Lages, na real
"A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la." Eduardo Galeano
terça-feira, outubro 20, 2026
domingo, outubro 18, 2026
Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas... (Parte III)
A culpa não é da Renata Lo Prete: ela é séria e competente
“A verdade é incontrovertível. A malícia
pode atacá-la, a ignorância pode zombar dela, mas, no fim, lá está ela.” — Winston Churchill
Até 25 de outubro, o Brasil honesto e digno vai se
equilibrar entre a angústia, o medo e a esperança. A angústia de saber que
existe a hipótese de o obscurantismo voltar. O medo é consequência dessa
possibilidade. Se Flávio Bolsonaro vencer, e não vai vencer, o Brasil terá
andado milhares de casas para trás no tabuleiro da vida. Não é uma derrota
natural que pode ocorrer numa eleição democrática, não é perder uma eleição
numa democracia, é perder a democracia em uma eleição. É o caos. O atraso. A
volta da fome. O fim da cultura, a sucateação do SUS, o estrangulamento da
educação, enfim, a barbárie sendo implantada por bárbaros.
Tenho recebido muitas críticas à atuação de Renata Lo Prete
na entrevista com o miliciano. Renata é uma grande jornalista. Séria.
Competente. O problema é entrevistar um mitômano, uma pessoa completamente
falsa, sem ética, sem limites. Tenho escrito há tempos sobre a dificuldade de
debater com quem não tem critérios éticos e democráticos. A pergunta pode ser
bem-feita e séria, e a resposta vem sem nenhum compromisso com a verdade, com
os fatos. É importante pensar nisso e denunciar. É impossível debater, entrevistar
quem não tem limites.
Renata trouxe uma questão gravíssima. Flávio apresentou o
Projeto de Lei 3.723, de 2019, para alterar o Estatuto do Desarmamento,
retirando a marcação, a exigência de identificação nas cápsulas das balas,
para, claramente, atender às milícias e aos matadores de aluguel. Dificultar a
identificação dos criminosos. O grupo dele, que ele representa. Ele fugiu da
resposta. Ela insistiu. Ele disse que era um “detalhezinho!”. O que mais ela
poderia fazer? Dar voz de prisão? Ora, esse projeto foi apresentado no Congresso
e não me lembro de ter provocado indignação. É óbvio que é um projeto que só
serve aos marginais, aos profissionais do crime. A entrevistadora foi até onde
pôde ir. O silêncio dele só repercute o imenso silêncio da mídia sobre um
assunto tão grave quando o projeto foi apresentado.
É igual à mentira sobre a prestação de contas do criminoso
contrato do filme Dark Horse. A mídia toda engoliu em seco a mentira da falsa
prestação de contas. Inclusive a omissão da Polícia Federal, do Ministério
Público e do Supremo. Vamos agora culpar a entrevistadora?
Flávio sabe que surrupiou mais de 80 milhões de dinheiro
público para o tal filme. Ele simplesmente vestiu uma máscara e disse dezenas
de vezes: “Não tem dinheiro público, está tudo explicado e é um negócio
privado.” Todas as pessoas sérias sabem que não é verdade. Não há nenhuma
dúvida de que o dinheiro é público e, é óbvio, não houve prestação de contas.
Mas o eleitorado dele acredita. A única maneira de realmente questionar seriam
medidas cautelares propostas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público
Federal, com decisão da Justiça. Não ocorreram. Ele vai continuar zombando da
cara de todos e dizendo que já explicou. E o seu eleitorado, exultando. É o
império da hipocrisia e da mentira.
É como a questão da grande conquista dos trabalhadores com
o fim da jornada 6×1. Êxito evidente do governo Lula. Flávio Bolsonaro, de
maneira oportunista, liberou seu grupo para votar. Ele não compareceu à sessão
de votação. Mas já disse que, se eleito, vai mudar o projeto, mesmo tendo
apoiado. Não vai, porque não vai ganhar. Não vai derrotar os trabalhadores
outra vez. Não vai derrotar o Brasil.
Escrevi, logo após o fim do primeiro turno, que o que nos
deu chance e fôlego para tentar salvar a democracia foi termos chegado atrás no
primeiro turno. Se tivéssemos tido mais votos, seríamos massacrados neste
segundo turno. A campanha estava morna, analógica, sem tesão, desorganizada.
Mas, com a derrota no primeiro turno, em vez de bater o desespero, veio a
premência de mudar. É outra campanha. Com cheiro de virada. Com alegria e medo
ao mesmo tempo. Faz bem. As pessoas, milhões de jovens, tomaram as ruas sem que
o chamado viesse da campanha. Foi a ânsia de liberdade, a ânsia da vida por si
mesma, o terror à barbárie, o susto da violência institucional, a lembrança da
ditadura, a sombra das mortes na pandemia, o nojo da ultradireita atrasada e
castradora. Os jovens foram para as ruas com mais força do que nas Diretas. É
um inconsciente coletivo.
