terça-feira, fevereiro 17, 2026

O Passado como Campo de Batalha: De Trump ao Nazifascismo Regional

 

A recente decisão judicial nos Estados Unidos, que impediu o governo Trump de censurar a história da escravidão em exposições, trouxe à tona uma frase de George Orwell que nunca foi tão atual: "Quem controla o passado controla o futuro". Essa tentativa de "limpar" a história não é um caso isolado de Washington; é um sintoma de uma patologia autoritária que ecoa com força nas terras catarinenses e no discurso de setores da mídia local.

Ver em

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/02/juiz-impede-governo-trump-de-censurar-historia-da-escravidao-em-exposicao-e-cita-george-orwell.shtml


1. A Lição Americana: A História não é Propaganda

O juiz federal, ao citar 1984, lembrou ao Estado que ele não possui o monopólio da verdade histórica. A tentativa de remover a escravidão do foco expositivo é uma forma de "Buraco da Memória" (o mecanismo orwelliano de destruir fatos inconvenientes). Ao apagar a dor do passado, o poder busca silenciar as reivindicações do presente.


2. O Espelho Catarinense: O "Nazifascismo" e a Identidade Higienizada

Não podemos ignorar a conexão dessa "Guerra Cultural" americana com o que ocorre em Santa Catarina. O estado, frequentemente palco de episódios de apologia ao nazismo e crescimento de células extremistas, vive uma tentativa constante de vender uma identidade "europeia pura", higienizada e superior.

·         A Negação da Barbárie: Assim como o governo Trump tentou suavizar a escravidão, setores do extremismo regional tentam suavizar a influência do pensamento fascista na formação política local.

·         O Inimigo Interno: O discurso orwelliano de "nós contra eles" é usado para estigmatizar qualquer movimento que denuncie as raízes da desigualdade e da violência histórica no Sul.


3. A Mídia "Boca Alugada": Os Alto-Falantes do Ministério da Verdade

Nenhum projeto autoritário sobrevive sem a mídia de aluguel. Em Santa Catarina, é notável o papel de certos veículos e comunicadores que atuam como o "Ministério da Verdade" de Orwell.

·    A "Novafala" da Mídia: Eles não informam, eles pautam a distorção. Chamam censura de "preservação de valores", chamam racismo estrutural de "vitimismo" e atacam a ciência e a história com o cinismo de quem recebe para mentir.

·         A Função do Mercenarismo: Essa mídia "boca alugada" vende o silêncio sobre as mazelas sociais enquanto amplifica o pânico moral. Eles são os responsáveis por garantir que o "Duplipensamento" — a capacidade de manter duas crenças contraditórias simultaneamente — torne-se a norma na população.


Concluindo: Resistir é Lembrar

A decisão judicial nos EUA é um lembrete de que a história é um direito coletivo, não um joguete governamental. No Brasil, e especificamente em Santa Catarina, a luta contra o nazifascismo e contra a mídia subserviente passa obrigatoriamente pela preservação da memória.

Se permitirmos que a "boca alugada" e os ideólogos do apagamento reescrevam o que fomos, não teremos ferramentas para decidir o que seremos. O Carnaval que afronta a morte (como discutimos antes) e a justiça que afronta a censura são faces da mesma resistência: a insistência em ser humano em tempos de desumanização planejada.

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