segunda-feira, outubro 16, 2017

O PROGRAMA DE AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS (PAA) AGONIZA SOB O INEXPLICÁVEL E INACEITAVEL SILENCIO DOS POLÍTICOS, DOS AGRICULTORES, DOS SINDICATOS, DAS COOPERATIVAS... DE TODOS...


Os governos, os empresários, e a sociedade ocidental, não sabem... nunca apreenderam... e estão longe de aprender... a perceber, e muito menos a dimensionar, os benefícios e ganhos invisíveis das políticas públicas e dos programas Governamentais... Uns por preguiça de pensar, alguns por puro e estéril antagonismo, outros por incapacidade de calcular, e outros ainda, por crônico analfabetismo social...

E... de analfabetos sociais estamos lotados... não há mais vagas.. têm muitos ocupando cargos públicos, outros tantos eleitos pelo povo, e muitos arrotando suas ignorâncias em algum tipo de mídia... Graças a eles políticas públicas de primeiro mundo estão sendo sucateadas de forma irresponsável e desumana por este governo inqualificável empossado pelos golpistas delirantes de camisetas amarelas e batedores de panelas (todos agora em silencio)... O PAA é uma das suas vítimas..

O PAA foi instituído pelo Art. 19 da Lei nº 10.696, de 02 de julho de 2003, no âmbito do Programa Fome Zero. Atingiu seu ápice em 2012 quando investiu R$ 970.814.080.00, atendendo a 190.718 agricultores familiares.

Este rápido crescimento contribuiu de forma fundamental para que o Brasil fosse um dos primeiros países a atingir a meta do milênio, tirando o Brasil do Mapa da Fome, e garantindo, de fato, o direito constitucional de segurança alimentar ao seu povo.

Este avanço monumental desta política pública multidesenvolvimentista e polissocial despertou a ira dos que nunca aceitaram o sucesso das políticas públicas criadas pelo Governo PeTista. E, em razão disso, usando do aparato incrustado no seu prostíbulo Institucional, os revoltosos inventaram e acharam uma forma de desmoralizar este Programa... E, com o apoio da mídia canalha e várias prisões de inocentes, conseguiram imobilizar o Programa durante todo o ano de 2013... E agora tentam exterminar com o Programa...

Em 2014, graças a intensa mobilização e a resistência dos Movimentos Sociais organizados, o PAA voltou a operar com relativa normalidade, e conseguiu contratar um valor total de R$ 676.922.827,28. E agora em 2017 sofreu um corte de 94%, recebendo recursos de míseros R$ 40.213.606,09... Valor este menor do que o aplicado em 2012, somente em Santa Catarina... Neste ano nosso Estado receberá um montante de apenas R$ 1.360.000,00... sob o completo silencio de todos... vergonhoso...

Para quem não sabe... e tudo indica que a grande maioria não sabe, ou não faz questão de saber... o PAA é um dos Programas de maior impacto econômico já criado no Pais, no âmbito da agricultura familiar... O PAA promove o fortalecimento dos pequenos agricultores familiares; garante a Segurança Alimentar da população em situação de vulnerabilidade social; fortalece o combate a miséria e a extrema pobreza; incrementa a geração de Trabalho e Renda; e contribui para o Desenvolvimento Local... Além disso, garante mais saúde ao povo em geral e melhor desempenho de aprendizado aos estudantes, e melhor produtividade aos trabalhadores...

São inúmeros os benefícios.. Tanto os benefícios visíveis quanto os benefícios invisíveis... Alguém sabe calcular quais os ganhos para a sociedade trazidos pelo efeito multiplicador de um aluno bem alimentado e em plenas condições de aprender??? Quanto vale para o estado e para a sociedade, um ano de reprovação de um único aluno??? Calcular qual será a redução de gastos do Estado com saúde, em razão de ter uma população melhor alimentada??? E saberia ainda calcular pelo menos um percentual do ganho que esta população bem alimentada terá em suas qualidades de vida??? E calcular quanto o Estado irá reduzir os seus gatos com presidiários, em uma sociedade sem fome e sem miséria crônica??? Quanto custa um presidiário, por mês??? E, qual o custo do Estado com a prostituição, com as doenças venéreas, com os abortos criminosos, e tantas outras mazelas cuja origem social está na fome e na miséria???

