quinta-feira, julho 09, 2026

Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros...... A Anatomia da Bajulação... (Parte XXIV)

 Como o Teatro Político Corrói a Democracia em Santa Catarina

Para os cidadãos lúcidos — aqueles que se recusam a deixar o discernimento ser contaminado pelas paixões cegas e pelo ódio —, o cenário político atual em Santa Catarina tem emitido sinais profundamente alarmantes. O que testemunhamos de forma recorrente em diversas esferas públicas do nosso estado não é o livre exercício do debate democrático, mas sim um desvio crônico do propósito fundamental do serviço público.

Esse fenômeno nos remete diretamente ao clássico Breviário dos Políticos, obra atribuída ao Cardeal Mazarino no século XVII, que mapeia com precisão cirúrgica a bajulação e a subserviência como táticas de autopreservação, manutenção de privilégios e blindagem corporativista. No entanto, para além do mero ridículo institucional, é preciso dar o nome correto a essa engrenagem. Trata-se de corrupção.

Para além da corrupção "clássica" — aquela que envolve o desvio direto de dinheiro público e o pagamento de propinas —, existe uma variante mais sutil, invisível aos portões dos tribunais de contas, mas igualmente corrosiva para o tecido republicano. Abaixo, anatomizamos os quatro eixos dessa degradação institucional:


1. Corrupção Moral e do Caráter Político

Esta é a camada mais evidente da crise de representatividade. Ela deforma o próprio sentido e a dignidade do mandato outorgado pelo voto popular.

ü  O Abandono do Mandato: O parlamentar municipal é eleito e pago para legislar sobre a realidade local e fiscalizar o Executivo em prol de sua comunidade. Quando vereadores utilizam a tribuna, o tempo regimental e a estrutura da Casa para aprovar moções de "louvor" a figuras externas sem qualquer relevância local comprovada, ou para declarar autoridades federais como persona non grata por pura divergência ideológica, opera-se o abandono do mandato real. A política de resultados é substituída por um teatro infantiloide.

ü  A "Insanidade" da Vassalagem: A necessidade de prestar vassalagem a líderes políticos ou às suas dinastias familiares atinge contornos delirantes. O agente público corrompe a própria biografia e rebaixa a estatura da instituição que representa na expectativa de ser mantido na órbita de influência, garantindo favores e a perpetuação de suas benesses corporativas.


2. Corrupção Simbólica e das Honrarias Públicas

As distinções, medalhas e títulos de um Estado servem para chancelar o mérito extraordinário e o serviço prestado à coletividade. Quando esses símbolos são capturados, a própria história das instituições é aviltada.

ü  A Concessão de Honrarias sem Mérito: O uso de condecorações centenárias de corporações de Estado para agraciar figuras políticas sem qualquer folha de serviços prestados à segurança pública local — ou ao estado de Santa Catarina — esvazia o significado da própria comenda. É um ato que desonra diretamente os profissionais de carreira que sacrificam suas vidas diariamente e que de fato mereceriam tal distinção.

ü  A Moeda da Impessoalidade Rompida: O galardão público passa a funcionar como moeda de troca privada para a compra de prestígio partidário. Esse movimento atropela frontalmente os preceitos constitucionais da moralidade e da impessoalidade, transformando o patrimônio simbólico do povo em um balcão de negócios de vaidades.


3. Corrupção do Debate Público e Desinformação

A retórica política é o canal pelo qual a sociedade civil se organiza. Quando a mentira e a distorção técnica passam a balizar as justificativas oficiais, o discurso público é corrompido.

ü  A Manipulação Deliberada da Verdade: Em vez de pautar as discussões em dados técnicos, critérios legais, orçamentários ou logísticos — como exige a complexa gestão de grandes ativos logísticos e infraestruturas do estado —, as decisões administrativas são deliberadamente traduzidas sob o manto de "revanche" ou perseguição. Cria-se uma narrativa ficcional que alimenta o ressentimento em detrimento da verdade.

ü  A Violência contra a Civilidade: A intolerância e a difusão do pânico moral convertem-se em ferramentas metodológicas de gestão da narrativa. O ódio substitui o argumento, interditando o diálogo civilizado e impedindo que o foco retorne para onde deveria estar: a resolução dos problemas reais enfrentados pelos contribuintes.


4. Corrupção da Eficiência e do Uso de Recursos

Muitos argumentam que atos meramente simbólicos não geram danos ao erário. Trata-se de um erro crasso de contabilidade pública e de eficiência administrativa.

