quarta-feira, abril 08, 2026

Quando os Homens em Suas Insanidades e Delírios, Criaram DEUS á Sua Imagem e Semelhança.... (Parte II)

 

O Santo Nome em Vão: O Uso Escroto de Deus como Escudo do Extremismo e da Insanidade

A mensagem de liberdade e solidariedade da Páscoa nos convida à reflexão, mas também nos obriga ao alerta. Vivemos tempos em que o nome de Deus é sequestrado por figuras que representam o oposto da fraternidade cristã. O que vemos hoje na extrema direita e nos flertes com o nazifascismo não é fé, é o uso estratégico do sagrado para validar o bizarro, o autoritário e até o criminoso.


1) O Messianismo de Fachada e a Comparação Blasfema

O perigo começa quando o líder político é elevado ao status de divindade. Recentemente, a conselheira espiritual da Casa Branca causou revolta ao comparar Donald Trump a Jesus Cristo. Essa "sacralização" de um líder marcado pelo ódio e pelo isolacionismo é a porta de entrada para o nazifascismo: se o líder é como Deus, ele está acima das leis, da ética e da humanidade. É a "insanidade" que Jeffrey Sachs denunciou, agora vestida de púrpura.


2) Do "Pé de Goiaba" ao "Giro do Pix": O Misticismo que Manipula

No Brasil, a exploração da fé atingiu níveis caricatos, mas perigosos. Damares Alves utilizou o relato de ter visto Jesus em um pé de goiaba para construir uma narrativa que mistura trauma real com conveniência política, infantilizando o debate público.

Na mesma linha de "conversa direta", vemos Deltan Dallagnol, que após perder seu mandato, afirmou ter tido uma conversa com Deus no avião, interpretando uma "chuva de Pix" como resposta divina. Quando a divindade é reduzida a um gerente de transferências bancárias para sustentar políticos cassados, a espiritualidade é prostituída pelo interesse financeiro.


3) O Esoterismo Bizarro de Milei e Marçal

O extremismo moderno também se alimenta de um misticismo delirante. O presidente argentino Javier Milei afirma receber conselhos políticos do espírito de seu cachorro morto, Conan, através de médiuns, e justifica sua trajetória como uma missão enviada pelas "forças do céu".

Aqui no Brasil, Pablo Marçal vende a ideia de um "relacionamento pessoal direto" com Deus, transformando códigos bíblicos em mentoria de prosperidade e usando a identidade de "filho amado" para validar um projeto de poder que ignora instituições, focando apenas no culto ao próprio ego e na mercantilização da fé.


4) O "Escolhido" e a Impunidade Divina

Jair Bolsonaro elevou o uso político de Deus ao patamar de Estado. Ao afirmar que "só Deus o tiraria da cadeira presidencial" ou que "por Deus, nunca seria preso", ele tentou criar uma jurisdição divina que o protegesse das investigações por coação, tentativa de golpe e corrupção (como o caso dos chocolates e das vacinas). Bolsonaro e sua esposa, Michelle, moldaram a narrativa de um "escolhido", onde qualquer crítica às suas ações "insanas" ou indícios de crime é tratada como um ataque ao próprio Criador.


5) O Perdão de Conveniência: O Caso Richthofen

A deturpação da fé chega ao seu ápice quando o sagrado é usado para lavar crimes hediondos. O relato de Suzane von Richthofen, afirmando que "Deus já a perdoou" por matar os pais, ilustra como o nome de Deus é usado para encerrar discussões éticas e evitar a reparação social. É o uso do divino para anular o remorso e a justiça dos homens.


6) O Compromisso com a Nossa Terra

Para nós, catarinenses, o desafio é claro. Santa Catarina não pode ser um laboratório de misticismos delirantes ou de líderes que usam o sagrado como cortina de fumaça para a incompetência e a corrupção. O nosso estado, com sua pujança e história, merece políticos que foquem na realidade: na eficiência da agroindústria, na restauração ambiental das nossas matas e no cuidado real com as pessoas através de políticas públicas sérias. Precisamos de gestão baseada na ciência, na ética e no cooperativismo, e não de encenações religiosas para esconder erros administrativos. Que a nossa maior libertação seja a escolha pela sanidade e pelo trabalho que realmente transforma a vida em solo catarinense.

 

Concluindo: Libertar Deus dos Extremistas

O que une Milei, Trump, Bolsonaro, Marçal, Dallagnol e Damares não é a fé, mas o uso escroto dela. Eles criam um "Deus sob medida" que não cobra ética, não exige cuidado com o meio ambiente e não defende a democracia. Ao contrário, o Deus deles apoia golpes, aconselha através de cães mortos, envia Pix e valida o ódio contra oponentes.

Nesta Quaresma (Tempo Pascal), nossa missão é desmascarar esses falsos profetas. A verdadeira solidariedade entre os povos irmãos exige que retiremos o nome de Deus das mãos de quem o usa para justificar o nazifascismo e a estupidez política. O futuro de Santa Catarina e do Brasil depende da nossa sanidade em separar o altar do palanque.



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