domingo, outubro 18, 2026

Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas... (Parte III)

 A culpa não é da Renata Lo Prete: ela é séria e competente

“A verdade é incontrovertível. A malícia pode atacá-la, a ignorância pode zombar dela, mas, no fim, lá está ela.” — Winston Churchill

Até 25 de outubro, o Brasil honesto e digno vai se equilibrar entre a angústia, o medo e a esperança. A angústia de saber que existe a hipótese de o obscurantismo voltar. O medo é consequência dessa possibilidade. Se Flávio Bolsonaro vencer, e não vai vencer, o Brasil terá andado milhares de casas para trás no tabuleiro da vida. Não é uma derrota natural que pode ocorrer numa eleição democrática, não é perder uma eleição numa democracia, é perder a democracia em uma eleição. É o caos. O atraso. A volta da fome. O fim da cultura, a sucateação do SUS, o estrangulamento da educação, enfim, a barbárie sendo implantada por bárbaros.

Tenho recebido muitas críticas à atuação de Renata Lo Prete na entrevista com o miliciano. Renata é uma grande jornalista. Séria. Competente. O problema é entrevistar um mitômano, uma pessoa completamente falsa, sem ética, sem limites. Tenho escrito há tempos sobre a dificuldade de debater com quem não tem critérios éticos e democráticos. A pergunta pode ser bem-feita e séria, e a resposta vem sem nenhum compromisso com a verdade, com os fatos. É importante pensar nisso e denunciar. É impossível debater, entrevistar quem não tem limites.

Renata trouxe uma questão gravíssima. Flávio apresentou o Projeto de Lei 3.723, de 2019, para alterar o Estatuto do Desarmamento, retirando a marcação, a exigência de identificação nas cápsulas das balas, para, claramente, atender às milícias e aos matadores de aluguel. Dificultar a identificação dos criminosos. O grupo dele, que ele representa. Ele fugiu da resposta. Ela insistiu. Ele disse que era um “detalhezinho!”. O que mais ela poderia fazer? Dar voz de prisão? Ora, esse projeto foi apresentado no Congresso e não me lembro de ter provocado indignação. É óbvio que é um projeto que só serve aos marginais, aos profissionais do crime. A entrevistadora foi até onde pôde ir. O silêncio dele só repercute o imenso silêncio da mídia sobre um assunto tão grave quando o projeto foi apresentado.

É igual à mentira sobre a prestação de contas do criminoso contrato do filme Dark Horse. A mídia toda engoliu em seco a mentira da falsa prestação de contas. Inclusive a omissão da Polícia Federal, do Ministério Público e do Supremo. Vamos agora culpar a entrevistadora?

Flávio sabe que surrupiou mais de 80 milhões de dinheiro público para o tal filme. Ele simplesmente vestiu uma máscara e disse dezenas de vezes: “Não tem dinheiro público, está tudo explicado e é um negócio privado.” Todas as pessoas sérias sabem que não é verdade. Não há nenhuma dúvida de que o dinheiro é público e, é óbvio, não houve prestação de contas. Mas o eleitorado dele acredita. A única maneira de realmente questionar seriam medidas cautelares propostas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, com decisão da Justiça. Não ocorreram. Ele vai continuar zombando da cara de todos e dizendo que já explicou. E o seu eleitorado, exultando. É o império da hipocrisia e da mentira.

É como a questão da grande conquista dos trabalhadores com o fim da jornada 6×1. Êxito evidente do governo Lula. Flávio Bolsonaro, de maneira oportunista, liberou seu grupo para votar. Ele não compareceu à sessão de votação. Mas já disse que, se eleito, vai mudar o projeto, mesmo tendo apoiado. Não vai, porque não vai ganhar. Não vai derrotar os trabalhadores outra vez. Não vai derrotar o Brasil.