ü  O Custo do Tempo Público: O tempo de uma sessão legislativa, as horas trabalhadas por equipes técnicas e assessores, o aparato burocrático e os custos operacionais de produção e entrega de moções e cerimônias são integralmente custeados com o dinheiro dos impostos pagos pelo cidadão. Desviar a finalidade desse aparato para palanque ideológico e bajulação personalista configura, na essência, uma grave dilapidação do princípio da eficiência, tipificando o desvio de finalidade dos recursos públicos.


O Diagnóstico Necessário

Precisamos rejeitar categoricamente a normalização dessas práticas sob o rótulo de que isso é "apenas a política como ela é". O diagnóstico é consideravelmente mais severo: estamos diante de uma manifestação de corrupção profunda. Ela pode não perfurar diretamente os cofres, mas perfura e esvazia a integridade, a ética e a própria finalidade da existência do Estado.

A verdadeira política — aquela voltada para o bem comum e para a construção coletiva — é sufocada por uma corte de vassalos modernos que ignoram as demandas urgentes da sociedade em nome de uma necessidade insana de agradar os detentores do poder de turno. Manter a capacidade de se indignar contra esse cenário não é apenas um direito; é o primeiro sinal de saúde cívica e de resistência democrática.






Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros...... O "Modus Operandi" da Degradação Pública... (Parte XXIII)

 

O Que as Operações 'Gaiola Digital' e 'Pão e Circo' Revelam Sobre Santa Catarina

A deflagração quase simultânea de duas grandes operações pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) joga luz sobre um ecossistema de corrupção estrutural que corrói o dinheiro do contribuinte de ponta a ponta. Embora possuam alvos e escopos distintos, as operações Gaiola Digital e Pão e Circo funcionam como duas engrenagens de uma mesma máquina de assalto aos cofres municipais.

A proximidade temporal de suas deflagrações não é mera coincidência cronológica; é o reflexo de investigações maduras que alcançaram o coração da gestão pública e do poder político catarinense, expondo prefeitos e empresários em esquemas sistemáticos de fraude.


A Engrenagem Invisível: A "Gaiola Digital" e o Controle da Máquina

A Operação Gaiola Digital ataca a espinha dorsal administrativa das prefeituras: os sistemas de tecnologia e gestão pública. Originada a partir de desdobramentos e delações premiadas da Operação Et Pater Filium, a investigação revela um esquema sofisticado onde editais de licitação eram cirurgicamente adaptados para favorecer uma empresa específica de TI, sediada em Blumenau.

Ao garantir contratos e renovações mediante o pagamento de propina a agentes públicos — incluindo um prefeito do estado —, o esquema operava uma captura invisível do Estado. O nome da operação é cirúrgico: ao privatizar ilicitamente os sistemas de gestão, os criminosos trancavam a transparência e o controle social dentro de uma verdadeira "gaiola" tecnológica. Cidades importantes como Blumenau, Rio do Sul e Lages tornaram-se palcos de buscas que demonstram a capilaridade dessa fraude burocrática.


A Engrenagem Visível: A "Pão e Circo" e a Distração Popular

Enquanto a Gaiola Digital controlava os computadores e os dados nos bastidores, a Operação Pão e Circo cuidava dos palcos e dos holofotes. Mirando a formação de um suposto cartel no setor de eventos, o GAECO revelou como a contratação de shows, palcos e artistas servia de fachada para fraudes licitatórias, lavagem de dinheiro e distribuição de propinas.

Com uma abrangência avassaladora — 50 mandados em 18 municípios catarinenses e ramificações até Porto Alegre —, a operação atingiu diretamente o primeiro escalão político, envolvendo nove prefeitos ou ex-prefeitos. A metáfora histórica que dá nome à operação expõe o cinismo dos investigados: o uso de grandes espetáculos públicos pagos com dinheiro desviado para anestesiar a população enquanto os recursos fundamentais de saúde, educação e infraestrutura escorriam pelo ralo.


Duas Faces da Mesma Moeda: O Diagnóstico do Assalto ao Estado

Quando analisamos essas operações de forma conjunta e integrada, compreendemos a amplitude do diagnóstico da corrupção municipal moderna em nosso estado:

ü  A Captura Total do Município: O crime organizado não quer apenas um contrato isolado; ele busca o controle da inteligência municipal (softwares de gestão na Gaiola Digital) e do orçamento de entretenimento (na Pão e Circo).

ü  A Linha de Transmissão da Impunidade: Assim como a Gaiola Digital puxa o fio que começou na Et Pater Filium e na Operação Mensageiro, o avanço dessas investigações demonstra que o cartelismo e o clientelismo político estão profundamente enraizados em dinâmicas de poder locais que se retroalimentam.

