ferir a democracia. Nada disso pode ser naturalizado.


A "Pintinha no Nariz" e a Falsa Ilusão da Moralidade

A indignação contra a violência à imprensa ganha contornos ainda mais revoltantes quando analisamos o estopim da última onda de ataques: a revelação de áudios que desmascaram o deputado Nikolas Ferreira.

Divulgados pelo ICL Notícias, os áudios mostram o parlamentar em tom informal e submisso chamando o banqueiro Daniel Vorcaro de "Dani" e pedindo ajuda para destravar um ativo minerário de seu ex-assessor e advogado, Thiago Rodrigues de Faria. Mais do que o pedido de favor sobre um negócio bilionário de mineração sob investigação, o áudio revela o parlamentar pedindo desculpas ao banqueiro por ter criticado anteriormente um evento patrocinado pela instituição financeira: "Se eu soubesse que o banco era teu, Dani, não teria postado".

Como bem analisou o jornalista Reinaldo Azevedo*, o paladino que sai pelas redes sociais "vomitando moralidade" e atacando adversários mostra sua verdadeira face no privado. Nas redes, apresenta-se como um guerreiro destemido; nos bastidores, retrata-se humildemente com o capital assim que percebe quem é o dono do cheque.

Reinaldo Azevedo utiliza uma metáfora cirúrgica baseada em Dostoiévski: a imagem idealizada que a militância cria de um líder político desmorona ao notar "uma pintinha no nariz". No caso desse parlamentar, não se trata de uma simples pintinha, mas de uma mancha gigantesca: o uso do mandato para interceder por interesses particulares de aliados enquanto humilha a ética em nome da conveniência.

*https://www.youtube.com/watch?v=POZNCGCpBjM


Um Apelo Urgente ao Eleitorado: Chega de Apoiar o Ódio e a Corrupção

Até quando parte do eleitorado aceitará ser manobra de massa para manter no poder figuras que vendem ilusões morais enquanto praticam a subserviência ao poder financeiro?

O eleitor que apoia esse tipo de conduta movido unicamente pelo ódio ideológico precisa abrir os olhos. O ódio cego serve apenas como cortina de fumaça: enquanto a militância é incitada a agredir jornalistas, perseguir opositores e espalhar ameaças sexuais e de suicídio, os líderes  cafajestes desse movimento utilizam a influência política para desfrutar da intimidade dos grandes gabinetes e defender interesses privados.

A verdadeira corrupção não se dá apenas na troca direta de valores, mas na corrupção da verdade, da linguagem e da ética pública. É urgente que o eleitorado supere o ressentimento irracional e passe a exigir integridade real. Apoiar a violência contra repórteres e fechar os olhos para a hipocrisia de políticos profissionais não é "defesa da família ou da liberdade"; é cumplicidade com o que há de mais carcomido e nefasto na política brasileira.



quinta-feira, setembro 17, 2026

Como a Mídia Boca Alugada Mantém Viva a Desinformação e a Manipulação... Todos os dias... (Parte X)

 A "Aposta do Caos" Desmentida pelos Fatos: Como a Expansão da Havan Reflete a Economia Real

Às vésperas da eleição presidencial de 2022, o discurso catastrofista empresarial tentava impor o medo: o empresariado alinhado ao governo anterior alardeava a fuga de capitais e até o encerramento de atividades caso a candidatura progressista saísse vitoriosa. Passados quase quatro anos, o desempenho operacional e o faturamento de grandes redes do varejo — com destaque emblemático para a própria Havan — revelam um cenário diametralmente oposto à retórica de crise.


Do Faturamento Médio à Abertura de Lojas: O Salto do Varejo

Os indicadores do grupo Havan evidenciam o fortalecimento do mercado consumidor interno e o aumento do poder de compra da população no período recente:

ü  Expansão de Unidades: Durante a gestão Bolsonaro (2019–2022), a rede encerrou o ciclo com 174 lojas abertas. No período 2023–2026, a marca atingiu 196 megalojas, com previsão de alcançar a faixa de 200 unidades até o fim de 2026 (um acréscimo de até 30 novas lojas).

ü  Faturamento Anual e Mensal: O faturamento bruto anual saltou de R$ 15 bilhões em 2022 (média mensal de R$ 1,25 bilhão) para uma projeção de R$ 22 bilhões em 2026 (média de R$ 1,83 bilhão por mês), após registrar R$ 18,5 bilhões em 2025.

