quinta-feira, setembro 17, 2026

Como a Mídia Boca Alugada Mantém Viva a Desinformação e a Manipulação... Todos os dias... (Parte X)

 A "Aposta do Caos" Desmentida pelos Fatos: Como a Expansão da Havan Reflete a Economia Real

Às vésperas da eleição presidencial de 2022, o discurso catastrofista empresarial tentava impor o medo: o empresariado alinhado ao governo anterior alardeava a fuga de capitais e até o encerramento de atividades caso a candidatura progressista saísse vitoriosa. Passados quase quatro anos, o desempenho operacional e o faturamento de grandes redes do varejo — com destaque emblemático para a própria Havan — revelam um cenário diametralmente oposto à retórica de crise.


Do Faturamento Médio à Abertura de Lojas: O Salto do Varejo

Os indicadores do grupo Havan evidenciam o fortalecimento do mercado consumidor interno e o aumento do poder de compra da população no período recente:

ü  Expansão de Unidades: Durante a gestão Bolsonaro (2019–2022), a rede encerrou o ciclo com 174 lojas abertas. No período 2023–2026, a marca atingiu 196 megalojas, com previsão de alcançar a faixa de 200 unidades até o fim de 2026 (um acréscimo de até 30 novas lojas).

ü  Faturamento Anual e Mensal: O faturamento bruto anual saltou de R$ 15 bilhões em 2022 (média mensal de R$ 1,25 bilhão) para uma projeção de R$ 22 bilhões em 2026 (média de R$ 1,83 bilhão por mês), após registrar R$ 18,5 bilhões em 2025.

ü  Média de Vendas por Loja: A média mensal de vendas por unidade subiu de R$ 7.183.908,05 no governo anterior para R$ 9.226.734,70 na atual gestão — representando um crescimento expressivo de 29,87% no rendimento médio por loja.


Estabilidade de Preços e Controle Inflacionário

A sustentação dessa expansão do varejo fundamenta-se na desaceleração dos índices inflacionários e na previsibilidade de custos operacionais:

ü  IPCA (Inflação Oficial): O acumulado de quatro anos do mandato anterior atingiu 26,93% (média anual de ~6,1%). Em contrapartida, os dados recentes mostram o IPCA sob controle, registrando 4,62% em 2023 (dentro da meta do Banco Central) e 4,83% em 2024.

ü  IGP-M (Custos de Aluguel e Insumos): O Índice Geral de Preços - Mercado acumulou alta severa de 67,2% entre 2019 e 2022, encarecendo contratos e insumos. Na gestão atual, o índice registrou deflação histórica de -3,18% em 2023 e recuperação moderada de 6,18% em 2024, aliviando a pressão sobre custos fixos do setor produtivo.

Os dados mostram que a atividade econômica real ganha tração com massa salarial, emprego em alta e inflação sob controle, desmentindo previsões alarmistas e provando que o consumo das famílias continua sendo o verdadeiro motor do desenvolvimento nacional.



Como a Mídia Boca Alugada Mantém Viva a Desinformação e a Manipulação... Todos os dias... (Parte IX)

 O Viés da Incredulidade: Por que a Mídia Hegemonica Reluta em Pautar os Avanços Econômicos do País?

Quando um estudo de consultoria de mercado demonstra que ativos como o Ibovespa e o índice de dividendos registraram retornos superiores sob a atual gestão em comparação com o ciclo anterior, surge uma questão central sobre o papel do jornalismo econômico tradicional no Brasil: por que a grande mídia demonstra tamanha assimetria ao noticiar conquistas e avanços do governo federal?

A hesitação em expor indicadores positivos de forma direta e sem ressalvas não ocorre por mera falta de dados — o Portal da Transparência e consultorias independentes do próprio mercado disponibilizam boletins constantes. Pelo contrário, essa opacidade se enraíza em escolhas editoriais históricas, nas quais o noticiário prioriza a fricção fiscal e projeções pessimistas, enquanto dilui dados concretos de crescimento e rentabilidade em notas de rodapé ou sob manchetes condicionalmente negativas.

Ao aplicar "padrões duplos" na cobertura, a grande imprensa frequentemente trata conquistas macroeconômicas sólidas como meros "acasos externos", ao mesmo tempo em que converte ruídos políticos em iminentes crises sistêmicas. O quadro comparativo a seguir expõe a força dos números brutos em contraste com o silêncio seletivo que costuma cercá-los:


O Mercado em Perspectiva: O Retorno dos Investimentos sob Diferentes Gestões

Analisar o desempenho dos mercados financeiros sob diferentes mandatos informados pela conjuntura macroeconômica e política oferece um raio-X valioso sobre a alocação de ativos e a rentabilidade real e nominal da economia nacional.

