A Ética
da Negativa: Quando o Antagonismo Político Atropela o Interesse Público em SC
Santa Catarina vive um paradoxo administrativo que desafia os
manuais de gestão pública. De um lado, um estado pujante, com cooperativas
fortes e uma sociedade civil ativa; do outro, um comando executivo que parece
priorizar a "estratégia do muro" em vez da "estratégia da
ponte". A recente negativa do Governador Jorginho Mello em colaborar de
forma harmônica com o Governo Federal não é apenas um detalhe burocrático, mas
um posicionamento ideológico que cobra seu preço no cotidiano do cidadão
catarinense.
O
Custo da Ideologia sobre a Cooperação:
Ao analisarmos os episódios recentes, como as vaias em eventos
públicos e a resistência em aderir a programas nacionais, percebemos que a
gestão estadual optou por um figurino de "oposição permanente". No
federalismo brasileiro, a colaboração entre entes é a engrenagem que faz chegar
o recurso na ponta — na merenda escolar, na segurança alimentar e na
infraestrutura. Quando um governador nega a colaboração para manter uma postura
antagônica, ele não está apenas enfrentando Brasília; está, na prática, criando
obstáculos para que benefícios federais alcancem os municípios catarinenses.
O
ICMS e o Discurso da Soberania Estadual:
A discussão sobre o ICMS do diesel é um exemplo claro dessa
queda de braço. Enquanto se aguarda decisões para "zerar" impostos, o
discurso serve como uma blindagem política: atribui-se ao Governo Federal a
culpa pela inflação, enquanto o Estado se coloca como o "salvador"
condicionado. É uma tática de comunicação eficiente para as redes sociais, mas
perigosa para o equilíbrio das contas públicas e para a previsibilidade
econômica de quem produz.
Vaia:
O Termômetro da Insatisfação:
As vaias recebidas pelo governador em encontros estaduais são o
sintoma de que o discurso ideológico tem limites. O produtor rural, o
cooperativista e o gestor municipal precisam de soluções práticas, não de
embates retóricos. A filosofia socrática nos ensina que a justiça deve ser a
busca final do homem público. Ora, é justo privar um estado de investimentos e
parcerias apenas para alimentar um antagonismo partidário? A resposta, sob o
ponto de vista da ética administrativa, é um sonoro não.
Concluindo:
Santa
Catarina não pode ser uma ilha isolada do Pacto Federativo.
A manutenção de um posicionamento antagônico apenas por
conveniência eleitoral esvazia a função do cargo executivo. O papel de um
governador é governar para todos, e isso exige a maturidade de sentar à mesa
com quem pensa diferente para garantir o pão, o diesel e o desenvolvimento. No
teatro da política, as vaias são o sinal de que a plateia — o povo — já
percebeu que o espetáculo do confronto não enche o prato de ninguém.







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