Como as Recentes Operações do GAECO Impactam Santa Catarina
Nos
últimos meses, Santa Catarina tem sido palco de uma série de ações decisivas
conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado
(GAECO) e pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Mais do que meras
manchetes policiais noticiadas pela mídia boca de aluguel, essas operações revelam uma estratégia clara e articulada
das forças de segurança: desarticular o crime organizado exatamente onde ele
mais se fortalece — na sua estrutura financeira e no rombo aos cofres públicos.
Para
compreender o alcance dessas investigações e o que elas significam para a
sociedade catarinense, vale analisar de perto as frentes de combate que
marcaram os meses de agosto e setembro de 2026.
Asfixia Financeira e Fraudes Tributárias: A
Conta que Todos Pagam
O
combate à sonegação fiscal e aos esquemas sofisticados de fraude contra a ordem
tributária ganhou destaque em duas grandes operações:
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Operação
Mercado Oculto (Setembro de 2026):
Com a execução de 31 mandados de busca e apreensão espalhados por 23 municípios
catarinenses (com forte presença no Oeste, como Chapecó, Xanxerê e Xaxim) e 2
no Paraná, a operação mirou uma rede comercial do setor varejista. O esquema
funcionava por meio da pulverização de lojas formalmente registradas como
empresas independentes em nome de parentes ou laranjas, mas que operavam sob
uma mesma gestão familiar. A estratégia mascarava o faturamento real para
burlar impostos, gerando um prejuízo fiscal estimado em R$ 8,9 milhões —
montante que já teve o bloqueio e sequestro de bens determinados pela Justiça.
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Operação Labirinto
Fiscal (Agosto de 2026):
Revelou uma engenharia financeira ainda mais audaciosa, com impacto estimado em
astronômicos R$ 500 milhões. O grupo investigado simulava operações de compra e
venda de insumos entre empresas situadas em Santa Catarina e na Zona Franca de
Manaus (AM) para gerar créditos indevidos de ICMS, cobrindo 13 mandados de
busca e apreensão para estancar a sangria de recursos públicos.
A
fraude tributária não é um crime abstrato: cada milhão sonegado é um milhão a
menos para hospitais, estradas e segurança pública, além de criar uma
concorrência desleal que asfixia o pequeno comerciante que paga seus impostos
em dia.
Mapeamento do Crime Organizado e Proteção
Social
Paralelamente
ao combate aos crimes do "colarinho branco", a atuação do GAECO
também avançou sobre a infraestrutura do crime violento e a proteção de
vulneráveis:
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Operação
Desmos II (Agosto de 2026):
Focada no ambiente do crime organizado no Oeste, Meio-Oeste e Norte do estado
(cidades como Chapecó, Joinville e Herval d'Oeste), a ação cumpriu 21 mandados
para cortar a rede de arrecadação financeira de uma facção criminosa. A
investigação detalhou o recolhimento de "dízimos" compulsórios
cobrados de integrantes para financiar o tráfico de drogas e a compra de armas
de fogo. O próprio nome da operação — Desmos, do grego "vínculo" — explicita o
objetivo: quebrar a cadeia de financiamento que mantém a estrutura criminosa
ativa.
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Operação
Proteção Integral V (Setembro de 2026): Integrando uma força-tarefa de alcance nacional coordenada
pela Polícia Federal, o MPSC prestou apoio no cumprimento de mandados focados
na identificação e prisão de responsáveis pela produção e distribuição de
material de abuso e exploração sexual infantojuvenil na internet, reforçando a
vigilância no ambiente digital.
O Que Essa Sequência de Operações Nos Ensina?
Analisar
o conjunto dessas operações permite extrair uma lição fundamental sobre a
segurança pública moderna: o
combate ao crime exige inteligência e integração.
Seja
ao rastrear notas fiscais frias e transferências entre empresas de fachada,
seja ao seguir a rota do dinheiro que alimenta facções no interior do estado, a
atuação das instituições estaduais demonstra que a repressão eficiente passa
necessariamente pela desarticulação patrimonial. Quando o Estado recupera
ativos sonegados e bloqueia o caixa do crime organizado, ele não apenas faz
justiça ao contribuinte honesto, mas protege a própria integridade
socioeconômica de Santa Catarina.