Um levantamento realizado pela consultoria Elos Ayta comparou a evolução dos principais índices de renda variável, renda fixa, indicadores de inflação e ativos globais durante o governo de Jair Bolsonaro e o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O estudo aponta variações expressivas na rentabilidade de ativos como o Ibovespa, IDIV, CDI e moedas estrangeiras.

O quadro comparativo abaixo sintetiza as taxas acumuladas em cada período:

Indicador / Ativo

Governo Bolsonaro

Governo Lula 3

Ibovespa (Ações do Mercado)

+24,86%

+69,96%

IDIV (Índice de Dividendos)

+51,51%

+82,78%

CDI (Renda Fixa e Juros)

+27,79%

+57,46%

IMA-Geral (Títulos Públicos/Renda Fixa)

+31,00%

+44,10%

IPCA (Inflação Acumulada)

+26,93%

+17,90%

Nota do Blog: Os dados do Governo Lula 3 compreendem a medição acumulada de janeiro de 2023 até meados de setembro de 2026, conforme levantamento técnico.



Como a Mídia Boca Alugada Mantém Viva a Desinformação e a Manipulação... Todos os dias... (Parte VIII)

União Europeia Aprova Protocolos Sanitários do Brasil Após Auditoria em Frigoríficos...Mas a Mídia..... a Mídia Catarinense... Esqueceu...

O comércio exterior do agronegócio brasileiro alcançou um marco decisivo nesta semana. Após o encerramento de uma rigorosa missão de auditoria nas plantas frigoríficas e no sistema de defesa agropecuária nacional, a União Europeia (UE) votou e aceitou formalmente os protocolos sanitários apresentados pelo Brasil.

A confirmação foi comunicada via correspondência oficial enviada pelas autoridades europeias ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A decisão abre caminho para a retomada gradual e o fortalecimento do reembarque de proteínas animais para os países do bloco, com destaque imediato para o setor de carne de frango, beneficiando imediatamente Santa Catarina..


1. O Contexto das Auditorias e a Validação Sanitária

A aprovação europeia ocorre no desfecho de inspeções técnicas in loco. Os auditores internacionais avaliaram detalhadamente a biossegurança, a Rastreabilidade do rebanho, os processos operacionais de abate e o rigor da fiscalização exercida pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).

Segundo o MAPA, a aprovação chancela a eficiência do sistema defensivo brasileiro. O empenho técnico do governo e das indústrias permitiu demonstrar que o país cumpre as exijências normativas e os padrões de qualidade demandados pelo mercado europeu.

"Provamos que o setor pecuário do Brasil é eficiente e tem protocolos que garantem a qualidade dos nossos produtos", destacaram autoridades do MAPA ao comentar o resultado da auditoria.


2. Impactos Práticos na Cadeia de Proteínas

A sinalização positiva da União Europeia traz um alívio estratégico para o setor exportador:

·         Carne de Frango: A aprovação dos protocolos é vista como o passo decisivo para regularizar e destravar o fluxo das exportações da avicultura para o bloco.

·         Gestão de Logística e Estoques: A antecipação das tratativas e a agilidade nas auditorias permitiram que o setor privado mantivesse estoques organizados, evitando desabastecimento local ou gargalos logísticos severos na transição das cargas.

·         Detalhamento Operacional: A expectativa do mercado agora se volta para a publicação dos detalhes normativos finais por parte do bloco europeu, definindo os trâmites práticos e prazos para o reembarque contínuo das mercadorias.


3. Ásia em Foco: Japão, Coreia do Sul e Missão Chinesa

O aval da União Europeia consolida uma maratona de auditorias internacionais no Brasil. Paralelamente aos europeus, delegados técnicos de outros grandes mercados globais concluíram etapas decisivas:

Mercado Comprador

Status das Missões Técnicas

Foco de Atuação / Próximos Passos

União Europeia

Concluída e Aprovada

Aceite de protocolos sanitários e liberação para proteína avícola.

Japão

Concluída

Inspeção de instalações frigoríficas e avanço em negociações bilaterais.

Coreia do Sul

Concluída

Avaliação do sistema defensivo focado na carne bovina brasileira.

China

Agendada / Próxima Fase

Vistorias planejadas em plantas no Rio Grande do Sul e Rondônia, focando na reabilitação e habilitação de novos estabelecimentos.