ü  O Impacto no Contribuinte: Não se trata de crime sem vítima. O direcionamento de contratos de software encarece e piora os serviços públicos digitais; o superfaturamento de shows rouba recursos de áreas críticas sob o aplauso induzido de uma plateia desinformada.


Concluindo: O Desafio Democrático

A proximidade dessas operações mostra um Ministério Público ativo, mas também emite um alerta grave sobre a qualidade e a moralidade dos gestores que estão sendo escolhidos para comandar os municípios catarinenses. Entre a frieza dos códigos de programação fraudados e o barulho dos palcos superfaturados, quem paga a conta é o cidadão.

Para além do barulho midiático das prisões e apreensões, o cidadão consciente deve exigir a devida responsabilização jurídica e, fundamentalmente, a depuração política através do voto. É preciso romper as grades da gaiola e desligar os microfones do circo para que a administração pública volte a servir ao povo, e não a cartéis e prepostos de ocasião.



quarta-feira, julho 08, 2026

Apesar de Vocês... "Patriotas"... Amanha há de ser um Novo Dia (Parte I)

 O Brasil Real Avança: O Reconhecimento Internacional e o Desespero das Narrativas Apocalípticas

O cenário econômico internacional acaba de emitir um sinal claro que desmonta, de forma factual, o discurso de terra arrasada promovido pela oposição radical no Brasil. Em suas revisões mais recentes, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para os anos de 2026 e 2027. O movimento pegou analistas pessimistas de surpresa, colocando o Brasil — ao lado da China — como um dos raros destaques positivos de expansão em um momento de visível desaceleração econômica global.

Esse crescimento sustentado, referendado pelo principal termômetro financeiro global, não reflete apenas números abstratos: traduz-se em atração de investimentos, estabilização de mercados e fortalecimento institucional. É o "Brasil Real" mostrando sua resiliência e dinamismo econômico.


O Contraste Patriótico: O Discurso e a Prática

O vigor desses indicadores econômicos cria um contraste profundo com a atuação política daqueles que outrora se autodenominavam defensores intransigentes da pátria. Em uma demonstração explícita de subversão de valores, figuras proeminentes do ecossistema bolsonarista — como o comentarista Paulo Figueiredo — vieram a público manifestar apoio e "gratidão" a propostas externas de aplicação de sanções econômicas contra o próprio Brasil.

A postura expõe uma contradição visceral: para esse grupo, o projeto de poder pessoal e o desgaste do atual governo sobrepõem-se à soberania nacional e ao bem-estar do povo brasileiro. Torcer abertamente pela sabotagem econômica internacional contra o próprio país revela o verdadeiro caráter de um falso patriotismo, que só aceita o Brasil se ele estiver sob o seu controle de grupo.


A Cortina de Fumaça dos Escândalos Familiares

O recurso a discursos inflamados nas redes sociais e o alinhamento com pressões estrangeiras funcionam também como uma oportuna cortina de fumaça. Enquanto o país avança nos trilhos econômicos, o clã bolsonarista se vê obrigado a lidar com o avanço de investigações que batem cada vez mais perto do núcleo familiar.

A inclusão recente de Rogéria Bolsonaro — mãe do senador Flávio Bolsonaro — em relatórios que a vinculam a políticos presos e investigados por fraudes financeiras é apenas o capítulo mais recente de uma longa lista de escândalos. Das transações imobiliárias suspeitas em dinheiro vivo ao caso das "rachadinhas" e ao financiamento oculto em contas no exterior para biografias cinematográficas, o que se observa é uma insistente promiscuidade entre o interesse público e os negócios privados da família.


Concluindo: Os Fatos Contra o Ruído

O fechamento deste ciclo de análises nos conduz a uma conclusão inevitável: a engrenagem bolsonarista opera na base do duplo padrão moral. Condenam a corrupção na tribuna, mas mudam de versão sistematicamente quando as provas atingem seus gabinetes; exaltam o pavilhão nacional em manifestações, mas aplaudem sanções estrangeiras que poderiam desempregar trabalhadores brasileiros.

Felizmente para a sociedade, a economia real e a verdade dos fatos não se subordinam a narrativas de redes sociais. Enquanto o FMI carimba a solidez do crescimento do Brasil, o extremismo político isola-se em suas próprias contradições jurídicas e na sua torcida declarada pelo fracasso da nação. Desmascarar essa hipocrisia é o primeiro passo para consolidar a estabilidade democrática e o desenvolvimento do país.

