Pastores e Lideranças Inescrupulosas Sequestraram Jesus
Sequestraram o carpinteiro de Nazaré. Mutilaram o
Evangelho, rasgaram o Sermão da Montanha e ergueram, sobre os escombros da fé
popular, um balcão de negócios, chantagens e negociatas políticas. O homem que
expulsou os cambistas do templo com um chicote de cordas hoje assiste, sob o
véu da impunidade, sua figura ser transformada na maior mercadoria de um
mercado sem escrúpulos.
O que se testemunha em praça pública não é apenas
desvio ético; é uma subversão completa, violenta e calculada do texto sagrado.
Em nome do Nazareno que não tinha onde reclinar a
cabeça, ergueram-se "bancos espirituais" e estruturas financeiras
sombrias. Pastores e lideranças inescrupulosas transformaram altares em balcões
de pirâmides financeiras, prometendo lucros milagrosos e rendimentos
astronômicos a custa da boa-fé, das economias e da esperança de famílias
inteiras. Usam a linguagem da graça para aplicar o golpe do vigário; oferecem o
céu em troca do suor e da poupança do crente, vendendo a ilusão de que o Deus
do universo opera como um doleiro ou um operador de risco.
Não bastasse o achaque ao bolso dos fiéis,
sequestraram também a consciência cidadã. Nas vésperas dos pleitos eleitorais,
a fé é instrumentalizada sem pudor. "Campanhas espirituais" e jejuns
convocados do púlpito deixam de ser atos de devoção para se tornarem peças grosseiras
de propaganda partidária e coação ideológica. A salvação da alma passou a ter
lado no espectro político e candidato preferencial, reduzindo a mensagem
universal de amor e justiça a um panfledo eleitoreiro de ocasião.
E onde o poder econômico da fé encontra o poder do
Estado, o sacrilégio se institucionaliza. Vemos impérios religiosos se
banqueteando com verbas públicas, abocanhando milhões em emendas parlamentares
para financiar megaeventos e ostentações privadas sob o pretexto de "ação
cultural" ou "social". O dinheiro da saúde, da educação e da
infraestrutura do povo trabalhador é canalizado para inflar a influência de
conglomerados de mídia e oligarquias religiosas que operam nos bastidores do
poder como verdadeiros partidos políticos imunes à fiscalização.
Jesus pregou a partilha; eles pregam o acúmulo.
Jesus esteve ao lado dos oprimidos e famintos; eles se aliam aos opressores em
troca de privilégios e verbas. Jesus disse que o seu Reino não era deste mundo;
eles lotearam a terra, o Estado e os cofres públicos em nome da sua própria
vaidade.
Até quando a sociedade e os verdadeiros cristãos
aceitarão passivamente que a figura que simbolizou a entrega, a simplicidade e
a denúncia da hipocrisia seja mantida refém de empresários da fé, vendilhões da
política e mercadores do sagrado?
Liberar Jesus do sequestro ideológico e financeiro
promovido por esses grupos não é apenas uma urgência teológica: é um dever
moral, ético e cidadão de todos os que ainda acreditam na dignidade humana.











