O Afrouxamento Ambiental e os Eventos Climáticos Extremos em Santa Catarina
Introdução:
O Preço do Desmonte da Legislação Ambiental
A
sociedade catarinense está pagando uma conta altíssima — com vidas, destruição
de patrimônio, prejuízos na agricultura e colapso de infraestruturas — e os
boletos chegam na forma de eventos climáticos extremos. Mas estes desastres não
são meras "fatalidades da natureza" ou tragédias imprevisíveis. Eles
têm raízes profundas na ação política e nas escolhas legislativas dos nossos
próprios parlamentares.
Ao longo
dos últimos anos, vimos a bancada catarinense, em harmonia com interesses de
setores predatórios, promover um afrouxamento sistemático e irresponsável dos
controles ambientais. A flexibilização do Código Florestal, o desmonte das
Áreas de Preservação Permanente (APPs), a redução da proteção de encostas e
matas ciliares e o contínuo desmatamento da Mata Atlântica não foram decisões
sem consequências. Cada proteção retirada da lei é um escudo natural que se
perde contra a fúria das águas e dos ventos. Nossos parlamentares votaram pela
destruição do nosso patrimônio natural e a conta, agora, é cobrada do povo
catarinense.
A
Conexão Fatal: A Omissão Legislativa e a Potencialização do El Niño
O
fenômeno do El Niño sempre trouxe alterações no regime de chuvas e
temperaturas na região Sul do Brasil. No entanto, o que enfrentamos entre 2025
e 2026 foi um Super El Niño de proporções avassaladoras, cujos impactos
foram violentamente multiplicados pela degradação dos nossos biomas e
ecossistemas locais.
A
relação entre o afrouxamento das leis ambientais e a severidade dos desastres é
direta e científica:
1. Destruição das Matas Ciliares e
Enxurradas: Quando os
legisladores permitiram a ocupação e o desmatamento nas margens de rios,
retirou-se a vegetação que atua como uma "esponja natural". Sem a
proteção das árvores, a água das chuvas acumuladas atinge o leito dos rios com
velocidade e volume muito maiores, provocando o transbordamento imediato,
deslizamentos de encostas e enxurradas destrutivas.
2. Impermeabilização e Ventos Extremos: A supressão das florestas nativas e
da vegetação costeira tira barreiras naturais contra tempestades, formações de
microexplosões e ventanias trazidas por ciclones e frentes frias, deixando
cidades e áreas rurais completamente desprotegidas contra trovoadas e granizo.
3. Resiliência Climática Destruída: Ao enfraquecer os órgãos de
fiscalização e flexibilizar licenciamentos, a política local retirou a
capacidade de resiliência de Santa Catarina. O resultado é a incapacidade do
solo e do meio ambiente de absorver transições térmicas bruscas, transformando
variações naturais de temperatura em tragédias humanitárias e econômicas.
Quadro
de Eventos Climáticos Severos em Santa Catarina (2025–2026)
Abaixo,
resumimos os principais eventos climáticos extremos atípicos que atingiram o
estado de Santa Catarina entre 2025 e 2026, impulsionados pela crise climática
e pelo intenso fenômeno Super El Niño:
Tabela
de Eventos Climáticos e Impactos (2025–2026)
|
Evento
Climático |
Período
Principal |
Regiões
Mais Afetadas |
Consequências
e Impactos Registrados |
|
Inverno Extremo |
Meio de 2025 |
Todo o Estado |
Trimestre mais frio desde
2016, com temperaturas máximas constantemente 1°C abaixo da média histórica. |
|
Granizo de Grande
Porte e Tempestades |
Agosto de 2026 |
Grande Florianópolis e
Centro-Leste |
Pedras de granizo do
tamanho de bolas de tênis, destruição de telhados, latarias e vidros de
centenas de veículos, além de interrupções na rede elétrica e perdas
materiais milionárias. |
|
Ciclone-Bomba e
Ventania |
Agosto de 2026 |
Litoral e Divisa com o RS |
Rajadas de vento
superiores a 100 km/h provocadas por frente fria ligada a ciclone no oceano;
causou destelhamentos em massa, queda de árvores e forte ressaca. |
|
Tsunami
Meteorológico (Meteotsunami) |
Setembro de 2026 |
Litoral Sul (Laguna,
Jaguaruna e Imbituba) |
Linha de instabilidade com
ventos de 90 km/h e variação rápida de pressão provocou recuo e avanço
violento do mar; inundações de ruas, destruição de barcos de pesca e
contêineres arrastados. |
|
Chuvas Extremas e
Inundações em Massa |
Setembro de 2026 |
Sul do Estado (Timbé do
Sul, Turvo, Criciúma) e Vale do Itajaí |
Alerta vermelho do Inmet
com mais de 60 municípios afetados; Timbé do Sul registrou mais de 150 mm
acumulados, Criciúma decretou emergência por transbordamento de 3 rios;
desabrigados, bloqueio total de rodovias (Serra da Rocinha) e mais de 15
prefeituras em situação de emergência. |
Concluindo:
Exigir Responsabilidade Política
Não
podemos continuar tratando essas tragédias apenas sob a ótica dos socorros da
Defesa Civil ou de novas tecnologias de alerta via SMS. Alertar a população
sobre o perigo iminente é fundamental, mas deter a causa primária é a única
solução definitiva.
A sociedade
catarinense precisa conectar a destruição provocada pelo granizo, ciclones e
inundações às canetas e aos votos dos deputados e senadores que desmontaram a
legislação de proteção ambiental. A conta chegou, e ela não pode continuar
sendo paga com a vida e o suor do nosso povo. Exigir o fim do afrouxamento
ambiental e a restauração dos nossos biomas é uma questão de sobrevivência!
A Lista da
Vergonha: Quem escolheu a flexibilização (Lei 15.190/2025)?
O elenco dos nomes daqueles deputados
catarinenses que votaram a favor do PL 2.564/2025; é o mesmo que votou
a favor da flexibilização das regras de licenciamento ambiental no Brasil,
que foi consolidada pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental
(Lei Federal 15.190/2025), originada a partir do PL 2.159/2021.
A legislação unificou as diretrizes do setor e entrou em vigor no início de
2026.
São representantes que, em vez de
buscarem soluções para evitar desastres ambientais, preferiram facilitar o
caminho para quem destrói o nosso bioma:
|
Partido |
Deputado(a) |
|
PL |
Caroline de Toni, Daniel Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé
Trovão |
|
MDB |
Cobalchini, Luiz Fernando Vampiro, Pezenti |
|
NOVO |
Gilson Marques |
|
PP |
Coronel Armando |
|
PSDB |
Geovania de Sá |
|
União |
Fabio Schiochet |








