Ódio e Nojo: O Eco de
Ulysses Guimarães Contra a Anistia dos Golpistas
No dia 5 de
outubro de 1988, ao promulgar a Constituição Cidadã, Ulysses Guimarães proferiu
palavras que se tornaram a certidão de batismo da democracia brasileira: "Temos
ódio à ditadura. Ódio e nojo." Aquela não era apenas uma frase de
efeito; era a síntese de um país que emergia de décadas de sombras, torturas e
silenciamentos. Ulysses sabia que a democracia é uma planta tenra que exige
vigilância constante contra as ervas daninhas do autoritarismo.
Hoje,
décadas depois, assistimos com perplexidade a uma tentativa de alguns
congressistas de pautar uma proposta de anistia para os envolvidos nos ataques
golpistas de 8 de janeiro. Ao tentarem passar uma borracha sobre as depredações
do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal,
esses parlamentares ignoram o aviso de Ulysses e traem o espírito da própria
Constituição que juraram defender.
A Anistia como Prêmio à Barbárie
A proposta
de anistia para quem atentou contra as instituições não é um gesto de
pacificação, mas sim um prêmio à barbárie. Perdoar aqueles que tentaram
derrubar um governo legitimamente eleito e destruir os símbolos da nossa
República é o mesmo que dizer que a democracia é opcional.
Quando
Ulysses declarou seu "ódio e nojo", ele falava em nome das vítimas da
arbitrariedade. Aqueles que hoje insistem na anistia parecem ter perdido essa
sensibilidade histórica. Estão trocando o rigor da lei e a preservação do
Estado de Direito por conveniências políticas de curto prazo.
O Papel do Congresso: Protetor ou Cúmplice?
O Congresso
Nacional foi um dos alvos principais da fúria golpista. Janelas foram
quebradas, obras de arte destruídas e o plenário invadido por pessoas que
desprezam o debate parlamentar. É, no mínimo, contraditório que o mesmo
Congresso agora abrigue vozes que pedem o esquecimento desses crimes.
Os
congressistas que insistem nessa pauta precisam responder: a quem eles servem?
À estabilidade democrática ou ao projeto de impunidade de grupos extremistas? A
história não costuma ser gentil com aqueles que, em momentos de crise
institucional, escolheram o lado da complacência com o erro.
Dizemos Não ao Esquecimento
Não podemos
permitir que a política brasileira se transforme em um balcão de negócios onde
a democracia seja a moeda de troca. A frase de Ulysses Guimarães deve ser o
nosso norte moral. Diante de qualquer tentativa de reabilitar o golpismo ou
suavizar a responsabilidade de quem atacou a nossa Casa, devemos repetir em
coro:
Temos ódio a qualquer tentativa de golpe. Ódio e nojo.
A justiça
para o 8 de janeiro é a única forma de garantirmos que o 5 de outubro de 1988
continue valendo. Sem punição, a democracia se torna um convite à próxima
invasão. Que o Congresso honre a cadeira que ocupa e a história do homem que o
presidiu em seu momento mais glorioso.







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