sábado, março 14, 2026

O Teatro das Incoerências: Jorginho Mello, a "Ética do Descarte" e o Abandono da Serra

 

Enquanto Santa Catarina enfrenta um dos seus períodos mais instáveis — com tornados no litoral e uma seca devastadora que sufoca a nossa Serra Catarinense —, a política praticada na capital, Florianópolis, parece habitar uma realidade paralela. O que vemos hoje é um governo de "prioridades invertidas", onde o marketing cintilante da TV tenta esconder uma gestão pautada pela incoerência e pelo oportunismo.


1. A Confissão da Mitomania: Contra a Reeleição, mas Candidatíssimo

A contradição mais recente de Jorginho Mello beira o inacreditável. Em entrevista ao portal MSN/Estadão, o governador afirmou que, para ele, "não tinha que ter reeleição". No entanto, no mesmo fôlego, confirmou que tentará o segundo mandato este ano.

Se o próprio governador admite que o modelo de reeleição é prejudicial, por que ele insiste em nos impor mais quatro anos de sua gestão? A resposta é clara: a manutenção do poder vale mais do que qualquer convicção ética. É o auge da mitomania política: diz-se uma coisa para parecer reformador, mas faz-se outra para garantir a cadeira.


2. Universidade Gratuita: O Bolsa-Luxo para Milionários

Enquanto o governador "joga o jogo da reeleição", o dinheiro dos seus impostos está sendo desviado de quem realmente precisa. Uma auditoria do Tribunal de Contas (TCE-SC), ecoada por denúncias do PT-SC, revelou que o programa Universidade Gratuita virou um verdadeiro "Bolsa-Luxo".

  • Enquanto o filho do trabalhador em Lages e Anita Garibaldi luta para pagar as contas, o Estado financia estudantes com patrimônio milionário.
  • É uma escolha política perversa: em vez de investir na Saúde, que agoniza com filas intermináveis, ou na Segurança, o governo prefere manter uma vitrine eleitoral cara e sem fiscalização, ignorando programas federais como o Prouni que poderiam suprir a demanda sem drenar o cofre estadual.


3. Lages e a "Ética do Descarte"

Para nós, na Serra, o cenário é de abandono. Como bem analisou o portal SC em Pauta, vivemos sob a "ética do descarte". Lideranças locais, como a prefeita Carmen Zanotto, são usadas como peças de xadrez no tabuleiro do governador. Alianças são feitas e desfeitas por conveniência, nunca por projeto.

O resultado? Lages está no "ponto cego" do governo. O dinheiro que deveria estar recuperando nossas SCs e auxiliando os produtores rurais de Campo Belo do Sul e Cerro Negro na seca, está preso na engrenagem de propaganda de um governador que muda de opinião conforme o vento das pesquisas — a mesma facilidade com que mudou sua autodeclaração racial de pardo para branco.


4. O Boleto da Incoerência

Não há agronegócio ou indústria que resista à falta de palavra. Quando nossos deputados — a "bancada da lama" — votam para flexibilizar o licenciamento ambiental, eles não estão ajudando o produtor; estão nos deixando vulneráveis a desastres climáticos que já custaram R$ 3,9 bilhões ao país no último ano.


5. A Lista da Vergonha: Quem votou para flexibilizar o licenciamento

Partido

Deputado(a)

PL

Caroline de Toni

PL

Daniel Freitas

PL

Daniela Reinehr

PL

Ricardo Guidi

PL

Zé Trovão

MDB

Cobalchini

MDB

Luiz Fernando Vampiro

MDB

Pezenti

NOVO

Gilson Marques

PP

Coronel Armando

PSDB

Geovania de Sá

União

Fabio Schiochet



Concluindo: Santa Catarina merece a verdade. Não podemos aceitar um governo que governa para o espelho. Entre a propaganda de "estado pujante" e a retroescavadeira abrindo bebedouros desesperadamente no interior da Serra, a mentira tem perna curta. Em 2026, o eleitor catarinense precisará decidir: continuaremos financiando o teatro de um "mitômano assumido" ou exigiremos uma gestão que respeite o nosso suor e a nossa terra?

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