Escrevi, logo após o fim do primeiro turno, que o que nos deu chance e fôlego para tentar salvar a democracia foi termos chegado atrás no primeiro turno. Se tivéssemos tido mais votos, seríamos massacrados neste segundo turno. A campanha estava morna, analógica, sem tesão, desorganizada. Mas, com a derrota no primeiro turno, em vez de bater o desespero, veio a premência de mudar. É outra campanha. Com cheiro de virada. Com alegria e medo ao mesmo tempo. Faz bem. As pessoas, milhões de jovens, tomaram as ruas sem que o chamado viesse da campanha. Foi a ânsia de liberdade, a ânsia da vida por si mesma, o terror à barbárie, o susto da violência institucional, a lembrança da ditadura, a sombra das mortes na pandemia, o nojo da ultradireita atrasada e castradora. Os jovens foram para as ruas com mais força do que nas Diretas. É um inconsciente coletivo.

Agora temos a certeza da necessidade de manter a democracia. Não é direita e esquerda. É morte e vida. Barbárie e civilização. Ar puro ou falta de ar. Cultura ou obscurantismo. Saúde ou doença. Vacina ou peste.

Vamos virar porque precisamos ganhar. Não dá para entregar o Brasil para esse bando. Estou em Paris, trabalhando, e volto para votar. É incrível a onda de solidariedade ao Brasil. A repercussão não é só nos grandes jornais. As pessoas sabem o que significa Bolsonaro. Ainda estão vivas em todos a prepotência, o descaso e a crueldade na pandemia. E a ignorância profunda, a prepotência burra, nas relações internacionais. A subserviência como regra. Com a derrota de Bolsonaro em 2022, mais do que com a vitória de Lula, o Brasil voltou a respirar. Vamos virar. Vamos dar uma chance à vida e à democracia.

Lembrando Pessoa, na pessoa de Bernardo Soares, no Livro do Desassossego: “Sem fé, não temos esperança, e sem esperança não temos propriamente vida.”

                                             .X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.


Texto integralmente copiado da Revista Forum: https://revistaforum.com.br/opiniao/a-culpa-nao-e-da-renata-lo-prete-ela-e-seria-e-competente/

Escrita por Raony Salvador

Porque publico este Artigo em sua INTEGRA neste BLOG:

Ø  A Defesa da Imprensa Profissional e os Limites da Entrevista: O texto defende com clareza a atuação da jornalista Renata Lo Prete frente a um entrevistado que utiliza a mitomania. O problema central não está na condução da entrevista, mas na impossibilidade de debater civilizadamente com quem não possui compromisso ético com a verdade.

Ø  A Gravidade do Projeto de Lei (PL 3.723/2019): Um dos pontos mais críticos é a cobrança sobre a tentativa de alterar o Estatuto do Desarmamento para retirar a exigência de identificação nas cápsulas de balas, favorecendo diretamente milícias e matadores de aluguel. A apatia inicial da grande mídia perante o tema expõe a perigosa naturalização da criminalidade.

Ø  A Batalha entre Civilização e Barbárie: O artigo retrata a mobilização da sociedade — especialmente dos jovens — não como uma disputa partidária comum, mas como uma escolha existencial entre democracia e caos, vida e morte, ciência e obscurantismo.

Ø  A Repercussão Internacional: O texto lembra que o mundo observa o Brasil com apreensão, tendo vividamente na memória o descaso institucional e humanitário durante a crise sanitária, e ressalta a importância da retomada do prestígio democrático do país.




quinta-feira, outubro 15, 2026

Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros: A Direita foi massacrada pelo monstro que criou e bajulou... (Parte XXX)

 Como o bolsonarismo alienante, distópico  e fundamentalista arrasou com a Direita catarinense

Nas eleições de 2026, os resultados das urnas em Santa Catarina refletiram uma acentuada reconfiguração de forças: de um lado, líderes tradicionais da política catarinense (políticos de direita com décadas de mandato e perfil mais institucional); do outro, figuras do campo bolsonarista/PL (extrema direita), que impulsionaram votações expressivas e redes de engajamento digital.


