O "rombo"
manufaturado: a mídia de boca alugada e a estratégia da distração de Chomsky
Depois de compreendermos como o
populismo de mercado de Luciano Hang esconde seus lucros reais atrás de ataques
à ciência, e como Edir Macedo comercializa a fé para anestesiar a criticidade,
chegamos ao terceiro pilar do controle social: o terrorismo fiscal praticado pela
mídia de boca alugada. A forma como o ecossistema mediático tradicional
manchetou e distorceu o resultado das contas públicas de 2023 é um caso
cirúrgico de manipulação de massas sob a cartilha de Noam Chomsky.
Há meses, setores do jornalismo
econômico tentam emplacar a narrativa apocalíptica de que o governo Lula
"quebrou" o país ao registrar um déficit nas contas públicas.
Repete-se à exaustão, em tom de urgência cinematográfica, a cifra dos R$ 200
bilhões. O que essa imprensa convenientemente esconde sob o tapete — e que o
Palácio do Planalto precisou vir a público detalhar — é a mecânica real por
trás desses números.
Mais da metade desse valor não foi
gerada por irresponsabilidade ou "gastança" do atual governo.
Trata-se, na verdade, da quitação de dívidas profundas e calotes herdados da
gestão anterior. Estamos falando do pagamento de quase R$ 100 bilhões em
precatórios (dívidas judiciais que o governo passado simplesmente se recusou a
pagar, empurrando a conta para a frente) e da compensação de bilhões a estados
e municípios pelas manobras eleitoreiras feitas com o ICMS dos combustíveis em
2022. Somado a isso, houve a reconstrução necessária do orçamento de áreas
vitais que haviam sido devastadas, como saúde, educação e o salário mínimo.
É aqui que a engenharia de Chomsky
se revela de forma nítida. O linguista aponta que a Estratégia da Distração consiste em desviar a atenção
do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites
políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio contínuo de distrações e
informações insignificantes ou distorcidas. Ao focar no alarmismo do
"rombo", a mídia alugada ao mercado financeiro distrai o cidadão
comum da verdade: o dinheiro foi usado para pagar dívidas reais e proteger os
mais vulneráveis.
Mais perigosa ainda é a aplicação
da tática "Problema-Reação-Solução".
Cria-se o espantalho do "caos fiscal" (o problema) para gerar na
classe média e nos trabalhadores uma reação de pânico e indignação (a reação).
Uma vez estabelecido o medo coletivo de uma inflação ou recessão imaginária, a
própria mídia apresenta a "solução" encomendada pela Faria Lima: a
necessidade de congelar salários, cortar verbas da saúde, estrangular a
educação pública e avançar com privatizações.
A farsa da narrativa desmorona
quando confrontada com a realidade que a própria Havan e outros setores do
varejo experimentam em campo: o consumo de massa continua forte, o desemprego
recua e a economia real gira.
A mídia de boca alugada não está
preocupada com a verdade contábil; ela atua como correia de transmissão de uma
elite que criminaliza o investimento social, mas tolera o calote fiscal.
Desmascarar essa manipulação, munidos das lições de Chomsky e da soberania dos
fatos, é o primeiro passo para impedir que o teto de gastos do mercado continue
a esmagar o teto de direitos do povo brasileiro.








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