terça-feira, outubro 13, 2026

Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas... (Parte II)

 

"Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas. E dos neutros. Não conte comigo para niná-lo. Não vim botar você para dormir, aqui estou para acordar os dormentes"

Chico Cesar




Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros: Santa Catarina em Alerta... (Parte XXIX)

 


Você deve aprender a baixar a cabeçaE dizer sempre muito obrigadoSão palavras que ainda te deixam dizerPor ser homem bem disciplinado
Deve, pois, só fazer pelo bem da naçãoTudo aquilo que for ordenadoPra ganhar um Fuscão no juízo finalE diploma de bem comportado
Você merece, você mereceTudo vai bem, tudo legalCerveja, samba, e amanhã, Seu ZéSe acabarem teu carnaval?
Mas você merece, você mereceTudo vai bem, tudo legalCerveja, samba, e amanhã, Seu ZéSe acabarem com teu carnaval?
Você...
Você merece, você mereceTudo vai bem, tudo legalE um Fuscão no juízo finalVocê merece
E diploma de bem comportadoVocê merece, você mereceEsqueça que está desempregadoVocê merece, você...
Tudo vai bem, tudo legal
Comportamento Geral
Canção de Gonzaguinha ‧ 1973

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... Alerta ao Brasil::... (Parte XVIII)

 O Risco de Importar o Colapso Social e o Desmonte do Estado

O resultado das urnas no primeiro turno deixou uma mensagem clara, mas também acendeu um alerta profundo para quem observa a política para além das paixões eleitorais. Quando a escolha do eleitorado se deixa guiar pelo ressentimento ou por promessas de soluções fáceis, o preço a ser pago no futuro costuma ser alto. O cenário atual nos coloca diante de um dilema crucial: permitir a consolidação de um projeto que flerta com o autoritarismo e a desconstrução de direitos, ou defender a estabilidade institucional e social do país.


1. Ameaças Institucionais e o Flerte com a Ruptura

Os sinais de alerta não vêm apenas de analistas locais, mas ecoam na imprensa internacional e até mesmo entre juristas com histórico de atuação em momentos críticos da nossa história. Reportagens de veículos como o The Guardian e declarações de autores de pedidos de impeachment do passado convergem em um ponto: a retórica de questionamento sistemático das instituições e de incitação ao impasse político é um "caminho para o precipício".

Normalizar discursos que ameaçam as regras do jogo democrático compromete a segurança jurídica do país, afasta investimentos e enfraquece a própria soberania nacional.


2. A Fragilidade Ética e a Escalada do Extremismo

Paralelamente, a composição do Poder Legislativo expõe contradições alarmantes. A eleição de dezenas de parlamentares investigados por fraudes, desvios e corrupção evidencia como a pauta da integridade é frequentemente instrumentalizada de forma seletiva. Em centros urbanos, discursos simplistas de segurança pública avançam em locais vulneráveis, ignorando que problemas complexos exigem políticas estruturantes de saúde e assistência social, e não apenas slogans eleitorais.

O impacto dessa radicalização atinge o tecido social de forma devastadora. Vemos o avanço da intolerância manifestado em incidentes de violência e ameaças no ambiente universitário, bem como em atos de vandalismo contra símbolos de fé e religiosidade. O extremismo político deixa de ser apenas uma disputa ideológica e passa a ameaçar a convivência pacífica na sociedade.


3. O Laboratório do Abismo: O Alerta que Vem da Argentina

Para compreender o impacto prático de propostas baseadas no desmonte do Estado, basta olhar para o cenário vizinho na Argentina sob a gestão de Javier Milei, modelo frequentemente elogiado por alas da extrema-direita brasileira:

v  Destruição do Setor Produtivo: O plano de cortes drásticos e desregulamentação desmedida levou ao fechamento de cerca de 32 mil empresas no país vizinho, sufocando pequenos e médios empreendedores e gerando desemprego e precarização do trabalho.

v  Perda de Poder de Compra dos Aposentados: A alteração nas regras e o congelamento dos reajustes da previdência causaram uma perda superior a 20% no poder de compra dos aposentados frente à inflação, penalizando diretamente quem trabalhou a vida inteira.

v  Bloqueio à Proteção Social: O fim de moratórias e a rigidez nas regras reduziram em 53% a concessão de novas aposentadorias, deixando milhares de trabalhadores da economia informal desassistidos na velhice.