É revoltante, para mim, ver mês a mês o PAA ser sucateado, desmoralizado, desconstruído, por um governo golpista conduzido ao cargo por raivosos manipulados por uma mídia totalmente comprometida com os interesses das minorias dominantes (a Casa Grande)...

Mas, me revolta mais ainda, a triste e frustrante constatação de que não há um único vereador (seja de que partido for); um único secretário da agricultura ou da área social; um único sindicato; uma única Associação ou Cooperativa; um único deputado Estadual; um único Governador; um único Deputado Federal ou Senador; uma única Instituição Beneficiária, levantando a voz em defesa deste Programa...

Onde estão todos aqueles que se dizem defensores do Povo??? Onde estão vocês Vereadores??? Que poderiam começar a fazer algum movimento??? Qualquer coisa que possa chamar a atenção daquela parte da sociedade, que ainda consegue pensar, para esta grave ameaça???
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quinta-feira, outubro 05, 2017

O REPÚDIO À NOTA DE REPÚDIO...

Se fosse um jogo, eu apostaria pesado (talvez 100 contra 1) que o Sr Roberto Amaral, empresário de sucesso e homem de visão, a quem admiro, não só não autorizou, como não tem conhecimento dessas iniciativas infelizes da Rádio Clube (Notas assinadas por Celeste Basquerote) em emitir Notas de Repúdio a pessoas ou Instituições, que supostamente, tenham sido deselegantes ou até mesmo grosseiras com os seus repórteres...

É muito compreensível e até refinado que uma Instituição proteja e defenda seus profissionais... Mas, convenhamos que é absolutamente desnecessário que se chegue ao nível da arrogância e da prepotência...

Mesmo que a arrogância e a prepotência seja uma característica forte da personalidade de quem assinou a nota, a Rádio Clube cometeu um grave erro ao se dirigir desta forma aos seus desafetos...

No atual contexto, razões para que a Rádio Clube (e as demais mídias deste porte) tenha desafetos é que não faltam: Nunca (e talvez em parte alguma) a mídia... através de seus diferentes veículos... insultou tanto a inteligência de uma nação; nunca atuou de forma tão feroz e insaciável para implantar a raiva e o ódio na alma e mente das massas; nunca desinformou tanto; nunca dividiu tanto uma sociedade; nunca contribuiu tanto para atacar e marginalizar àqueles que resistem a ser doutrinados ou massificados por suas “verdades”; nunca foi tão preconceituosa, pseudomoralista e hostil aos que optaram por viver de uma forma diferente quer seja em relação a religião, a família ou ao modo de sentir prazer e amar; nunca foi tão autoritária e fascista...

A tal nível de fascismo que, sem qualquer pudor ou limite, tem destroçado, sistemática e diariamente, com reputações, com dignidades e com vidas de pessoas e de Instituições, sem lhes dar qualquer chance de defesa, do contraditório, jogando na lata do lixo o direito constitucional da presunção da inocência, que foi conquistada com muita luta dor e sangue...

A Rádio Clube não pode se isentar das suas responsabilidades... Tem profissionais bons... mas há também os medíocres... e há também os que se acham acima de tudo... Falam asneiras sem se importar com quem estão atingindo; com os estragos que estão fazendo; e, muito menos se o que estão dizendo passaria pelo crivo da verdade... Muitas vezes estes medíocres e “semideuses” com suas falas irresponsáveis expõem pessoas e Instituições a perversidade de gente sedenta por luz e fama, ou de insanos avaros por violência...

É também muito interessante a forma como os Autoritários citam e manipulam as Leis para fazer valer suas opiniões desmensuradas... Vejam como a Nota de Repúdio cita o Artigo 220 da Constituição Federal, invocando o parágrafo 1º... Estes mesmos Autoritários se fazem de cegos, surdos e mudos, quanto ao cumprimento do que estabelece esta mesma Constituição Federal em seu Artigo 5º, inciso V, que “é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem”...

