sexta-feira, janeiro 09, 2026

O Operário, os Poderes e a Lama: Uma Reflexão sobre a Corrupção em SC

 

A notícia de 29 prefeitos envolvidos em esquemas de corrupção em Santa Catarina não é apenas um dado estatístico ou um recorte policial; é a evidência de uma estrutura que, como diria Caetano Veloso, exala o odor de "podres poderes". Quando cruzamos essa realidade com a consciência de "O Operário em Construção", de Vinicius de Moraes, a indignação deixa de ser apenas um sentimento para se tornar uma denúncia ética.

1. A Traição ao Edificador (A Perspectiva de Vinicius)

No poema de Vinicius, o operário descobre que "a casa que ele fazia, sendo sua, era a sua prisão". Na política catarinense, os cidadãos — os verdadeiros "operários" que pagam impostos, constroem a economia e levantam as cidades — percebem agora que as prefeituras, que deveriam ser a casa da democracia, tornaram-se balcões de negócios.

·         O "Não" do Operário: Quando o operário de Vinicius diz "Não" ao patrão, ele está negando a exploração. A indignação diante de 29 prefeitos presos é o "Não" da população que percebe que o tijolo da escola, o cimento do hospital e o asfalto da rua foram superfaturados para alimentar o luxo de poucos.

·         A Consciência da Matéria: O operário compreende que "o valor das coisas" está no trabalho. A corrupção inverte essa lógica: ela retira o valor social da obra pública e o transforma em propina, desumanizando o serviço público.

2. A Estética do Atraso (A Perspectiva de Caetano)

Em "Podres Poderes", Caetano Veloso questiona: "Será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América católica, que sempre precisará de brancos sujos e pretos pobres?".

·         A Aristocracia da Propina: A prisão de tantos gestores em um estado que se orgulha de seus índices de desenvolvimento revela a face oculta desses "brancos sujos" — não na cor da pele, mas na ética dos colarinhos. É o poder que se mantém através de esquemas de lixo, saneamento e infraestrutura, os setores citados em operações como a Mensageiro.

·         A "Mente Burra": Caetano fala de uma "mente tão burra quanto o munda". A corrupção sistêmica é a prova dessa burrice institucional, onde o governante prefere o ganho imediato e ilícito à construção de um legado sólido. É a "ridiculização" da esperança popular.

3. A Mensagem de Indignação

A mensagem que emerge desse encontro literário e musical é a de que o silêncio não é mais uma opção.

·         Da Passividade à Construção: Assim como o operário de Vinicius que "aprendeu a ler" na realidade, a população catarinense está aprendendo a ler as entrelinhas dos contratos públicos. A indignação nasce do fato de que esses 29 prefeitos não roubaram apenas dinheiro; roubaram o tempo, a saúde e o futuro de comunidades inteiras.

·         A Superação dos "Podres Poderes": A indignação deve servir como ferramenta de demolição desse modelo político arcaico e corrupto. Não basta prender; é preciso que "o operário em construção" (o cidadão consciente) ocupe o espaço público para que os "podres poderes" não se regenerem sob novos nomes e siglas.

Concluindo

Enquanto os "podres poderes" se banqueteiam com o que deveria ser público, o "operário" (o povo) começa a notar que a sua força está em compreender que ele é o verdadeiro dono da obra. A prisão desses prefeitos é um capítulo de uma história que precisa ser reescrita: menos "poderes podres" e mais "mãos que constroem" com integridade.

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