Agora temos a certeza da necessidade de manter a
democracia. Não é direita e esquerda. É morte e vida. Barbárie e civilização.
Ar puro ou falta de ar. Cultura ou obscurantismo. Saúde ou doença. Vacina ou
peste.
Vamos virar porque precisamos ganhar. Não dá para entregar
o Brasil para esse bando. Estou em Paris, trabalhando, e volto para votar. É
incrível a onda de solidariedade ao Brasil. A repercussão não é só nos grandes
jornais. As pessoas sabem o que significa Bolsonaro. Ainda estão vivas em todos
a prepotência, o descaso e a crueldade na pandemia. E a ignorância profunda, a
prepotência burra, nas relações internacionais. A subserviência como regra. Com
a derrota de Bolsonaro em 2022, mais do que com a vitória de Lula, o Brasil
voltou a respirar. Vamos virar. Vamos dar uma chance à vida e à democracia.
Lembrando Pessoa, na pessoa de Bernardo Soares, no Livro
do Desassossego: “Sem fé, não temos esperança, e sem esperança não temos
propriamente vida.”
Texto integralmente
copiado da Revista Forum: https://revistaforum.com.br/opiniao/a-culpa-nao-e-da-renata-lo-prete-ela-e-seria-e-competente/
Escrita por Raony
Salvador
Porque publico este Artigo em sua
INTEGRA neste BLOG:
Ø A Defesa da Imprensa Profissional e os
Limites da Entrevista:
O texto defende com clareza a atuação da jornalista Renata Lo Prete frente a um
entrevistado que utiliza a mitomania. O problema central não está na condução
da entrevista, mas na impossibilidade de debater civilizadamente com quem não
possui compromisso ético com a verdade.
Ø A Gravidade do Projeto de Lei (PL
3.723/2019): Um dos
pontos mais críticos é a cobrança sobre a tentativa de alterar o Estatuto do
Desarmamento para retirar a exigência de identificação nas cápsulas de balas,
favorecendo diretamente milícias e matadores de aluguel. A apatia inicial da
grande mídia perante o tema expõe a perigosa naturalização da criminalidade.
Ø A Batalha entre Civilização e Barbárie: O artigo retrata a mobilização da
sociedade — especialmente dos jovens — não como uma disputa partidária comum,
mas como uma escolha existencial entre democracia e caos, vida e morte, ciência
e obscurantismo.
Ø A Repercussão Internacional: O texto lembra que o mundo observa o
Brasil com apreensão, tendo vividamente na memória o descaso institucional e
humanitário durante a crise sanitária, e ressalta a importância da retomada do
prestígio democrático do país.
quinta-feira, outubro 15, 2026
Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros: A Direita foi massacrada pelo monstro que criou e bajulou... (Parte XXX)
Como o bolsonarismo alienante, distópico e fundamentalista arrasou com a Direita catarinense
Nas eleições de 2026, os resultados
das urnas em Santa Catarina refletiram uma acentuada reconfiguração de forças:
de um lado, líderes tradicionais da política catarinense (políticos de direita
com décadas de mandato e perfil mais institucional); do outro, figuras do
campo bolsonarista/PL (extrema direita), que impulsionaram votações
expressivas e redes de engajamento digital.
1. Esperidião Amin (PP) vs. Carlos
Bolsonaro (PL) — Disputa pelo Senado
|
Candidato |
Experiência
Política |
Votação
/ Desempenho em 2026 |
|
Esperidião Amin |
Mais de 50 anos de carreira: Governador de SC (2x), Prefeito de
Florianópolis (2x), Deputado Federal e Senador com atuação expressiva no
Congresso. |
1.233.034 votos (15,31%) Derrotado no pleito. Apesar de sua longa trajetória e liderança histórica no
PP, não conseguiu renovar sua vaga no Senado em 2026, sendo ultrapassado pelo
forte movimento de renovação à direita. |
|
Carlos
Bolsonaro |
24 anos
de vida pública: Vereador
no Rio de Janeiro (desde 2001, eleito consecutivamente em 6 mandatos).
