domingo, junho 14, 2026

Eles Mentem... Mentem... Mentem... Sabuja, Cretina e Escrotamente... Mentem... (Parte VII)

 

O "rombo" manufaturado: a mídia de boca alugada e a estratégia da distração de Chomsky

Depois de compreendermos como o populismo de mercado de Luciano Hang esconde seus lucros reais atrás de ataques à ciência, e como Edir Macedo comercializa a fé para anestesiar a criticidade, chegamos ao terceiro pilar do controle social: o terrorismo fiscal praticado pela mídia de boca alugada. A forma como o ecossistema mediático tradicional manchetou e distorceu o resultado das contas públicas de 2023 é um caso cirúrgico de manipulação de massas sob a cartilha de Noam Chomsky.

Há meses, setores do jornalismo econômico tentam emplacar a narrativa apocalíptica de que o governo Lula "quebrou" o país ao registrar um déficit nas contas públicas. Repete-se à exaustão, em tom de urgência cinematográfica, a cifra dos R$ 200 bilhões. O que essa imprensa convenientemente esconde sob o tapete — e que o Palácio do Planalto precisou vir a público detalhar — é a mecânica real por trás desses números.

Mais da metade desse valor não foi gerada por irresponsabilidade ou "gastança" do atual governo. Trata-se, na verdade, da quitação de dívidas profundas e calotes herdados da gestão anterior. Estamos falando do pagamento de quase R$ 100 bilhões em precatórios (dívidas judiciais que o governo passado simplesmente se recusou a pagar, empurrando a conta para a frente) e da compensação de bilhões a estados e municípios pelas manobras eleitoreiras feitas com o ICMS dos combustíveis em 2022. Somado a isso, houve a reconstrução necessária do orçamento de áreas vitais que haviam sido devastadas, como saúde, educação e o salário mínimo.

É aqui que a engenharia de Chomsky se revela de forma nítida. O linguista aponta que a Estratégia da Distração consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio contínuo de distrações e informações insignificantes ou distorcidas. Ao focar no alarmismo do "rombo", a mídia alugada ao mercado financeiro distrai o cidadão comum da verdade: o dinheiro foi usado para pagar dívidas reais e proteger os mais vulneráveis.

Mais perigosa ainda é a aplicação da tática "Problema-Reação-Solução". Cria-se o espantalho do "caos fiscal" (o problema) para gerar na classe média e nos trabalhadores uma reação de pânico e indignação (a reação). Uma vez estabelecido o medo coletivo de uma inflação ou recessão imaginária, a própria mídia apresenta a "solução" encomendada pela Faria Lima: a necessidade de congelar salários, cortar verbas da saúde, estrangular a educação pública e avançar com privatizações.

A farsa da narrativa desmorona quando confrontada com a realidade que a própria Havan e outros setores do varejo experimentam em campo: o consumo de massa continua forte, o desemprego recua e a economia real gira.

A mídia de boca alugada não está preocupada com a verdade contábil; ela atua como correia de transmissão de uma elite que criminaliza o investimento social, mas tolera o calote fiscal. Desmascarar essa manipulação, munidos das lições de Chomsky e da soberania dos fatos, é o primeiro passo para impedir que o teto de gastos do mercado continue a esmagar o teto de direitos do povo brasileiro.



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