A Ética da Omissão: Quando a "Boca Alugada" Silencia o Nome de Quem Faz
No último
dia 10 de abril, os ouvintes de Lages testemunharam um exercício de malabarismo
retórico. Por mais de cinco minutos, uma das principais rádios da cidade
celebrou as novas contratações do programa Mais Médicos para Santa Catarina. O apresentador
detalhou os benefícios para os municípios do interior, mas "esqueceu"
do detalhe fundamental: o nome do Governo Federal e do Presidente Lula, os verdadeiros responsáveis pelo
programa.
Este
silêncio não é um lapso; é um sintoma. É a engrenagem da "mídia de boca
alugada" funcionando a pleno vapor sob o financiamento da máquina de publicidade de Jorginho
Mello.
1. A Matemática da Narrativa
Comprada
Para
entender por que alguns nomes são proibidos e outros são santificados no rádio,
basta olhar para o Portal da
Transparência. O governo de Santa Catarina não investe apenas em asfalto
(onde, como já vimos, a conta raramente fecha); ele investe pesado na compra de
narrativas:
ü A Explosão
dos Gastos: O governo
Jorginho Mello aumentou em 136%
os gastos com publicidade.
ü A
"Verba da Educação" no Rádio: Lembremos que, em 2024, houve um polêmico remanejamento de R$ 15 milhões da Educação
Básica para a Secretaria de Comunicação (SECOM) para custear campanhas.
2. O Salto dos Números: De 2024 a 2026
Para que o
leitor entenda a gravidade, precisamos olhar para a linha do tempo do
"investimento" em imagem deste governo:
ü 2024
(Consolidado): O governo
liquidou cerca de R$ 111,7
milhões em publicidade, um aumento que já assustava os órgãos de controle.
ü 2025
(Executado): O valor
saltou para aproximadamente R$
163,5 milhões. Este foi o ano do "recorde", onde o aumento de 136% em relação ao
primeiro ano de mandato se materializou, irrigando veículos de comunicação em
todo o estado com verbas que, em parte, foram desviadas da educação básica.
ü 2026
(Previsto): O orçamento
aprovado para este ano é de R$
179,8 milhões.
O Contraste
que Dói: Enquanto a Rádio Clube de Lages
gasta 5 minutos para falar do Mais
Médicos sem citar o Governo Federal, ela ignora que os R$ 163,5 milhões gastos pelo Estado
em propaganda em 2025 seriam suficientes para pagar o salário de mais de 1.000 médicos por um ano
inteiro em cidades que hoje não têm sequer um clínico geral.
3. Como o Dinheiro Chega à "Boca Alugada"
O cidadão
precisa entender que o Estado não paga a rádio diretamente. O dinheiro sai do
Tesouro, passa por agências como a Neovox Comunicação ou a One One Inteligência (que gerenciam esses quase R$
180 milhões (a um custo de 20% deste montante) e é distribuído aos veículos
regionais. Quando uma rádio recebe essa fatia do "bolo" publicitário,
o compromisso ético com a verdade muitas vezes é substituído pela conveniência
do financiador.
Por isso, se
o benefício vem do Governo Federal, ele é lido como uma "conquista
etérea" do município. Se o benefício fosse estadual, o nome do governador
seria repetido como um mantra.
3. O Preço da Desumanização
Política
A negativa
de Jorginho Mello em colaborar harmonicamente com o Governo Federal não é
apenas burocrática, é uma estratégia
de muro. Ao apagar a digital do governo Lula em programas essenciais como o
Mais Médicos, a mídia financiada pelo Estado pratica uma deslegitimação
desonesta.
Trata-se de
um paradoxo administrativo: Santa Catarina é um estado pujante, mas sua
comunicação oficial opera sob a lógica da asfixia do contraditório. Enquanto se retira
dinheiro da educação básica para inflar os contratos das agências de
propaganda, o rádio local se torna uma extensão do gabinete do governador,
ignorando o interesse público em favor do interesse de quem paga a nota.
Concluindo: Quem Paga a Banda
Escolhe a Música
A
"mídia de boca alugada" é a ferramenta que transforma milhões em
impostos em minutos de bajulação ou silêncio seletivo. O episódio da Rádio
Clube é pedagógico: mostra que, para esses veículos, o Mais Médicos só é bom se
o nome do "dono da verba publicitária local" puder ser associado à
notícia, direta ou indiretamente.
Lages e
Santa Catarina merecem uma comunicação que respeite os fatos. O Mais Médicos
está salvando vidas no interior catarinense por decisão do Governo Federal.
Omitir isso não é jornalismo; é recibo de pagamento.








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