Lages e o "Conto dos Milhões": Quando o Anúncio não Encontra a Realidade
Quem acompanha as notícias em Santa Catarina já se
acostumou com as manchetes grandiosas. Recentemente, vimos o anúncio de que o
governo estadual estaria investindo cerca de R$ 190 milhões em Lages e região. Números que, no
papel, sugerem uma transformação histórica. No entanto, para quem entende de
gestão e fluxo financeiro, a conta simplesmente não fecha.
1. O Abismo entre o Milhão e
o Tostão
O contraste entre o que se promete no palanque e o que
chega ao asfalto é gritante. Vejamos os números reais:
·
Avenida
Castelo Branco: Celebra-se
a conclusão de trechos com investimentos de R$ 1,5 milhão. Um
valor importante, mas irrisório diante das cifras bilionárias do orçamento
estadual que anunciou um total de R$ 5
milhões repassados pelo Governo do Estado de Santa Catarina.
·
Avenida
Carahá: O governo
anunciou com pompas a liberação de R$ 27 milhões para a sua revitalização completa. No
entanto, o que vemos efetivamente entregue até agora gira em torno de apenas R$ 4 milhões.
Onde estão os outros R$ 23 milhões prometidos para a
Carahá? Onde estão os outros R$ 3,5 milhões prometidos para Castelo Branco? Onde estão os R$ 190 milhões da região? A
estratégia parece ser fatiar pequenas obras para gerar múltiplas inaugurações,
enquanto o grosso do recurso permanece represado em convênios que tardam a sair
do papel.
2. Gestão Real vs. Marketing
de Palanque
Como observamos em qualquer análise de viabilidade
técnica, o sucesso de um projeto não está na "intenção de investir",
mas na liquidação do recurso. Quando o governo anuncia uma
"revolução" financeira, mas a prefeitura precisa executar obras
pulverizadas com valores modestos, fica claro que há um gargalo.
Lages não pode ser alimentada com "migalhas"
anunciadas como banquetes. Revitalizar uma avenida por etapas minúsculas,
enquanto se ostenta uma promessa de 27 milhões, é uma forma de subestimar a
inteligência do cidadão e do setor produtivo da Serra.
Concluindo:
Vigilância é a Nossa Resposta
A revitalização da nossa infraestrutura é urgente para o
escoamento da nossa produção e para o bem-estar da população. O eleitor lageano
precisa aprender a cobrar o cronograma
físico-financeiro.
Em tempos onde o populismo fiscal tenta mascarar a falta
de planejamento, devemos exigir que cada centavo dos milhões anunciados apareça
na prestação de contas — e não apenas nos discursos. Lages merece o
investimento integral, e não apenas a sobra de promessas que não se confirmam
no caixa.







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