A sequência de vistorias por potências asiáticas reforça que a credibilidade da defesa sanitária brasileira se mantém em patamar elevado perante os principais compradores mundiais.


4. O Que Esperar para os Próximos Meses?

A recuperação e ampliação das habilitações internacionais ocorrem em um ano promissor para a produção nacional. Com estimativas de que a produção de carnes no Brasil siga em ritmo acelerado e com safras recordes de grãos sustentando os custos de ração, a abertura e regularização de canais com a UE e a Ásia consolidam o papel do Brasil como garantidor da segurança alimentar global.

Os próximos passos envolverão o acompanhamento, pelo MAPA e pela iniciativa privada, da publicação oficial dos formulários de reembarque pela Comissão Europeia e o agendamento das visitas técnicas da comissão chinesa.


Concluindo: Rigor Sanitário do Brasil Supera Auditorias de Alta Exigência

A resposta positiva da União Europeia valida a maturidade da pecuária e da avicultura brasileira. Mais do que assegurar divisas econômicas, o aceite dos protocolos comprova que o rigor sanitário do Brasil é capaz de superar auditorias de alta exigência, mantendo o país na liderança do agronegócio mundial.

 


quarta-feira, setembro 16, 2026

Como a Mídia Boca Alugada Mantém Viva a Desinformação e a Manipulação... Todos os dias... (Parte VII)

 Panorama Econômico Global e Risco Brasil: Números, Fatos e a Narrativa da Mídia


1. O Contraste Intercontinental: O Cenário Brasileiro e a Dinâmica Norte-Americana

Enquanto a economia brasileira vem registrando indicadores operacionais sólidos — com o desemprego em patamares historicamente baixos (em torno de 5%), crescimento do PIB acima de 3% ao ano, ganho real no salário mínimo e controle da inflação de alimentos —, o cenário global exige atenção.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) adota posturas duras para conter pressões inflacionárias, tomando decisões de juros que chegam a desafiar pressões políticas (como as de Donald Trump, defensor histórico de taxas mais baixas para estimular o mercado). A comparação evidencia que, enquanto o Brasil avança na economia real (emprego e renda), o cenário internacional exige prudência monetária e equilíbrio fiscal para blindar o país de choques externos.


2. A Evolução do Risco Brasil: Governo Bolsonaro vs. Governo Lula

O indicador CDS (Credit Default Swap) de 5 anos é o principal termômetro da percepção de risco de calote de um país pelo mercado internacional. O contraste entre as duas últimas gestões é marcante:

Indicador / Período

Governo Bolsonaro (2019–2022)

Governo Lula (Atual - Set/2026)

Patamar Inicial

~206 pontos (Jan/2019)

Fim da gestão anterior em ~300 pontos (Jan/2022)

Evolução do Índice

Subiu para a faixa dos 300 pontos ao fim do mandato (+94 pontos)

Recuou para 115,6 pontos (menor nível do mandato)

Fatores Determinantes

Pandemia, aversão ao risco global, tensões institucionais e incertezas fiscais/eleitorais

Valorização de ativos locais, estabilização política e melhora dos dados sociais

Desafios Permanentes

Previsibilidade e estabilidade das regras

Sustentabilidade da dívida pública e controle do déficit fiscal

 

3. A Cobertura Midiática e o Paradigma da Informação (A Visão Crítica)

Analisar esses dados exige também olhar para a forma como são comunicados. A crítica ao modelo de mídia corporativa — frequentemente alinhada à análise de Noam Chomsky sobre a "Fabricação do Consentimento" e o filtro dos grandes interesses econômicos — revela um duplo padrão frequente:

Minimização das Conquistas Reais: Indicadores concretos como queda drástica do desemprego, aumento do poder de compra e forte redução do Risco Brasil para 115,6 pontos costumam ser noticiados com ressalvas excessivas ou tom alarmista focado unicamente nos "gastos públicos".

Narrativa de Insegurança: Quando o Risco Brasil subia no governo anterior, o discurso frequentemente atribuía o fato a "fatores externos inevitáveis" (como a pandemia). No cenário atual, com a queda acentuada do risco e melhora do PIB, a narrativa tende a focar nas incertezas futuras, gerando um ruído que muitas vezes não reflete os dados frios do mercado internacional.


Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas...

