segunda-feira, maio 04, 2026

VAI PIORAR... E PIORAR MUITO... (Parte V)

 

O Vento que Devasta e a Política que Cega: O Alerta de São Joaquim

A natureza não envia avisos por escrito; ela se manifesta em ventos que ultrapassam os 100 km/h. O rastro de destruição deixado em São Joaquim nesta semana — com casas destelhadas, árvores retorcidas e o medo estampado no rosto dos catarinenses — levanta a suspeita técnica de um tornado ou microexplosão. Enquanto a Defesa Civil investiga os destroços, uma pergunta paira no ar: até quando ignoraremos a conexão entre o clima extremo e a negligência legislativa?


1. O Recado da Natureza em São Joaquim

O evento climático em São Joaquim não é um caso isolado. É o sintoma de um bioma Mata Atlântica sob ataque. Quando desmatamos e fragilizamos nossa cobertura vegetal, retiramos a proteção natural contra as tempestades. O resultado? O custo da reconstrução recai sempre sobre o cidadão mais pobre e sobre o produtor rural que vê o esforço de uma vida ser levado pelo vento em segundos.


2. A "Bancada da Lama" e a Tecnologia da Cegueira

Enquanto o céu desaba, o modus operandi de um grupo específico de políticos em Brasília e em Santa Catarina tenta garantir que ninguém veja o crime ambiental acontecer. É a chamada "Bancada da Lama".

Eles operam em duas frentes perversas:

ü  No Legislativo: Criando leis para dificultar a fiscalização, como o projeto que tenta barrar o uso de satélites pelo IBAMA.

ü  No Executivo Regional: Pressionando pela flexibilização de licenciamentos e pela não adesão a pactos climáticos.

O objetivo é claro: deixar a "porteira passar" sem que os olhos da tecnologia possam ver. Eles tentam atrasar o relógio da fiscalização em 30 anos, ignorando que a ONU já alertou: o tempo acabou.


3. Suicídio Econômico e o Risco ESG

Para além da "canalhice" ética, essa política é um suicídio econômico. O capital global hoje exige critérios de ESG (Ambiente, Social e Governança). O mundo só investe em quem monitora.

Ao tentar "cegar" os satélites do IBAMA para proteger doadores de campanha, esses políticos sabotam o acesso do agronegócio moderno ao crédito internacional. O comprador da nossa soja e da nossa carne exige rastreabilidade total. Quem proíbe a ciência de fiscalizar, fecha as portas para o financiamento da transição ecológica que Santa Catarina tanto precisa.


4. A Lista da Vergonha: Quem escolheu a flexibilização?

Abaixo, elenco os nomes daqueles que votaram para flexibilizar o licenciamento ambiental. São representantes que, em vez de buscarem soluções para evitar desastres como o de São Joaquim, preferiram facilitar o caminho para quem destrói o nosso bioma:

Partido

Deputado(a)

PL

Caroline de Toni, Daniel Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé Trovão

MDB

Cobalchini, Luiz Fernando Vampiro, Pezenti

NOVO

Gilson Marques

PP

Coronel Armando

PSDB

Geovania de Sá

União

Fabio Schiochet

 

Concluindo: De qual lado você está?

O vento de São Joaquim sopra uma verdade inconveniente: o clima não negocia. Enquanto a "Bancada da Lama" tenta esconder a destruição sob o tapete da burocracia e do isolamento tecnológico, Santa Catarina paga o preço em infraestrutura destruída e vidas em risco.

Defender a Mata Atlântica e as futuras gerações não é uma pauta ideológica, é uma questão de sobrevivência — ambiental e econômica. Precisamos de olhos no céu (satélites) e consciência na urna.



quinta-feira, abril 30, 2026

Os impostos... Os repasses do Governo Federal... e a Eterna Grande Falácia...

Na data de ontem a Mídia Boca Alugada Catarinense deu “asas” a críticas feitas pela A Federação das Empresas de Transporte de Carga (Fetrancesc) apontando que o sistema tributário atual concentra poder em Brasília e pune estados produtivos.  A reportagem destacou que, enquanto SC recebe 14%, a média de retorno para Paraná e Rio Grande do Sul é de 27%.

