segunda-feira, março 23, 2026

VAI PIORAR... E PIORAR MUITO.. (Parte IV)

 

O Relógio da ONU vs. a Cegueira Deliberada da "Bancada da Lama"

O mais recente relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) (março 2026) não deixa margem para dúvidas: a Terra está esquentando mais rápido do que as projeções mais pessimistas previam. Não estamos mais falando de um "problema para o futuro", mas de um colapso em tempo real. No entanto, enquanto o planeta arde, nos corredores do poder brasileiro, uma parcela da classe política trabalha arduamente para apagar os extintores.


1. A Ciência é Inquestionável: O Grito da ONU

O relatório da ONU confirma que os recordes de temperatura estão sendo quebrados sucessivamente. O aquecimento acelerado traz consigo eventos extremos que já conhecemos bem no Sul do Brasil: secas prolongadas que castigam o agronegócio sério e enchentes devastadoras que destroem infraestruturas. A ciência alerta que a preservação da cobertura vegetal é a nossa única "infraestrutura natural" capaz de mitigar esses efeitos.


2. A Estratégia do Negacionismo Tecnológico

Em um contraste escandaloso com a urgência climática, assistimos a movimentações parlamentares (como a do  deputado federal Lúcio Mosquini (MDB-RO), que beiram o absurdo ético. Um exemplo gritante é o projeto de lei que tenta barrar o uso de imagens de satélite para a aplicação de multas ambientais.

Não se enganem: não se trata de "desburocratização". É uma tentativa de cegar o Estado. Em um país de dimensões continentais, o monitoramento remoto é a ferramenta mais eficiente e barata de fiscalização. Tentar proibi-lo é como querer proibir o uso de radares em rodovias para beneficiar quem gosta de correr acima do limite.


3. A "Bancada da Lama": Conflito de Interesses e Ética Ferida

A "canalhice" ganha contornos de escândalo quando revelamos os fios que movem essas marionetes legislativas. Ao descobrirmos que deputados que propõem o enfraquecimento da fiscalização receberam doações de campanha de fazendeiros já punidos pelo Ibama, o quadro se completa.

Esta é a Bancada da Lama: um grupo que coloca o lucro imediato de infratores acima da segurança hídrica, da viabilidade agrícola e da vida da população. Eles legislam em causa própria (ou em causa de seus financiadores), ignorando que o desmatamento ilegal é o maior inimigo do próprio agronegócio sustentável, que depende de chuvas regulares para existir.


4. A Resistência: Ética e Restauração

Contra a lama da corrupção ambiental, a resposta precisa ser a transparência e a regeneração. Enquanto eles tentam facilitar o desmatamento, nós precisamos fortalecer os Sistemas Agroflorestais e a restauração de biomas como a Mata Atlântica.

Precisamos de uma administração pública que honre os princípios de transparência e que não se curve a interesses privados que hipotecam o nosso futuro comum. Negar a ciência do satélite para proteger o desmatador não é apenas um erro político; é um crime ético contra as próximas gerações.

 

5. O Ataque à Inteligência Geográfica: O PL da Impunidade Tecnológica

A proposta do deputado federal Lúcio Mosquini (MDB-RO),  (que recebeu doações de infratores ambientais) não é apenas um retrocesso político; é uma tentativa de desmonte tecnológico. O projeto visa impedir que o Ibama e o ICMBio utilizem imagens de satélite como prova única para a aplicação de multas remotas.

Por que isso é esdrúxulo e perigoso?

1.    O Fim da Resposta Rápida: Atualmente, sistemas como o DETER (Inpe) e o MapBiomas permitem detectar um desmatamento em tempo real. Se a fiscalização for impedida de multar remotamente, o Estado será obrigado a enviar equipes por terra a locais de difícil acesso na Amazônia ou na Mata Atlântica para "confirmar" o que o satélite já provou. Isso gera um custo astronômico e dá tempo para o infrator esconder o crime ou consolidar o dano.

2.    Inversão do Ônus da Prova: O sensoriamento remoto no Brasil é referência mundial. Questionar a precisão de um satélite para proteger quem desmata é como questionar o DNA em uma investigação criminal para proteger um suspeito. É o uso do mandato parlamentar para criar um "ponto cego" legal no território nacional.

3.    O Conflito de Interesses Escancarado: A matéria revela o DNA dessa iniciativa: o parlamentar foi financiado por quem já sentiu o peso da lei ambiental. Quando um legislador tenta proibir a ferramenta que puniu seu financiador, ele não está legislando para o Brasil; está prestando um serviço de "blindagem" para a criminalidade ambiental.


6. A Conexão com a "Bancada da Lama"

Essa manobra é o modus operandi da Bancada da Lama. Eles operam em duas frentes:

ü  No Legislativo: Criando leis que dificultam a fiscalização (como este PL dos satélites).

ü  No Executivo Regional: Pressionando pela flexibilização de licenciamentos e pela não adesão a pactos climáticos federais.

O objetivo final é um só: garantir que a "porteira passe" sem que os olhos da tecnologia e da lei possam ver. Enquanto a ONU alerta que o tempo acabou, esses atores tentam atrasar o relógio da fiscalização em 30 anos.

 

7. O Custo do Isolamento: Como a "Cegueira Tecnológica" Espanta o Investimento

Para além da "canalhice" ética e do crime ambiental, a iniciativa de barrar o uso de satélites é um suicídio económico. Vivemos numa era em que o capital global é condicionado por critérios de ESG (Ambiente, Social e Governança). O Brasil só recebe recursos de mecanismos como o Fundo Amazónia, o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e fundos específicos para a Mata Atlântica porque o mundo confia na nossa capacidade de monitorização remota.

O investidor internacional — e até o comprador da nossa soja e carne — exige a chamada "rastreabilidade total". Ao tentar "cegar" os satélites do Ibama para proteger doadores de campanha, o deputado e a sua bancada estão, na verdade, sabotando o acesso do agronegócio moderno ao crédito e aos mercados externos.

Nenhum fundo internacional colocará um cêntimo num país que proíbe o uso da ciência para fiscalizar o cumprimento da lei. A "Bancada da Lama" não está apenas a destruir florestas; está a destruir a reputação do Brasil como potência ambiental e a fechar as portas para o financiamento da transição ecológica e da restauração que tanto precisamos em regiões como o Paraná e Santa Catarina.


8. A Lista da Vergonha: Quem votou para flexibilizar o licenciamento

Partido

Deputado(a)

PL

Caroline de Toni

PL

Daniel Freitas

PL

Daniela Reinehr

PL

Ricardo Guidi

PL

Zé Trovão

MDB

Cobalchini

MDB

Luiz Fernando Vampiro

MDB

Pezenti

NOVO

Gilson Marques

PP

Coronel Armando

PSDB

Geovania de Sá

União

Fabio Schiochet

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...