Universitas Venalis: O Surgimento do Título
"Honoris Mercenarius" em Santa Catarina
https://iclnoticias.com.br/universidades-particulares-que-homenagearam-governador-ganharam-r-890-milhoes-de-sc/
Dizem
que o saber não tem preço, mas em Santa Catarina descobrimos que ele tem, sim,
um valor de face bem definido: aproximadamente R$ 890 milhões.
Recentemente,
fomos brindados com a imagem de diversas universidades particulares e
"comunitárias" do nosso estado em uma verdadeira maratona de
homenagens ao Governador Jorginho Mello. Títulos de Doutor Honoris Causa foram distribuídos com uma
generosidade que faria os maiores gênios da humanidade corarem. No entanto,
para quem olha além da beca e do capelo, a gramática envolvida não é a do
reconhecimento acadêmico, mas a da Universitas Venalis — a universidade que se vende.
A Nova Titulação: Honoris Mercenarius
Esqueçam
a contribuição à ciência ou à cultura. O que assistimos em solo catarinense é a
consagração do título Honoris
Mercenarius. Como bem aponta a etimologia satírica, se Honoris remete à honra, Mercenarius entrega o jogo: é a
honra concedida por pagamento, por interesse próprio, sem qualquer lealdade a
princípios que não passem pelo caixa da instituição.
É
a Sciens Venalis: o
conhecimento que não é isento, mas um produto de prateleira trocado por decretos
e repasses do programa "Universidade Gratuita".
A Engenharia do "Cala-Boca"
Acadêmico
O
balanço é obsceno. Enquanto a educação básica e a alimentação escolar de nossas
crianças lutam por migalhas, o governo despeja quase um bilhão de reais em instituições privadas. Em
troca, recebe placas de bronze e discursos laudatórios.
Segundo
a reportagem do ICL Notícias,
esse valor é o dobro do que o Estado investe para alimentar todos os alunos da
rede pública. É a pedagogia da inversão:
ü O
Povo paga: Através de
manobras tributárias que retiram recursos dos municípios.
ü A
Academia se cala:
Transformando-se em uma Meretrix Academia, vendendo sua integridade intelectual ao "poder de
turno" em troca da manutenção de bolsas que, muitas vezes, financiam quem
não precisa.
O Teto de Vidro da "Universidade
Gratuita"
O
programa, que deveria ser um braço de inclusão, tornou-se o combustível dessa
engrenagem mercenária. O Tribunal de Contas já detectou "bolsistas
milionários" em cursos de elite, enquanto a UDESC — a nossa universidade
pública de verdade — assiste à festa do lado de fora, com o nariz encostado no
vidro.
Para
essas instituições, o título correto não deveria ser Universitas magistrorum et scholarium (Comunidade de
mestres e estudiosos), mas sim Universitas
venalis et politica.
Concluindo: Quem pagará pela honra?
A
história nos ensina que títulos comprados não resistem ao tempo; eles oxidam
junto com o caráter de quem os concede. Ao transformar o ato de ensinar em um
balcão de troca de favores, essas universidades renunciam ao seu papel social
para se tornarem meras agências de lobby.
O
povo de Santa Catarina, que paga a conta desses R$ 890 milhões, já entendeu o
recado: nesta corte acadêmica, o que vale não é o que você sabe, mas o quanto
de dinheiro público você consegue transferir para o lado de cá.
Honoris Mercenarius para uns, conta amarga para o resto de nós.