Quem sabe Sr Roberto Amaral, se a Rádio Clube estivesse mais preocupada em respeitar o Artigo 5º, talvez não fosse necessário invocar o Artigo 220 da Constituição, desta forma autoritária, prepotente e absolutamente incompatível com a imagem de boa Gestão que quer passar ao seu público...

Sempre é hora de repensar...
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sábado, setembro 09, 2017

PROGRAMA DIREITO E JUSTIÇA EM FOCO, DE CANAL DE TV DE SÃO PAULO, ENTREVISTA O JUIZ FERNANDO CORDIOLI

Des. Laércio Laurelli, aposentado do TJSP, Professor de Direito Penal e de Processo Penal. Apresentador e idealizador do programa Direito e Justiça em Foco, que transmite informações bastante relevantes e atualizadas para toda a sociedade, entrevistou o Juiz Fernando Cordioli, de SC.

Se não fosse o assédio moral sofrido, já estaria judicando em Lages.

Há uma página no face sobre sua campanha: https://www.facebook.com/fernandocordioligarcia/

Segue o vídeo da entrevista.


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quarta-feira, setembro 06, 2017

COLOMBO FOI CITADO NA CONVERSA DE JOESLEY


Do BLOG da Olivete Salmória

Colombo foi citado na conversa de Joesley, cuja gravação foi divulgada pela Veja

No dialogo revelado em novo áudio pela Veja, que vazou de uma conversa entre Joesley Batista e o ex-diretor de Relações Institucionais do grupo JBS, Ricardo Saud, mostra o nome do governador, Raimundo Colombo (PSD).

O áudio que está de posse do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fachin, mostra Joesley preocupado com Colombo e Beto Richard (PSDB), governador do Paraná, os quais ele disse considerar como amigos e a quem entreguou dinheiro pessoalmente.

Trechos da fala de Saud:


– Tudo que não precisar tocar no tipo de assunto. A gente preserva todos os nossos, como chama? Consumidores, nosso mercado, nós preservamos todos os supermercados, compradores. Todos os nossos compradores. A gente salva uns quatro ou cinco amigos. Andrea, Durval… Porque de outro jeito não tem jeito de contar a história sem os caras. Eu acho que pelos mais fortes…

– A questão é ter que jogar esses amigos tudo no fogo. Os governadores, coitadinhos… Beto Richa… Pegou tudo em dinheiro no….(Falha na gravação)… Fui eu e aquele..(Falha na gravação)… entregar para o Beto… Beto Richa… Colombo…”, disse Saud.

Joesley diz que entregou dinheiro para um intermediário de Raimundo Colombo, Joesley diz: “Gavazoni…(Falha na gravação)…E Saud afirma: “Eu fui lá umas quatro vezes e o Florisvaldo umas três”.


Fonte: Marcelo Lula/ SC em Pauta
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segunda-feira, setembro 04, 2017

As mulheres que se cuidem?

Na semana em que o país fica chocado com o aumento da violência sexual, o jornal Correio Lageano de domingo noticia mais um caso de assédio em Lages. 
 


A matéria conclui termina com um apelo às mulheres redobrarem atenção ao passarem na praça central da cidade.


As mulheres que se cuidem? Não concordo.

É preciso dizer se foi uma tentativa de estupro, exigir apuração, pedir melhoria da segurança pública, clamar por respeito à mulher. 


Diante disto é oportuno o texto atribuído à Dráuzio Varella, na Folha:

Estupradores despertam em mim ímpetos de violência, a custo contidos.

Tive o desprazer de entrar em contato com muitos deles nos presídios. No antigo Carandiru, cumpriam pena isolados nas celas do último andar do Pavilhão Cinco, única maneira de mantê-los a salvo do furor assassino da massa carcerária.

