Santa
Catarina e o Mito da Pureza: O Verniz Institucional do Nazifascismo Moderno
A defesa enviada pelo governador Jorginho Mello e
pela ALESC ao STF, em janeiro de 2026, é um documento que deveria envergonhar
qualquer democrata, mas que, infelizmente, serve como um manifesto para o que
há de mais sombrio na política catarinense. Sob o pretexto de "realidade
regional", o Estado tenta oficializar o que o nazifascismo sempre
defendeu: a hegemonia de uma raça sobre as outras.
1. A Estatística como Ferramenta
de Exclusão
O argumento do governo é acintoso: como Santa
Catarina possui 81% de população branca, as cotas raciais seriam
"desnecessárias". Essa lógica é a mesma utilizada por regimes
segregacionistas. Se há uma minoria de 18% (pretos e pardos), é justamente essa
minoria que foi historicamente empurrada para as margens e que necessita de
reparação.
Ao usar a "maioria branca" como escudo, o
governo não faz gestão pública; faz eugenia social. Tenta garantir que
as universidades continuem sendo espelhos de uma Europa idealizada, ignorando
que o solo catarinense também foi construído pelo suor e sangue de populações
negras e indígenas, sistematicamente apagadas dos livros e agora das vagas acadêmicas.
2. O Nazifascismo de Roupa Nova e
a Corrupção Ética
Não é coincidência que Santa Catarina figure
frequentemente nos relatórios policiais como o estado com maior proliferação de
células neonazistas. Quando o comando do Estado legisla contra a igualdade
racial, ele dá um salvo-conduto moral para esses grupos.
A corrupção em Santa Catarina vai além do desvio de
verbas; trata-se de uma corrupção ética e constitucional. O governo
ignora o STF e a dignidade humana para alimentar um eleitorado que confunde
"identidade regional" com supremacia racial. É o estado mais
"nazifascista" não apenas pelos grupos marginais, mas pela postura de
suas instituições, que tentam transformar o preconceito em lei.
3. A Falácia do "Foco
Socioeconômico"
Dizer que o foco é "apenas
socioeconômico" é a tática clássica para esconder o racismo. No Brasil, e
especialmente em SC, a pobreza tem cor. Ao tentar dissociar raça de classe, o
governo quer evitar o debate sobre o racismo estrutural. É a tentativa de criar
uma "raça catarinense" pura e merritocrática, onde o privilégio
histórico do sobrenome europeu é vendido como esforço pessoal.
"O governo catarinense não
está defendendo a autonomia estadual; está defendendo a manutenção de um
'apartheid acadêmico' financiado com dinheiro público."
4. O STF como Última Barreira
A resposta da ALESC, tentando minimizar a urgência
da intervenção do Ministro Gilmar Mendes, é um deboche. Eles sabem que a lei é
natimorta por ser flagrantemente inconstitucional, mas insistem no erro para
manter o aceno aos setores mais extremistas da sociedade.
Concluindo: A Mensagem é Clara
Santa Catarina precisa decidir se quer ser um
estado brasileiro, sob a égide da Constituição de 1988, ou se quer se
consolidar como um enclave de retrocesso e supremacia. Enquanto o governo usar
dados demográficos para validar a exclusão, estaremos provando que a
"Mensagem a Garcia" que nossas autoridades estão entregando é uma
mensagem de ódio, separação e desonestidade intelectual.
A Mídia "boca alugada" (catarinense e lageana) e a caneta do
governador estão alinhados: proteger a branquitude a qualquer custo, enquanto
fingem que o racismo é um "detalhe estatístico".







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