quarta-feira, julho 01, 2026

Cresça... Cresça e Apareça Governador.... A Marketagem da Mentira e o Mitômano de Plantão (Parte VII)

 Asfalto de Papel: Como o Marketing do “Estrada Boa” Tenta Apagar o Passado e o Governo Federal

O cenário político de Santa Catarina tem sido marcado por uma tática antiga, mas perigosa: a blindagem por meio da propaganda institucional. O exemplo mais recente dessa conduta se reflete na postura do governador Jorginho Mello ao atacar o presidente Lula, acusando-o de faltar com a verdade sobre a proposta de investimentos de R$ 25 bilhões destinados à infraestrutura do estado. Essa narrativa demagógica cumpre uma função clara: tentar manipular a opinião pública para mascarar a ausência de protagonismo próprio e o isolamento institucional da gestão estadual perante o governo federal.

Enquanto o governador gasta energia em embates retóricos, a máquina publicitária de Santa Catarina opera a pleno vapor. Sob o manto de campanhas milionárias — inseridas no montante que já atinge a marca histórica de R$ 444 milhões de dinheiro público investidos em publicidade ao longo de seu mandato —, o governo tenta fixar a imagem de um realizador obstinado através do programa “Estrada Boa”.

Contudo, ao confrontarmos os comerciais de televisão com os relatórios técnicos e o histórico financeiro do estado, a propaganda desmorona, revelando-se uma colcha de retalhos feita com o trabalho alheio e sustentada por dívidas.

 

A Ilusão das Telas: Drones, Concreto e Inflação Estatística

A estratégia de marketing do “Estrada Boa” segue uma cartilha agressiva de comunicação. Os comerciais de rádio, televisão e redes sociais são verdadeiras superproduções. Imagens aéreas de alta definição captadas por drones mostram retroescavadeiras, rolos compressores e operários em ritmo acelerado, aplicando asfalto ou concreto fresco sobre rodovias antigas. O objetivo é transmitir uma sensação de dinamismo absoluto e urgência.

Essa estética é acompanhada por um discurso de "reconstrução". Jorginho Mello aparece caminhando pelas rodovias estaduais (SCs), conversando com caminhoneiros e afirmando ter tido "a coragem de tirar as obras do papel", sugerindo que o estado viveu décadas de abandono absoluto. Para impressionar o eleitorado, o marketing oficial infla as estatísticas, propagando que o programa saltou o índice de rodovias em boas condições de meros 20% para expressivos 95%, anunciando um pacote de R$ 5 bilhões.

 

O que a Propaganda Omite: A Herança de Carlos Moisés

O que os comerciais de trinta segundos omitem de forma deliberada é a continuidade administrativa. O programa “Estrada Boa” não nasceu do zero; ele herdou uma robusta base técnica e financeira da gestão anterior, comandada por Carlos Moisés.

ü  Projetos Prontos e Pagos: Muitas das ordens de serviço assinadas com pompa pela atual gestão utilizaram exatamente os mesmos projetos executivos de engenharia que foram licitados, elaborados e pagos entre 2021 e 2022.

ü  O Confisco do Plano 1000: Na gestão anterior, o "Plano 1000" pulverizava recursos transferindo dinheiro diretamente para as prefeituras executarem as obras. Jorginho Mello extinguiu esse modelo, cancelou os repasses aos municípios e concentrou todo esse dinheiro no caixa central do Estado para financiar as obras sob a sua própria marca, centralizando o dividendo político.

ü  O Caixa das Operações de Crédito: Os recursos estruturais que financiam as frentes de trabalho já haviam sido engatilhados no passado. A atual gestão revisou esses contratos e se apropriou dos fundos para carimbar o selo do novo governo.

 

O Contraponto dos Fatos: Empréstimos, Rachaduras e Investigação

Ao contrário do que a publicidade faz parecer, as obras não são custeadas por "economias próprias" da arrecadação do governador. O programa é sustentado por pesados endividamentos públicos. O marketing esconde que o “Estrada Boa” depende diretamente de financiamentos de R$ 631,9 milhões junto ao BNDES (recurso do Governo Federal que Jorginho tanto critica) e de negociações de US$ 300 milhões com o Banco Mundial.

Além disso, a realidade das rodovias passa longe da perfeição exibida nas telas:

  1. Suspensão pelo Tribunal de Contas (TCE/SC): O órgão fiscalizador interveio e chegou a suspender pagamentos de contratos que somavam R$ 150 milhões devido a graves falhas de sinalização, fiscalização precária e, pior, trechos de asfalto novos que apresentaram rachaduras e buracos poucos meses após a entrega.
  2. Inquéritos por Corrupção no MPSC: A 27ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina instaurou inquéritos civis para apurar supostas práticas de corrupção passiva e irregularidades contratuais envolvendo a Secretaria de Estado da Infraestrutura e empreiteiras em trechos do programa, como as obras de concreto na SC-477.
  3. As Obras Eternas: Enquanto a propaganda celebra metas, parlamentares da oposição na ALESC e comunidades locais expõem trechos esquecidos que se arrastam desde 2021 (como na SC-281), exibindo menos de 10% de execução física e gerando isolamento logístico real.

 

Concluindo: O Programa "Boa Propaganda"

Recentemente, para se esquivar das reclamações sobre a péssima durabilidade do asfalto entregue, o governo passou a divulgar um novo jargão: um modelo de manutenção desenvolvido com o Banco Mundial, apelidado de “coisa de primeiro mundo”, onde as empresas só recebem se a via estiver impecável. Trata-se de mais uma cortina de fumaça para transferir a responsabilidade.

Como bem ironizam os deputados de oposição na tribuna da ALESC, o único programa que funciona perfeitamente e sem atrasos em Santa Catarina é o "Boa Propaganda". Trocar a diplomacia institucional com o governo federal e a execução transparente de engenharia por R$ 444 milhões em maquiagem publicitária pode até render belos vídeos de campanha, mas o catarinense que de fato trafega pelas SCs sabe que o asfalto real não aceita filtros de internet.



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