ü  Média de Vendas por Loja: A média mensal de vendas por unidade subiu de R$ 7.183.908,05 no governo anterior para R$ 9.226.734,70 na atual gestão — representando um crescimento expressivo de 29,87% no rendimento médio por loja.


Estabilidade de Preços e Controle Inflacionário

A sustentação dessa expansão do varejo fundamenta-se na desaceleração dos índices inflacionários e na previsibilidade de custos operacionais:

ü  IPCA (Inflação Oficial): O acumulado de quatro anos do mandato anterior atingiu 26,93% (média anual de ~6,1%). Em contrapartida, os dados recentes mostram o IPCA sob controle, registrando 4,62% em 2023 (dentro da meta do Banco Central) e 4,83% em 2024.

ü  IGP-M (Custos de Aluguel e Insumos): O Índice Geral de Preços - Mercado acumulou alta severa de 67,2% entre 2019 e 2022, encarecendo contratos e insumos. Na gestão atual, o índice registrou deflação histórica de -3,18% em 2023 e recuperação moderada de 6,18% em 2024, aliviando a pressão sobre custos fixos do setor produtivo.

Os dados mostram que a atividade econômica real ganha tração com massa salarial, emprego em alta e inflação sob controle, desmentindo previsões alarmistas e provando que o consumo das famílias continua sendo o verdadeiro motor do desenvolvimento nacional.



Como a Mídia Boca Alugada Mantém Viva a Desinformação e a Manipulação... Todos os dias... (Parte IX)

 O Viés da Incredulidade: Por que a Mídia Hegemonica Reluta em Pautar os Avanços Econômicos do País?

Quando um estudo de consultoria de mercado demonstra que ativos como o Ibovespa e o índice de dividendos registraram retornos superiores sob a atual gestão em comparação com o ciclo anterior, surge uma questão central sobre o papel do jornalismo econômico tradicional no Brasil: por que a grande mídia demonstra tamanha assimetria ao noticiar conquistas e avanços do governo federal?

A hesitação em expor indicadores positivos de forma direta e sem ressalvas não ocorre por mera falta de dados — o Portal da Transparência e consultorias independentes do próprio mercado disponibilizam boletins constantes. Pelo contrário, essa opacidade se enraíza em escolhas editoriais históricas, nas quais o noticiário prioriza a fricção fiscal e projeções pessimistas, enquanto dilui dados concretos de crescimento e rentabilidade em notas de rodapé ou sob manchetes condicionalmente negativas.

Ao aplicar "padrões duplos" na cobertura, a grande imprensa frequentemente trata conquistas macroeconômicas sólidas como meros "acasos externos", ao mesmo tempo em que converte ruídos políticos em iminentes crises sistêmicas. O quadro comparativo a seguir expõe a força dos números brutos em contraste com o silêncio seletivo que costuma cercá-los:


O Mercado em Perspectiva: O Retorno dos Investimentos sob Diferentes Gestões

Analisar o desempenho dos mercados financeiros sob diferentes mandatos informados pela conjuntura macroeconômica e política oferece um raio-X valioso sobre a alocação de ativos e a rentabilidade real e nominal da economia nacional.

Um levantamento realizado pela consultoria Elos Ayta comparou a evolução dos principais índices de renda variável, renda fixa, indicadores de inflação e ativos globais durante o governo de Jair Bolsonaro e o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O estudo aponta variações expressivas na rentabilidade de ativos como o Ibovespa, IDIV, CDI e moedas estrangeiras.

O quadro comparativo abaixo sintetiza as taxas acumuladas em cada período:

Indicador / Ativo

Governo Bolsonaro

Governo Lula 3

Ibovespa (Ações do Mercado)

+24,86%

+69,96%

IDIV (Índice de Dividendos)

+51,51%

+82,78%

CDI (Renda Fixa e Juros)

+27,79%

+57,46%

IMA-Geral (Títulos Públicos/Renda Fixa)

+31,00%

+44,10%

IPCA (Inflação Acumulada)

+26,93%

+17,90%

Nota do Blog: Os dados do Governo Lula 3 compreendem a medição acumulada de janeiro de 2023 até meados de setembro de 2026, conforme levantamento técnico.