A aplicação de um modelo semelhante no Brasil significaria um ataque direto ao salário mínimo, aos direitos previdenciários e aos serviços públicos essenciais como saúde e educação.


4. Concluindo: A Importância da Conscientização

A escolha política não é uma mera decisão abstrata ou uma disputa de torcidas; ela impacta diretamente a renda da sua família, a aposentadoria dos seus pais, a segurança no seu bairro e o futuro dos seus filhos.

Expor estes fatos e dados reais é um dever de cidadania. O Brasil precisa de caminhos que promovam o desenvolvimento com justiça social, e não de fórmulas radicais que já se provaram desastrosas onde foram aplicadas. Resta ao eleitorado a reflexão consciente antes de decidir o destino do país.



sábado, outubro 03, 2026

Por que não votar em Bolsonaro

 PORQUE CONCORDO COM A MAIS ABSOLUTA CONVICÇÃO, LUCIDEZ E CERTEZA... reproduzo na integra o artigo abaixo.

https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/juca-kfouri/2026/10/03/por-que-nao-votar-em-bolsonaro.htm

Juca KfouriColunista do UOL

03/10/2026 06h00

Porque com todas as dificuldades do Brasil, que saiu outra vez do mapa da fome, vivemos quatro anos sem sobressaltos, sem grosserias, sem terraplanismo e negação da ciência.

Porque apesar da crise no judiciário, que precisa ser reformado, assim como o sistema político, botar a milícia no poder por meio de voto pode ser votar pela última vez.

Porque usar a democracia para acabar com ela equivale a suicídio coletivo.

Porque quem idolatra torturadores é tão monstruoso que chega a ser incompreensível ter de explicar.

Porque não há desencanto maior do que escolher a escuridão quando a luz é possível.

Porque a escolha neste domingo é pelo amanhã do pleno emprego e não pelo ontem da antivacina.

Porque é democracia ou barbárie, soberania ou quintal dos Estados Unidos.

Porque não custa lembrar que as igrejas não foram fechadas, o Brasil não virou Cuba, nem Venezuela, e ninguém distribuiu aquela mamadeira do Jair.

Porque entre um idoso decente e um jovem indecente não cabe dúvida.

Porque entre quem respeita a Constituição e quem tentou golpeá-la não pode haver hesitação.

Porque nem é preciso gostar de Lula.

Porque basta rejeitar Bolsonaro.

Às urnas, sem ódio e sem medo.



Da Crítica ao Reconhecimento: Como Lula Se Tornou o Maior Doutor Honoris Causa do Brasil

 Do chão de fábrica à cátedra: os honoris causa de Lula

História de Raissa Neves

 

Abaixo, confira trechos do artigo assinado por Raissa Neves e originalmente publicado pelo site Opera Mundi, abordando a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o reconhecimento acadêmico traduzido em seus 42 títulos de Doutor Honoris Causa.

https://www.msn.com/pt-br/noticias/other/do-ch%C3%A3o-de-f%C3%A1brica-%C3%A0-c%C3%A1tedra-os-honoris-causa-de-lula/ar-AA2drSdw?ocid=hpmsn&cvid=6ac1609fa8044fa38fe36ed51c65f30b&ei=126

 

Na manhã de 30 de março de 2011, os sinos da Universidade de Coimbra tilintaram marcando o início de uma faustosa cerimônia. Sob os olhares de centenas de estudantes, acadêmicos e jornalistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessou os corredores da prestigiosa instituição portuguesa para receber seu primeiro título internacional de “doutor honoris causa”

O título “honoris causa” é o grau honorário de doutor concedido por instituições de ensino superior a pessoas eminentes que se destacaram em uma determinada área por suas ações, virtude ou mérito. A homenagem da Universidade de Coimbra se tornou a primeira de várias. Lula é hoje brasileiro com mais títulos de doutor “honoris causa”. O presidente acumula 42 condecorações — uma a mais do que seu conterrâneo, o pedagogo pernambucano Paulo Freire.