 

Chico César rebate fã que pediu músicas sem "cunho político"

https://www.terra.com.br/diversao/gente/chico-cesar-rebate-fa-que-pediu-musicas-sem-cunho-politico,f13247e38173fcb0ef916cc432fe4f23e4ljzsmg.html?utm_source=clipboard

'Não me peça um absurdo desse', respondeu o cantor a seguidor no Instagram

O músico Chico César usou seu perfil no Instagram para responder a um fã que sugeriu que parasse de fazer músicas de " cunho político-ideológico".

"Carinhosamente, te pediria para evitar as de cunho político-ideológico. Tu és muito maior que eles todos. Tu não deves nada a eles. Eles que te devem. Tuas mãos são limpas. Não as coloque no fogo por nenhum deles", escreveu o fã.

 

Na sequência, o cantor afirmou: "Por favor, todas as minhas canções são de cunho político-ideológico! Não me peça um absurdo desse, não me peça para silenciar, não me peça para morrer calado. Não é por 'eles'. É por mim, meu espírito pede isso".

 

"Respeite ou saia. Não veja, não escute. Não tente controlar o vento. Não pense que a fúria da luta contra as opressões pode ser controlada. Eu sou parte dessa fúria. Não sou seu entretenimento", prosseguiu Chico César.

 

"Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas. E dos neutros. Não conte comigo para niná-lo. Não vim botar você para dormir, aqui estou para acordar os dormentes", concluiu.



domingo, setembro 13, 2026

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... O Teatro do Absurdo... (Parte XIV)

 Como o Pro-Wrestling (Luta Livre Profissional) e a Suspensão da Descrença Explicam a Militância Bolsonarista

A política contemporânea transformou-se em um espetáculo onde a linha entre o fato e a performance não apenas se tornou tênue, mas foi deliberadamente apagada. Para quem observa de fora, o comportamento dos chamados "patriotas" bolsonaristas — com suas vigílias em portas de quartéis, teorias da conspiração mirabolantes e recusa sistemática da realidade — parece um surto coletivo ou pura irracionalidade. No entanto, ao analisar o fenômeno sob a ótica do sociólogo Erving Goffman e das pesquisas do cientista político David S. Moon sobre o trumpismo, revela-se uma dinâmica muito mais complexa: a de uma audiência que escolhe ativamente viver uma ficção.


A Política como Kayfabe: A Lição de David S. Moon

Em seus estudos sobre Donald Trump e a política norte-americana, o pesquisador David S. Moon busca na Luta Livre Profissional (Pro-Wrestling) a chave de leitura para entender o apelo populista da extrema-direita moderna. No ecossistema do wrestling, existe um conceito fundamental chamado kayfabe: a manutenção tácita da ilusão de que as rivalidades, agressões e dramas encenados no ringue são 100% reais.

Moon argumenta que os eleitores de Trump — e, por extensão, os bolsonaristas no Brasil — não são enganados ingênuos que acreditam cegamente em cada palavra dita por seus líderes. Em vez disso, comportam-se como os fãs modernos de Luta Livre (smart marks): eles sabem, no fundo, que as declarações são exageradas, inventadas ou performáticas, mas celebram o espetáculo. Quando o líder ataca a imprensa, quebra o decoro institucional ou inventa uma narrativa absurda, o público vibrante não busca a verdade factual, mas a efetividade do golpe na arena política. O que importa é a destruição simbólica do adversário.


A Suspensão Voluntária da Descrença em Goffman

É aqui que a teoria dramatúrgica de Erving Goffman complementa a análise de Moon. Para Goffman, a vida social é estruturada como um palco, no qual os indivíduos desempenham papéis e mantêm uma "fachada". Quando a realidade ameaça quebrar a ilusão da cena, os atores e a plateia recorrem à suspensão voluntária da descrença.

No contexto do bolsonarismo patriota, a manutenção do papel de "combatente do bem contra o mal" exige um pacto silencioso de cooperação. Para continuar pertencendo à comunidade e manter o sentido de missão heroica, o militante decide ignorar os furos no roteiro. Quando um prazo de "72 horas" expira, quando uma revelação desmente uma tese conspiratória ou quando a liderança recua, o patriota não abandona a crença; ele reajusta a cena e suspende a dúvida novamente para que a peça não termine. A verdade factual torna-se secundária perante a necessidade de manter a narrativa viva no palco.


A Cumplicidade do Espetáculo

Unindo Moon e Goffman, percebe-se que acusar os apoiadores de "analfabetismo político" ou "alienação" é insuficiente. Trata-se de uma cumplicidade performática. O bolsonarista que repassa uma notificação falsa no WhatsApp ou que usa verde e amarelo para protestar contra moinhos de vento não está apenas consumindo informação; ele está atuando.