Ao menor descuido da segurança interna, entretanto, eram trucidados com requintes de crueldade. As imagens dos corpos mutilados trazidos à enfermaria para o atestado de óbito até hoje me perseguem.
Para livrá-los da sanha dos companheiros de prisão, a Secretaria da Administração Penitenciária foi obrigada a confiná-los num único presídio, no interior do Estado. Nas áreas das cidades em que a Justiça caiu nas mãos dos tribunais do crime organizado, o estuprador em liberdade não goza da mesma benevolência.

Assinada pela jornalista Cláudia Collucci, com a análise de Fernanda Mena, a Folha publicou uma reportagem sobre o aumento do número de estupros coletivos no país.
Os números são assustadores: dos 22.804 casos de estupros que chegaram aos hospitais no ano passado, 3.526 foram coletivos, a forma mais vil de violência de gênero que uma mente perversa pode conceber. Segundo o Ipea, 64% das vítimas eram crianças e adolescentes.
O estupro coletivo é a expressão mais odiosa do desprezo pela condição feminina. É um modo de demonstrar o poder do macho brutal que exibe sua bestialidade, ao subjugar pela violência. Não é por outra razão que esses crimes são filmados e jogados na internet.

Oficialmente, no Brasil, ocorrem 50 mil registros de estupros por ano, dado que o Ipea estima corresponder a apenas 10% do número real, já que pelo menos 450 mil meninas e mulheres violentadas não dão queixa à polícia, por razões que todos conhecemos.
Em 11 anos atendendo na Penitenciária Feminina da Capital, perdi a conta das histórias que ouvi de mulheres estupradas. Difícil eleger a mais revoltante.

Se você, leitora, imagina que as vítimas são atacadas na calada da noite em becos escuros e ruas desertas, está equivocada. Há estimativas de que até 80% desses crimes sejam cometidos no recesso do lar. Os autores não são psicopatas que fugiram do hospício, mas homens comuns, vizinhos ou amigos que abusam da confiança da família, padrastos, tios, avós e até o próprio pai.

A vítima típica é a criança indefesa, insegura emocionalmente, que chega a ser ameaçada de morte caso denuncie o algoz. O predador tira partido de sua ingenuidade, das falsas demonstrações de carinho que confundem a menina carente, do medo, da impunidade e do acobertamento silencioso das pessoas ao redor.

Embora esse tipo de crime aconteça em todas as classes sociais, é na periferia das cidades que adquire caráter epidêmico, sem que a sociedade se digne a reconhecer-lhe existência.

A fama do convívio liberal do homem brasileiro com as mulheres é indevida. A liberdade de andarem com biquínis mínimos nas praias ou seminuas nos desfiles de Carnaval fortalece esse mito. A realidade é outra, no entanto: somos um povo machista que trata as mulheres como seres inferiores. Consideramos que o homem tem o direito de dominá-las, ditar-lhes obrigações, comportamentos e regras sociais e puni-las quando ousarem decidir por conta própria.

Há demonstração mais contundente da cultura do estupro em nosso país do que os números divulgados pelo Ipea: 24% dos homens acham que "merecem ser atacadas as mulheres que mostram o corpo". Ou, na pesquisa Datafolha: 42% dos homens consideram que "mulheres que se dão ao respeito não são atacadas".

Não se trata de simples insensibilidade diante do sofrimento alheio, mas um deboche descarado desses boçais para ridicularizar as tragédias vividas por milhares de crianças, adolescentes e mulheres adultas violentadas todos os dias, pelos quatro cantos do país.

O impacto do estupro sofrido em casa ou fora dela tem consequências físicas e psicológicas terríveis e duradouras. O estuprador pratica um crime hediondo que não merece condescendência e exige punição exemplar. Uma sociedade que cala diante de tamanha violência é negligente e covarde.
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sábado, setembro 02, 2017

PERDEMOS....


Perdemos, por Fernando Horta

Tenho inúmeros amigos que foram meus alunos em alguns momentos. Hoje, não canso de aprender com eles. Em 2014, quando a loucura social ainda estava começando no Brasil, iniciou-se uma discussão na página de um destes meus amigos ex-alunos. Os interlocutores eram de uma ignorância abissal e rapidamente levaram a discussão para o chão. Terminou que eu perdi a calma e abri a caixa de ferramentas linguísticas que estava guardada no esgoto. Imediatamente este meu amigo interveio e disse: “Perdemos”, “Perdemos Fernando, eles nos levaram onde queriam, estamos trocando racionalidade por fígado, pensamento por ódio.” Pois deixem-me devolver esta pérola para a atualidade: “Perdemos”. Nós da esquerda perdemos.

