"Sou o fio da espada da história feito música no
pescoço dos fascistas. E dos neutros. Não conte comigo para niná-lo. Não vim
botar você para dormir, aqui estou para acordar os dormentes"
Chico Cesar
"A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la." Eduardo Galeano
"Sou o fio da espada da história feito música no
pescoço dos fascistas. E dos neutros. Não conte comigo para niná-lo. Não vim
botar você para dormir, aqui estou para acordar os dormentes"
Chico Cesar
O Risco de Importar o Colapso Social e o Desmonte do Estado
O resultado das urnas no
primeiro turno deixou uma mensagem clara, mas também acendeu um alerta profundo
para quem observa a política para além das paixões eleitorais. Quando a escolha
do eleitorado se deixa guiar pelo ressentimento ou por promessas de soluções
fáceis, o preço a ser pago no futuro costuma ser alto. O cenário atual nos
coloca diante de um dilema crucial: permitir a consolidação de um projeto que
flerta com o autoritarismo e a desconstrução de direitos, ou defender a
estabilidade institucional e social do país.
1. Ameaças
Institucionais e o Flerte com a Ruptura
Os sinais de alerta não
vêm apenas de analistas locais, mas ecoam na imprensa internacional e até mesmo
entre juristas com histórico de atuação em momentos críticos da nossa história.
Reportagens de veículos como o The Guardian e declarações de autores de
pedidos de impeachment do passado convergem em um ponto: a retórica de
questionamento sistemático das instituições e de incitação ao impasse político
é um "caminho para o precipício".
Normalizar discursos que
ameaçam as regras do jogo democrático compromete a segurança jurídica do país,
afasta investimentos e enfraquece a própria soberania nacional.
2. A Fragilidade
Ética e a Escalada do Extremismo
Paralelamente, a
composição do Poder Legislativo expõe contradições alarmantes. A eleição de
dezenas de parlamentares investigados por fraudes, desvios e corrupção
evidencia como a pauta da integridade é frequentemente instrumentalizada de
forma seletiva. Em centros urbanos, discursos simplistas de segurança pública
avançam em locais vulneráveis, ignorando que problemas complexos exigem
políticas estruturantes de saúde e assistência social, e não apenas slogans
eleitorais.
O impacto dessa
radicalização atinge o tecido social de forma devastadora. Vemos o avanço da
intolerância manifestado em incidentes de violência e ameaças no ambiente
universitário, bem como em atos de vandalismo contra símbolos de fé e
religiosidade. O extremismo político deixa de ser apenas uma disputa ideológica
e passa a ameaçar a convivência pacífica na sociedade.
3. O Laboratório do
Abismo: O Alerta que Vem da Argentina
Para compreender o
impacto prático de propostas baseadas no desmonte do Estado, basta olhar para o
cenário vizinho na Argentina sob a gestão de Javier Milei, modelo
frequentemente elogiado por alas da extrema-direita brasileira:
v Destruição
do Setor Produtivo: O plano de cortes drásticos e desregulamentação
desmedida levou ao fechamento de cerca de 32 mil empresas no país vizinho,
sufocando pequenos e médios empreendedores e gerando desemprego e precarização
do trabalho.
v Perda
de Poder de Compra dos Aposentados: A alteração nas regras e o congelamento
dos reajustes da previdência causaram uma perda superior a 20% no poder de
compra dos aposentados frente à inflação, penalizando diretamente quem
trabalhou a vida inteira.
v Bloqueio
à Proteção Social: O fim de moratórias e a rigidez nas regras reduziram em
53% a concessão de novas aposentadorias, deixando milhares de trabalhadores da
economia informal desassistidos na velhice.
A aplicação de um modelo
semelhante no Brasil significaria um ataque direto ao salário mínimo, aos
direitos previdenciários e aos serviços públicos essenciais como saúde e
educação.
4. Concluindo: A
Importância da Conscientização
A escolha política não é
uma mera decisão abstrata ou uma disputa de torcidas; ela impacta diretamente a
renda da sua família, a aposentadoria dos seus pais, a segurança no seu bairro
e o futuro dos seus filhos.
Expor estes fatos e
dados reais é um dever de cidadania. O Brasil precisa de caminhos que promovam
o desenvolvimento com justiça social, e não de fórmulas radicais que já se
provaram desastrosas onde foram aplicadas. Resta ao eleitorado a reflexão
consciente antes de decidir o destino do país.
