segunda-feira, setembro 04, 2017

As mulheres que se cuidem?

Na semana em que o país fica chocado com o aumento da violência sexual, o jornal Correio Lageano de domingo noticia mais um caso de assédio em Lages. 
 


A matéria conclui termina com um apelo às mulheres redobrarem atenção ao passarem na praça central da cidade.


As mulheres que se cuidem? Não concordo.

É preciso dizer se foi uma tentativa de estupro, exigir apuração, pedir melhoria da segurança pública, clamar por respeito à mulher. 


Diante disto é oportuno o texto atribuído à Dráuzio Varella, na Folha:

Estupradores despertam em mim ímpetos de violência, a custo contidos.

Tive o desprazer de entrar em contato com muitos deles nos presídios. No antigo Carandiru, cumpriam pena isolados nas celas do último andar do Pavilhão Cinco, única maneira de mantê-los a salvo do furor assassino da massa carcerária.

Ao menor descuido da segurança interna, entretanto, eram trucidados com requintes de crueldade. As imagens dos corpos mutilados trazidos à enfermaria para o atestado de óbito até hoje me perseguem.
Para livrá-los da sanha dos companheiros de prisão, a Secretaria da Administração Penitenciária foi obrigada a confiná-los num único presídio, no interior do Estado. Nas áreas das cidades em que a Justiça caiu nas mãos dos tribunais do crime organizado, o estuprador em liberdade não goza da mesma benevolência.

Assinada pela jornalista Cláudia Collucci, com a análise de Fernanda Mena, a Folha publicou uma reportagem sobre o aumento do número de estupros coletivos no país.
Os números são assustadores: dos 22.804 casos de estupros que chegaram aos hospitais no ano passado, 3.526 foram coletivos, a forma mais vil de violência de gênero que uma mente perversa pode conceber. Segundo o Ipea, 64% das vítimas eram crianças e adolescentes.
O estupro coletivo é a expressão mais odiosa do desprezo pela condição feminina. É um modo de demonstrar o poder do macho brutal que exibe sua bestialidade, ao subjugar pela violência. Não é por outra razão que esses crimes são filmados e jogados na internet.

Oficialmente, no Brasil, ocorrem 50 mil registros de estupros por ano, dado que o Ipea estima corresponder a apenas 10% do número real, já que pelo menos 450 mil meninas e mulheres violentadas não dão queixa à polícia, por razões que todos conhecemos.
Em 11 anos atendendo na Penitenciária Feminina da Capital, perdi a conta das histórias que ouvi de mulheres estupradas. Difícil eleger a mais revoltante.

Se você, leitora, imagina que as vítimas são atacadas na calada da noite em becos escuros e ruas desertas, está equivocada. Há estimativas de que até 80% desses crimes sejam cometidos no recesso do lar. Os autores não são psicopatas que fugiram do hospício, mas homens comuns, vizinhos ou amigos que abusam da confiança da família, padrastos, tios, avós e até o próprio pai.

A vítima típica é a criança indefesa, insegura emocionalmente, que chega a ser ameaçada de morte caso denuncie o algoz. O predador tira partido de sua ingenuidade, das falsas demonstrações de carinho que confundem a menina carente, do medo, da impunidade e do acobertamento silencioso das pessoas ao redor.

Embora esse tipo de crime aconteça em todas as classes sociais, é na periferia das cidades que adquire caráter epidêmico, sem que a sociedade se digne a reconhecer-lhe existência.

A fama do convívio liberal do homem brasileiro com as mulheres é indevida. A liberdade de andarem com biquínis mínimos nas praias ou seminuas nos desfiles de Carnaval fortalece esse mito. A realidade é outra, no entanto: somos um povo machista que trata as mulheres como seres inferiores. Consideramos que o homem tem o direito de dominá-las, ditar-lhes obrigações, comportamentos e regras sociais e puni-las quando ousarem decidir por conta própria.

Há demonstração mais contundente da cultura do estupro em nosso país do que os números divulgados pelo Ipea: 24% dos homens acham que "merecem ser atacadas as mulheres que mostram o corpo". Ou, na pesquisa Datafolha: 42% dos homens consideram que "mulheres que se dão ao respeito não são atacadas".

Não se trata de simples insensibilidade diante do sofrimento alheio, mas um deboche descarado desses boçais para ridicularizar as tragédias vividas por milhares de crianças, adolescentes e mulheres adultas violentadas todos os dias, pelos quatro cantos do país.

O impacto do estupro sofrido em casa ou fora dela tem consequências físicas e psicológicas terríveis e duradouras. O estuprador pratica um crime hediondo que não merece condescendência e exige punição exemplar. Uma sociedade que cala diante de tamanha violência é negligente e covarde.
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terça-feira, agosto 08, 2017

A Venezuela da direita no Brasil

Aqui no Brasil o governo que tomou o poder num golpe político, atolado em denúncias, mudam a constituição pra ferrar o povo.

