Entre o Altar e o Palanque: Quando a Religião vira Cortina de
Fumaça para a Corrupção.
1. A Fé que Liberta e a Política que Aprisiona
Vivemos tempos em que a
espiritualidade tem sido frequentemente arrastada para o centro do debate
público. Para muitos, a fé é o norte moral que guia a vida e as relações de
solidariedade. No entanto, em Santa Catarina e no Brasil, temos testemunhado um
fenômeno inquietante: a transformação da crença religiosa em uma estratégia de
marketing político.
Quando
líderes sobem ao palanque para relatar experiências místicas e diálogos diretos
com o divino, precisamos nos perguntar: essa fé está sendo usada para
libertar o povo ou para aprisionar a consciência do eleitor em torno de
projetos de poder autoritários?
2. O uso do sagrado para fins profanos
O uso do sagrado para fins profanos não é novidade, mas atingiu
um nível de sofisticação perigoso em nossa política recente. Enquanto figuras
públicas ocupam o palco para relatar diálogos com Jesus ou visões místicas, nos
bastidores, o que se vê é a antítese do Evangelho. É contraditório — e eticamente
inaceitável — que o nome de Cristo seja invocado para blindar condutas que a
justiça agora desmascara.
Como podemos aceitar que o discurso messiânico sirva de anteparo
para esquemas insólitos como a corrupção
nas lojas de chocolate de Flávio Bolsonaro ou o pedágio de ouro cobrado por pastores no Ministério da
Educação?
3. A Religião como cortina de fumaça
Aqui, a religião deixa de ser um motor de solidariedade para se
tornar uma "cortina de fumaça" que oculta o preço em dólar da estupidez política e a insanidade de líderes que, como
Jeffrey Sachs alertou sobre Trump, flertam com a sociopatia administrativa.
O verdadeiro diálogo com o divino deveria inspirar o cuidado com
a Amazônia, a proteção aos servidores e a defesa da democracia, mas o que testemunhamos
é o uso do altar como extensão do palanque para justificar o injustificável: a
tentativa de golpe e o desprezo pela vida humana.
Concluindo:
O Voto como Exercício de Sanidade e Ética
A verdadeira mensagem de Cristo nunca foi sobre privilégios,
armas ou isolamento, mas sobre o cuidado com o próximo e a retidão de caráter.
Não podemos permitir que o "messianismo" de fachada continue servindo
de escudo para a incompetência administrativa e para o desvio de recursos
públicos. Santa Catarina é um estado de gente séria, que valoriza o trabalho e
a transparência.
Nesta jornada de libertação que Cristo nos inspira, o nosso
maior ato de fé cívica é o voto consciente. É escolher o caminho das Frentes Amplas, do equilíbrio e
da gestão baseada na realidade, e não em "maluquices" ideológicas que
nos custam caro.
Que possamos separar o joio do trigo: a fé que habita no coração
da política que se esconde atrás da Bíblia para fugir da justiça. O futuro do
nosso estado depende da nossa capacidade de exigir sanidade, ética e, acima de
tudo, uma democracia livre de manipulações sagradas.