PORQUE CONCORDO COM A MAIS ABSOLUTA CONVICÇÃO, LUCIDEZ E CERTEZA... reproduzo na integra o artigo abaixo.
https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/juca-kfouri/2026/10/03/por-que-nao-votar-em-bolsonaro.htm
Juca KfouriColunista do UOL
03/10/2026 06h00
Porque com
todas as dificuldades do Brasil, que saiu outra vez do mapa da fome, vivemos
quatro anos sem sobressaltos, sem grosserias, sem terraplanismo e negação da
ciência.
Porque
apesar da crise no judiciário, que precisa ser reformado, assim como o sistema
político, botar a milícia no poder por meio de voto pode ser votar pela última
vez.
Porque
usar a democracia para acabar com ela equivale a suicídio coletivo.
Porque
quem idolatra torturadores é tão monstruoso que chega a ser incompreensível ter
de explicar.
Porque não
há desencanto maior do que escolher a escuridão quando a luz é possível.
Porque a
escolha neste domingo é pelo amanhã do pleno emprego e não pelo ontem da
antivacina.
Porque é
democracia ou barbárie, soberania ou quintal dos Estados Unidos.
Porque não
custa lembrar que as igrejas não foram fechadas, o Brasil não virou Cuba, nem
Venezuela, e ninguém distribuiu aquela mamadeira do Jair.
Porque
entre um idoso decente e um jovem indecente não cabe dúvida.
Porque
entre quem respeita a Constituição e quem tentou golpeá-la não pode haver
hesitação.
Porque nem
é preciso gostar de Lula.
Porque
basta rejeitar Bolsonaro.
Às urnas, sem ódio e sem medo.
Do chão de fábrica à cátedra: os honoris causa de Lula
História de Raissa Neves
Abaixo, confira trechos do artigo
assinado por Raissa Neves
e originalmente publicado pelo site Opera Mundi, abordando a trajetória do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e o reconhecimento acadêmico traduzido em seus 42
títulos de Doutor Honoris Causa.
https://www.msn.com/pt-br/noticias/other/do-ch%C3%A3o-de-f%C3%A1brica-%C3%A0-c%C3%A1tedra-os-honoris-causa-de-lula/ar-AA2drSdw?ocid=hpmsn&cvid=6ac1609fa8044fa38fe36ed51c65f30b&ei=126
Na
manhã de 30 de março de 2011, os sinos da Universidade de Coimbra tilintaram
marcando o início de uma faustosa cerimônia. Sob os olhares de centenas de
estudantes, acadêmicos e jornalistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
atravessou os corredores da prestigiosa instituição portuguesa para receber seu
primeiro título internacional de “doutor honoris causa”
O
título “honoris causa” é o grau honorário de doutor concedido por instituições
de ensino superior a pessoas eminentes que se destacaram em uma determinada
área por suas ações, virtude ou mérito. A homenagem da Universidade de Coimbra
se tornou a primeira de várias. Lula é hoje brasileiro com mais títulos de
doutor “honoris causa”. O presidente acumula 42 condecorações — uma a mais do
que seu conterrâneo, o pedagogo pernambucano Paulo Freire.
A maioria dos títulos foram concedidos por
universidades públicas do Brasil. Entre as instituições estrangeiras que lhe
outorgaram a honraria estão, além da Universidade de Coimbra, a Universidade de
Salamanca (Espanha), a Escola Politécnica de Lausanne (Suíça), o Instituto de
Estudos Políticos de Paris (França), a Universidade Nacional de Rosário
(Argentina), a Universidade de Aquino (Bolívia), a Universidade Andina Simón
Bolívar (Equador), a Universidade de San Marcos (Peru) e a Universidade Pedagógica
de Maputo (Moçambique), entre outras.
Não por acaso, é
justamente a origem humilde de Lula que foi agressivamente atacada pela
imprensa. Durante seu governo, o presidente recebeu os epítetos de “apedeuta”,
“ignorante”, “analfabeto”. Criticaram sua falta de formação e o fato de não
saber falar inglês. Acusaram-no de cultuar a ignorância e incentivar o povo a
não ler. E atribuíram o apoio ao seu governo a uma suposta “parvoíce” de um
“povo iletrado” que “vendia o voto” em troca de esmolas e assistencialismo
barato.
E enquanto era apontado
como fomentador da ignorância, tornou-se o presidente que mais investiu em
educação, fundando 19 novas universidades públicas, construindo mais de 120
novos campi, inaugurando mais de 200 escolas técnicas e quintuplicando o número
de estudantes no ensino superior.