 

Apesar de você Amanhã há de ser outro dia Eu pergunto a você onde vai se esconder Da enorme euforia Como vai proibir Quando o galo insistir Em cantar Água nova brotando E a gente se amando sem parar

Apesar de vocês... "Patriotas"...



Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros...... As Duas Faces da Mesma Degradação... (Parte XXII)

 A Anatomia da Ilusão Catarinense: Entre a Corrupção do "Pão e Circo" e a Sombra do Extremismo

Há uma persistente narrativa de perfeição institucional e superioridade social que Santa Catarina vende para si mesma e para o restante do Brasil. No entanto, quando as camadas de maquiagem publicitária são removidas pelas forças de controle e fiscalização jurídica, o que emerge é o retrato de uma sociedade profundamente vulnerável. Uma realidade onde a máquina pública é drenada para financiar o entretenimento fácil de esquemas corruptos, enquanto, em paralelo, o tecido social assiste à proliferação silenciosa — e cada vez mais institucionalizada — de células de ódio de cunho nazifascista.

O contraste entre a festa financiada pelo crime e a barbárie extremista revela que o "lado sombrio" catarinense não é um desvio isolado, mas sim um sintoma de conivência estrutural.


O Circo Financiado pela Fraude: A Operação Pão e Circo

O exemplo mais recente do uso predatório do erário público veio à tona com a deflagração da Operação Pão e Circo pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pelo Ministério Público (MPSC). A investigação desarticulou um cartel estruturado de empresários e agentes políticos focado na manipulação de preços, fraudes em licitações de shows nacionais (com forte inserção no meio sertanejo bolsonarista), lavagem de dinheiro e pagamento sistêmico de propinas.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 9 milhões em bens, a prisão preventiva de um grande empresário do setor de eventos em Itapema e o afastamento imediato do prefeito de Governador Celso Ramos. A capilaridade do esquema impressiona pela extensão territorial, com o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão que espelham como a cultura do desvio se interiorizou no estado. O rastro da operação espalhou-se por órgãos públicos e residências em 18 municípios catarinenses, atingindo as cidades de:

Abdon Batista, Apiúna, Aurora, Blumenau, Caçador, Calmon, Campos Novos, Canoinhas, Corupá, Fraiburgo, Garuva, Governador Celso Ramos, Itapema, Joinville, Lages, Mafra, Rio do Sul e Videira.

A metáfora do nome da operação não poderia ser mais cirúrgica: enquanto faltam leitos, medicamentos e infraestrutura básica para as populações locais, prefeituras blindavam contratos milionários fraudados para oferecer distração em praça pública. É a institucionalização do suborno travestido de festividade.


A Sombra do Sol Negro: O Avanço do Neonazismo

Enquanto o dinheiro público irriga o bolso de cartéis de entretenimento, o fanatismo ideológico violento cria raízes profundas no estado. O desmantelamento sucessivo de células neonazistas e atos de ódio extremista pela Delegacia de Repressão ao Racismo e a Delitos de Intolerância (DRRDI/DEIC) e pelo MPSC expõe um cenário alarmante:

·         A Infiltração Institucional (Junho de 2026): O MPSC denunciou 14 suspeitos de integrar uma das organizações neonazistas mais articuladas do país. O grupo operava com a cobrança de mensalidades, utilizava o "Sol Negro" acoplado a um fuzil como símbolo e planejava ataques violentos organizados. O dado mais estarrecedor é o perfil dos denunciados, que incluía advogados e policiais — evidenciando que o extremismo violento já ultrapassou as bordas da marginalidade virtual e infiltrou-se nas forças de segurança e no ordenamento jurídico.

·         O Monitoramento Internacional (Março a Junho de 2026): O avanço dessas células gerou alertas de agências internacionais de inteligência. Na Operação Salvaguarda, mandados foram cumpridos em Blumenau e Videira para frear pautas de violência virtual; já na Operação Estigma, em Campos Novos, o alvo foi a apologia sistemática em redes sociais voltada ao recrutamento de jovens.

·         A Normalização do Absurdo: O alcance do ódio se manifesta tanto no planejamento macro da Operação Nuremberg (que mirou redes de racismo e antissemitismo em Cocal do Sul e Jaraguá do Sul) quanto no cotidiano. Em Guabiruba, a Justiça precisou condenar um cidadão à reclusão simplesmente porque ele se sentia confortável e seguro o bastante para estampar uma bandeira com a cruz suástica na fachada externa de sua residência.