1. Esperidião Amin (PP) vs. Carlos Bolsonaro (PL) — Disputa pelo Senado

Candidato

Experiência Política

Votação / Desempenho em 2026

Esperidião Amin

Mais de 50 anos de carreira: Governador de SC (2x), Prefeito de Florianópolis (2x), Deputado Federal e Senador com atuação expressiva no Congresso.

1.233.034 votos (15,31%)

Derrotado no pleito. Apesar de sua longa trajetória e liderança histórica no PP, não conseguiu renovar sua vaga no Senado em 2026, sendo ultrapassado pelo forte movimento de renovação à direita.

Carlos Bolsonaro

24 anos de vida pública: Vereador no Rio de Janeiro (desde 2001, eleito consecutivamente em 6 mandatos). Transfere seu domicílio eleitoral para SC em 2026.

2.041.840 votos (25,35%)

Eleito Senador por Santa Catarina. Puxado pela forte base eleitoral conservadora catarinense e a hegemonia da marca Bolsonaro no estado, venceu a disputa direta contra quadros locais experientes.

>>>> Paralelo Analítico

  • Tradição vs. Nacionalização Conservadora: Amin representa a política de base regional clássica catarinense (infraestrutura, municipalismo, bancada do PP). Carlos Bolsonaro, embora com quase um quarto de século como vereador no RJ, concorreu sem histórico de mandatos executivos ou legislativos em SC, ancorando-se no engajamento nacional e no eleitorado bolsonarista do estado. O eleitorado preferiu a renovação alinhada ao PL ao invés da tradição do clã Amin.

Jair Renan Bolsonaro (PL) vs. Raimundo Colombo (PSD) — A Disputa e o Perfil Eleitoral

Candidato

Experiência Política

Desempenho / Votação em 2026

Jair Renan Bolsonaro

Curta trajetória institucional: Eleito vereador em Balneário Camboriú em 2024 (seu primeiro mandato eletivo), com forte projeção nas redes sociais e uso intenso do capital político da família.

123.123 votos (3,05%)

Expressiva votação e projeção estadual em 2026: Em sua transição para disputar espaço na política catarinense em âmbito ampliado, surfou na enorme popularidade do conservadorismo e da marca Bolsonaro no litoral e Vale do Itajaí.

Raimundo Colombo

Mais de 40 anos de trajetória em SC: Prefeito de Lages (3x), Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador e Governador de Santa Catarina (2x).

54.545 votos (1,28%)

Ficou na Suplência: A despeito da imensa densidade eleitoral histórica e forte penetração na região serrana e no interior catarinense, Colombo (PSD) não alcançou a vaga de titular almejada.

>>>> Paralelo Analítico 

  • Renovação Digital e Fenômeno de Influência vs. Institucionalidade Histórica:

Enquanto Raimundo Colombo representa o arquétipo da política tradicional de base — construída ao longo de décadas através de entregas de governo, alianças partidárias municipais, forte capilaridade no interior e o clássico "aperto de mão", Jair Renan Bolsonaro simboliza a nova política impulsionada pelo ecossistema digital, pela polarização ideológica e pela transferência direta de prestígio de um sobrenome nacional para o cenário catarinense.

  • O Choque de Gerações nas Urnas:
  • O contraste entre a derrota/suplência de um ex-governador e ex-senador experiente como Colombo e a ascensão de figuras novas e polarizadas como Jair Renan e outros expoentes da direita mostra que, em 2026, o eleitor catarinense priorizou o alinhamento ideológico e a comunicação manipuladora de massa em detrimento da máquina administrativa tradicional e do currículo executivo de longa data.

3. Angela Amin (PP) vs. Julia Zanatta (PL) — Disputa de Vagas na Câmara dos Deputados

Candidato

Experiência Política

Votação / Desempenho em 2026

Angela Amin

Mais de 30 anos de política: Prefeita de Florianópolis (2x), Deputada Federal por múltiplos mandatos e figura central na história do PP em SC.