A maioria dos títulos foram concedidos por universidades públicas do Brasil. Entre as instituições estrangeiras que lhe outorgaram a honraria estão, além da Universidade de Coimbra, a Universidade de Salamanca (Espanha), a Escola Politécnica de Lausanne (Suíça), o Instituto de Estudos Políticos de Paris (França), a Universidade Nacional de Rosário (Argentina), a Universidade de Aquino (Bolívia), a Universidade Andina Simón Bolívar (Equador), a Universidade de San Marcos (Peru) e a Universidade Pedagógica de Maputo (Moçambique), entre outras.

Não por acaso, é justamente a origem humilde de Lula que foi agressivamente atacada pela imprensa. Durante seu governo, o presidente recebeu os epítetos de “apedeuta”, “ignorante”, “analfabeto”. Criticaram sua falta de formação e o fato de não saber falar inglês. Acusaram-no de cultuar a ignorância e incentivar o povo a não ler. E atribuíram o apoio ao seu governo a uma suposta “parvoíce” de um “povo iletrado” que “vendia o voto” em troca de esmolas e assistencialismo barato.

Por ironia do destino, o presidente tão atacado por não ter graduação tornou-se o mandatário mais homenageado com títulos de doutor. Além dos 42 “honoris causa”, Lula acumula outras 300 condecorações — do Prêmio da Paz da Unesco ao título de Campeão Mundial da Luta Contra a Fome da ONU, passando pelo galardão de Cidadão Honorário de Paris.

E enquanto era apontado como fomentador da ignorância, tornou-se o presidente que mais investiu em educação, fundando 19 novas universidades públicas, construindo mais de 120 novos campi, inaugurando mais de 200 escolas técnicas e quintuplicando o número de estudantes no ensino superior.

Lula foi igualmente responsável por iniciar o processo de democratização do acesso ao ensino superior público, transformando os egressos das escolas públicas e estudantes de baixa renda em maioria do corpo discente das instituições federais, ajudando a mudar o perfil tradicionalmente elitizado do ensino superior público.

O post Do chão de fábrica à cátedra: os honoris causa de Lula apareceu primeiro em Opera Mundi.



 

sexta-feira, outubro 02, 2026

Eles Mentem... Mentem... Mentem... Escrota, Cretina e Insanamente... Mentem: Porque Sinto Asco... Asco e Nojo dos Extremistas... (Parte XVI)

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido alvo frequente de campanhas de desinformação, com boatos que se intensificaram durante as campanhas eleitorais e continuam a circular ao longo de seu mandato. De acordo com levantamentos das principais agências de checagem do país, como Agência Lupa, Fato ou Fake (G1) e Boatos.org, os boatos mais recorrentes envolvem temas religiosos, de segurança pública e teorias conspiratórias.

Abaixo estão listadas algumas das principais fake news disseminadas contra o presidente:


Pautas Religiosas e Morais

1) Fechamento de igrejas e perseguição a cristãos: Uma das narrativas mais antigas e persistentes afirma que Lula e o PT fechariam templos religiosos ou regulamentariam as atividades de pastores e padres caso fossem eleitos. O boato foi reiteradamente classificado como falso por agências de checagem.

2) Consagração do Brasil a entidades religiosas: Circulou nas redes sociais um vídeo manipulado alegando que Lula e a primeira-dama, Janja, teriam feito um ritual no Palácio do Planalto para consagrar o país. As imagens originais eram, na verdade, da cerimônia de posse das ministras Anielle Franco e Sonia Guajajara em janeiro de 2023.

3) Falsa frase de Janja sobre Deus: Postagens falsificadas atribuíram à primeira-dama a frase "nem Deus tira de Lula essa eleição" durante comícios. Nenhuma declaração desse tipo foi feita.

 

Segurança Pública e Associações Criminosas

4) Ligação entre o PT e facções criminosas: Durante a eleição de 2022, diversos conteúdos falsos circularam alegando que o governo de Lula teria acordos ou ligações diretas com facções como o PCC. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ordenou a remoção imediata dessas publicações por falta de provas.

