sábado, setembro 12, 2026

Eles Mentem... Mentem... Mentem... Insana, CRIMINOSA, Cretina e Escrotamente... Mentem... O Estado da Fantasia... (Parte XIII)

Como o Marketing de R$ 444 Milhões Esconde as Três Grandes Mentiras do Governo de SC

Enquanto os hospitais estaduais enfrentam crises de desabastecimento, estradas recém-entregues esfarelam em buracos e dezenas de escolas estaduais convivem com infraestrutura precária, o governo de Jorginho Mello parece operar em uma realidade paralela. É a dimensão do marketing governamental. Sob uma avalanche diária de comerciais de televisão, rádios e peças digitais milimetricamente produzidas, a atual gestão tenta impor uma narrativa que beira o absurdo: a de que antes de sua chegada Santa Catarina vivia no absoluto abandono, e que agora tudo funciona no "padrão excelência".

A estratégia do governador revela traços de uma mitomania institucionalizada, onde a propaganda é utilizada para encobrir a ausência de projetos próprios, o isolamento político e a incapacidade de gestão. A tentativa de desviar o foco acusando o governo federal e recusando diálogos institucionais — como na proposta de R$ 25 bilhões em investimentos federais para as BRs 470, 280 e 282 — é apenas o sintoma externo de um governo que prefere o confronto retórico e a maquiagem publicitária ao trabalho real.

Abaixo, desmascaramos as três grandes peças de ficção desse governo cosmético e revelamos o custo dessa engrenagem de ilusão.


A Engrenagem da Ilusão: R$ 444 Milhões para a "Mídia Boca de Aluguel"

Para sustentar uma narrativa desconectada da realidade diária dos catarinenses, a atual gestão montou uma máquina publicitária milionária. De janeiro de 2023 a dezembro de 2025, o Governo do Estado destinou a impressionante cifra de R$ 444 milhões de dinheiro público para a publicidade institucional. Somente em 2025, os gastos com propaganda dispararam 136% em relação ao primeiro ano de mandato, injetando R$ 216 milhões nos veículos de comunicação.

Essa distribuição de recursos cumpre um papel político claro: alimentar uma vasta rede de "mídia boca de aluguel", blogs alinhados, emissoras e portais regionais dispostos a reproduzir o material oficial sem qualquer filtro crítico ou checagem de fatos. A verba pública funciona como um instrumento de cooptação e silenciamento.

Enquanto repasses para hospitais regionais atrasam e prefeituras perdem recursos diretos, a torneira do marketing permanece escancarada para irrigar narrativas que transformam problemas graves de gestão em peças publicitárias com música emocionante e imagens de drone.


Mentira 1: A Maquiagem do "Escola Boa" e a Apropriação do Passado

O programa "Escola Boa" é anunciado nas redes sociais com a estética impecável de um comercial de alto padrão. Imagens em alta definição mostram fachadas pintadas, salas climatizadas e alunos sorridentes, vendendo a ideia de que o governo atual promoveu uma revolução inédita na educação catarinense.

A realidade dos fatos:

1. Apropriação de obras passadas: Conforme denunciado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (SINTE-SC) e pela oposição na ALESC, grande parte das reformas e ampliações celebradas como "obras do Escola Boa" são projetos cujos contratos, licitações e orçamentos foram aprovados e iniciados em gestões anteriores. A atual gestão apenas colocou a nova identidade visual na fita de inauguração.

2.    Apagamento de investimentos históricos: A propaganda tenta apagar o fato de que Santa Catarina já registrava investimentos recordes na educação, a exemplo de 2021, quando o Estado aplicou R$ 7,7 bilhões na área (27,40% da Receita Corrente Liquida, acima do limite constitucional). Equipamentos, computadores e programas de permanência (como o Bolsa Estudante de 2022) já estavam estruturados no planejamento plurianual anterior.

3.    Precarização invisível: Longe do ângulo das câmeras, dezenas de escolas da rede estadual continuam enfrentando falta de pessoal de apoio, problemas estruturais graves e falta de manutenção básica, evidenciando que o "Padrão Escola Boa" é uma exceção publicitária, não a regra da rede.


Mentira 2: "Estrada Boa" — Asfalto de Papel e Financiamento Oculto

Nos comerciais do programa "Estrada Boa", o governador aparece caminhando sobre o concreto fresco, afirmando ter tido "a coragem de tirar as obras do papel" e alardeando que a malha viária em boas condições saltou de 20% para 95%.