35.291 votos (0,83%) — Suplente. Teve votação concentrada em bases tradicionais (como a Capital), insuficiente para garantir eleição na bancada federal.

Julia Zanatta

4 anos de mandato federal (1º mandato eleito em 2022): Advogada e jornalista, despontou no cenário político recente pela pauta do armamentismo e da extrema direita.

560.223 votos (13,15%) — Eleita (Recorde Histórico). Sagrou-se a deputada federal mais votada da história de Santa Catarina em uma única eleição para a Câmara.

 >>> Paralelo Analítico

  • A Transição de Gerações e Estilos de Atuação: Angela Amin sempre praticou uma política de gabinete, articulação partidária e entregas municipais focadas em Florianópolis e região. Em contrapartida, Julia Zanatta (com apenas um mandato prévio e conhecida como não muito amiga da inteligência) alavancou seu desempenho através de pautas de costumes reacionários e conservadores, redes sociais, ativismo político ostensivo e presença marcante na militância, tornando-se uma  puxadora de votos na eleição de 2026.

Conclusão da Comparação

O paralelo entre esses três pares demonstra a mudança de ciclo político em Santa Catarina nas eleições de 2026: a experiência de décadas em cargos executivos e legislativos (Esperidião Amin, Raimundo Colombo e Angela Amin) cedeu espaço para candidaturas hiperconectadas com o movimento conservador  e reacionário liderado pelo PL (Carlos Bolsonaro, Jair Bolsonaro e Julia Zanatta).


terça-feira, outubro 13, 2026

Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas... (Parte II)

 

"Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas. E dos neutros. Não conte comigo para niná-lo. Não vim botar você para dormir, aqui estou para acordar os dormentes"

Chico Cesar




Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros: Santa Catarina em Alerta... (Parte XXIX)

 


Você deve aprender a baixar a cabeçaE dizer sempre muito obrigadoSão palavras que ainda te deixam dizerPor ser homem bem disciplinado
Deve, pois, só fazer pelo bem da naçãoTudo aquilo que for ordenadoPra ganhar um Fuscão no juízo finalE diploma de bem comportado
Você merece, você mereceTudo vai bem, tudo legalCerveja, samba, e amanhã, Seu ZéSe acabarem teu carnaval?
Mas você merece, você mereceTudo vai bem, tudo legalCerveja, samba, e amanhã, Seu ZéSe acabarem com teu carnaval?
Você...
Você merece, você mereceTudo vai bem, tudo legalE um Fuscão no juízo finalVocê merece
E diploma de bem comportadoVocê merece, você mereceEsqueça que está desempregadoVocê merece, você...
Tudo vai bem, tudo legal
Comportamento Geral
Canção de Gonzaguinha ‧ 1973

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... Alerta ao Brasil::... (Parte XVIII)

 O Risco de Importar o Colapso Social e o Desmonte do Estado

O resultado das urnas no primeiro turno deixou uma mensagem clara, mas também acendeu um alerta profundo para quem observa a política para além das paixões eleitorais. Quando a escolha do eleitorado se deixa guiar pelo ressentimento ou por promessas de soluções fáceis, o preço a ser pago no futuro costuma ser alto. O cenário atual nos coloca diante de um dilema crucial: permitir a consolidação de um projeto que flerta com o autoritarismo e a desconstrução de direitos, ou defender a estabilidade institucional e social do país.


1. Ameaças Institucionais e o Flerte com a Ruptura

Os sinais de alerta não vêm apenas de analistas locais, mas ecoam na imprensa internacional e até mesmo entre juristas com histórico de atuação em momentos críticos da nossa história. Reportagens de veículos como o The Guardian e declarações de autores de pedidos de impeachment do passado convergem em um ponto: a retórica de questionamento sistemático das instituições e de incitação ao impasse político é um "caminho para o precipício".

Normalizar discursos que ameaçam as regras do jogo democrático compromete a segurança jurídica do país, afasta investimentos e enfraquece a própria soberania nacional.