Como a Mídia Boca Alugada Mantém Viva a Desinformação e a Manipulação... Todos os dias... (Parte VIII)

União Europeia Aprova Protocolos Sanitários do Brasil Após Auditoria em Frigoríficos...Mas a Mídia..... a Mídia Catarinense... Esqueceu...

O comércio exterior do agronegócio brasileiro alcançou um marco decisivo nesta semana. Após o encerramento de uma rigorosa missão de auditoria nas plantas frigoríficas e no sistema de defesa agropecuária nacional, a União Europeia (UE) votou e aceitou formalmente os protocolos sanitários apresentados pelo Brasil.

A confirmação foi comunicada via correspondência oficial enviada pelas autoridades europeias ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A decisão abre caminho para a retomada gradual e o fortalecimento do reembarque de proteínas animais para os países do bloco, com destaque imediato para o setor de carne de frango, beneficiando imediatamente Santa Catarina..


1. O Contexto das Auditorias e a Validação Sanitária

A aprovação europeia ocorre no desfecho de inspeções técnicas in loco. Os auditores internacionais avaliaram detalhadamente a biossegurança, a Rastreabilidade do rebanho, os processos operacionais de abate e o rigor da fiscalização exercida pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).

Segundo o MAPA, a aprovação chancela a eficiência do sistema defensivo brasileiro. O empenho técnico do governo e das indústrias permitiu demonstrar que o país cumpre as exijências normativas e os padrões de qualidade demandados pelo mercado europeu.

"Provamos que o setor pecuário do Brasil é eficiente e tem protocolos que garantem a qualidade dos nossos produtos", destacaram autoridades do MAPA ao comentar o resultado da auditoria.


2. Impactos Práticos na Cadeia de Proteínas

A sinalização positiva da União Europeia traz um alívio estratégico para o setor exportador:

·         Carne de Frango: A aprovação dos protocolos é vista como o passo decisivo para regularizar e destravar o fluxo das exportações da avicultura para o bloco.

·         Gestão de Logística e Estoques: A antecipação das tratativas e a agilidade nas auditorias permitiram que o setor privado mantivesse estoques organizados, evitando desabastecimento local ou gargalos logísticos severos na transição das cargas.

·         Detalhamento Operacional: A expectativa do mercado agora se volta para a publicação dos detalhes normativos finais por parte do bloco europeu, definindo os trâmites práticos e prazos para o reembarque contínuo das mercadorias.


3. Ásia em Foco: Japão, Coreia do Sul e Missão Chinesa

O aval da União Europeia consolida uma maratona de auditorias internacionais no Brasil. Paralelamente aos europeus, delegados técnicos de outros grandes mercados globais concluíram etapas decisivas:

Mercado Comprador

Status das Missões Técnicas

Foco de Atuação / Próximos Passos

União Europeia

Concluída e Aprovada

Aceite de protocolos sanitários e liberação para proteína avícola.

Japão

Concluída

Inspeção de instalações frigoríficas e avanço em negociações bilaterais.

Coreia do Sul

Concluída

Avaliação do sistema defensivo focado na carne bovina brasileira.

China

Agendada / Próxima Fase

Vistorias planejadas em plantas no Rio Grande do Sul e Rondônia, focando na reabilitação e habilitação de novos estabelecimentos.

A sequência de vistorias por potências asiáticas reforça que a credibilidade da defesa sanitária brasileira se mantém em patamar elevado perante os principais compradores mundiais.


4. O Que Esperar para os Próximos Meses?

A recuperação e ampliação das habilitações internacionais ocorrem em um ano promissor para a produção nacional. Com estimativas de que a produção de carnes no Brasil siga em ritmo acelerado e com safras recordes de grãos sustentando os custos de ração, a abertura e regularização de canais com a UE e a Ásia consolidam o papel do Brasil como garantidor da segurança alimentar global.

Os próximos passos envolverão o acompanhamento, pelo MAPA e pela iniciativa privada, da publicação oficial dos formulários de reembarque pela Comissão Europeia e o agendamento das visitas técnicas da comissão chinesa.