No final desta semana, o Brasil ganhou alguns milhares de doutores em direito penal. Todos e todas formadas pela Facebook Arbitary Universtity of Law (FAUL), alguns alunos e alunas exigindo ainda o “Summa cum laude”, com belas citações de leis inexistentes, interpretações inovadoras e um belíssimo rastro de sangue. Minha rede social é composta majoritariamente por pessoas de esquerda. Uma maioria de graduados, um número significativo de pós-graduados. Isto me diz que a opinião corrente colhida ali é uma opinião de classe média progressista, que se vê contrária aos autoritarismos e ignorâncias por parte dos grupos de direita. Nos vemos como críticos, informados, racionais e dignos de levantarmos esta nação do subsolo moral onde está.


Uma turba impressionantemente semelhante aos modos e argumentos do fascismo se formou para atacar a decisão do juiz de São Paulo que libertou o molestador detido na quarta-feira. O principal argumento é uma pérola: citam PARTE da decisão do juiz em que ele diz não ter havido “constrangimento”, para em seguida bradarem palavras de ordem como “se fosse sua mãe ou filha”. É o fascismo. Primeiro porque a imensa maioria das pessoas ignora que o verbo “constranger” em direito penal não quer dizer “expor a situação vexatória, vergonhosa” ou “causar vergonha e dissabor”, como vi escrito em postagem de professores doutores em direito constitucional. Não, senhores, voltemos aos bancos universitários. Constranger no sentido penal (e especialmente do artigo 213) quer dizer “obrigar a”. Constrangimento, no sentido corriqueiro da palavra, TODA a vítima sofre, não haveria necessidade de estar na lei. Centenas de milhares de postagens dos doutores da FAUL usando este argumento errado de plano. Isto evidencia o anti-intelectualismo, grassando também na esquerda. As pessoas demonstraram tão pouco respeito pelo conhecimento de juristas e sociólogos que se dedicam décadas a estudar nossas leis, que acreditam que em dez minutos de internet podem lhe dar legitimidade para desenvolver teses sobre direito penal. É muito pedantismo.

Não vou me deter nas questões jurídicas específicas que são muitas em favor da decisão do juiz. Há gente muito mais qualificada e legítima para fazer isto. Quero aqui lembrar duas coisas: a primeira é que em sistemas democráticos é essencial que os tipos criminais (as leis que determinam quando alguém é punido por um determinado comportamento) sejam o mais restrito possível. O que os doutores da FAUL não compreendem é que a cada alargamento do tipo criminal, feito para saciar o desejo aparentemente correto e ético de um momento, é usado para aprisionar dezenas de milhares de jovens pobres na margem do sistema. Foi exatamente o caminho da lei de drogas, das leis contra roubo de carros e tantas outras. Prender o molestador de São Paulo faria com que se abrisse a porta para a perseguição ainda maior sobre populações vulneráveis. E antes que o senso comum se crie: não, estes jovens de periferia não ejacularam em ninguém, mas seriam enquadrados com o depoimento de algum policial na lei alargada; e você não gritaria, porque não iria ver. Não se tornaria notícia.

É preciso entender que para toda justiça feita aos berros com holofotes da mídia em que se prende um acusado, com imenso consenso midiático-social, existe um sem número de arbitrariedade silenciosas, escondidas das câmeras e que só defensores públicos, membros do MP e juízes sabem. E apenas um número pequeno deles tentam combater. Esta sanha punitivista é o fascismo. Punir acima de qualquer coisa, “para evitar que volte a acontecer” usando o direito penal como remédio para uma sociedade doente. Os milhares de bolsonaros e felicianos ficariam orgulhosos de tamanho apoio popular à sua forma de pensar. E apoio vindo da esquerda. Talvez não sejamos assim tão diferentes.

