A recente decisão judicial nos Estados Unidos, que impediu o governo Trump de censurar a história da escravidão em exposições, trouxe à tona uma frase de George Orwell que nunca foi tão atual: "Quem controla o passado controla o futuro". Essa tentativa de "limpar" a história não é um caso isolado de Washington; é um sintoma de uma patologia autoritária que ecoa com força nas terras catarinenses e no discurso de setores da mídia local.
Ver em
https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/02/juiz-impede-governo-trump-de-censurar-historia-da-escravidao-em-exposicao-e-cita-george-orwell.shtml
1.
A Lição Americana: A História não é Propaganda
O juiz
federal, ao citar 1984,
lembrou ao Estado que ele não possui o monopólio da verdade histórica. A
tentativa de remover a escravidão do foco expositivo é uma forma de "Buraco da Memória"
(o mecanismo orwelliano de destruir fatos inconvenientes). Ao apagar a dor do
passado, o poder busca silenciar as reivindicações do presente.
2.
O Espelho Catarinense: O "Nazifascismo" e a Identidade Higienizada
Não
podemos ignorar a conexão dessa "Guerra Cultural" americana com o que
ocorre em Santa Catarina. O estado, frequentemente palco de episódios de
apologia ao nazismo e crescimento de células extremistas, vive uma tentativa
constante de vender uma identidade "europeia pura", higienizada e superior.
·
A
Negação da Barbárie:
Assim como o governo Trump tentou suavizar a escravidão, setores do extremismo
regional tentam suavizar a influência do pensamento fascista na formação
política local.
·
O
Inimigo Interno:
O discurso orwelliano de "nós contra eles" é usado para estigmatizar
qualquer movimento que denuncie as raízes da desigualdade e da violência
histórica no Sul.
3.
A Mídia "Boca Alugada": Os Alto-Falantes do Ministério da Verdade
Nenhum
projeto autoritário sobrevive sem a mídia
de aluguel. Em Santa Catarina, é notável o papel de certos
veículos e comunicadores que atuam como o "Ministério da Verdade" de
Orwell.
· A
"Novafala" da Mídia:
Eles não informam, eles pautam a distorção. Chamam censura de "preservação
de valores", chamam racismo estrutural de "vitimismo" e atacam a
ciência e a história com o cinismo de quem recebe para mentir.
·
A
Função do Mercenarismo:
Essa mídia "boca alugada" vende o silêncio sobre as mazelas sociais
enquanto amplifica o pânico moral. Eles são os responsáveis por garantir que o
"Duplipensamento" — a capacidade de manter duas crenças
contraditórias simultaneamente — torne-se a norma na população.
Concluindo:
Resistir é Lembrar
A
decisão judicial nos EUA é um lembrete de que a história é um direito coletivo,
não um joguete governamental. No Brasil, e especificamente em Santa Catarina, a
luta contra o nazifascismo e contra a mídia subserviente passa obrigatoriamente
pela preservação da memória.
Se
permitirmos que a "boca alugada" e os ideólogos do apagamento
reescrevam o que fomos, não teremos ferramentas para decidir o que seremos. O
Carnaval que afronta a morte (como discutimos antes) e a justiça que afronta a
censura são faces da mesma resistência: a insistência em ser humano em tempos
de desumanização planejada.







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