A realidade dos fatos:

1.    Confisco do Plano 1000 e Herança Técnica: O programa não nasceu do zero. A gestão atual herdou projetos executivos de engenharia prontos e pagos da gestão de Carlos Moisés. Além disso, extinguiu o "Plano 1000" — que repassava recursos diretamente aos municípios —, centralizando o dinheiro no caixa do Estado para carimbar as obras com a marca do novo governo.

2.    Dependência de Recursos Federais e Empréstimos: Ao contrário do discurso de "autonomia financeira", as obras são sustentadas por pesados endividamentos públicos, incluindo R$ 631,9 milhões junto ao BNDES (recurso do Governo Federal que o próprio governador ataca publicamente) e US$ 300 milhões com o Banco Mundial.

3.    Fiscalização do TCE e Inquéritos do MPSC: O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) chegou a suspender pagamentos de contratos que somavam R$ 150 milhões por falhas de sinalização, falta de fiscalização e trechos de asfalto novo que apresentaram rachaduras e buracos meses após a entrega. Paralelamente, o Ministério Público (MPSC) instaurou inquéritos civis para apurar suspeitas de irregularidades e corrupção em trechos de obras de concreto, enquanto rodovias estaduais como a SC-281 se arrastam com menos de 10% de execução.


Mentira 3: A Fábrica de Ilusões na Saúde e o "Paciente 1 Milhão"

A peça central da engrenagem publicitária da saúde foi o anúncio massivo de que o estado atingiu a marca de "1 milhão de cirurgias realizadas", apresentado como prova da superação da crise na área.

A realidade dos fatos:

1.    A Conta que Não Fecha (Auditoria do TCE): Para que o número do marketing fosse real, os hospitais catarinenses precisariam operar uma média irreal de 1.400 pessoas por dia, sem interrupção. Auditoria oficial do TCE/SC desmontou a farsa: somando todas as cirurgias eletivas de 2020 a 2024, o total real foi de 485 mil procedimentos — menos da metade do anunciado. Em 2024, o total efetivo foi de cerca de 284,8 mil. Para inflar os dados, o governo somou exames ambulatoriais simples e atendimentos de urgência de rotina.

2.    Filas Recordes e Espera Inhumana: A promessa pública feita em 2023 de "zerar as filas em seis meses" resultou em um recorde histórico: a fila saltou de 107 mil para mais de 116 mil pessoas aguardando atendimento. Os dados oficiais mostram médias de espera absurdas:

o    Cirurgias de mama: média de 697 dias;

o    Cirurgias reparadoras: média de 644 dias;

o    Procedimentos osteomusculares: média de 420 dias;

o    Atendimento oncológico (câncer): média de 66 dias, descumprindo o limite legal de 60 dias estabelecido pela Lei Federal nº 13.896/2019.

3.    Fura-Filas e Explosão de Liminares: Inquéritos do MPSC identificaram hospitais conveniados agendando cirurgias eletivas para pacientes fora do sistema oficial de regulação, burlando a fila cronológica legal. A ausência de gestão real empurrou mais de 16,4 mil catarinenses para a Justiça para conseguir atendimento básico no SUS.


Concluindo: O Custo Real da Maquiagem Publicitária

A matemática da comunicação governamental de Santa Catarina revela uma grave inversão de prioridades. Cada real dos R$ 444 milhões drenados para a propaganda institucional e para a sustentação de veículos alinhados é um recurso retirado da manutenção de salas de aula, da fiscalização da qualidade do asfalto e da compra de insumos básicos para os hospitais regionais.

Governar por meio de comerciais de televisão e narrativas fabricadas pode gerar dividendos eleitorais imediatos, mas não resolve a vida do cidadão que trafega por rodovias esburacadas, não reduz a espera de quem aguarda há anos por uma cirurgia e não melhora a infraestrutura das escolas estaduais. O catarinense não precisa de peças publicitárias com atores e filtros de internet; precisa de transparência, respeito à verdade e serviços públicos funcionando na vida real.



Flávio, Carlos, Jair e Eduardo, os Quatro Trapaceiros...

Juca Kfouri escreveu e eu concordo absolutamente... por isso reproduzo na integra o seu magnifico artigo publicado na uol....eu apenas classificaria os meliantes como; Os Quatro Trapaceiros Delirantes e Apocalípticos...