5) O caso Celso Daniel: Constantemente ressurgem boatos conectando o presidente ao assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, ocorrido em 2002. Investigações policiais e decisões do próprio judiciário já arquivaram essa correlação por completo.

 

Teorias Conspiratórias sobre Saúde e Identidade

6) A teoria de que Lula seria um clone ou sósia: Em uma das teorias mais incomuns da internet, postagens em plataformas como TikTok e YouTube afirmaram que o verdadeiro Lula teria morrido no fim de 2022 e sido substituído por um clone. A teoria conspiratória costuma distorcer imagens de tratamentos médicos reais ou períodos de descanso do presidente para sustentar a fraude.

 

Falas Caluniosas, Distorcidas e Fora de Contexto

7) Vídeos manipulados com conotação sexual: Vídeos editados e retirados de contexto de discursos sobre saúde pública (como a prevenção ao câncer de próstata) foram espalhados para sugerir falsas conotações sexuais envolvendo crianças. O TSE determinou a remoção dessas postagens por distorção grave da realidade.

8) Críticas atribuídas a artistas: Recentemente, vídeos de artistas gravados originalmente em 2022 com críticas a outros políticos (como o caso de um vídeo da apresentadora Xuxa) foram republicados com legendas falsas afirmando que eram direcionados a Lula.

9) Implantação de banheiros unissex: Desinformação afirmando que o governo implantaria banheiros unissex para crianças nas escolas.

10) Confisco do Pix / Taxação do Pix: Boatos de que haveria cobrança de impostos ou confisco de transferências Pix.

11) Fim do MEI: Desinformação de que a categoria de Microempreendedor Individual seria extinta.

12) Fim do Auxílio Brasil / Bolsa Família: Alegações de que programas de transferência de renda seriam cancelados.

13) Confisco de cadernetas de poupança: Boatos recorrentes de que haveria bloqueio de bens ou contas bancárias da população.

14) Obrigação de abrigar pessoas em imóveis privados: Narrativa falsa de que casas com cômodos vagos seriam ocupadas pelo governo.

15) Redução ou fim do salário mínimo: Conteúdo enganoso sobre cortes na remuneração mínima legal.

16) Fraude na contagem de votos no Nordeste: Alegações sem provas sobre irregularidades na apuração regional.

17) MST está bloqueando transposição do rio São Francisco para faltar água aos nordestinos #boato

18) PT reservou estádio Mané Garrincha para a posse de Lula em 2023 #boato

19) Balsa explode com funcionários bolsonaristas da fazenda de Lula no Pará #boato

20) Mortos votaram em Lula em diversas cidades no Nordeste do Brasil #boato

21) Barreiras (BA) tem 103 mil eleitores, mas Lula teve 213 mil votos #boato

22) Chico Anysio disse “Se é a pobreza que vota na esquerda, qual o interesse da esquerda em acabar com a pobreza” #boato

23) Geddel Vieira Lima teve um infarto e resolveu gravar um vídeo denunciando Lula #boato

24) Lula diz que dará prazo para que todos entreguem armas de forma espontânea #boato

25) Alexandre de Moraes renunciou e passou o cargo de presidente do TSE a Dias Toffoli #boato

26) Hackers russos descobriram fraude nas urnas eletrônicas, avisaram Exército e evitaram vitória de Lula no 1º turno #boato

27) Exército pediu código-fonte das urnas eletrônicas porque descobriu fraude no “voto de rebanho” #boato

28) TSE mandou fiscal para censurar programa Pânico da Jovem Pan ao vivo #boato

29) Heineken lança cerveja “Brasil 22” em homenagem a Bolsonaro #boato

30) Tarcísio de Freitas está sob ameaça de atentado terrorista, diz general Heleno #boato



quinta-feira, outubro 01, 2026

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... A normalização do inaceitável:... (Parte XVII)

Não é 'teflon', há eleitor que aceita corrupção de Flávio para tirar Lula: Até quando a corrupção será relativizada?

É estarrecedor constatar o ponto a que chegamos no debate público e moral do nosso país. A análise trazida pelo jornalista Leonardo Sakamoto em sua coluna no UOL toca em uma ferida aberta e incômoda: a tolerância seletiva da sociedade com a corrupção quando ela convém aos seus interesses políticos.

