O Santo Nome em Vão: O Uso Escroto de Deus como Escudo do
Extremismo e da Insanidade
A mensagem
de liberdade e solidariedade da Páscoa nos convida à reflexão, mas também nos
obriga ao alerta. Vivemos tempos em que o nome de Deus é sequestrado por
figuras que representam o oposto da fraternidade cristã. O que vemos hoje na
extrema direita e nos flertes com o nazifascismo não é fé, é o uso estratégico
do sagrado para validar o bizarro, o autoritário e até o criminoso.
1) O Messianismo de Fachada e a
Comparação Blasfema
O perigo
começa quando o líder político é elevado ao status de divindade. Recentemente,
a conselheira espiritual da Casa
Branca causou revolta ao comparar Donald Trump a Jesus Cristo. Essa
"sacralização" de um líder marcado pelo ódio e pelo isolacionismo é a
porta de entrada para o nazifascismo: se o líder é como Deus, ele está acima
das leis, da ética e da humanidade. É a "insanidade" que Jeffrey
Sachs denunciou, agora vestida de púrpura.
2) Do "Pé de Goiaba" ao
"Giro do Pix": O Misticismo que Manipula
No Brasil, a
exploração da fé atingiu níveis caricatos, mas perigosos. Damares Alves utilizou o relato
de ter visto Jesus em um pé de
goiaba para construir uma narrativa que mistura trauma real com
conveniência política, infantilizando o debate público.
Na mesma
linha de "conversa direta", vemos Deltan Dallagnol, que após perder seu mandato,
afirmou ter tido uma conversa com
Deus no avião, interpretando uma "chuva de Pix" como resposta divina.
Quando a divindade é reduzida a um gerente de transferências bancárias para
sustentar políticos cassados, a espiritualidade é prostituída pelo interesse
financeiro.
3) O Esoterismo Bizarro de Milei
e Marçal
O extremismo
moderno também se alimenta de um misticismo delirante. O presidente argentino Javier Milei afirma receber conselhos políticos do espírito de
seu cachorro morto, Conan, através de médiuns, e justifica sua trajetória
como uma missão enviada pelas "forças do céu".
Aqui no
Brasil, Pablo Marçal vende a
ideia de um "relacionamento pessoal direto" com Deus, transformando
códigos bíblicos em mentoria de
prosperidade e usando a identidade de "filho amado" para validar
um projeto de poder que ignora instituições, focando apenas no culto ao próprio
ego e na mercantilização da fé.
4) O "Escolhido" e a
Impunidade Divina
Jair
Bolsonaro elevou o uso político de Deus ao
patamar de Estado. Ao afirmar que "só Deus o tiraria da cadeira presidencial"
ou que "por Deus, nunca
seria preso", ele tentou criar uma jurisdição divina que o protegesse
das investigações por coação, tentativa de golpe e corrupção (como o caso dos
chocolates e das vacinas). Bolsonaro e sua esposa, Michelle, moldaram a
narrativa de um "escolhido", onde qualquer crítica às suas ações
"insanas" ou indícios de crime é tratada como um ataque ao próprio
Criador.
5) O Perdão de Conveniência: O
Caso Richthofen
A deturpação
da fé chega ao seu ápice quando o sagrado é usado para lavar crimes hediondos.
O relato de Suzane von Richthofen,
afirmando que "Deus já a
perdoou" por matar os pais, ilustra como o nome de Deus é usado para
encerrar discussões éticas e evitar a reparação social. É o uso do divino para
anular o remorso e a justiça dos homens.
6) O Compromisso com a Nossa Terra
Para nós,
catarinenses, o desafio é claro. Santa Catarina não pode ser um laboratório de
misticismos delirantes ou de líderes que usam o sagrado como cortina de fumaça
para a incompetência e a corrupção. O nosso estado, com sua pujança e história,
merece políticos que foquem na realidade: na eficiência da agroindústria, na restauração ambiental das nossas
matas e no cuidado real com
as pessoas através de políticas públicas sérias. Precisamos de gestão baseada
na ciência, na ética e no cooperativismo, e não de encenações religiosas para
esconder erros administrativos. Que a nossa maior libertação seja a escolha
pela sanidade e pelo trabalho que realmente transforma a vida em solo
catarinense.
Concluindo: Libertar Deus dos Extremistas
O que une
Milei, Trump, Bolsonaro, Marçal, Dallagnol e Damares não é a fé, mas o uso
escroto dela. Eles criam um "Deus sob medida" que não cobra ética,
não exige cuidado com o meio ambiente e não defende a democracia. Ao contrário,
o Deus deles apoia golpes, aconselha através de cães mortos, envia Pix e valida
o ódio contra oponentes.
Nesta Quaresma
(Tempo Pascal), nossa missão é desmascarar esses falsos profetas. A verdadeira
solidariedade entre os povos irmãos exige que retiremos o nome de Deus das mãos
de quem o usa para justificar o nazifascismo e a estupidez política. O futuro
de Santa Catarina e do Brasil depende da nossa sanidade em separar o altar do
palanque.








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