Flávio, Carlos, Jair e Eduardo, os Quatro Trapaceiros...

https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/juca-kfouri/2026/09/12/flavio-carlos-jair-e-eduardo-os-quatro-trapaceiros.htm


Alexandre Dumas consagrou os Quatro Mosqueteiros.

O drama nacional revela os Quatro Trapaceiros.

Flávio tomou uma grana monstruosa de banqueiro bandido, além de lavar dinheiro com chocolate, ser professor de rachadinhas e só trabalhar com notas vivas para comprar mansões…

Carlos, seu irmão, foge de debates em Santa Catarina porque do estado só conhece Floripa, Camboriú e não faz ideia de onde fica Tubarão. Seu negócio é espalhar ódio e desavenças por onde passa.

Tem também o mano Jair, cujo Tico não consegue se comunicar com o Teco e não obedece nem o pai, presidiário em casa com tornozeleira danificada, que o mandou fazer campanha de boca calada para não sair asneira.

Finalmente, tem o bro fugitivo Eduardo, valente feito ratazana, vive à custa do dinheiro público arrecadado para o filme Lame Duck, Pato Manco em português.

Os Quatro Trapaceiros querem fazer do Brasil uma república miliciana, de bandeira vermelha, com listras azuis.


Afaste-se deles como o Diabo da cruz.



sexta-feira, setembro 11, 2026

VAI PIORAR... E PIORAR MUITO... CONEXÕES... (Parte XVI)

 O que a “passagem da boiada” tem a ver com a fúria do El Nino ?

A resposta para a sua dúvida é sim, existe uma conexão direta e profunda, mas a forma como esses elementos se conectam precisa ser dividida em duas engrenagens que se reforçam mutuamente:

  1. A engrenagem climática global (o El Niño propriamente dito).
  2. A engrenagem da vulnerabilidade local (o estado dos nossos biomas e leis).

O El Niño não é provocado pelo desmatamento no Brasil; ele é um fenômeno climático global natural. No entanto, o descaso com os biomas e a fragilidade das leis funcionam como um "amplificador de danos", transformando o que seria apenas uma variação do clima em um desastre recorrente e devastador.


1. O El Niño: A "Faísca" Global

O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial se aquecem acima da média. Isso altera a circulação dos ventos em todo o planeta:

  • No Sul do Brasil: Costuma bloquear as frentes frias, acumulando massas de ar quente e úmido e provocando chuvas volumosas e tempestades severas.
  • No Norte e Nordeste do Brasil: Bloqueia a chegada de umidade, provocando secas severas e ondas de calor extremo.

O El Niño é a faísca. Mas o impacto real dessa faísca depende do combustível que ela encontra no chão.


2. A Destruição dos Biomas: O "Combustível" Local

Os biomas (Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Pampa, Caatinga, Pantanal) funcionam como sistemas de amortecimento natural. Quando os degradamos pelo superuso de recursos e substituição desordenada do solo, destruímos a capacidade da natureza de regular o clima:

Ø  Efeito "Esponja" Perdido (Enchentes no Sul): Uma floresta preservada atua como uma grande esponja. As copas das árvores amortecem a queda da chuva, e as raízes e a matéria orgânica facilitam a infiltração da água no solo. Quando a vegetação nativa é removida ou compactada pelo uso intensivo, a água da chuva não infiltra: ela corre rapidamente pela superfície (escoamento superficial), enchendo rios de uma só vez e causando enxurradas e deslizamentos muito mais violentos durante episódios de El Niño.

Ø  Quebra da "Bomba de Umidade" (Secas na Amazônia/Cerrado): A Amazônia e o Cerrado transpiram bilhões de litros de água por dia na atmosfera (os chamados Rios Voadores), regulando as chuvas do país. O desmatamento desregula essa umidade. Quando o El Niño traz uma seca natural, ele encontra uma floresta já estressada e fragmentada, tornando-a vulnerável a incêndios de grandes proporções que não ocorreriam em uma mata fechada e úmida.


3. Fragilidade das Leis e Fiscalização: O Licenciamento do Risco

A legislação ambiental e a fiscalização (órgãos como IBAMA, ICMBio e órgãos estaduais) são a linha de defesa jurídica do patrimônio natural. Quando ocorrem retrocessos legais, flexibilização excessiva do licenciamento ou sucateamento da fiscalização:

ü  Ocorre a ocupação de áreas de risco: Apagamento ou desrespeito às Áreas de Preservação Permanente (APPs) — como topos de morros e matas ciliares ao longo dos rios — permite que construções e lavouras avancem para locais que deveriam estar protegidos para conter a erosão e a força das águas.