A militância do "Brasil acima de tudo" encontrou no espetáculo um refúgio da realidade complexa e decepcionante. Ao operarem dentro do kayfabe descrito por Moon e praticarem a suspensão voluntária da descrença formulada na tradição de Goffman, os patriotas transformaram o cenário político brasileiro em um imenso ringue teatral, onde o compromisso principal não é com a verdade factual, mas com a continuidade do show.



sábado, setembro 12, 2026

Eles Mentem... Mentem... Mentem... Insana, CRIMINOSA, Cretina e Escrotamente... Mentem... O Estado da Fantasia... (Parte XIII)

Como o Marketing de R$ 444 Milhões Esconde as Três Grandes Mentiras do Governo de SC

Enquanto os hospitais estaduais enfrentam crises de desabastecimento, estradas recém-entregues esfarelam em buracos e dezenas de escolas estaduais convivem com infraestrutura precária, o governo de Jorginho Mello parece operar em uma realidade paralela. É a dimensão do marketing governamental. Sob uma avalanche diária de comerciais de televisão, rádios e peças digitais milimetricamente produzidas, a atual gestão tenta impor uma narrativa que beira o absurdo: a de que antes de sua chegada Santa Catarina vivia no absoluto abandono, e que agora tudo funciona no "padrão excelência".

A estratégia do governador revela traços de uma mitomania institucionalizada, onde a propaganda é utilizada para encobrir a ausência de projetos próprios, o isolamento político e a incapacidade de gestão. A tentativa de desviar o foco acusando o governo federal e recusando diálogos institucionais — como na proposta de R$ 25 bilhões em investimentos federais para as BRs 470, 280 e 282 — é apenas o sintoma externo de um governo que prefere o confronto retórico e a maquiagem publicitária ao trabalho real.

Abaixo, desmascaramos as três grandes peças de ficção desse governo cosmético e revelamos o custo dessa engrenagem de ilusão.


A Engrenagem da Ilusão: R$ 444 Milhões para a "Mídia Boca de Aluguel"

Para sustentar uma narrativa desconectada da realidade diária dos catarinenses, a atual gestão montou uma máquina publicitária milionária. De janeiro de 2023 a dezembro de 2025, o Governo do Estado destinou a impressionante cifra de R$ 444 milhões de dinheiro público para a publicidade institucional. Somente em 2025, os gastos com propaganda dispararam 136% em relação ao primeiro ano de mandato, injetando R$ 216 milhões nos veículos de comunicação.

Essa distribuição de recursos cumpre um papel político claro: alimentar uma vasta rede de "mídia boca de aluguel", blogs alinhados, emissoras e portais regionais dispostos a reproduzir o material oficial sem qualquer filtro crítico ou checagem de fatos. A verba pública funciona como um instrumento de cooptação e silenciamento.

Enquanto repasses para hospitais regionais atrasam e prefeituras perdem recursos diretos, a torneira do marketing permanece escancarada para irrigar narrativas que transformam problemas graves de gestão em peças publicitárias com música emocionante e imagens de drone.


Mentira 1: A Maquiagem do "Escola Boa" e a Apropriação do Passado

O programa "Escola Boa" é anunciado nas redes sociais com a estética impecável de um comercial de alto padrão. Imagens em alta definição mostram fachadas pintadas, salas climatizadas e alunos sorridentes, vendendo a ideia de que o governo atual promoveu uma revolução inédita na educação catarinense.

A realidade dos fatos:

1. Apropriação de obras passadas: Conforme denunciado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (SINTE-SC) e pela oposição na ALESC, grande parte das reformas e ampliações celebradas como "obras do Escola Boa" são projetos cujos contratos, licitações e orçamentos foram aprovados e iniciados em gestões anteriores. A atual gestão apenas colocou a nova identidade visual na fita de inauguração.

2.    Apagamento de investimentos históricos: A propaganda tenta apagar o fato de que Santa Catarina já registrava investimentos recordes na educação, a exemplo de 2021, quando o Estado aplicou R$ 7,7 bilhões na área (27,40% da Receita Corrente Liquida, acima do limite constitucional). Equipamentos, computadores e programas de permanência (como o Bolsa Estudante de 2022) já estavam estruturados no planejamento plurianual anterior.