A Conexão Sombria: Impunidade e Conveniência

Não há distanciamento entre a fraude do colarinho branco que desvia recursos em Joinville ou Lages e a audácia de uma célula extremista que opera armada em Santa Catarina. Ambos os fenômenos nascem e prosperam no mesmo solo: a crença na impunidade absoluta e a conivência de uma opinião pública que muitas vezes silencia.

Quando parcelas da sociedade toleram que prefeitos e empresários fraudem o futuro dos municípios em troca de shows caros, cria-se o mesmo ambiente de complacência moral que finge não ver símbolos nazistas pendurados em janelas ou policiais jurando lealdade a cartilhas de segregação.

Santa Catarina precisa urgentemente encarar o espelho de suas estatísticas criminais. O estado que se orgulha de seus índices econômicos não pode continuar a ser o território onde o dinheiro público vira poeira de camarote e o ambiente social serve de incubadora para o ovo da serpente fascista.



segunda-feira, julho 06, 2026

Eles Mentem... Mentem... Mentem... Sabuja, Cretina e Escrotamente... Mentem... (Parte VIII)

 As Máscaras de Flávio Bolsonaro: O Malabarismo das Versões e as Mentiras Sistemáticas

Na cena política nacional, poucos personagens dominam a arte de moldar a verdade de acordo com a conveniência do momento como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em meio às articulações de sua pré-campanha e ao cerco jurídico que envolve sua família, o parlamentar tem recorrido a uma engrenagem de narrativas mutáveis e distorções factuais profundas para tentar manipular a opinião pública. O comportamento do senador desenha uma trajetória recheada de contradições, que vão desde a apropriação indevida de conquistas econômicas nacionais até explicações insustentáveis sobre relações financeiras espúrias na criação de uma biografia cinematográfica.


A Mentira Recorrente sobre o Pix

O exemplo mais nítido da tática de desinformação bolsonarista ocorreu recentemente no debate público sobre o Pix. Em uma tentativa de inflar o legado de seu pai, Jair Bolsonaro, o senador voltou a afirmar falsamente que a plataforma de transferências instantâneas foi criada sob a gestão anterior. No entanto, os fatos históricos desmentem a narrativa: o processo de especulação, os grupos de trabalho e as diretrizes do Pix foram formalmente iniciados em 2018, ainda sob o governo de Michel Temer e sob a presidência de Ilan Goldfajn no Banco Central.

Para além da falsa autoria, o senador buscou faturar politicamente alegando que o partido adversário tentou taxar a ferramenta no passado — outra inverdade amplamente desmontada por agências de checagem.  O uso de dados falsos e o apelo a vídeos manipulados servem como uma espécie de "vacina" retórica: criam-se espantalhos para desviar o foco dos reais problemas éticos e jurídicos que batem à porta do gabinete do senador.


O Escândalo do Banco Master: Cinco Versões para a Mesma História

Se na economia a estratégia é a distorção, no campo das finanças pessoais e de campanha o método é o recuo tático. A revelação de áudios e mensagens pelo portal The Intercept Brasil expondo a intimidade e as cobranças milionárias de Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro — envolvido no escândalo de fraudes bilionárias do Banco Master — jogou o senador em um labirinto de justificativas que mudaram ao sabor das provas.

A cronologia do cinismo é evidente na mudança radical de suas posturas públicas:

1.    A Negação Ruidosa: Inicialmente, antes que o conteúdo dos áudios se tornasse público, Flávio desdenhou das investigações. Chegou a rir de repórteres no Supremo Tribunal Federal (STF), tachando o vazamento de "mentira" absoluta.

2.    O Escudo da Confidencialidade: Quando confrontado com a própria voz chamando o banqueiro investigado de “irmão”, a narrativa mudou. A defesa passou a alegar a existência de uma suposta "cláusula de confidencialidade", justificando que o segredo existia apenas porque Vorcaro temia represálias políticas.

3.    O "Patrocínio Privado": Com a confirmação de que repasses que chegam a R$ 61 milhões foram transferidos para contas no exterior, a versão oficial se metamorfoseou. O dinheiro, cobrado de forma insistente pelo senador, passou a ser defendido como um "mero patrocínio privado legítimo" para o filme biográfico de Jair Bolsonaro, o Dark Horse, sem contrapartidas ilícitas.

4.    A Reunião do "Basta": Questionado por aliados sobre encontros mantidos com o banqueiro mesmo após a eclosão das denúncias e investigações da Polícia Federal, o senador sacou uma quarta justificativa: alegou que se reuniu com Vorcaro apenas para "colocar um ponto final" e romper laços contratuais ao "descobrir" as fraudes.