ü  Superuso de Recursos sem Mitigação: A exploração intensiva sem critérios de sustentabilidade (como manejo inadequado do solo e retirada excessiva de água de aquíferos) esgota a resiliência dos ecossistemas antes mesmo do evento climático severo chegar.


Como entender a síntese de tudo isso?

A forma mais simples de integrar esses fatores é pensar em um sistema de proteção e estresse:

Impacto do Desastre = Ameaça Climática  (El Niño / Mudanças Climáticas)                                                                                                          -------------------------------------------------------------------

                                      Resiliência do Bioma X Proteção Legal/Governança

  1. O El Niño intensifica a ameaça (chuva extrema ou seca extrema).
  2. O superuso e descaso com os biomas destroem os mecanismos naturais de proteção do ecossistema.
  3. A fragilidade das leis permite que a destruição continue e que as populações fiquem expostas nas áreas de vulnerabilidade.

O resultado é que eventos climáticos que ocorrem há milênios (como o El Niño) passam a ter efeitos desproporcionalmente mais graves, frequentes e caros em termos de vidas humanas, perdas econômicas e destruição ambiental.



VAI PIORAR... E PIORAR MUITO... É o custo bolsonaro... Estúpido...(Parte XV)

 “Passar a boiada”: O custo da insanidade bolsonarista

A frase "passar a boiada" foi dita por Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro, durante uma reunião ministerial em 22 de abril de 2020


O contexto da declaração

  1. A Reunião Ministerial: No encontro divulgado posteriormente por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Salles defendeu que o governo deveria aproveitar o momento em que a atenção da imprensa e da sociedade estava voltada para a cobertura da pandemia de Covid-19 para simplificar e mudar regras infralegais.
  2. A Frase Literal: O ex-ministro afirmou que era preciso "ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando norma", referindo-se a portarias, decretos e resoluções dos ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura e de outros órgãos reguladores, sem a necessidade de aprovação pelo Congresso.

 

Ações e desdobramentos

  1. Desregulamentação: A gestão de Salles focou na revisão de normas de proteção ambiental, o que incluiu a facilitação de procedimentos administrativos e a alteração de critérios para aplicação de multas de fiscalização.
  2. Decisões do Conama: Em setembro de 2020, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) revogou resoluções históricas que garantiam proteção a áreas de manguezais e restingas, ato amplamente associado por ambientalistas à estratégia de "passar a boiada".
  3. Repercussão: A declaração gerou fortes críticas de opositores, entidades ambientalistas e órgãos de controle, tornando-se o principal símbolo da política de desmonte das regras de conservação ambiental durante aquele período da administração federal.

A Lista da Vergonha: Quem escolheu a flexibilização (Lei 15.190/2025)?

O elenco dos nomes daqueles deputados catarinenses que votaram a favor do PL 2.564/2025; é o mesmo que votou a favor da flexibilização das regras de licenciamento ambiental no Brasil, que foi consolidada pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei Federal 15.190/2025), originada a partir do PL 2.159/2021. A legislação unificou as diretrizes do setor e entrou em vigor no início de 2026.

São representantes que, em vez de buscarem soluções para evitar desastres ambientais, preferiram facilitar o caminho para quem destrói o nosso bioma:

 Partido

Deputado(a)

PL

Caroline de Toni, Daniel Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé Trovão

MDB

Cobalchini, Luiz Fernando Vampiro, Pezenti

NOVO

Gilson Marques

PP

Coronel Armando

PSDB

Geovania de Sá

União

Fabio Schiochet

quinta-feira, setembro 10, 2026

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... A Mercantilização do Voto.. (Parte XIII)

 Por que a Promessa de Vantagens Financeiras Fere a Democracia

Subtítulo: Seja no Brasil ou no exterior, o oferecimento de recursos financeiros diretos em troca de apoio político degrada o sentido do sufrágio e compromete a soberania do eleitor.


Introdução

A democracia apoia-se em um pilar fundamental: a liberdade e a consciência da escolha do eleitor. Quando o ato de votar é reduzido a uma transação financeira ou a um compromisso de benefício patrimonial direto, o processo eleitoral perde sua essência ética e transforma o cidadão em um mero agente de mercado.

Recentemente, declarações no cenário internacional — como a promessa de repasse direto de valores monetários a cidadãos vinculada à vitória de determinado grupo político — acenderam novamente o alerta global sobre os limites do discurso eleitoral e a degradação da política.