3.    Precarização invisível: Longe do ângulo das câmeras, dezenas de escolas da rede estadual continuam enfrentando falta de pessoal de apoio, problemas estruturais graves e falta de manutenção básica, evidenciando que o "Padrão Escola Boa" é uma exceção publicitária, não a regra da rede.


Mentira 2: "Estrada Boa" — Asfalto de Papel e Financiamento Oculto

Nos comerciais do programa "Estrada Boa", o governador aparece caminhando sobre o concreto fresco, afirmando ter tido "a coragem de tirar as obras do papel" e alardeando que a malha viária em boas condições saltou de 20% para 95%.

A realidade dos fatos:

1.    Confisco do Plano 1000 e Herança Técnica: O programa não nasceu do zero. A gestão atual herdou projetos executivos de engenharia prontos e pagos da gestão de Carlos Moisés. Além disso, extinguiu o "Plano 1000" — que repassava recursos diretamente aos municípios —, centralizando o dinheiro no caixa do Estado para carimbar as obras com a marca do novo governo.

2.    Dependência de Recursos Federais e Empréstimos: Ao contrário do discurso de "autonomia financeira", as obras são sustentadas por pesados endividamentos públicos, incluindo R$ 631,9 milhões junto ao BNDES (recurso do Governo Federal que o próprio governador ataca publicamente) e US$ 300 milhões com o Banco Mundial.

3.    Fiscalização do TCE e Inquéritos do MPSC: O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) chegou a suspender pagamentos de contratos que somavam R$ 150 milhões por falhas de sinalização, falta de fiscalização e trechos de asfalto novo que apresentaram rachaduras e buracos meses após a entrega. Paralelamente, o Ministério Público (MPSC) instaurou inquéritos civis para apurar suspeitas de irregularidades e corrupção em trechos de obras de concreto, enquanto rodovias estaduais como a SC-281 se arrastam com menos de 10% de execução.


Mentira 3: A Fábrica de Ilusões na Saúde e o "Paciente 1 Milhão"

A peça central da engrenagem publicitária da saúde foi o anúncio massivo de que o estado atingiu a marca de "1 milhão de cirurgias realizadas", apresentado como prova da superação da crise na área.

A realidade dos fatos:

1.    A Conta que Não Fecha (Auditoria do TCE): Para que o número do marketing fosse real, os hospitais catarinenses precisariam operar uma média irreal de 1.400 pessoas por dia, sem interrupção. Auditoria oficial do TCE/SC desmontou a farsa: somando todas as cirurgias eletivas de 2020 a 2024, o total real foi de 485 mil procedimentos — menos da metade do anunciado. Em 2024, o total efetivo foi de cerca de 284,8 mil. Para inflar os dados, o governo somou exames ambulatoriais simples e atendimentos de urgência de rotina.

2.    Filas Recordes e Espera Inhumana: A promessa pública feita em 2023 de "zerar as filas em seis meses" resultou em um recorde histórico: a fila saltou de 107 mil para mais de 116 mil pessoas aguardando atendimento. Os dados oficiais mostram médias de espera absurdas:

o    Cirurgias de mama: média de 697 dias;

o    Cirurgias reparadoras: média de 644 dias;

o    Procedimentos osteomusculares: média de 420 dias;

o    Atendimento oncológico (câncer): média de 66 dias, descumprindo o limite legal de 60 dias estabelecido pela Lei Federal nº 13.896/2019.

3.    Fura-Filas e Explosão de Liminares: Inquéritos do MPSC identificaram hospitais conveniados agendando cirurgias eletivas para pacientes fora do sistema oficial de regulação, burlando a fila cronológica legal. A ausência de gestão real empurrou mais de 16,4 mil catarinenses para a Justiça para conseguir atendimento básico no SUS.


Concluindo: O Custo Real da Maquiagem Publicitária

A matemática da comunicação governamental de Santa Catarina revela uma grave inversão de prioridades. Cada real dos R$ 444 milhões drenados para a propaganda institucional e para a sustentação de veículos alinhados é um recurso retirado da manutenção de salas de aula, da fiscalização da qualidade do asfalto e da compra de insumos básicos para os hospitais regionais.

Governar por meio de comerciais de televisão e narrativas fabricadas pode gerar dividendos eleitorais imediatos, mas não resolve a vida do cidadão que trafega por rodovias esburacadas, não reduz a espera de quem aguarda há anos por uma cirurgia e não melhora a infraestrutura das escolas estaduais. O catarinense não precisa de peças publicitárias com atores e filtros de internet; precisa de transparência, respeito à verdade e serviços públicos funcionando na vida real.