Artigo 4: O Dia da Infâmia e o Despertar Institucional
O
dia 8 de janeiro de 2023 não foi um acidente de percurso, mas o resultado
logístico de uma retórica de anos. Se os artigos anteriores mostraram a
formação das feridas e a metamorfose do discurso, este capítulo detalha o
momento em que a democracia brasileira foi testada em sua integridade física.
A
Anatomia do Caos
Analisamos
as horas que antecederam a invasão da Praça dos Três Poderes. A negligência —
ora planejada, ora operacional — permitiu que uma multidão inflamada por
teorias conspiratórias rompesse as barreiras do Congresso Nacional, do Palácio
do Planalto e do Supremo Tribunal Federal. O rastro de destruição não foi
apenas material (obras de arte, mobiliário histórico e vidraças); foi uma
tentativa de vandalizar os símbolos da República para deslegitimar o poder que
eles representam.
O
"Efeito Bumerangue"
Ironicamente,
a tentativa de golpe surtiu o efeito oposto ao desejado pelos insurgentes. O
artigo explora como o 8 de janeiro forçou uma união inédita entre os poderes:
1.
A
Reação do Judiciário:
O papel do STF como o "último bastião", endurecendo as medidas contra
o financiamento de atos antidemocráticos.
2.
O
Pacto Federativo:
A imagem dos governadores de estado caminhando junto ao Presidente da República
(exceto os cronicamente aliados ao ex presidente presidiário) e aos ministros do STF em direção ao Palácio
do Planalto depredado, simbolizando que a democracia não estava sozinha.
3.
A
Resposta Internacional:
Como o isolamento diplomático dos insurgentes demonstrou que o mundo não
aceitaria um retrocesso institucional no Brasil.
Lições
e Consequências
Este
artigo encerra com uma reflexão sobre a necessidade de responsabilização.
Discutimos por que a punição dos executores e, principalmente, dos
financiadores e mentores intelectuais, é vital para que o "nunca
mais" (frase icônica sobre a ditadura militar) não se torne apenas uma
promessa vazia, mas uma prática jurídica constante.
O 8
de janeiro deixou claro: a democracia é um organismo vivo que exige vigilância
constante. Não basta ter leis; é preciso ter o compromisso institucional de
aplicá-las quando o sistema é atacado por dentro.







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