 

1. O Caso Americano: A Promessa de US$ 5 Mil de Donald Trump

A discussão sobre os limites da ética eleitoral ganhou contornos inéditos no cenário internacional com a recente proposta de Donald Trump nos Estados Unidos. Ao prometer o pagamento direto de um cheque de US$ 5.000 para adultos caso os republicanos saiam vitoriosos nas eleições, o ex-presidente americano cruzou uma linha que, em muitos países, seria imediatamente enquadrada como infração grave ao processo democrático.

A declaração levanta questionamentos profundos em três frentes centrais:

1.1. A Condicionalidade do Benefício

Diferente de um plano de governo que propõe a criação de um auxílio social ou a redução de impostos aprovada pelo Poder Legislativo — cuja aplicação independe de quem votou em quem —, a promessa em questão atrela o ganho financeiro direto do cidadão ao resultado das urnas ("caso vençam as eleições"). Esse mecanismo cria um incentivo econômico imediato e pessoal para a escolha do eleitor.

1.2. Assimetria Jurídica e Eleitoral

Nos Estados Unidos, a proteção à liberdade de expressão (sob a Primeira Emenda) e as regras de financiamento de campanha conferem uma latitude muito maior a promessas de apelo populista do que no modelo de direito eleitoral brasileiro. Enquanto o arcabouço brasileiro (Lei de Eleições e Código Eleitoral) protege a lisura do pleito coibindo a distribuição de bens ou vantagens pessoais para obter o voto, o sistema americano muitas vezes trata esse tipo de aceno como parte do jogo político tradicional.

1.3. A Fragilização do Voto Consciente

Quando a disputa pelo comando de uma das maiores potências do mundo flerta abertamente com a distribuição direta de renda vinculada à vitória nas urnas, o debate de ideias dá lugar à barganha do sufrágio. O eleitor é induzido a avaliar a proposta não pelo seu impacto fiscal, pela sustentabilidade econômica de longo prazo ou pela qualidade dos serviços públicos, mas sim pelo ganho financeiro imediato que colocará no bolso.

 

2. O Limite Entre Proposta de Governo e Captação de Voto

Existe uma linha clara — e ética — que separa uma política pública legítima de uma oferta que tangencia a compra de votos:

  1. Políticas Públicas Legítimas: São propostas impessoais, universais ou estruturadas em programas de Estado (como assistência social, incentivos fiscais ou saúde pública) debatidas no orçamento e aplicadas via legislação transparente.
  2. Transferências Vinculadas ao Resultado: Promessas de pagamento direto condicionadas estritamente ao triunfo eleitoral de um candidato ou partido aproximam-se perigosamente do conceito de contraprestação financeira pelo voto.

Quando a permanência ou a concessão de um benefício pessoal depende da vitória de A ou B, a liberdade de consciência do eleitor é diretamente coagida pela necessidade ou pelo interesse financeiro imediato.

 

3. A Legislação Brasileira como Parâmetro de Integridade

No Brasil, o arcabouço jurídico eleitoral é severo em relação a essas práticas:

  • Captação Ilícita de Sufrágio (Art. 41-A da Lei 9.504/97): Veda expressamente a doação, oferta, promessa ou entrega de bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza com o fim de obter o voto.
  • Corrupção Eleitoral (Art. 299 do Código Eleitoral): Tipifica como crime tanto a conduta de dar ou prometer dinheiro para obter voto, quanto a de receber ou solicitar a vantagem.

Embora outros sistemas jurídicos internacionais possuam entendimentos mais permissivos sobre a liberdade de discursos e promessas de campanha, a premissa ética permanece universal: voto não tem preço, tem consequência.

 

Concluindo: A Urgência da Consciência Cidadã

Condenar veementemente qualquer tentativa de precificar o voto é um dever de todos que defendem a transparência e a igualdade no processo democrático.

Aceitar a mercantilização da política — seja em nível local, municipal ou internacional — equivale a entregar o destino coletivo às mãos de quem possui mais recursos para acenar com vantagens imediatas, em detrimento de projetos consistentes para a educação, meio ambiente, economia e justiça social.

A verdadeira soberania popular exige responsabilidade, debate de ideias e, acima de tudo, o respeito incondicional à dignidade do eleitor.

 

 

"A precificação do sufrágio: quando a disputa eleitoral troca o debate de projetos de longo prazo pela promessa de ganhos financeiros imediatos."