terça-feira, abril 14, 2026

É a Mídia Boca Alugada Lageana em Ação... (parte I)

 A Ética da Omissão: Quando a "Boca Alugada" Silencia o Nome de Quem Faz

No último dia 10 de abril, os ouvintes de Lages testemunharam um exercício de malabarismo retórico. Por mais de cinco minutos, uma das principais rádios da cidade celebrou as novas contratações do programa Mais Médicos para Santa Catarina. O apresentador detalhou os benefícios para os municípios do interior, mas "esqueceu" do detalhe fundamental: o nome do Governo Federal e do Presidente Lula, os verdadeiros responsáveis pelo programa.

Este silêncio não é um lapso; é um sintoma. É a engrenagem da "mídia de boca alugada" funcionando a pleno vapor sob o financiamento da máquina de publicidade de Jorginho Mello.


1. A Matemática da Narrativa Comprada

Para entender por que alguns nomes são proibidos e outros são santificados no rádio, basta olhar para o Portal da Transparência. O governo de Santa Catarina não investe apenas em asfalto (onde, como já vimos, a conta raramente fecha); ele investe pesado na compra de narrativas:

ü  A Explosão dos Gastos: O governo Jorginho Mello aumentou em 136% os gastos com publicidade.

ü  A "Verba da Educação" no Rádio: Lembremos que, em 2024, houve um polêmico remanejamento de R$ 15 milhões da Educação Básica para a Secretaria de Comunicação (SECOM) para custear campanhas.


2. O Salto dos Números: De 2024 a 2026

Para que o leitor entenda a gravidade, precisamos olhar para a linha do tempo do "investimento" em imagem deste governo:

ü  2024 (Consolidado): O governo liquidou cerca de R$ 111,7 milhões em publicidade, um aumento que já assustava os órgãos de controle.

ü  2025 (Executado): O valor saltou para aproximadamente R$ 163,5 milhões. Este foi o ano do "recorde", onde o aumento de 136% em relação ao primeiro ano de mandato se materializou, irrigando veículos de comunicação em todo o estado com verbas que, em parte, foram desviadas da educação básica.

ü  2026 (Previsto): O orçamento aprovado para este ano é de R$ 179,8 milhões.


O Contraste que Dói: Enquanto a Rádio Clube de Lages gasta 5 minutos para falar do Mais Médicos sem citar o Governo Federal, ela ignora que os R$ 163,5 milhões gastos pelo Estado em propaganda em 2025 seriam suficientes para pagar o salário de mais de 1.000 médicos por um ano inteiro em cidades que hoje não têm sequer um clínico geral.


3. Como o Dinheiro Chega à "Boca Alugada"

O cidadão precisa entender que o Estado não paga a rádio diretamente. O dinheiro sai do Tesouro, passa por agências como a Neovox Comunicação ou a One One Inteligência (que gerenciam esses quase R$ 180 milhões (a um custo de 20% deste montante) e é distribuído aos veículos regionais. Quando uma rádio recebe essa fatia do "bolo" publicitário, o compromisso ético com a verdade muitas vezes é substituído pela conveniência do financiador.

Por isso, se o benefício vem do Governo Federal, ele é lido como uma "conquista etérea" do município. Se o benefício fosse estadual, o nome do governador seria repetido como um mantra.


3. O Preço da Desumanização Política

A negativa de Jorginho Mello em colaborar harmonicamente com o Governo Federal não é apenas burocrática, é uma estratégia de muro. Ao apagar a digital do governo Lula em programas essenciais como o Mais Médicos, a mídia financiada pelo Estado pratica uma deslegitimação desonesta.

Trata-se de um paradoxo administrativo: Santa Catarina é um estado pujante, mas sua comunicação oficial opera sob a lógica da asfixia do contraditório. Enquanto se retira dinheiro da educação básica para inflar os contratos das agências de propaganda, o rádio local se torna uma extensão do gabinete do governador, ignorando o interesse público em favor do interesse de quem paga a nota.


Concluindo: Quem Paga a Banda Escolhe a Música

A "mídia de boca alugada" é a ferramenta que transforma milhões em impostos em minutos de bajulação ou silêncio seletivo. O episódio da Rádio Clube é pedagógico: mostra que, para esses veículos, o Mais Médicos só é bom se o nome do "dono da verba publicitária local" puder ser associado à notícia, direta ou indiretamente.

Lages e Santa Catarina merecem uma comunicação que respeite os fatos. O Mais Médicos está salvando vidas no interior catarinense por decisão do Governo Federal. Omitir isso não é jornalismo; é recibo de pagamento.



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