Lula foi igualmente
responsável por iniciar o processo de democratização do acesso ao ensino superior
público, transformando os egressos das escolas públicas e estudantes de baixa
renda em maioria do corpo discente das instituições federais, ajudando a mudar
o perfil tradicionalmente elitizado do ensino superior público.
O post Do chão de fábrica à cátedra: os honoris causa de
Lula apareceu primeiro em Opera Mundi.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido alvo frequente de campanhas de desinformação, com boatos que se intensificaram durante as campanhas eleitorais e continuam a circular ao longo de seu mandato. De acordo com levantamentos das principais agências de checagem do país, como Agência Lupa, Fato ou Fake (G1) e Boatos.org, os boatos mais recorrentes envolvem temas religiosos, de segurança pública e teorias conspiratórias.
Abaixo estão listadas algumas das
principais fake news
disseminadas contra o presidente:
Pautas
Religiosas e Morais
1) Fechamento
de igrejas e perseguição a cristãos:
Uma das narrativas mais antigas e persistentes afirma que Lula e o PT fechariam
templos religiosos ou regulamentariam as atividades de pastores e padres caso
fossem eleitos. O boato foi reiteradamente classificado como falso por agências
de checagem.
2) Consagração
do Brasil a entidades religiosas:
Circulou nas redes sociais um vídeo manipulado alegando que Lula e a
primeira-dama, Janja, teriam feito um ritual no Palácio do Planalto para
consagrar o país. As imagens originais eram, na verdade, da cerimônia de posse
das ministras Anielle Franco e Sonia Guajajara em janeiro de 2023.
3) Falsa frase de
Janja sobre Deus: Postagens
falsificadas atribuíram à primeira-dama a frase "nem Deus tira
de Lula essa eleição" durante comícios.
Nenhuma declaração desse tipo foi feita.
Segurança Pública e
Associações Criminosas
4) Ligação
entre o PT e facções criminosas: Durante
a eleição de 2022, diversos conteúdos falsos circularam alegando que o governo
de Lula teria acordos ou ligações diretas com facções como o PCC. O Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) ordenou a remoção imediata dessas publicações por
falta de provas.
5) O caso
Celso Daniel: Constantemente ressurgem
boatos conectando o presidente ao assassinato do ex-prefeito de Santo André,
Celso Daniel, ocorrido em 2002. Investigações policiais e decisões do próprio
judiciário já arquivaram essa correlação por completo.
Teorias
Conspiratórias sobre Saúde e Identidade
6) A teoria de
que Lula seria um clone ou sósia: Em
uma das teorias mais incomuns da internet, postagens em plataformas como TikTok
e YouTube afirmaram que o verdadeiro Lula teria morrido no fim de 2022 e sido
substituído por um clone. A teoria conspiratória costuma distorcer imagens de
tratamentos médicos reais ou períodos de descanso do presidente para sustentar
a fraude.
Falas Caluniosas, Distorcidas
e Fora de Contexto
7) Vídeos
manipulados com conotação sexual:
Vídeos editados e retirados de contexto de discursos sobre saúde pública (como
a prevenção ao câncer de próstata) foram espalhados para sugerir falsas
conotações sexuais envolvendo crianças. O TSE determinou a remoção dessas
postagens por distorção grave da realidade.
8) Críticas
atribuídas a artistas:
Recentemente, vídeos de artistas gravados originalmente em 2022 com críticas a
outros políticos (como o caso de um vídeo da apresentadora Xuxa) foram
republicados com legendas falsas afirmando que eram direcionados a Lula.
9) Implantação
de banheiros unissex:
Desinformação afirmando que o governo implantaria banheiros unissex para crianças
nas escolas.
10) Confisco
do Pix / Taxação do Pix:
Boatos de que haveria cobrança de impostos ou confisco de transferências Pix.
11) Fim do
MEI: Desinformação de
que a categoria de Microempreendedor Individual seria extinta.
12) Fim do
Auxílio Brasil / Bolsa Família:
Alegações de que programas de transferência de renda seriam cancelados.
13) Confisco
de cadernetas de poupança:
Boatos recorrentes de que haveria bloqueio de bens ou contas bancárias da
população.
14) Obrigação
de abrigar pessoas em imóveis privados: Narrativa falsa de que casas com cômodos vagos seriam
ocupadas pelo governo.
15) Redução
ou fim do salário mínimo:
Conteúdo enganoso sobre cortes na remuneração mínima legal.
16) Fraude
na contagem de votos no Nordeste: Alegações sem provas sobre
irregularidades na apuração regional.
Não é 'teflon', há eleitor que aceita corrupção de Flávio para tirar Lula: Até quando a corrupção será relativizada?