Mas... não é bem assim... Como sempre a Mídia Boca Alugada Catarinense não se preocupou em buscar outros pareceres... Afinal... as “informações” que a Federação estava apresentando atendia a muitos interesses ocultos e/ou não revelados... Contudo... vejam os dados abaixo

Para o período de 2021 a 2025, Santa Catarina apresentou um crescimento acelerado na arrecadação, impulsionado pela força da indústria, do agronegócio e do setor portuário.

De acordo com os dados consolidados pelo Impostômetro, os valores aproximados gerados pelo estado (soma de impostos federais, estaduais e municipais) foram:

Arrecadação de Santa Catarina (Estimativa Impostômetro)

Ano

Arrecadação Aproximada (R$)

2021

R$ 98 bilhões

2022

R$ 112 bilhões

2023

R$ 123 bilhões

2024

R$ 138 bilhões

2025

R$ 152 bilhões

TOTAL DO PERÍODO

R$ 623 bilhões

Nota: Os valores de 2024 e 2025 consideram as projeções de crescimento e inflação do período. Somente em 2024, Santa Catarina ultrapassou a marca histórica de R$ 130 bilhões arrecadados, consolidando-se como o 4º ou 5º estado que mais contribui com a União, dependendo do mês.

 

Distribuição da Arrecadação em Santa Catarina (2021 a 2025)

No total de R$ 623 bilhões arrecadados no estado no período 2021 a 2025, a partilha estimada foi a seguinte:

Esfera de Governo

Porcentagem Média

Valor Estimado (SC 2021 a 2025)

Exemplos de Impostos e Contribuições

Federal (União)

~68%

R$ 423,64 bilhões

IR, IPI, PIS, COFINS, CSLL. PREVIDENCIÁRIOS

Estadual (SC)

~25%

R$ 155.75 bilhões

ICMS (o principal), IPVA, ITCMD.

Municipal (Cidades)

~7%

R$ 43,61 bilhões

IPTU, ISS, ITBI.

 

Quando comparamos o que Santa Catarina gera com o que ela recebe de volta, os números revelam um déficit histórico que alimenta muitos dos debates políticos no estado.

Para o período de 2021 a 2025, o repasse total do Governo Federal (que inclui o Fundo de Participação dos Estados - FPE, o Fundo de Participação dos Municípios - FPM, transferências do SUS, Fundeb e convênios diretos) seguiu a seguinte estimativa:

Repasses Federais para SC (Estado e Municípios)

Ano

Valor Aproximado Repassado (R$)

2021

R$ 18,5 bilhões

2022

R$ 20,2 bilhões

2023

R$ 22,1 bilhões

2024

R$ 24,5 bilhões

2025

R$ 26,8 bilhões

TOTAL DO PERÍODO

R$ 112,1 bilhões

 

Aquele valor de R$ 112 bilhões refere-se estritamente às transferências constitucionais e legais (o dinheiro que sai do caixa da União diretamente para o caixa da conta do Estado e das Prefeituras).

O pagamento de Bolsa Família e de Aposentadorias/Pensões (INSS) entra em outra categoria: são as Transferências Diretas aos Cidadãos.

Aqui está como esses valores se somam ao cenário de Santa Catarina no período (2021-2025):

1. Benefícios Previdenciários (INSS)

Este é o maior volume de recursos federais que entra no estado. Como Santa Catarina tem um mercado de trabalho formal muito forte e uma população que contribuiu a vida toda, o retorno via aposentadorias é alto.

ü  Estimativa (2021-2025): Aproximadamente R$ 210 bilhões.

ü  Nota: Este dinheiro não passa pelo governo do estado; ele vai direto para o bolso do cidadão e alimenta o comércio local e o consumo nos municípios.

2. Programas Sociais (Bolsa Família)

Apesar de Santa Catarina ter o menor índice de pobreza do país, o programa ainda é vital para cidades como Cerro Negro ou áreas periféricas de grandes centros.

ü  Estimativa (2021-2025): Aproximadamente R$ 12 bilhões.

ü  Nota: O valor subiu consideravelmente a partir de 2023 com a média de R$ 680 por família.

ü  Aqui está a distribuição estimada dos R$ 222 bilhões ao longo do período (2021 a 2025). Note que o valor cresce ano a ano devido aos reajustes do salário mínimo e ao aumento do valor médio do Bolsa Família a partir de 2023.