Transfere seu domicílio eleitoral para SC em 2026. |
2.041.840
votos (25,35%) Eleito
Senador por Santa Catarina. Puxado pela forte base eleitoral conservadora catarinense
e a hegemonia da marca Bolsonaro no estado, venceu a disputa direta contra
quadros locais experientes. |
>>>> Paralelo
Analítico
- Tradição vs. Nacionalização Conservadora: Amin
representa a política de base regional clássica catarinense
(infraestrutura, municipalismo, bancada do PP). Carlos Bolsonaro, embora
com quase um quarto de século como vereador no RJ, concorreu sem histórico
de mandatos executivos ou legislativos em SC, ancorando-se no engajamento
nacional e no eleitorado bolsonarista do estado. O eleitorado preferiu a
renovação alinhada ao PL ao invés da tradição do clã Amin.
Jair Renan Bolsonaro (PL) vs. Raimundo Colombo (PSD) — A Disputa e o Perfil Eleitoral
|
Candidato |
Experiência
Política |
Desempenho
/ Votação em 2026 |
|
Jair Renan Bolsonaro |
Curta trajetória institucional: Eleito vereador em Balneário
Camboriú em 2024 (seu primeiro mandato eletivo), com forte projeção nas redes
sociais e uso intenso do capital político da família. |
123.123 votos (3,05%) Expressiva votação e projeção estadual em 2026: Em sua transição para disputar
espaço na política catarinense em âmbito ampliado, surfou na enorme
popularidade do conservadorismo e da marca Bolsonaro no litoral e Vale do
Itajaí. |
|
Raimundo Colombo |
Mais de 40 anos de trajetória em SC: Prefeito de Lages (3x), Deputado
Estadual, Deputado Federal, Senador e Governador de Santa Catarina (2x). |
54.545 votos (1,28%) Ficou na Suplência: A despeito da imensa densidade eleitoral histórica e forte
penetração na região serrana e no interior catarinense, Colombo (PSD) não
alcançou a vaga de titular almejada. |
>>>> Paralelo Analítico
- Renovação Digital e Fenômeno de Influência vs.
Institucionalidade Histórica:
Enquanto Raimundo Colombo representa
o arquétipo da política tradicional de base — construída ao longo de décadas
através de entregas de governo, alianças partidárias municipais, forte
capilaridade no interior e o clássico "aperto de mão", Jair Renan
Bolsonaro simboliza a nova política impulsionada pelo ecossistema digital,
pela polarização ideológica e pela transferência direta de prestígio de um
sobrenome nacional para o cenário catarinense.
- O Choque de Gerações nas Urnas:
- O contraste entre a derrota/suplência de um ex-governador e ex-senador experiente como Colombo e a ascensão de figuras novas e polarizadas como Jair Renan e outros expoentes da direita mostra que, em 2026, o eleitor catarinense priorizou o alinhamento ideológico e a comunicação manipuladora de massa em detrimento da máquina administrativa tradicional e do currículo executivo de longa data.
3. Angela Amin (PP) vs. Julia
Zanatta (PL) — Disputa de Vagas na Câmara dos Deputados
|
Candidato |
Experiência
Política |
Votação
/ Desempenho em 2026 |
|
Angela Amin |
Mais de 30 anos de política: Prefeita de Florianópolis (2x),
Deputada Federal por múltiplos mandatos e figura central na história do PP em
SC. |
35.291 votos (0,83%) — Suplente. Teve votação concentrada em bases
tradicionais (como a Capital), insuficiente para garantir eleição na bancada
federal. |
|
Julia Zanatta |
4 anos de mandato federal (1º mandato eleito em 2022): Advogada e jornalista, despontou
no cenário político recente pela pauta do armamentismo e da extrema direita. |
560.223 votos (13,15%) — Eleita (Recorde Histórico). Sagrou-se a deputada federal mais
votada da história de Santa Catarina em uma única eleição para a Câmara. |
- A Transição de
Gerações e Estilos de Atuação: Angela Amin sempre praticou uma
política de gabinete, articulação partidária e entregas municipais focadas
em Florianópolis e região. Em contrapartida, Julia Zanatta (com apenas um
mandato prévio e conhecida como não muito amiga da inteligência) alavancou seu desempenho através de pautas de costumes reacionários e conservadores, redes
sociais, ativismo político ostensivo e presença marcante na militância,
tornando-se uma puxadora de votos na eleição de 2026.
Conclusão da Comparação
O paralelo entre esses três pares demonstra a mudança de ciclo político em Santa Catarina nas eleições de 2026: a experiência de décadas em cargos executivos e legislativos (Esperidião Amin, Raimundo Colombo e Angela Amin) cedeu espaço para candidaturas hiperconectadas com o movimento conservador e reacionário liderado pelo PL (Carlos Bolsonaro, Jair Bolsonaro e Julia Zanatta).
terça-feira, outubro 13, 2026
Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas... (Parte II)
"Sou o fio da espada da história feito música no
pescoço dos fascistas. E dos neutros. Não conte comigo para niná-lo. Não vim
botar você para dormir, aqui estou para acordar os dormentes"
Chico Cesar
Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros: Santa Catarina em Alerta... (Parte XXIX)
E dizer sempre muito obrigado
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, Seu Zé
Se acabarem teu carnaval?
