A notícia de 29 prefeitos envolvidos em esquemas de corrupção em Santa Catarina não é apenas um dado estatístico ou um recorte policial; é a evidência de uma estrutura que, como diria Caetano Veloso, exala o odor de "podres poderes". Quando cruzamos essa realidade com a consciência de "O Operário em Construção", de Vinicius de Moraes, a indignação deixa de ser apenas um sentimento para se tornar uma denúncia ética.
1. A Traição ao Edificador (A Perspectiva de Vinicius)
No poema de
Vinicius, o operário descobre que "a casa que ele fazia, sendo sua, era a
sua prisão". Na política catarinense, os cidadãos — os verdadeiros
"operários" que pagam impostos, constroem a economia e levantam as
cidades — percebem agora que as prefeituras, que deveriam ser a casa da democracia,
tornaram-se balcões de negócios.
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O "Não" do Operário: Quando o operário de Vinicius
diz "Não" ao patrão, ele está negando a exploração. A indignação
diante de 29 prefeitos presos é o "Não" da população que percebe que
o tijolo da escola, o cimento do hospital e o asfalto da rua foram
superfaturados para alimentar o luxo de poucos.
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A Consciência da Matéria: O operário compreende que "o valor das
coisas" está no trabalho. A corrupção inverte essa lógica: ela retira o
valor social da obra pública e o transforma em propina, desumanizando o serviço
público.
2. A Estética do Atraso (A Perspectiva de Caetano)
Em
"Podres Poderes", Caetano Veloso questiona: "Será que nunca faremos senão confirmar
a incompetência da América católica, que sempre precisará de brancos sujos e
pretos pobres?".
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A Aristocracia da Propina: A prisão de tantos gestores em um estado que
se orgulha de seus índices de desenvolvimento revela a face oculta desses
"brancos sujos" — não na cor da pele, mas na ética dos colarinhos. É
o poder que se mantém através de esquemas de lixo, saneamento e infraestrutura,
os setores citados em operações como a Mensageiro.
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A "Mente Burra": Caetano fala de uma "mente tão burra
quanto o munda". A corrupção sistêmica é a prova dessa burrice
institucional, onde o governante prefere o ganho imediato e ilícito à
construção de um legado sólido. É a "ridiculização" da esperança
popular.
3. A Mensagem de Indignação
A mensagem
que emerge desse encontro literário e musical é a de que o silêncio não é mais uma opção.
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Da Passividade à Construção: Assim como o operário de
Vinicius que "aprendeu a ler" na realidade, a população catarinense
está aprendendo a ler as entrelinhas dos contratos públicos. A indignação nasce
do fato de que esses 29 prefeitos não roubaram apenas dinheiro; roubaram o
tempo, a saúde e o futuro de comunidades inteiras.
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A Superação dos "Podres Poderes": A indignação deve servir como
ferramenta de demolição desse modelo político arcaico e corrupto. Não basta
prender; é preciso que "o operário em construção" (o cidadão
consciente) ocupe o espaço público para que os "podres poderes" não
se regenerem sob novos nomes e siglas.
Concluindo
Enquanto os
"podres poderes" se banqueteiam com o que deveria ser público, o
"operário" (o povo) começa a notar que a sua força está em
compreender que ele é o verdadeiro dono da obra. A prisão desses prefeitos é um
capítulo de uma história que precisa ser reescrita: menos "poderes
podres" e mais "mãos que constroem" com integridade.







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