Distribuição Anual: Benefícios Diretos ao Cidadão (SC)

Ano

Previdência (INSS)

Bolsa Família

Total Anual

2021

R$ 35,5 Bilhões

R$ 1,4 Bilhão

R$ 36,9 Bilhões

2022

R$ 38,8 Bilhões

R$ 1,8 Bilhão

R$ 40,6 Bilhões

2023

R$ 42,9 Bilhões

R$ 2,6 Bilhões

R$ 45,5 Bilhões

2024

R$ 45,8 Bilhões

R$ 3,1 Bilhões

R$ 48,9 Bilhões

2025

R$ 47,0 Bilhões

R$ 3,1 Bilhões

R$ 50,1 Bilhões

TOTAL

R$ 210 Bilhões

R$ 12 Bilhões

R$ 222 Bilhões

Mesmo somando tudo o que é pago diretamente às pessoas (aposentadorias e auxílios), o estado de Santa Catarina ainda "entrega" para Brasília cerca de R$ 99,64 bilhões a mais do que recebe de volta em qualquer forma de recurso.

Enquanto Brasília retém 16,00% do que produzimos, o que o governo estadual tem em mãos para investir discricionariamente deveria, por lógica ética, ser blindado contra esse tipo de "gentileza acadêmica".

Para entender por que o orçamento estadual vive "no limite", enquanto se dá ao luxo de financiar homenagens milionárias:

O pagamento da dívida pública é o que chamamos de gasto financeiro, que muitas vezes consome o que deveria ser gasto social.

Para o período de 2021 a 2025, Santa Catarina destinou valores massivos para o pagamento do serviço da dívida (juros + amortização do principal), principalmente com a União e instituições como o BNDES e o Banco Mundial.

Estimativa do Pagamento da Dívida de SC (2021-2025)

Ano

Pagamento de Juros e Principal (R$ bilhões)

2021

R$ 3,1 bilhões

2022

R$ 3,4 bilhões

2023

R$ 4,2 bilhões

2024

R$ 4,8 bilhões

2025

R$ 5,3 bilhões

TOTAL DO PERÍODO

R$ 20,8 bilhões

 Onde esse dinheiro "morde" o orçamento?

  1. A Dívida com a União: A maior parte desse valor (cerca de 80%) é referente à renegociação da dívida pública estadual com o Governo Federal. Mesmo com as tentativas de Santa Catarina de renegociar os índices (trocar o IGP-DI por IPCA, por exemplo), o estoque da dívida continua alto (na casa dos R$ 30 bilhões).
  2. Empréstimos Externos: O restante refere-se a programas como o Pacto por Santa Catarina, financiados por organismos internacionais e pelo BNDES para obras de infraestrutura.
  3. Custo de Oportunidade. O estado pagou R$ 20,8 bilhões em juros e principal. No mesmo período, destinou R$ 0,89 bilhão (quase 1 bilhão) para as universidades particulares.

Se somarmos os números que levantamos, o cenário para o cidadão catarinense é o seguinte:

ü  Produzimos muito: R$ 623 bilhões gerados no Impostômetro.

ü  Recebemos pouco: Déficit de repasse federal de quase R$ 100 bilhões (mesmo incluindo aposentadorias).

ü  Estamos endividados: Pagamos mais de R$ 20 bilhões apenas para manter as dívidas em dia.

ü  A "Generosidade" Seletiva: No meio desse aperto financeiro, o Governo encontra quase R$ 1 bilhão para o programa "Universidade Gratuita" em instituições privadas que, em agradecimento, concedem títulos de "Doutor" ao governador.


Se a dívida pública assusta, a renúncia fiscal — o famoso "imposto que o governo abre mão de receber" — é o que realmente define as prioridades de quem está no poder.

Para o período de 2021 a 2025, Santa Catarina manteve uma das políticas de benefícios fiscais mais agressivas do Brasil, sob a justificativa de manter a competitividade da indústria e do agronegócio frente aos portos e estados vizinhos.

