quinta-feira, maio 21, 2026

Onde está o Cristo no "Programa Contra a Esmola" Pastor Marcelo??? (Parte II)

 

Lages e o Corpo Oculto de Cristo: O Higienismo no Tapete de Corpus Christi


Introdução: A Adoração Institucional vs. a Presença Real do Pobre

O debate que assombra Lages neste dia de Corpus Christi, 4 de junho de 2026, expõe uma contradição teológica e social insuportável na ética da nossa comunidade. Enquanto os fiéis católicos se reúnem em solenidade pública para adorar a "Presença Real" de Jesus no mistério da Eucaristia — o sacramento no qual o pão e o vinho se transubstanciam substancialmente em Seu Corpo e Sangue —, vozes influentes na Câmara de Vereadores e em lideranças religiosas insistem em políticas higienistas que buscam ocultar e criminalizar o corpo do pobre.

A insistência dos vereadores em adotar o falso discurso do "direito de ir e vir" para fazer dos moradores de rua os responsáveis pelas mazelas brasileiras não é uma política de gestão assistencial, mas uma política de "gestão do espaço urbano" que prioriza o conforto de quem consome em detrimento do direito à sobrevivência de quem é marginalizado. Trata-se do higienismo travestido de testemunho público de fé.


1. O Imperativo de Mateus 25:35-40: O Corpo Que Interrompe o Tapete

Para Mateus 25, o encontro com o vulnerável é o encontro com o próprio Sagrado. Jesus é seco e direto: "Sempre que o fizeram a um destes meus irmãos mais pequenos, a mim o fizeram." Ele não condiciona o auxílio à eficiência administrativa, à triagem burocrática ou ao mérito do necessitado. Existe apenas a urgência do faminto. Na solenidade de Corpus Christi, que celebra a partilha do pão na Última Ceia, Mateus nos lembra que adorar o Corpo de Cristo significa estender a mão ao corpo de quem tem fome hoje, sem esperar a morosidade de um processo administrativo.

No entanto, a proposta dos vereadores e do "Pastor Marcelo" de criar um "programa para mostrar que esmola não resolve" busca burocratizar a compaixão e criar um mecanismo de opacidade urbana. Quer-se delegar a caridade a uma instituição para que o corpo do pobre desapareça da nossa vista e não "atrapalhe" a estética dos tapetes ornamentais coloridos que adornam nossas ruas comerciais. É a "terceirização do amor ao próximo".


2. O Falso Testemunho Público: Adoração ou Marketing da Exclusão?

As tradições públicas de Corpus Christi, com missas e procissões onde o Santíssimo Sacramento é conduzido pelas ruas, são formas de testemunho público de fé. Contudo, em Lages, esse testemunho corre o risco de se tornar um "sepulcro caiado" se a adoração ao ostensório for acompanhada da rejeição ao pobre. O "Programa Contra a Esmola" é um mecanismo de distância; Mateus convida à proximidade. Trata-se da substituição da caridade (o amor em ação) pela filantropia de gabinete, que só ajuda se o indivíduo se enquadrar nas regras de um sistema que muitas vezes é o mesmo que o excluiu.

Celebrar o Corpo de Cristo apoiando projetos que estigmatizam e criminalizam quem pede ajuda nas ruas é o que a Bíblia chama de incoerência ética. Se a igreja e a Câmara de Vereadores se tornam o braço que aponta o dedo em vez da mão que sustenta, elas perdem sua função messiânica e transformam-se apenas em um clube de interesses sociais.


Concluindo: Cristo ou Marketing da Exclusão?

Neste feriado municipal de adoração ao Santíssimo Sacramento, Lages precisa escolher entre o Cristo de Mateus 25, que nos chama à ação imediata e à proximidade, ou o marketing da exclusão, que tenta limpar as ruas sob o pretexto de "ajudar melhor". A pergunta teológica que fica para os fiéis e para os gestores públicos é: se Cristo estivesse hoje sentado em uma calçada da nossa cidade, com fome e sede, sobre um dos tapetes de serragem, o "programa do vereador" permitiria que você o alimentasse, ou você teria que esperar a burocracia do sistema administrativo para exercer sua fé? Lages precisa decidir se segue o Corpo Partilhado ou a Higienização de Gabinete que busca terceirizar a compaixão.



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