É estarrecedor constatar o ponto a que chegamos no
debate público e moral do nosso país. A análise trazida pelo jornalista
Leonardo Sakamoto em sua coluna no UOL toca em uma ferida aberta e incômoda: a
tolerância seletiva da sociedade com a corrupção quando ela convém aos seus
interesses políticos.
Como cidadão, é impossível não sentir uma profunda
indignação ao ver a ética ser tratada como um mero adereço negociável. O
pragmatismo cego, que leva eleitores a "fecharem os olhos" ou a
aceitarem suspeitas e desvios éticos de seus candidatos preferidos apenas para
evitar a eleição de um adversário, destrói as bases da nossa democracia. Não
existe "corrupção tolerável" ou "mal menor" quando o
assunto é o respeito ao patrimônio público e à legalidade.
Abaixo, reproduzo na íntegra a coluna de Leonardo
Sakamoto, que nos convida a refletir sobre esse cenário preocupante em que o
combate à corrupção deixou de ser um princípio inegociável para se tornar
apenas uma bandeira de conveniência.
Leonardo SakamotoColunista do UOL… -
Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2026/10/01/nao-e-teflon-ha-eleitor-que-aceita-corrupcao-de-flavio-para-tirar-lula.htm?cmpid=copiaecola
Artigo na Íntegra
Título: Não é 'teflon', há eleitor que
aceita corrupção de Flávio para tirar Lula
Autor: Leonardo Sakamoto
Veículo: UOL Colunas
Para tirar Lula, há eleitores que
engolem até a corrupção de Flávio
É equivocado classificar como "teflon"
todo político em que as denúncias batem e escorregam, sem arranhar sua
viabilidade eleitoral. O caso de Flávio Bolsonaro passa longe de ser um
fenômeno das panelas antiaderentes, trata-se de um caso crônico de cinismo
pragmático de parte do eleitorado.
Não é que as denúncias de corrupção
não colem nele. Elas colam, pesam e empesteiam o ambiente. Ocorre que uma fatia
expressiva dos eleitores enxerga a eleição não como uma escolha de projeto de
país, mas como um plebiscito sobre Lula. E, para tirar Lula, uma turma aceita
qualquer coisa. E tem consciência disso.
Para esse grupo, não faz a menor
diferença se, do outro lado da urna, estará Flávio, um cone de trânsito
alaranjado com listras fosforescentes ou o histórico Rinoceronte Cacareco — que
recebeu 100 mil votos para vereador paulistano em 1959. Como o senador é o
herdeiro do espólio político do pai e, hoje, o mais bem posicionado para
derrotar o petista, o antipetismo não-bolsonarista tampa o nariz para o chorume
de corrupção em que o candidato está imerso até a narina e se prepara para
digitar seu número.
Esse comportamento não se restringe à
direita radical. O mesmo fará uma parte do eleitorado que nem se define como
antipetista ferrenha, mas que simplesmente não quer dar mais quatro anos de
mandato a Lula. A eleição virou o "Lula versus o Anti-Lula". Se o
Anti-Lula da temporada for um cone, então vai de cone. Com ou sem listras, com
ou sem propostas de soluções.
O nível de tolerância dessa parcela da
sociedade com atitudes indefensáveis é pedagógico sobre a seletividade da nossa
indignação moral.
O candidato que eles estão dispostos a
ungir como salvador da pátria é alguém que recebeu ao menos R$ 70 milhões de
Daniel Vorcaro. É político umbilicalmente envolvido no desvio de salários de
servidores do próprio gabinete (a velha e boa rachadinha), que teria lavado
dinheiro via loja de chocolates em shopping center de luxo e transferido R$ 200
mil de grana pública diretamente para o projeto de um miliciano que o chama de
"nosso senador". Sem esquecer, claro, do seu hábito peculiar de
contratar familiares de matadores de aluguel para cargos de confiança.
Chegamos a uma situação pitoresca,
para não dizer trágica. O propalado voto de protesto, aquele que carrega a
ilusão moralista de dar um "basta" no sistema, está sendo depositado
em alguém que as pessoas sequer fazem ideia do que fará com o salário mínimo
dos aposentados. Não há propostas ou visão de Estado. O que há é o único entre
os candidatos que implorou dinheiro a Vorcaro.
Ao fechar os olhos para essa capivara
extensa em nome da aversão ao PT, uma parte do eleitorado deixa claro que seu
problema nunca foi exatamente com a corrupção, mas apenas com o CPF de quem a
pratica.