Aliás, “justiça feita aos berros com holofotes da mídia e que prende um acusado com imenso consenso midiático social” fabricado é exatamente o que fazem juízes como Moro, e tantos outros por aí afora. Eles também “têm certeza” de que os seus réus são culpados. E se é verdade que não têm o esperma do réu, têm inúmeras testemunhas que garantem que viram, que sabiam, que conversaram, que pagaram ... É muita convicção. Estes juízes também prendem para “que o réu não volte a delinquir”, numa antecipação moral e pré-determinística do futuro, que pune o crime antes dele acontecer. É uma associação bizarra que afirma que a lógica transcende a vontade do sujeito e mesmo o tempo. Que define a ontologia do indivíduo a partir do que a moral externa lhe imputa. Se lutamos para que os juízes adiram estritamente aos códigos quando o réu nos é simpático e quando cremos que não há crime, devemos fazer o mesmo quando em situação oposta. Em direito, forma é garantia de justiça.

Meus canais de comunicação digital estão abarrotados de ofensas e ameaças. Algumas a meus filhos e mãe. Ameaças de gente cujo perfil é lotado de fotos com políticos de esquerda. Que são contra a reforma trabalhista e que choram contra as brutalidades e autoritarismos em diversos lugares no mundo. Fotos de Che Guevara e Nelson Mandela e eu tenho a mais profunda certeza do que não os compreenderam.

Perdemos. O fascismo domina a toda a sociedade. A esquerda replica o anti-intelectualismo, o punitivismo e o comportamento de manada característicos dos discursos fascistas. A identidade de gênero é usada como desculpa para a barbárie e para o irracionalismo. O rapaz sofreu nova prisão e o juiz é ofendido pelo que DEVERIA SABER, assim como tentam punir políticos porque suas indicações se mostraram corruptas. É o moralismo de ocasião sendo usado para saciar a fome de sangue que a esquerda apresenta. E que ataca e agride o que quer que fique na sua frente, afinal se vê como moral perfeita, como imagem da justiça. Exatamente como o fascismo.

Perdemos. O molestador de São Paulo, segundo as últimas notícias, conta com o atenuante de ser doente e talvez incapaz. Nós estamos em nossa plenitude das capacidades intelectuais.

Perdemos.
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sexta-feira, setembro 01, 2017

NO ANIVERSÁRIO DO GOLPE, É HORA DE AVALIAR A GLOBO...


No aniversário do golpe, é hora de avaliar a Globo, por Luís Nassif
Luis Nassif


Peça 1 – os antecedentes do processo de concentração da mídia

Em 10 de novembro de 1996, em minha coluna na Folha, sob o título “A globalização da mídia”, alertei para os efeitos das novas tecnologias no mercado de mídia, e os riscos de uma concentração excessiva de poder nas mãos da Globo.

Dizia

Nos próximos anos, será a vez de a mídia entrar na dança da modernização e das grandes fusões que estão marcando a imprensa, em nível mundial..

​No Brasil, será um dos últimos setores a sentir na própria carne os efeitos da globalização. E o resultado final poderá ser bom tanto para a mídia como para o Brasil, desde que se estabeleça um equilíbrio nesse jogo.

(...) Se não houver reação dos demais grupos, essa acumulação de forças poderá provocar o monopólio virtual da comunicação no Brasil, algo que não interessa nem aos concorrentes nem ao Brasil.


Mesmo que em seu segmento de atuação, individualmente, cada concorrente tenha uma operação específica mais competente ou, no mínimo, competitiva em relação à Globo, a soma de forças do complexo poderá desequilibrar a competição em todas as frentes, seja em jornal, editora ou televisão.

É essa ameaça que deverá levar nos próximos anos, inevitavelmente, a dois processos complexos. Numa ponta, a uma ampla política de fusões e alianças estratégicas, entre grupos nacionais e estrangeiros, da qual resultará novos supergrupos de comunicação.


Na outra, a uma batalha política para colocar limites ao poder da Globo, já que há o risco concreto de que assuma o controle virtual da mídia no país.

