domingo, março 22, 2026

Cresça... Cresça e Apareça Governador... (Parte IV)

 

A Ética da Negativa: Quando o Antagonismo Político Atropela o Interesse Público em SC

Santa Catarina vive um paradoxo administrativo que desafia os manuais de gestão pública. De um lado, um estado pujante, com cooperativas fortes e uma sociedade civil ativa; do outro, um comando executivo que parece priorizar a "estratégia do muro" em vez da "estratégia da ponte". A recente negativa do Governador Jorginho Mello em colaborar de forma harmônica com o Governo Federal não é apenas um detalhe burocrático, mas um posicionamento ideológico que cobra seu preço no cotidiano do cidadão catarinense.


O Custo da Ideologia sobre a Cooperação:

Ao analisarmos os episódios recentes, como as vaias em eventos públicos e a resistência em aderir a programas nacionais, percebemos que a gestão estadual optou por um figurino de "oposição permanente". No federalismo brasileiro, a colaboração entre entes é a engrenagem que faz chegar o recurso na ponta — na merenda escolar, na segurança alimentar e na infraestrutura. Quando um governador nega a colaboração para manter uma postura antagônica, ele não está apenas enfrentando Brasília; está, na prática, criando obstáculos para que benefícios federais alcancem os municípios catarinenses.


O ICMS e o Discurso da Soberania Estadual:

A discussão sobre o ICMS do diesel é um exemplo claro dessa queda de braço. Enquanto se aguarda decisões para "zerar" impostos, o discurso serve como uma blindagem política: atribui-se ao Governo Federal a culpa pela inflação, enquanto o Estado se coloca como o "salvador" condicionado. É uma tática de comunicação eficiente para as redes sociais, mas perigosa para o equilíbrio das contas públicas e para a previsibilidade econômica de quem produz.


Vaia: O Termômetro da Insatisfação:

As vaias recebidas pelo governador em encontros estaduais são o sintoma de que o discurso ideológico tem limites. O produtor rural, o cooperativista e o gestor municipal precisam de soluções práticas, não de embates retóricos. A filosofia socrática nos ensina que a justiça deve ser a busca final do homem público. Ora, é justo privar um estado de investimentos e parcerias apenas para alimentar um antagonismo partidário? A resposta, sob o ponto de vista da ética administrativa, é um sonoro não.


Concluindo: Santa Catarina não pode ser uma ilha isolada do Pacto Federativo.

A manutenção de um posicionamento antagônico apenas por conveniência eleitoral esvazia a função do cargo executivo. O papel de um governador é governar para todos, e isso exige a maturidade de sentar à mesa com quem pensa diferente para garantir o pão, o diesel e o desenvolvimento. No teatro da política, as vaias são o sinal de que a plateia — o povo — já percebeu que o espetáculo do confronto não enche o prato de ninguém.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...