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, Seu Zé
Se acabarem com teu carnaval?
Tudo vai bem, tudo legal
E um Fuscão no juízo final
Você merece
Você merece, você merece
Esqueça que está desempregado
Você merece, você...
QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... Alerta ao Brasil::... (Parte XVIII)
O Risco de Importar o Colapso Social e o Desmonte do Estado
O resultado das urnas no
primeiro turno deixou uma mensagem clara, mas também acendeu um alerta profundo
para quem observa a política para além das paixões eleitorais. Quando a escolha
do eleitorado se deixa guiar pelo ressentimento ou por promessas de soluções
fáceis, o preço a ser pago no futuro costuma ser alto. O cenário atual nos
coloca diante de um dilema crucial: permitir a consolidação de um projeto que
flerta com o autoritarismo e a desconstrução de direitos, ou defender a
estabilidade institucional e social do país.
1. Ameaças
Institucionais e o Flerte com a Ruptura
Os sinais de alerta não
vêm apenas de analistas locais, mas ecoam na imprensa internacional e até mesmo
entre juristas com histórico de atuação em momentos críticos da nossa história.
Reportagens de veículos como o The Guardian e declarações de autores de
pedidos de impeachment do passado convergem em um ponto: a retórica de
questionamento sistemático das instituições e de incitação ao impasse político
é um "caminho para o precipício".
Normalizar discursos que
ameaçam as regras do jogo democrático compromete a segurança jurídica do país,
afasta investimentos e enfraquece a própria soberania nacional.
2. A Fragilidade
Ética e a Escalada do Extremismo
Paralelamente, a
composição do Poder Legislativo expõe contradições alarmantes. A eleição de
dezenas de parlamentares investigados por fraudes, desvios e corrupção
evidencia como a pauta da integridade é frequentemente instrumentalizada de
forma seletiva. Em centros urbanos, discursos simplistas de segurança pública
avançam em locais vulneráveis, ignorando que problemas complexos exigem
políticas estruturantes de saúde e assistência social, e não apenas slogans
eleitorais.
O impacto dessa
radicalização atinge o tecido social de forma devastadora. Vemos o avanço da
intolerância manifestado em incidentes de violência e ameaças no ambiente
universitário, bem como em atos de vandalismo contra símbolos de fé e
religiosidade. O extremismo político deixa de ser apenas uma disputa ideológica
e passa a ameaçar a convivência pacífica na sociedade.
3. O Laboratório do
Abismo: O Alerta que Vem da Argentina
Para compreender o
impacto prático de propostas baseadas no desmonte do Estado, basta olhar para o
cenário vizinho na Argentina sob a gestão de Javier Milei, modelo
frequentemente elogiado por alas da extrema-direita brasileira:
v Destruição
do Setor Produtivo: O plano de cortes drásticos e desregulamentação
desmedida levou ao fechamento de cerca de 32 mil empresas no país vizinho,
sufocando pequenos e médios empreendedores e gerando desemprego e precarização
do trabalho.
v Perda
de Poder de Compra dos Aposentados: A alteração nas regras e o congelamento
dos reajustes da previdência causaram uma perda superior a 20% no poder de
compra dos aposentados frente à inflação, penalizando diretamente quem
trabalhou a vida inteira.
v Bloqueio
à Proteção Social: O fim de moratórias e a rigidez nas regras reduziram em
53% a concessão de novas aposentadorias, deixando milhares de trabalhadores da
economia informal desassistidos na velhice.
A aplicação de um modelo
semelhante no Brasil significaria um ataque direto ao salário mínimo, aos
direitos previdenciários e aos serviços públicos essenciais como saúde e
educação.
4. Concluindo: A
Importância da Conscientização
A escolha política não é
uma mera decisão abstrata ou uma disputa de torcidas; ela impacta diretamente a
renda da sua família, a aposentadoria dos seus pais, a segurança no seu bairro
e o futuro dos seus filhos.
Expor estes fatos e
dados reais é um dever de cidadania. O Brasil precisa de caminhos que promovam
o desenvolvimento com justiça social, e não de fórmulas radicais que já se
provaram desastrosas onde foram aplicadas. Resta ao eleitorado a reflexão
consciente antes de decidir o destino do país.

