Na Venezuela, o governo eleito promove uma eleição popular pra eleger os 545 membros de uma assembleia constituinte e a mídia diz que é golpe ditatorial.

No Brasil, se você pixar #foratemer num muro será tratado como terrorista bolivariano. A polícia é idolatrada por bater em professoras.

Na Venezuela, uma minoria pratica atos terroristas, queimam pessoas vivas, e a polícia ao reprimir é acusada de servir à uma ditadura.

No Brasil há um grande acordo nacional, com empresários, banqueiros, políticos, com o STF, com tudo. E a impunidade dos associados está escancarada. 

E na Venezuela é que haveria uma ditadura porque o governo teria controle do legislativo e do judiciário?

A Venezuela estaria tomada pelo caos, cerca de 100 pessoas ja morreram este ano, dez somente nas vésperas das eleições constituintes.

No Brasil em 6 meses morreram cerca de 5500 pessoas, somente no Rio de Janeiro, quase 100 delas policiais assassinados. Onde está um caos?

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quinta-feira, agosto 03, 2017

Verdadeiro câncer do país


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A Crise na Venezuela

A questão é clara sob diversos aspectos, seja geopolítico, econômico e político, mas o debate sobre o tema em Lages é um osso duro de roer, por conta da desinformação generalizada pela mídia.


Chaves foi presidente da OPEC (1), estatizou a empresa petrolífera e nesse pulo dobrou a renda do país. A partir daí um grupo liderado pelos EUA não parou de intervir no país para desestabilizar a política e afundar a economia, o que chegou ao cúmulo há 2 anos no embargo econômico (2).


Ocorre que o país depende do petróleo e não consegue sair do problema econômico conhecido como "doença holandesa", percebido pioneiramente em 1956 pelo economista brasileiro Celso Furtado (3).

A Venezuela é o 5° maior exportador mundial de petróleo, tem a 8ª maior reserva de gás do mundo e representa o 3° maior mercado consumidor da América do Sul. Se mantivéssemos a união estratégica de países da América do Sul, o Mercosul com a Venezuela reunia 76% do PIB sul-americano. Mas claro que o governos Macri e Temer (com José Serra como embaixador) acabaram com isto, em benefício norte americano, lindo de chorar.


E mídia diante disso? Dizer que qualquer presidente eleito que enfrente os EUA é um crápula.


"Muitos meios de comunicação preferem falar dos erros do presidente Nicolás Maduro. E estão em seu direito. Mas é inadmissível que ocultem ou justifiquem os atos terroristas que estão acontecendo quase diariamente.
Não há razão para assassinar, perseguir ou insultar quem pensa diferente. Mas isso é o que está ocorrendo na Venezuela por causa de um minúsculo grupo de oposição que, paradoxalmente, em nome da democracia e da liberdade, está instaurando um regime de pânico" (4). É que se vê na imprensa internacional (5).



Culpar o Chavismo pelas mazelas econômicas mostra um profundo desconhecimento e má fé.
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quarta-feira, agosto 02, 2017

Onde estão os indignados com a corrupção?

Estamos à procura dos indignados com a corrupção para se manifestarem.

Em 19 de junho de 2013 o Correio Lageano atendeu a grande imprensa e convocou o povo de lages para ir às ruas contra a corrupção (1). No dia seguinte comemora o sucesso da passeata que teria contado com 8 mil pessoas (4). Era tanta coisa ruim que não cabia no cartaz, e muita gente engajada no protesto.

Foto de  Adecir Morais e Suzana Küster

Entrevistados pelo Correio Lageano estavam indignados, como o aposentado que reclamava que quem ganhava maiores aposentadorias recebia as menores correções. E a estudante que se manifestava “Pela falta de estrutura nos hospitais e escolas”.

Ao contrário do que os manifestantes diziam buscar, caminhou-se para uma pauta apenas: o impeachment da presidenta Dilma. Para isto os protestos ganharam financiamento de partidos de direita e apoio na imprensa.

Em 15 de março de 2015 a manifestação em Lages ganha destaque nacional (2), já era organizada pelo movimento #vemprarua. Não havia mais problemas com a Transul, desvio de verbas na prefeitura, zica na Festa do Pinhão, conforme matéria, os manifestantes "realizaram um ato contra a corrupção e o governo da presidente Dilma Rousseff". 

Foto no G1 Manifestação conta a corupção [sic] em Lages (Foto: Vitor Hugo Bittencourt/RBS TV)


No mês seguinte nova carga. Em 12 de abril o povo ordeiro foi às ruas de Lages com direito à matéria na grande imprensa (3). Nessa manifestação o MBL de Lages estimou entre 4,8 mil e 5,5 mil pessoas na manifestação. Gritavam entre outras coisas: "O Brasil acordou", "Vem pra rua" e, claro, "Vaza Dilma".

Foto no G1 "Pprotesto em Lages reuniu 1,5 mil, segundo a PM; já os organizadores estimam entre 4,8 mil e 5,5 mil manifestantes(Foto: Fom Conradi/Fomtography)"

De acordo com o Correio Lageano de 13 de março de 2016, "Milhares de lageanos foram às ruas pedir a mudança no país", traduzido como impeachment da presidente Dilma e à favor da Lava Jato, todos de azul e amarelo, festivos e educados (9).

