"O
que o Pastor Zé Barbosa Jr. chama de 'Deus enlatado' é, na verdade, a aplicação
perfeita da 'Fábrica de Consenso' de Noam Chomsky. Em Santa Catarina, vemos
essa 'lata' sendo vendida todos os dias: usa-se o nome de Deus para justificar
o fim das cotas raciais, usa-se a 'família' para vetar o alimento da
agricultura familiar, e usa-se a 'pátria' para esconder que as nossas águas
estão sendo envenenadas por agrotóxicos. É o marketing da fé a serviço do
marketing do governo, ambos trabalhando para que você não abra a lata e veja o
que realmente está sendo servido."
1. A Estratégia da
Distração (O "Deus enlatado" como Cortina de Fumaça)
Chomsky
afirma que o controle social exige manter o público ocupado com temas insignificantes
ou puramente emocionais para que não percebam os problemas reais.
ü No
texto: O "Deus
enlatado" foca em pânicos morais (como ataques ao Carnaval ou à
diversidade) para que o fiel não questione as injustiças econômicas, o
envenenamento das águas ou o sucateamento das políticas sociais. A religião
vira o entretenimento que distrai da realidade.
2. Criar Problemas,
Depois Oferecer Soluções (A "Família sob Ataque")
Esta
tática consiste em criar uma ameaça imaginária para que o público aceite medidas
que, em situações normais, rejeitaria.
ü No
texto: Ao vender a
ideia de que a "Família" está em risco iminente de destruição, o
marketing político-religioso oferece como "solução" o apoio cego a
líderes autoritários e a negação de direitos a minorias (como as cotas raciais). O fiel abre mão de sua cidadania crítica para "salvar
a família" de um perigo fabricado.
3. Dirigir-se ao
Público como Crianças (A "Lata" e o Manual de Instruções)
Chomsky
explica que, para desarmar o senso crítico, a mídia e os líderes usam uma
linguagem simplista, como se estivessem falando com crianças.
ü No
texto: O "Deus
enlatado" vem com "instruções de uso" simplistas. Ele não aceita
dúvidas, complexidades ou o pensamento profundo. É uma fé mastigada, pronta
para o consumo, que desencoraja o fiel a pensar por conta própria,
transformando-o em um espectador passivo do "show da fé".
4. Utilizar o Aspecto
Emocional muito mais do que a Reflexão
O
uso da emoção é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise
racional.
ü No
texto: O slogan
"Deus, Pátria e Família" apela para o coração, não para a mente. Ele
gera um sentimento de pertencimento tribal ("nós contra eles").
Enquanto o fiel se emociona com o discurso, ele não percebe que está sendo
usado como massa de manobra para um projeto de poder que, na prática, retira o
seu prato de comida e contamina sua água.
5. Manter o Público
na Ignorância e na Mediocridade
Para
Chomsky, é preciso que as ferramentas de controle sejam inacessíveis à
compreensão do público.
ü No
texto: Ao transformar
Deus em uma "mercadoria" previsível, o projeto político descrito por
Zé Barbosa Jr. impede que o povo acesse o que ele chama de "Deus
vivo" — a espiritualidade que liberta, que traz justiça social e que
questiona o poder. Uma fé medíocre gera um cidadão medíocre e fácil de
governar.







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