sábado, janeiro 10, 2026

Temos Ódio à Ditadura... Ódio e Nojo...

 

Ódio e Nojo: O Eco de Ulysses Guimarães Contra a Anistia dos Golpistas

No dia 5 de outubro de 1988, ao promulgar a Constituição Cidadã, Ulysses Guimarães proferiu palavras que se tornaram a certidão de batismo da democracia brasileira: "Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo." Aquela não era apenas uma frase de efeito; era a síntese de um país que emergia de décadas de sombras, torturas e silenciamentos. Ulysses sabia que a democracia é uma planta tenra que exige vigilância constante contra as ervas daninhas do autoritarismo.

Hoje, décadas depois, assistimos com perplexidade a uma tentativa de alguns congressistas de pautar uma proposta de anistia para os envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro. Ao tentarem passar uma borracha sobre as depredações do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, esses parlamentares ignoram o aviso de Ulysses e traem o espírito da própria Constituição que juraram defender.

A Anistia como Prêmio à Barbárie

A proposta de anistia para quem atentou contra as instituições não é um gesto de pacificação, mas sim um prêmio à barbárie. Perdoar aqueles que tentaram derrubar um governo legitimamente eleito e destruir os símbolos da nossa República é o mesmo que dizer que a democracia é opcional.

Quando Ulysses declarou seu "ódio e nojo", ele falava em nome das vítimas da arbitrariedade. Aqueles que hoje insistem na anistia parecem ter perdido essa sensibilidade histórica. Estão trocando o rigor da lei e a preservação do Estado de Direito por conveniências políticas de curto prazo.

O Papel do Congresso: Protetor ou Cúmplice?

O Congresso Nacional foi um dos alvos principais da fúria golpista. Janelas foram quebradas, obras de arte destruídas e o plenário invadido por pessoas que desprezam o debate parlamentar. É, no mínimo, contraditório que o mesmo Congresso agora abrigue vozes que pedem o esquecimento desses crimes.

Os congressistas que insistem nessa pauta precisam responder: a quem eles servem? À estabilidade democrática ou ao projeto de impunidade de grupos extremistas? A história não costuma ser gentil com aqueles que, em momentos de crise institucional, escolheram o lado da complacência com o erro.

Dizemos Não ao Esquecimento

Não podemos permitir que a política brasileira se transforme em um balcão de negócios onde a democracia seja a moeda de troca. A frase de Ulysses Guimarães deve ser o nosso norte moral. Diante de qualquer tentativa de reabilitar o golpismo ou suavizar a responsabilidade de quem atacou a nossa Casa, devemos repetir em coro:

Temos ódio a qualquer tentativa de golpe. Ódio e nojo.

A justiça para o 8 de janeiro é a única forma de garantirmos que o 5 de outubro de 1988 continue valendo. Sem punição, a democracia se torna um convite à próxima invasão. Que o Congresso honre a cadeira que ocupa e a história do homem que o presidiu em seu momento mais glorioso.

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