Concluindo: Rigor Sanitário do Brasil Supera Auditorias de Alta Exigência

A resposta positiva da União Europeia valida a maturidade da pecuária e da avicultura brasileira. Mais do que assegurar divisas econômicas, o aceite dos protocolos comprova que o rigor sanitário do Brasil é capaz de superar auditorias de alta exigência, mantendo o país na liderança do agronegócio mundial.

 


quarta-feira, setembro 16, 2026

Como a Mídia Boca Alugada Mantém Viva a Desinformação e a Manipulação... Todos os dias... (Parte VII)

 Panorama Econômico Global e Risco Brasil: Números, Fatos e a Narrativa da Mídia


1. O Contraste Intercontinental: O Cenário Brasileiro e a Dinâmica Norte-Americana

Enquanto a economia brasileira vem registrando indicadores operacionais sólidos — com o desemprego em patamares historicamente baixos (em torno de 5%), crescimento do PIB acima de 3% ao ano, ganho real no salário mínimo e controle da inflação de alimentos —, o cenário global exige atenção.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) adota posturas duras para conter pressões inflacionárias, tomando decisões de juros que chegam a desafiar pressões políticas (como as de Donald Trump, defensor histórico de taxas mais baixas para estimular o mercado). A comparação evidencia que, enquanto o Brasil avança na economia real (emprego e renda), o cenário internacional exige prudência monetária e equilíbrio fiscal para blindar o país de choques externos.


2. A Evolução do Risco Brasil: Governo Bolsonaro vs. Governo Lula

O indicador CDS (Credit Default Swap) de 5 anos é o principal termômetro da percepção de risco de calote de um país pelo mercado internacional. O contraste entre as duas últimas gestões é marcante:

Indicador / Período

Governo Bolsonaro (2019–2022)

Governo Lula (Atual - Set/2026)

Patamar Inicial

~206 pontos (Jan/2019)

Fim da gestão anterior em ~300 pontos (Jan/2022)

Evolução do Índice

Subiu para a faixa dos 300 pontos ao fim do mandato (+94 pontos)

Recuou para 115,6 pontos (menor nível do mandato)

Fatores Determinantes

Pandemia, aversão ao risco global, tensões institucionais e incertezas fiscais/eleitorais

Valorização de ativos locais, estabilização política e melhora dos dados sociais

Desafios Permanentes

Previsibilidade e estabilidade das regras

Sustentabilidade da dívida pública e controle do déficit fiscal

 

3. A Cobertura Midiática e o Paradigma da Informação (A Visão Crítica)

Analisar esses dados exige também olhar para a forma como são comunicados. A crítica ao modelo de mídia corporativa — frequentemente alinhada à análise de Noam Chomsky sobre a "Fabricação do Consentimento" e o filtro dos grandes interesses econômicos — revela um duplo padrão frequente:

Minimização das Conquistas Reais: Indicadores concretos como queda drástica do desemprego, aumento do poder de compra e forte redução do Risco Brasil para 115,6 pontos costumam ser noticiados com ressalvas excessivas ou tom alarmista focado unicamente nos "gastos públicos".

Narrativa de Insegurança: Quando o Risco Brasil subia no governo anterior, o discurso frequentemente atribuía o fato a "fatores externos inevitáveis" (como a pandemia). No cenário atual, com a queda acentuada do risco e melhora do PIB, a narrativa tende a focar nas incertezas futuras, gerando um ruído que muitas vezes não reflete os dados frios do mercado internacional.


Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas...

 

Chico César rebate fã que pediu músicas sem "cunho político"

https://www.terra.com.br/diversao/gente/chico-cesar-rebate-fa-que-pediu-musicas-sem-cunho-politico,f13247e38173fcb0ef916cc432fe4f23e4ljzsmg.html?utm_source=clipboard

'Não me peça um absurdo desse', respondeu o cantor a seguidor no Instagram

O músico Chico César usou seu perfil no Instagram para responder a um fã que sugeriu que parasse de fazer músicas de " cunho político-ideológico".

"Carinhosamente, te pediria para evitar as de cunho político-ideológico. Tu és muito maior que eles todos. Tu não deves nada a eles. Eles que te devem. Tuas mãos são limpas. Não as coloque no fogo por nenhum deles", escreveu o fã.