5.    A Omissão de Conveniência: O ápice da contradição se deu no cenário internacional. Em carta oficial enviada a autoridades norte-americanas pleiteando pautas comerciais, Flávio rotulou o caso do Banco Master como a "maior fraude bancária da história". No documento, contudo, apagou e omitiu qualquer menção aos seus próprios acordos e às dezenas de milhões que negociou diretamente com o pivô do esquema.


Concluindo: O Limiar da Mitomania Política

As contradições do senador não são deslizes isolados; constituem um método estruturado de sobrevivência política. O homem que usa as redes sociais para posar como paladino da verdade e defensor da herança econômica do país é o mesmo que muda de versão cinco vezes para tentar explicar por que operava nos bastidores cobranças milionárias destinadas a fundos internacionais.

Para um pré-candidato ao cargo mais alto do país, a ausência de uma linha de defesa linear e a dependência crônica de mentiras factuais demonstra que, para o clã Bolsonaro, a verdade é um conceito elástico, esticado até o limite para proteger interesses particulares e blindar aliados de negócios escusos. Desmascarar essa engrenagem é um dever de transparência com o leitor e com o eleitorado.



quarta-feira, julho 01, 2026

Cresça... Cresça e Apareça Governador.... A Marketagem da Mentira e o Mitômano de Plantão (Parte VII)

 Asfalto de Papel: Como o Marketing do “Estrada Boa” Tenta Apagar o Passado e o Governo Federal

O cenário político de Santa Catarina tem sido marcado por uma tática antiga, mas perigosa: a blindagem por meio da propaganda institucional. O exemplo mais recente dessa conduta se reflete na postura do governador Jorginho Mello ao atacar o presidente Lula, acusando-o de faltar com a verdade sobre a proposta de investimentos de R$ 25 bilhões destinados à infraestrutura do estado. Essa narrativa demagógica cumpre uma função clara: tentar manipular a opinião pública para mascarar a ausência de protagonismo próprio e o isolamento institucional da gestão estadual perante o governo federal.

Enquanto o governador gasta energia em embates retóricos, a máquina publicitária de Santa Catarina opera a pleno vapor. Sob o manto de campanhas milionárias — inseridas no montante que já atinge a marca histórica de R$ 444 milhões de dinheiro público investidos em publicidade ao longo de seu mandato —, o governo tenta fixar a imagem de um realizador obstinado através do programa “Estrada Boa”.

Contudo, ao confrontarmos os comerciais de televisão com os relatórios técnicos e o histórico financeiro do estado, a propaganda desmorona, revelando-se uma colcha de retalhos feita com o trabalho alheio e sustentada por dívidas.

 

A Ilusão das Telas: Drones, Concreto e Inflação Estatística

A estratégia de marketing do “Estrada Boa” segue uma cartilha agressiva de comunicação. Os comerciais de rádio, televisão e redes sociais são verdadeiras superproduções. Imagens aéreas de alta definição captadas por drones mostram retroescavadeiras, rolos compressores e operários em ritmo acelerado, aplicando asfalto ou concreto fresco sobre rodovias antigas. O objetivo é transmitir uma sensação de dinamismo absoluto e urgência.

Essa estética é acompanhada por um discurso de "reconstrução". Jorginho Mello aparece caminhando pelas rodovias estaduais (SCs), conversando com caminhoneiros e afirmando ter tido "a coragem de tirar as obras do papel", sugerindo que o estado viveu décadas de abandono absoluto. Para impressionar o eleitorado, o marketing oficial infla as estatísticas, propagando que o programa saltou o índice de rodovias em boas condições de meros 20% para expressivos 95%, anunciando um pacote de R$ 5 bilhões.

 

O que a Propaganda Omite: A Herança de Carlos Moisés

O que os comerciais de trinta segundos omitem de forma deliberada é a continuidade administrativa. O programa “Estrada Boa” não nasceu do zero; ele herdou uma robusta base técnica e financeira da gestão anterior, comandada por Carlos Moisés.

ü  Projetos Prontos e Pagos: Muitas das ordens de serviço assinadas com pompa pela atual gestão utilizaram exatamente os mesmos projetos executivos de engenharia que foram licitados, elaborados e pagos entre 2021 e 2022.

ü  O Confisco do Plano 1000: Na gestão anterior, o "Plano 1000" pulverizava recursos transferindo dinheiro diretamente para as prefeituras executarem as obras. Jorginho Mello extinguiu esse modelo, cancelou os repasses aos municípios e concentrou todo esse dinheiro no caixa central do Estado para financiar as obras sob a sua própria marca, centralizando o dividendo político.

