terça-feira, maio 19, 2026

Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros... Imoralidade sem fim...(Parte XIV)

 

A Cultura do "Quem Clicar Primeiro Leva": Como a Burocracia Fere a Moralidade Pública em Santa Catarina

O recente episódio envolvendo o Programa de Incentivo à Cultura (PIC) de Santa Catarina acendeu um alerta vermelho sobre como a gestão pública gerencia os recursos da sociedade. A decisão da Justiça catarinense de determinar a reabertura imediata do programa — após o encerramento abrupto das inscrições em menos de 4 horas — expõe uma ferida que vai além de uma simples falha técnica. Trata-se de uma discussão profunda sobre os conceitos de eficiência, isonomia e moralidade no trato do dinheiro público.


1. O Caso: Uma Corrida de 100 Metros no Servidor do Governo

As regras do edital da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) previam o fechamento automático do sistema assim que o teto de R$ 75 milhões fosse atingido. O resultado? Uma corrida desenfreada contra o relógio. Em poucas horas, a verba esgotou-se, deixando a grande maioria dos produtores e artistas do estado de fora.

A revolta do setor artístico foi imediata e legítima. Afinal, desde quando a velocidade do clique do mouse ou a qualidade da conexão de internet de um proponente passou a ser o critério de validação de uma obra de arte?


2. O Enquadramento Conceitual: Que Tipo de Disfunção É Essa?

Quando vemos R$ 75 milhões desaparecerem em 4 horas sem qualquer análise de mérito, a primeira palavra que vem à mente do cidadão é "corrupção". No entanto, para entender o problema e combatê-lo, precisamos usar os conceitos corretos da ciência política e do direito administrativo:

a. Violação dos Princípios da Administração Pública (Improbidade)

A intervenção do juiz Alexandre Murilo Schramm baseou-se no fato de que o edital feria os pilares do Artigo 37 da Constituição Federal:

·         Isonomia e Impessoalidade: O formato favorece unicamente os grandes proponentes, que possuem estruturas jurídicas e tecnológicas robustas prontas para protocolar projetos de alto valor instantaneamente. Isso exclui o pequeno produtor, o artista do interior e as iniciativas periféricas, criando uma desigualdade artificial.

·         Razoabilidade e Finalidade: A finalidade de um fundo de cultura é fomentar a diversidade e a qualidade artística, e não premiar a "rapidez operacional".

b. Corrupção Institucional e Captura do Estado

Ainda que não haja a figura clássica da propina ou do suborno individualizado, o desenho desse processo configura o que a sociologia chama de Corrupção Institucional. É quando as regras do jogo são estruturadas (por incompetência ou conveniência) de forma a desviar a finalidade pública do órgão, permitindo a Captura do Estado por um grupo seleto de atores que já dominam os meandros da máquina burocrática.


3. A Resposta Pedagógica da Justiça

Ao suspender as homologações e obrigar a reabertura do PIC com prazos razoáveis e pré-definidos, o Poder Judiciário aplicou um corretivo pedagógico na gestão cultural do estado. A cultura não pode ser tratada como um balcão de liquidação por ordem de chegada. Ela exige critérios claros de mérito, impacto social, democratização de acesso e descentralização regional.


Concluindo: Fiscalização, Controle Social e Dignidade

Acompanhar os desdobramentos oficiais desse processo pelo Portal de Notícias da ALESC não é apenas um direito, mas um dever de cidadania. O episódio do PIC-SC deixa uma lição pedagógica profunda: a vigilância sobre a burocracia estatal deve ser permanente para evitar que a eficiência operacional seja usada como fachada para a exclusão social.

O patrimônio público e o incentivo à identidade catarinense não podem ficar reféns de servidores de computador congestionados ou de editores de costas para a realidade do setor. Cultura é permanência, reflexão, história e identidade; reduzi-la a uma corrida de cliques é a falência do planejamento público e o sepultamento do mérito. Que a reabertura imposta pela Justiça seja o primeiro passo para devolver a dignidade e a igualdade de condições que os nossos artistas e produtores tanto merecem.



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