2. A Fragilidade Ética e a Escalada do Extremismo

Paralelamente, a composição do Poder Legislativo expõe contradições alarmantes. A eleição de dezenas de parlamentares investigados por fraudes, desvios e corrupção evidencia como a pauta da integridade é frequentemente instrumentalizada de forma seletiva. Em centros urbanos, discursos simplistas de segurança pública avançam em locais vulneráveis, ignorando que problemas complexos exigem políticas estruturantes de saúde e assistência social, e não apenas slogans eleitorais.

O impacto dessa radicalização atinge o tecido social de forma devastadora. Vemos o avanço da intolerância manifestado em incidentes de violência e ameaças no ambiente universitário, bem como em atos de vandalismo contra símbolos de fé e religiosidade. O extremismo político deixa de ser apenas uma disputa ideológica e passa a ameaçar a convivência pacífica na sociedade.


3. O Laboratório do Abismo: O Alerta que Vem da Argentina

Para compreender o impacto prático de propostas baseadas no desmonte do Estado, basta olhar para o cenário vizinho na Argentina sob a gestão de Javier Milei, modelo frequentemente elogiado por alas da extrema-direita brasileira:

v  Destruição do Setor Produtivo: O plano de cortes drásticos e desregulamentação desmedida levou ao fechamento de cerca de 32 mil empresas no país vizinho, sufocando pequenos e médios empreendedores e gerando desemprego e precarização do trabalho.

v  Perda de Poder de Compra dos Aposentados: A alteração nas regras e o congelamento dos reajustes da previdência causaram uma perda superior a 20% no poder de compra dos aposentados frente à inflação, penalizando diretamente quem trabalhou a vida inteira.

v  Bloqueio à Proteção Social: O fim de moratórias e a rigidez nas regras reduziram em 53% a concessão de novas aposentadorias, deixando milhares de trabalhadores da economia informal desassistidos na velhice.

A aplicação de um modelo semelhante no Brasil significaria um ataque direto ao salário mínimo, aos direitos previdenciários e aos serviços públicos essenciais como saúde e educação.


4. Concluindo: A Importância da Conscientização

A escolha política não é uma mera decisão abstrata ou uma disputa de torcidas; ela impacta diretamente a renda da sua família, a aposentadoria dos seus pais, a segurança no seu bairro e o futuro dos seus filhos.

Expor estes fatos e dados reais é um dever de cidadania. O Brasil precisa de caminhos que promovam o desenvolvimento com justiça social, e não de fórmulas radicais que já se provaram desastrosas onde foram aplicadas. Resta ao eleitorado a reflexão consciente antes de decidir o destino do país.



sábado, outubro 03, 2026

Por que não votar em Bolsonaro

 PORQUE CONCORDO COM A MAIS ABSOLUTA CONVICÇÃO, LUCIDEZ E CERTEZA... reproduzo na integra o artigo abaixo.

https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/juca-kfouri/2026/10/03/por-que-nao-votar-em-bolsonaro.htm

Juca KfouriColunista do UOL

03/10/2026 06h00

Porque com todas as dificuldades do Brasil, que saiu outra vez do mapa da fome, vivemos quatro anos sem sobressaltos, sem grosserias, sem terraplanismo e negação da ciência.

Porque apesar da crise no judiciário, que precisa ser reformado, assim como o sistema político, botar a milícia no poder por meio de voto pode ser votar pela última vez.

Porque usar a democracia para acabar com ela equivale a suicídio coletivo.

Porque quem idolatra torturadores é tão monstruoso que chega a ser incompreensível ter de explicar.

Porque não há desencanto maior do que escolher a escuridão quando a luz é possível.

Porque a escolha neste domingo é pelo amanhã do pleno emprego e não pelo ontem da antivacina.

Porque é democracia ou barbárie, soberania ou quintal dos Estados Unidos.

Porque não custa lembrar que as igrejas não foram fechadas, o Brasil não virou Cuba, nem Venezuela, e ninguém distribuiu aquela mamadeira do Jair.