ü  O Caixa das Operações de Crédito: Os recursos estruturais que financiam as frentes de trabalho já haviam sido engatilhados no passado. A atual gestão revisou esses contratos e se apropriou dos fundos para carimbar o selo do novo governo.

 

O Contraponto dos Fatos: Empréstimos, Rachaduras e Investigação

Ao contrário do que a publicidade faz parecer, as obras não são custeadas por "economias próprias" da arrecadação do governador. O programa é sustentado por pesados endividamentos públicos. O marketing esconde que o “Estrada Boa” depende diretamente de financiamentos de R$ 631,9 milhões junto ao BNDES (recurso do Governo Federal que Jorginho tanto critica) e de negociações de US$ 300 milhões com o Banco Mundial.

Além disso, a realidade das rodovias passa longe da perfeição exibida nas telas:

  1. Suspensão pelo Tribunal de Contas (TCE/SC): O órgão fiscalizador interveio e chegou a suspender pagamentos de contratos que somavam R$ 150 milhões devido a graves falhas de sinalização, fiscalização precária e, pior, trechos de asfalto novos que apresentaram rachaduras e buracos poucos meses após a entrega.
  2. Inquéritos por Corrupção no MPSC: A 27ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina instaurou inquéritos civis para apurar supostas práticas de corrupção passiva e irregularidades contratuais envolvendo a Secretaria de Estado da Infraestrutura e empreiteiras em trechos do programa, como as obras de concreto na SC-477.
  3. As Obras Eternas: Enquanto a propaganda celebra metas, parlamentares da oposição na ALESC e comunidades locais expõem trechos esquecidos que se arrastam desde 2021 (como na SC-281), exibindo menos de 10% de execução física e gerando isolamento logístico real.

 

Concluindo: O Programa "Boa Propaganda"

Recentemente, para se esquivar das reclamações sobre a péssima durabilidade do asfalto entregue, o governo passou a divulgar um novo jargão: um modelo de manutenção desenvolvido com o Banco Mundial, apelidado de “coisa de primeiro mundo”, onde as empresas só recebem se a via estiver impecável. Trata-se de mais uma cortina de fumaça para transferir a responsabilidade.

Como bem ironizam os deputados de oposição na tribuna da ALESC, o único programa que funciona perfeitamente e sem atrasos em Santa Catarina é o "Boa Propaganda". Trocar a diplomacia institucional com o governo federal e a execução transparente de engenharia por R$ 444 milhões em maquiagem publicitária pode até render belos vídeos de campanha, mas o catarinense que de fato trafega pelas SCs sabe que o asfalto real não aceita filtros de internet.



Cresça... Cresça e Apareça Governador.... A Marketagem da Mentira e o Mitômano de Plantão (Parte VI)

 O Estado da Fantasia: Como o Marketing de R$ 444 Milhões Esconde a Realidade de Santa Catarina

Enquanto hospitais catarinenses enfrentam crises estruturais crônicas e dezenas de escolas estaduais clamam por manutenção básica, o governo de Jorginho Mello parece operar em outra dimensão. É a dimensão da propaganda. Sob uma avalanche diária de comerciais de televisão e peças digitais milimetricamente produzidas, a atual gestão tenta impor uma narrativa demagógica que beira o absurdo: a de que antes de sua chegada, Santa Catarina vivia no absoluto abandono absoluto.

Mais do que mera vaidade, a estratégia do governador revela traços severos de uma mitomania institucionalizada. O caso mais recente e escandaloso dessa postura se deu na tentativa infantil de desmilitarizar a verdade ao acusar o presidente Lula de mentir sobre a proposta de parcerias e investimentos de R$ 24 bilhões federais para as rodovias catarinenses (BRs 470, 280 e 282). Ao tentar manipular a opinião pública para mascarar a sua deliberada ausência em agendas institucionais com a União, Jorginho Mello esbarra em um obstáculo intransponível: os fatos comprovados.

E os fatos mostram que a atual gestão prefere investir no verniz da publicidade do que na solidez da verdade. De janeiro de 2023 a dezembro de 2025, o Governo do Estado torrou a impressionante cifra de R$ 444 milhões de dinheiro público com publicidade institucional. Somente em 2025, os gastos com propaganda dispararam 136% em relação ao primeiro ano de mandato, injetando R$ 216 milhões na máquina de mídia para vender uma Santa Catarina que só existe nas telas.

Abaixo, desmascaramos mais uma das maiores peças de ficção desse governo cosmético.