Estimativa de Renúncia Fiscal de SC (2021-2025)

(Valores baseados nos anexos de Metas Fiscais da LDO e relatórios do TCE-SC)

Ano

Valor da Renúncia (R$ bilhões)

% da Arrecadação Própria (ICMS)

2021

R$ 10,2 bilhões

~ 25%

2022

R$ 13,5 bilhões

~ 28%

2023

R$ 16,1 bilhões

~ 30%

2024

R$ 21,3 bilhões

~ 32%

2025

R$ 23,8 bilhões

~ 34%

TOTAL DO PERÍODO

R$ 84,9 bilhões

Aprox. 1/3 do ICMS

 

1.    A "Bolsa Empresário": Santa Catarina deixa de arrecadar R$ 84,9 bilhões em 5 anos. É um valor 4 vezes maior do que o que pagamos de dívida pública no mesmo período (R$ 20,8 bi).

2.    O Contraste do "Universidade Gratuita": O governo alega que o programa de R$ 890 milhões para as universidades particulares é um "investimento na educação". No entanto, esse valor não chega a 1% do que o governo abre mão em renúncia fiscal para grandes grupos econômicos.

3.    A Falta de Transparência: A renúncia fiscal em SC é frequentemente criticada pelo Tribunal de Contas por falta de indicadores de retorno. Ou seja: o governo abre mão de R$ 84 bilhões, mas não prova quantos empregos de qualidade ou qual desenvolvimento regional isso gerou de fato.

RAIO-X FINANCEIRO DE SANTA CATARINA (PERÍODO 2021-2025)

Indicador Financeiro

Valor Estimado (Total 5 Anos)

O que isso representa?

Arrecadação de Santa Catarina (Estimativa Impostômetro)

R$ 623 bilhões

Sai de SC para a União/Estado/Mun.

De 2021 a 2025

Fatia do Governo Federal

R$ 423,6  Bilhões

68% dos Impostos Totais

Repasses  do Governo Federal (2021 a 2025)

R$ 112 bilhões

Vai para o Estado e Prefeituras.

Benefícios ao Cidadão (INSS/Bolsa) (2021 a 2025)

R$ 222 bilhões

Vai direto para a conta das pessoas.

Saldo que "Ficou" em Brasília (2021 a 2025)

R$ 99,6 bilhões

Sustenta o pacto federativo e outros estados.

Renúncia Fiscal (Isenções)

(2021 a 2025)

R$ 84,9 Bilhões

Imposto que o Estado escolheu não recolher de grandes empresas.

Pagamento da Dívida Pública

(2021 a 2025)

R$ 20,8 Bilhões

O que saiu do caixa para pagar juros e principal à União e Bancos.

Repasse às Univ. Particulares

(2023 a 2026)

R$ 0,89 Bilhão

Valor destinado ao programa que gerou as honrarias ao Governador.

 

Análise para o Fechamento do Artigo:

  1. O Estado "Atravessador": Note que o valor que o Governo Federal paga diretamente aos cidadãos (R$ 222 bi) é o dobro do que ele repassa para o Governo do Estado e Prefeituras (R$ 112 bi). Isso mostra que a riqueza de SC está nas pessoas e na sua força de trabalho (aposentadorias e auxílios), e não na eficiência dos repasses governamentais.
  2. A Prioridade Invertida: Se somarmos o que o Estado deixa de arrecadar (R$ 84,9 bi) com o que ele gasta com dívida (R$ 20,8 bi), temos mais de R$ 105 bilhões que "somem" da prestação de serviços públicos diretos.
  3. O "Troco" das Honrarias: Perto dos R$ 222 bilhões que circulam na economia via cidadãos, os R$ 890 milhões destinados às universidades particulares podem parecer pouco, mas é aí que mora o perigo: esse valor é "dinheiro vivo" do orçamento livre (discricionário) do Estado. É o dinheiro que poderia estar reformando escolas da rede básica ou equipando hospitais, mas foi usado para lubrificar a relação com o setor privado de ensino em troca de prestígio político.

Concluindo:

Mesmo com R$ 222 bilhões retornando ao estado via aposentadorias e programas sociais, Santa Catarina ainda é um 'doador líquido' de recursos para o pacto federativo.

Os números não mentem, mas podem ser usados para esconder verdades inconvenientes. Enquanto o cidadão sustenta um Impostômetro de R$ 623 bilhões, o governo abre mão de R$ 84 bilhões em impostos para poucos e gasta quase R$ 1 bilhão para comprar o aplauso de universidades privadas. No final da conta, o título de 'Doutor Honoris Causa' custa caro ao bolso do catarinense, mas sai de graça para quem assina o cheque com o dinheiro público.