Correio Lageano não deu crédito em legenda.

Em 16 de agosto de 2015 o povo lageano foi às ruas novamente sem esconder o objetivo: apoiar o impeachment da presidente Dilma (5). Cerca de 1,5 mil pessoas foram ao protesto, era tanta gente que não cabia na foto.

Correio Lageano não deu crédito em legenda.

Em 14 de março de 2016 14 mil pessoas teriam ido às ruas de Lages pedir o impeachment de Dilma (6), e claro, "por um País e uma política mais justos e menos corruptos". Pela foto se vê o grande apelo popular da passeata, tomada de pessoas de pele clara, bem popular (sqn rs).

Foto de Camila Paes (CL)

Bastava botar uma faixa e ganhava uma matéria no jornal (8). Auxílio que se repetiu em 29 de julho de 2016 o Correio Lageano ajuda na divulgação de grande manifestação do Vem Pra Rua patoamarelo (7) em apoio à votação do impeachment, prevista para o mês de agosto, e claro, na defesa de um montão de coisa importante para o país...

Escolas e Hospitais padrão FIFA? Nada, semanas depois do impeachment de Dilma o projeto do José Serra (PSDB) - que virou Ministro - acabou com os recursos do Pré-sal que iriam pra saúde e educação.

Estas manifestações foram responsáveis pela destituição de uma presidenta eleita sem ter cometido qualquer crime, e depois disso o país mergulha em uma recessão econômica e desemprego, frete ao qual o governo ilegítimo aplica um programa neoliberal sobre a população de forma violenta, reduz nossa soberania e entrega nossas riquezas ao capital internacional.

O que dizer ao aposentado 4 anos depois de protestar, quando acabam com nosso direito de se aposentar? O que dizer à estudante diante do desmonte do SUS e do abandono do ensino gratuito no país? 

São tantos absurdos que não cabem num blog, então não custa perguntar, onde estão os jornalistas e pessoas tão bem intencionadas e motivadas em ter um país mais justo?

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Participe da Consulta do Blog Lages, na real.

O Blog Lages na real quer receber contribuições, sugestões para subsidiar a elaboração de uma proposta para a regulamentação do uso de animais para transporte no Município de Lages. Participe!




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terça-feira, agosto 01, 2017

Vereador tucano quer carroças puxadas por pobres

O tucano Bruno Hartmann (PSDB) apresentou Projeto de Lei que visa proibir o trânsito de carroças no centro urbano de Lages/SC. Para evitar maus tratos aos animais e melhorar fluxo de veículos extinguiria o meio de vida de 500 famílias. 

O projeto não prevê qualquer mitigação do impacto social, mas o tucano teria adiantado que a solução seria substituir as carroças com cavalos por carroças puxadas por pessoas. Um absurdo completo que afronta a cultura e história da região, na cidade erguida à casco de bois, mulas, cavalos e escravos.

Se realmente estivesse preocupado com o bem estar animal, a proposta não deixaria livre a exploração de animais na zona rural do maior município de Santa Catarina. 

A verdade é que atualmente mais gente depende de carroças por conta da crise acirrada por medidas neoliberais nefastas, perpetradas por seu partido político através de um golpe político. A proibição de carroças lançará centenas de pessoas à uma situação de vulnerabilidade social ainda mais drástica. Mas parecem sedentos pelo sofrimento do povo pobre da região, como se estivessem no tempo das cadeiras de arruar.


Elite não se cansa da exploração.


O Prefeito Antônio Ceron (PSD) não gostou da proposta e teria afirmado que vetaria o projeto de lei, a menos que a Câmara modifique seu conteúdo. Ocorre que a regulamentação de trânsito de qualquer tipo de veículo no município cabe ao órgão da prefeitura responsável pelo tráfego urbano, e não à Câmara de Vereadores, conforme o Código Brasileiro de Transito (Art. 21 da Lei nº 9503, de 23 de setembro de 1997). 

O Prefeito deveria vetar a proposta porque ela é ilegal, por vício de origem, e os vereadores deveriam apresentar uma proposta complementar para aprimorar a utilização da tração com garantia de bem estar dos animais

Por mais ruim que seja a proposta do vereador tucano, ela deve ser arquivada, e cabe ao prefeito mostrar como se promove a gestão pública do trânsito na cidade, que é péssimo, com a devida consideração dos aspectos sociais e ambientais.

Neste sentido, enviaremos uma proposta para os vereadores e ao prefeito, com a expectativa que façam um Projeto de Lei com medidas para a regulamentação do tráfego de carroças e animais de sela no Município, bem como, incentivos para novas alternativas de uso da tração animal.


Nossas propostas de itens para uma nova Lei estão disponível para avaliação dos leitores, onde podem ser feitas críticas e sugestões, contribuam!



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