A Maquiagem do "Escola Boa": Demagogia e a Apropriação do Passado na Educação de SC

A política catarinense vive um momento de forte macromidiático, onde a imagem e a narrativa parecem ter mais peso do que a realidade dos fatos. O governador Jorginho Mello, que já demonstrou uma inclinação para a "mitomania" em outras ocasiões (como no caso da propaganda enganosa sobre as 1.300 mil cirurgias), agora utiliza o programa "Escola Boa" como vitrine de uma suposta revolução na infraestrutura escolar. No entanto, por trás da estética impecável e dos números grandiosos, esconde-se uma estratégia de apropriação de projetos anteriores e uma grave omissão das dificuldades crônicas que ainda persistem na rede estadual de ensino.


O "Padrão Escola Boa": Uma Fachada Mercadológica

A propaganda do programa "Escola Boa" é um exemplo claro de marketing de alto padrão. Os vídeos exibidos nas redes sociais do governador e do Governo do Estado adotam o jargão "Padrão Escola Boa!", focando em imagens dinâmicas e de alta definição: fachadas recém-pintadas, salas de aula climatizadas com aparelhos novos, quadras poliesportivas modernas e alunos sorridentes com uniformes organizados. A narrativa constrói um "Antes" vs. "Depois", onde o governador aparece como o herói que "voltou a tratar a educação com seriedade", sugerindo um abandono total por gestões passadas.

Para gerar um impacto de eficiência, a publicidade divulga cifras bilionárias, como R$ 3,5 bilhões exclusivos para infraestrutura escolar, e celebra metas rápidas, como a conclusão de 58 obras apenas no primeiro trimestre. Essa grandiosidade de números visa consolidar a imagem de um governo dinâmico e realizador.


A Realidade Fora das Câmeras: Omissão e Precarização

No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (SINTE-SC) e parlamentares de oposição trazem um contraponto necessário a essa narrativa idílica. O "Padrão Escola Boa" é, na verdade, uma apropriação do passado. Grande parte das reformas e ampliações inauguradas com pompa como "obras do Escola Boa" são projetos cujos projetos executivos, orçamentos plurianuais ou licitações já haviam sido iniciados em governos anteriores. A atual gestão limitou-se, em muitos casos, a dar uma nova identidade visual a projetos cujas bases contratuais e financeiras começaram a ser estruturadas em governos passados.

Mais grave ainda é a omissão da realidade fora das câmeras. Enquanto a propaganda foca nas unidades modelo, dezenas de escolas da rede estadual ainda convivem com precarização crônica, falta de pessoal de apoio e problemas de manutenção básica. O sindicato publica frequentemente materiais paralelos mostrando essa realidade que não aparece nos comerciais de televisão, evidenciando que o "Padrão Escola Boa" é uma exceção, não a regra.


O Contraste com os Investimentos Históricos

Este artigo quer desmascarar a ideia de que a educação catarinense sofria com falta de investimentos em gestões passadas. Nos anos anteriores à atual gestão, Santa Catarina registrou aportes financeiros significativos e históricos na educação pública estadual. Em 2021, o Estado atingiu o investimento total recorde de R$ 7,7 bilhões na educação pública, alcançando 27,40% da Receita Corrente Líquida (RCL), superando a obrigação constitucional de 25%.

O plano plurianual anterior já havia iniciado e licitado as diretrizes para a informatização escolar, equipando escolas com computadores de alta performance e projetores digitais, e estruturando a infraestrutura de rede básica necessária para o Novo Ensino Médio. Programas de permanência e infraestrutura, como o Bolsa Estudante de 2022 e repasses de R$ 104,7 milhões em emendas de 2020, mostram que a educação já era tratada com seriedade e planejamento.


Concluindo: Demagogia e Manipulação

A atitude do governador Jorginho Mello, que infantilmente acusa o presidente Lula de ter mentido sobre uma proposta de investimento de 25 bilhões, insere-se nessa mesma lógica de demagogia e manipulação da opinião pública. Ao focar em propagandas grandiosas e na apropriação de projetos alheios, o governador tenta consolidar uma imagem de eficiência que não condiz com a realidade dezenas de escolas ainda precarizadas.

Enquanto o governador gasta recursos em inúmeras e incoáveis propagandas (onde já investiu 444 milhoes de reais durante o seu governo), a educação catarinense precisa de mais do que uma fachada bonita e um novo nome para projetos antigos. Precisa de transparência, de planejamento sério e de um compromisso real com a comunidade escolar, e não de maquiagem publicitária e apropriação do passado.