Houve reação imediata de outros grupos ao meu artigo.

O presidente do grupo Silvio Santos, Luiz Sebastião Sandoval, me contratou para uma palestra para os principais executivos e, para minha surpresa, queria me enviar para análise os planos estratégicos das quatro maiores empresas do grupo. Disse-lhe que não era consultor e, além disso, trabalhava para uma emissora concorrente, a TV Bandeirantes.

Ele me explicou a razão do convite. Queria que eu ajudasse a levantar argumentos que permitissem aos executivos convencer Silvio Santos sobre a necessidade de se preparar para o novo tempo.

Do lado da Folha, Otávio Frias de Oliveira me incumbiu de um trabalho complicado. Queria que eu intermediasse um contato com João Saad, da TV Bandeirantes, para uma proposta de aquisição de parte do capital da Rede Bandeirantes, pela Folha e a Abril. Ainda não tinha havido o rompimento entre ambos, por conta da capitalização da UOL.

Conseguiu me indispor com herdeiros dos dois lados. Mas valeu pelo enorme prazer de testemunhar dois pioneiros da mídia – Frias e Saad – relembrando episódios políticos, especialmente do período Ademar.

João Saad me ofereceu a ancoragem do Jornal da Band e o papel de consultor do filho Johnny, que estava retornando ao grupo após um período afastado. Com problemas com minha empresa, a Dinheiro Vivo, e porque o convite feriu suscetibilidades do Johnny, acabei recusando a proposta. Retornando de Nova York, Paulo Henrique Amorim assumiu a ancoragem.

Ainda fui mensageiro de outra proposta de parceria, do jornal O Dia, que pretendia assumir a TV Bandeirantes do Rio de Janeiro.

Enfim, conto apenas o que testemunhei. Devem ter havido mais movimentos expressivos visando fusões e incorporações, mas nenhum frutificou, devido ao caráter eminentemente familiar das empresas de mídia. O fato de um simples artigo ter despertado tantas reações era o retrato do clima do aturdimento dos grupos de mídia, ante o novo mundo que se descortinava.

Na época, estava no auge a tiragem dos jornais. Havia recursos em caixa para facilitar operações de fusão e incorporação. Mas o ranço familiar falou mais alto.

Mais à frente, a Globo acabou tomando a iniciativa e se associando aos jornais paulistas em projetos de menor relevância, com o Estadão em um portal de imóveis e com a Folha no jornal Valor, aproveitando a queda da Gazeta Mercantil.

Peça 2 – a queda dos grupos de mídia
Nos anos seguintes, a Globo avançaria em todos os níveis.

Consolidaria a CBN no setor de rádios, dominaria o conteúdo das TVs a cabo, se apropriaria de fatias cada vez maiores do bolo publicitário, lançaria um novo portal, o G1.

O único grupo que conseguiu competir, ainda que em nível menor, foi a TV Record, graças ao modelo de negócios com a religião. Para sobreviver, as demais redes tiveram que alugar horários para religiões e se arrastar com audiências medíocres.

Na campanha pelo impeachment – que se iniciou no longínquo 2005, quando Roberto Civita implantou na Veja o estilo Murdoch – a Globo sempre foi o grupo mais esperto. Deixava Veja e Folha montarem os factoides e se limitava a repercutir no Jornal Nacional, evitando de se contaminar o estilo assumido por ambas as publicações.

Com todos os veículos seguindo a mesma linha editorial, a Globo assumiu o comando. Nenhum deles teve o tirocínio do velho Frias que, nos anos 80, ousou o contraponto de tirou uma geração de leitores do Estadão.

Enquanto os demais veículos teimavam em atacar as migalhas aos blogs independentes, a Globo conseguia avançar com a voracidade de um ogro sobre as verbas publicitárias públicas e privadas.

Nesse período, a Abril foi caindo, a ponto de hoje em dia trocar uma sede monumental na Marginal Pinheiros por um prédio pequeno no Morumbi. Perdeu o bonde da Internet devido à resistência dos editores de papel.

