O
Retrocesso da Reparação: Entre a Dívida Histórica e o Espectro Ideológico
A
discussão sobre o fim das cotas raciais ou de direitos reparatórios não ocorre
num vácuo. Quando esse movimento surge em estados ou regiões historicamente
associados a estigmas de extrema-direita ou simpatia por ideologias
nazi-fascistas, o debate deixa de ser meramente administrativo para se tornar
um embate de valores fundamentais.
1. A
Escravidão como Dívida Impagável
A
reparação histórica (como as cotas) não é um "privilégio", mas uma
tentativa de equilibrar uma balança que foi forçada para um lado durante
séculos.
O
Conceito de Dívida Social: Ao contrário de uma dívida financeira, a dívida da
escravidão é estrutural. Ela reflete-se na falta de acesso a terras, educação e
posições de poder.
A
Perda do Direito: Remover esses mecanismos de reparação é, simbolicamente,
reafirmar que a estrutura desigual deve ser preservada, ignorando o trauma
transgeracional.
2. O
Estigma do Contexto: Onde o Direito é Retirado
ü Se um
estado é apontado como "símbolo do nazifascismo" (seja por
estatísticas eleitorais, manifestações culturais ou incidentes isolados),
qualquer política que prejudique minorias ganha uma leitura muito mais sombria.
ü A
Estética da Exclusão: Em contextos onde ideologias de supremacia ou de
"mérito puro" (que ignoram o ponto de partida de cada indivíduo)
florescem, a retirada de direitos reparatórios é vista como uma vitória da
eugenia social.
ü O
Risco da Normalização: O perigo reside em transformar o fim da reparação numa
"política de estado" que valida sentimentos discriminatórios da
população, criando um ambiente hostil para quem deveria ser protegido.
3. Concluindo
Tratar
de reparação num terreno ideologicamente minado exige coragem para dar nome aos
bois. A perda de um direito reparatório num cenário de influência nazi-fascista
não é apenas um erro jurídico; é uma mensagem política de que certas vidas e
certas histórias continuam a ser consideradas descartáveis.







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