Porque entre um idoso decente e um jovem indecente não cabe dúvida.

Porque entre quem respeita a Constituição e quem tentou golpeá-la não pode haver hesitação.

Porque nem é preciso gostar de Lula.

Porque basta rejeitar Bolsonaro.

Às urnas, sem ódio e sem medo.



Da Crítica ao Reconhecimento: Como Lula Se Tornou o Maior Doutor Honoris Causa do Brasil

 Do chão de fábrica à cátedra: os honoris causa de Lula

História de Raissa Neves

 

Abaixo, confira trechos do artigo assinado por Raissa Neves e originalmente publicado pelo site Opera Mundi, abordando a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o reconhecimento acadêmico traduzido em seus 42 títulos de Doutor Honoris Causa.

https://www.msn.com/pt-br/noticias/other/do-ch%C3%A3o-de-f%C3%A1brica-%C3%A0-c%C3%A1tedra-os-honoris-causa-de-lula/ar-AA2drSdw?ocid=hpmsn&cvid=6ac1609fa8044fa38fe36ed51c65f30b&ei=126

 

Na manhã de 30 de março de 2011, os sinos da Universidade de Coimbra tilintaram marcando o início de uma faustosa cerimônia. Sob os olhares de centenas de estudantes, acadêmicos e jornalistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessou os corredores da prestigiosa instituição portuguesa para receber seu primeiro título internacional de “doutor honoris causa”

O título “honoris causa” é o grau honorário de doutor concedido por instituições de ensino superior a pessoas eminentes que se destacaram em uma determinada área por suas ações, virtude ou mérito. A homenagem da Universidade de Coimbra se tornou a primeira de várias. Lula é hoje brasileiro com mais títulos de doutor “honoris causa”. O presidente acumula 42 condecorações — uma a mais do que seu conterrâneo, o pedagogo pernambucano Paulo Freire.

A maioria dos títulos foram concedidos por universidades públicas do Brasil. Entre as instituições estrangeiras que lhe outorgaram a honraria estão, além da Universidade de Coimbra, a Universidade de Salamanca (Espanha), a Escola Politécnica de Lausanne (Suíça), o Instituto de Estudos Políticos de Paris (França), a Universidade Nacional de Rosário (Argentina), a Universidade de Aquino (Bolívia), a Universidade Andina Simón Bolívar (Equador), a Universidade de San Marcos (Peru) e a Universidade Pedagógica de Maputo (Moçambique), entre outras.

Não por acaso, é justamente a origem humilde de Lula que foi agressivamente atacada pela imprensa. Durante seu governo, o presidente recebeu os epítetos de “apedeuta”, “ignorante”, “analfabeto”. Criticaram sua falta de formação e o fato de não saber falar inglês. Acusaram-no de cultuar a ignorância e incentivar o povo a não ler. E atribuíram o apoio ao seu governo a uma suposta “parvoíce” de um “povo iletrado” que “vendia o voto” em troca de esmolas e assistencialismo barato.

Por ironia do destino, o presidente tão atacado por não ter graduação tornou-se o mandatário mais homenageado com títulos de doutor. Além dos 42 “honoris causa”, Lula acumula outras 300 condecorações — do Prêmio da Paz da Unesco ao título de Campeão Mundial da Luta Contra a Fome da ONU, passando pelo galardão de Cidadão Honorário de Paris.

E enquanto era apontado como fomentador da ignorância, tornou-se o presidente que mais investiu em educação, fundando 19 novas universidades públicas, construindo mais de 120 novos campi, inaugurando mais de 200 escolas técnicas e quintuplicando o número de estudantes no ensino superior.

Lula foi igualmente responsável por iniciar o processo de democratização do acesso ao ensino superior público, transformando os egressos das escolas públicas e estudantes de baixa renda em maioria do corpo discente das instituições federais, ajudando a mudar o perfil tradicionalmente elitizado do ensino superior público.

O post Do chão de fábrica à cátedra: os honoris causa de Lula apareceu primeiro em Opera Mundi.