O Estado da Fantasia: Como o Marketing de R$ 444 Milhões Esconde a Realidade de Santa Catarina
Enquanto hospitais catarinenses enfrentam crises
estruturais crônicas e dezenas de escolas estaduais clamam por manutenção
básica, o governo de Jorginho Mello parece operar em outra dimensão. É a
dimensão da propaganda. Sob uma avalanche diária de comerciais de televisão e
peças digitais milimetricamente produzidas, a atual gestão tenta impor uma
narrativa demagógica que beira o absurdo: a de que antes de sua chegada, Santa
Catarina vivia no absoluto abandono absoluto.
Mais do que mera vaidade, a estratégia do
governador revela traços severos de uma mitomania institucionalizada. O caso
mais recente e escandaloso dessa postura se deu na tentativa infantil de
desmilitarizar a verdade ao acusar o presidente Lula de mentir sobre a proposta
de parcerias e investimentos de R$ 24 bilhões federais para as rodovias
catarinenses (BRs 470, 280 e 282). Ao tentar manipular a opinião pública para
mascarar a sua deliberada ausência em agendas institucionais com a União,
Jorginho Mello esbarra em um obstáculo intransponível: os fatos comprovados.
E os fatos mostram que a atual gestão prefere
investir no verniz da publicidade do que na solidez da verdade. De janeiro de
2023 a dezembro de 2025, o Governo do Estado torrou a impressionante cifra de R$
444 milhões de dinheiro público com publicidade institucional. Somente em
2025, os gastos com propaganda dispararam 136% em relação ao primeiro ano de
mandato, injetando R$ 216 milhões na máquina de mídia para vender uma Santa
Catarina que só existe nas telas.
Abaixo, desmascaramos mais uma das maiores peças de
ficção desse governo cosmético.
A Maquiagem do "Escola Boa":
Demagogia e a Apropriação do Passado na Educação de SC
A
política catarinense vive um momento de forte macromidiático, onde a imagem e a
narrativa parecem ter mais peso do que a realidade dos fatos. O governador
Jorginho Mello, que já demonstrou uma inclinação para a "mitomania"
em outras ocasiões (como no caso da propaganda enganosa sobre as 1.300 mil
cirurgias), agora utiliza o programa "Escola Boa" como vitrine de uma
suposta revolução na infraestrutura escolar. No entanto, por trás da estética
impecável e dos números grandiosos, esconde-se uma estratégia de apropriação de
projetos anteriores e uma grave omissão das dificuldades crônicas que ainda
persistem na rede estadual de ensino.
O "Padrão Escola Boa": Uma Fachada
Mercadológica
A
propaganda do programa "Escola Boa" é um exemplo claro de marketing
de alto padrão. Os vídeos exibidos nas redes sociais do governador e do Governo
do Estado adotam o jargão "Padrão Escola Boa!", focando em imagens
dinâmicas e de alta definição: fachadas recém-pintadas, salas de aula
climatizadas com aparelhos novos, quadras poliesportivas modernas e alunos
sorridentes com uniformes organizados. A narrativa constrói um "Antes"
vs. "Depois", onde o governador aparece como o herói que "voltou
a tratar a educação com seriedade", sugerindo um abandono total por
gestões passadas.
Para
gerar um impacto de eficiência, a publicidade divulga cifras bilionárias, como
R$ 3,5 bilhões exclusivos para infraestrutura escolar, e celebra metas rápidas,
como a conclusão de 58 obras apenas no primeiro trimestre. Essa grandiosidade
de números visa consolidar a imagem de um governo dinâmico e realizador.
A Realidade Fora das Câmeras: Omissão e
Precarização
No
entanto, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (SINTE-SC)
e parlamentares de oposição trazem um contraponto necessário a essa narrativa
idílica. O "Padrão Escola Boa" é, na verdade, uma apropriação do
passado. Grande parte das reformas e ampliações inauguradas com pompa como
"obras do Escola Boa" são projetos cujos projetos executivos,
orçamentos plurianuais ou licitações já haviam sido iniciados em governos
anteriores. A atual gestão limitou-se, em muitos casos, a dar uma nova
identidade visual a projetos cujas bases contratuais e financeiras começaram a
ser estruturadas em governos passados.
Mais
grave ainda é a omissão da realidade fora das câmeras. Enquanto a propaganda
foca nas unidades modelo, dezenas de escolas da rede estadual ainda convivem
com precarização crônica, falta de pessoal de apoio e problemas de manutenção
básica. O sindicato publica frequentemente materiais paralelos mostrando essa
realidade que não aparece nos comerciais de televisão, evidenciando que o
"Padrão Escola Boa" é uma exceção, não a regra.
O Contraste com os Investimentos Históricos
Este artigo quer desmascarar a ideia de que a educação catarinense sofria com
falta de investimentos em gestões passadas. Nos anos anteriores à atual gestão,
Santa Catarina registrou aportes financeiros significativos e históricos na
educação pública estadual. Em 2021, o Estado atingiu o investimento total
recorde de R$ 7,7 bilhões na educação pública, alcançando 27,40% da Receita
Corrente Líquida (RCL), superando a obrigação constitucional de 25%.
O
plano plurianual anterior já havia iniciado e licitado as diretrizes para a
informatização escolar, equipando escolas com computadores de alta performance
e projetores digitais, e estruturando a infraestrutura de rede básica
necessária para o Novo Ensino Médio. Programas de permanência e infraestrutura,
como o Bolsa Estudante de 2022 e repasses de R$ 104,7 milhões em emendas de
2020, mostram que a educação já era tratada com seriedade e planejamento.
Concluindo: Demagogia e Manipulação
A
atitude do governador Jorginho Mello, que infantilmente acusa o presidente Lula
de ter mentido sobre uma proposta de investimento de 25 bilhões, insere-se
nessa mesma lógica de demagogia e manipulação da opinião pública. Ao focar em
propagandas grandiosas e na apropriação de projetos alheios, o governador tenta
consolidar uma imagem de eficiência que não condiz com a realidade dezenas de
escolas ainda precarizadas.
Enquanto
o governador gasta recursos em inúmeras e incoáveis propagandas (onde já
investiu 444 milhoes de reais durante o seu governo), a educação catarinense
precisa de mais do que uma fachada bonita e um novo nome para projetos antigos.
Precisa de transparência, de planejamento sério e de um compromisso real com a
comunidade escolar, e não de maquiagem publicitária e apropriação do passado.








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