 

Na sequência, o cantor afirmou: "Por favor, todas as minhas canções são de cunho político-ideológico! Não me peça um absurdo desse, não me peça para silenciar, não me peça para morrer calado. Não é por 'eles'. É por mim, meu espírito pede isso".

 

"Respeite ou saia. Não veja, não escute. Não tente controlar o vento. Não pense que a fúria da luta contra as opressões pode ser controlada. Eu sou parte dessa fúria. Não sou seu entretenimento", prosseguiu Chico César.

 

"Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas. E dos neutros. Não conte comigo para niná-lo. Não vim botar você para dormir, aqui estou para acordar os dormentes", concluiu.



domingo, setembro 13, 2026

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... O Teatro do Absurdo... (Parte XIV)

 Como o Pro-Wrestling (Luta Livre Profissional) e a Suspensão da Descrença Explicam a Militância Bolsonarista

A política contemporânea transformou-se em um espetáculo onde a linha entre o fato e a performance não apenas se tornou tênue, mas foi deliberadamente apagada. Para quem observa de fora, o comportamento dos chamados "patriotas" bolsonaristas — com suas vigílias em portas de quartéis, teorias da conspiração mirabolantes e recusa sistemática da realidade — parece um surto coletivo ou pura irracionalidade. No entanto, ao analisar o fenômeno sob a ótica do sociólogo Erving Goffman e das pesquisas do cientista político David S. Moon sobre o trumpismo, revela-se uma dinâmica muito mais complexa: a de uma audiência que escolhe ativamente viver uma ficção.


A Política como Kayfabe: A Lição de David S. Moon

Em seus estudos sobre Donald Trump e a política norte-americana, o pesquisador David S. Moon busca na Luta Livre Profissional (Pro-Wrestling) a chave de leitura para entender o apelo populista da extrema-direita moderna. No ecossistema do wrestling, existe um conceito fundamental chamado kayfabe: a manutenção tácita da ilusão de que as rivalidades, agressões e dramas encenados no ringue são 100% reais.

Moon argumenta que os eleitores de Trump — e, por extensão, os bolsonaristas no Brasil — não são enganados ingênuos que acreditam cegamente em cada palavra dita por seus líderes. Em vez disso, comportam-se como os fãs modernos de Luta Livre (smart marks): eles sabem, no fundo, que as declarações são exageradas, inventadas ou performáticas, mas celebram o espetáculo. Quando o líder ataca a imprensa, quebra o decoro institucional ou inventa uma narrativa absurda, o público vibrante não busca a verdade factual, mas a efetividade do golpe na arena política. O que importa é a destruição simbólica do adversário.


A Suspensão Voluntária da Descrença em Goffman

É aqui que a teoria dramatúrgica de Erving Goffman complementa a análise de Moon. Para Goffman, a vida social é estruturada como um palco, no qual os indivíduos desempenham papéis e mantêm uma "fachada". Quando a realidade ameaça quebrar a ilusão da cena, os atores e a plateia recorrem à suspensão voluntária da descrença.

No contexto do bolsonarismo patriota, a manutenção do papel de "combatente do bem contra o mal" exige um pacto silencioso de cooperação. Para continuar pertencendo à comunidade e manter o sentido de missão heroica, o militante decide ignorar os furos no roteiro. Quando um prazo de "72 horas" expira, quando uma revelação desmente uma tese conspiratória ou quando a liderança recua, o patriota não abandona a crença; ele reajusta a cena e suspende a dúvida novamente para que a peça não termine. A verdade factual torna-se secundária perante a necessidade de manter a narrativa viva no palco.


A Cumplicidade do Espetáculo

Unindo Moon e Goffman, percebe-se que acusar os apoiadores de "analfabetismo político" ou "alienação" é insuficiente. Trata-se de uma cumplicidade performática. O bolsonarista que repassa uma notificação falsa no WhatsApp ou que usa verde e amarelo para protestar contra moinhos de vento não está apenas consumindo informação; ele está atuando.

A militância do "Brasil acima de tudo" encontrou no espetáculo um refúgio da realidade complexa e decepcionante. Ao operarem dentro do kayfabe descrito por Moon e praticarem a suspensão voluntária da descrença formulada na tradição de Goffman, os patriotas transformaram o cenário político brasileiro em um imenso ringue teatral, onde o compromisso principal não é com a verdade factual, mas com a continuidade do show.