Como cidadão, é impossível não sentir uma profunda indignação ao ver a ética ser tratada como um mero adereço negociável. O pragmatismo cego, que leva eleitores a "fecharem os olhos" ou a aceitarem suspeitas e desvios éticos de seus candidatos preferidos apenas para evitar a eleição de um adversário, destrói as bases da nossa democracia. Não existe "corrupção tolerável" ou "mal menor" quando o assunto é o respeito ao patrimônio público e à legalidade.

Abaixo, reproduzo na íntegra a coluna de Leonardo Sakamoto, que nos convida a refletir sobre esse cenário preocupante em que o combate à corrupção deixou de ser um princípio inegociável para se tornar apenas uma bandeira de conveniência.


Leonardo SakamotoColunista do UOL… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2026/10/01/nao-e-teflon-ha-eleitor-que-aceita-corrupcao-de-flavio-para-tirar-lula.htm?cmpid=copiaecola


Artigo na Íntegra

Título: Não é 'teflon', há eleitor que aceita corrupção de Flávio para tirar Lula

Autor: Leonardo Sakamoto

Veículo: UOL Colunas

Para tirar Lula, há eleitores que engolem até a corrupção de Flávio

É equivocado classificar como "teflon" todo político em que as denúncias batem e escorregam, sem arranhar sua viabilidade eleitoral. O caso de Flávio Bolsonaro passa longe de ser um fenômeno das panelas antiaderentes, trata-se de um caso crônico de cinismo pragmático de parte do eleitorado.

Não é que as denúncias de corrupção não colem nele. Elas colam, pesam e empesteiam o ambiente. Ocorre que uma fatia expressiva dos eleitores enxerga a eleição não como uma escolha de projeto de país, mas como um plebiscito sobre Lula. E, para tirar Lula, uma turma aceita qualquer coisa. E tem consciência disso.

Para esse grupo, não faz a menor diferença se, do outro lado da urna, estará Flávio, um cone de trânsito alaranjado com listras fosforescentes ou o histórico Rinoceronte Cacareco — que recebeu 100 mil votos para vereador paulistano em 1959. Como o senador é o herdeiro do espólio político do pai e, hoje, o mais bem posicionado para derrotar o petista, o antipetismo não-bolsonarista tampa o nariz para o chorume de corrupção em que o candidato está imerso até a narina e se prepara para digitar seu número.

Esse comportamento não se restringe à direita radical. O mesmo fará uma parte do eleitorado que nem se define como antipetista ferrenha, mas que simplesmente não quer dar mais quatro anos de mandato a Lula. A eleição virou o "Lula versus o Anti-Lula". Se o Anti-Lula da temporada for um cone, então vai de cone. Com ou sem listras, com ou sem propostas de soluções.

O nível de tolerância dessa parcela da sociedade com atitudes indefensáveis é pedagógico sobre a seletividade da nossa indignação moral.

O candidato que eles estão dispostos a ungir como salvador da pátria é alguém que recebeu ao menos R$ 70 milhões de Daniel Vorcaro. É político umbilicalmente envolvido no desvio de salários de servidores do próprio gabinete (a velha e boa rachadinha), que teria lavado dinheiro via loja de chocolates em shopping center de luxo e transferido R$ 200 mil de grana pública diretamente para o projeto de um miliciano que o chama de "nosso senador". Sem esquecer, claro, do seu hábito peculiar de contratar familiares de matadores de aluguel para cargos de confiança.

Chegamos a uma situação pitoresca, para não dizer trágica. O propalado voto de protesto, aquele que carrega a ilusão moralista de dar um "basta" no sistema, está sendo depositado em alguém que as pessoas sequer fazem ideia do que fará com o salário mínimo dos aposentados. Não há propostas ou visão de Estado. O que há é o único entre os candidatos que implorou dinheiro a Vorcaro.

Ao fechar os olhos para essa capivara extensa em nome da aversão ao PT, uma parte do eleitorado deixa claro que seu problema nunca foi exatamente com a corrupção, mas apenas com o CPF de quem a pratica.