O Estadão não conseguiu se viabilizar como jornal, nem como rádio, sustentando-se agora no pioneirismo da Agência Estado. A Folha sentiu os mesmos problemas dos demais jornais impressos e a UOL acabou se salvando com prestação de serviços e a grande sacada de criar seu próprio meio de pagamento.

Enquanto isto, Google e Facebook avançam cada vez mais sobre a publicidade interna.

Alguns anos atrás, um jornalista com acesso aos irmãos Marinho comentava sua preocupação com o enfraquecimento dos demais grupos. Acabaria por expor de maneira perigosa a concentração de poder em torno da Globo.

Peça 3 – o ponto de não retorno

Não se sabe o que ocorreu de lá para cá. Os Marinho passaram a se afastar cada vez mais da condução editorial e comercial do grupo. E o comando foi entregue a um grupo de jornalistas que decidiu viver intensamente o presente, sem nenhuma preocupação com a perpetuação da organização.

A Globo se tornou uma máquina de destruição das instituições, em um processo permanente de exibição de músculos, de construção midiática da realidade, atropelando leis, abrindo espaço para a desmoralização dos Três Poderes, estimulando o uso selvagem do direito penal do inimigo.

Culminou com a iniciativa inédita de convocar a população para passeatas pró-impeachment e de montar a dobradinha com a Lava Jato para instrumentalizar politicamente as delações e os indícios da operação.

O aniversário do golpe é, portanto, ocasião adequada para se analisar o papel das Organizações Globo na destruição da ordem institucional.

Com exceção da mídia venezuelana, não se tem notícia de um grupo de mídia que tenha abusado tão imprudentemente de seu poder sobre a opinião pública.

Deve-se à Globo, mais do que a qualquer outro personagem, a entronização de uma quadrilha no poder e, com ela, as negociatas que campeiam a torto e a direito no Congresso, as ameaças sobre a Amazônia, o desastre final das contas públicas em função de uma política econômica irresponsável, da qual a Globo é a principal avalista.

Nem a reação posterior à quadrilha a absolverá do crime de uma desestabilização política tão grande que gerou até ameaças tipo Bolsonaro. Isso porque, no plano psicossocial, a Globo teve papel central na disseminação no ódio, que se refletiu diretamente no comportamento da Polícia Militar e no aumento expressivos dos autos de resistência, na consolidação do direito penal do inimigo, na caça aos resistentes, na desmoralização final da justiça, na destruição das principais políticas sociais, e, agora, na queima irresponsável de ativos nacionais.

Roberto Marinho era um empresário esperto. Quem o conheceu de perto o considerava um comerciante pouco informado, mas que conhecia razoavelmente seu negócio. E teve a sagacidade de entregar a TV a mãos profissionais e montar a estratégia de negócios com conselheiros de primeiro time, os velhos lobistas e economistas cariocas, seus contemporâneos.

Mais que isso, contou em postos chave com chefias jornalísticas fieis ao projeto de perpetuidade do grupo.

Aproveitou mais do que qualquer outro grupo da proximidade com o regime militar, e foi dos últimos a entrar na campanha das diretas. Quando percebeu a mudança de cenário, seus principais comandantes, como o jornalista Evandro Carlos de Andrade, trabalharam incessantemente para tentar reverter a imagem de aliada da ditadura que marcou a Rede Globo. E tinham um cuidado especial em minimizar o papel da Globo no golpe, na eleição de Collor.

Sobre o futuro da política, há apenas uma certeza: seja quem assumir o poder, a Globo terá que ser tratada como um problema nacional. O preço de se ter um país moderno, plural, respeitador da lei e das instituições será o de enquadramento definitivo da Globo, uma distribuição de seu poder de mercado, acabando não apenas com a propriedade cruzada dos meios de comunicação, mas regulando o conceito de rede nacional. Mesmo sem ter a propriedade das associadas, a Globo controla o conteúdo, a grade e os grandes pacotes de comercialização. É esse domínio que caracteriza o controle, não a propriedade em si.

O país moderno só se imporá sobre o atraso no dia em que houver limites a esse poder midiático.
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