segunda-feira, junho 15, 2026

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS... (Parte IV)

 

O martírio fabricado: o desespero de uma campanha aos cacos e a pedagogia do medo de Chomsky

Até onde pode ir o jogo sujo, o devaneio e os delírios de quem não tem um projeto de país para apresentar, mas apenas o caos para oferecer? A história política recente nos mostra que, quando as urnas e o debate racional falham para o extremismo, a última trincheira do populismo é a fabricação do medo e a simulação do martírio. As recentes declarações de Eduardo Bolsonaro, sugerindo um suposto "risco de assassinato" de seu irmão Flávio Bolsonaro no contexto de uma campanha eleitoral visivelmente fragilizada, ultrapassam as fronteiras do absurdo e nos convidam a decifrar a engrenagem fria dessa manipulação.


Não é coincidência que teorias conspiratórias dessa magnitude surjam justamente quando uma candidatura se encontra "aos cacos". Trata-se de uma cortina de fumaça clássica. Na falta de conquistas reais para apresentar ao eleitor, e diante da incapacidade de contrapor os dados de uma economia real que respira e avança, a estratégia é apelar para o estômago, para o fígado e para o pânico coletivo.


O linguista e filósofo Noam Chomsky, ao dissecar os mecanismos de controle social, detalha a eficácia de fazer uso do aspecto emocional muito mais do que da reflexão racional. Chomsky explica que implantar o medo, a paranoia e o sentimento de ameaça contínua na mente das massas é uma técnica psicológica poderosa para paralisar o pensamento crítico. Quando o eleitor é bombardeado com a narrativa de que seus líderes correm risco de morte por forças ocultas, ele é induzido a abandonar qualquer análise lógica sobre propostas, gestão ou competência. O debate político é intencionalmente rebaixado a um roteiro de filme de perseguição.


Essa pedagogia do medo opera em duas frentes desesperadas: primeiro, tenta coesionar uma base eleitoral que está se esfacelando, usando o afeto da proteção e da solidariedade à suposta vítima; segundo, busca blindar preventivamente a candidatura de investigações, questionamentos e do próprio fracasso nas urnas, já que qualquer revés futuro poderá ser empacotado como parte de uma grande "conspiração criminosa".


O delírio e a petulância desse discurso revelam o tamanho do desprezo que essa ala política nutre pela democracia e pela inteligência do cidadão comum. O "jogo sujo" não se resume a atacar adversários; consiste em tentar adoecer psicologicamente a sociedade, mantendo-a sob um estado de sobressalto e vigilância paranoica permanente para justificar a própria existência política.


Contra a fábrica de fantasmas e o oportunismo da vitimização, a resposta precisa ser a soberania dos fatos e a lucidez da análise. O Brasil real não pode ficar refém dos espasmos de desespero de quem vê o poder escapar pelas mãos. Expor a farsa do martírio fabricado, à luz da teoria de Chomsky, é um dever de higiene mental e de responsabilidade democrática para qualquer plataforma que se pretenda séria e independente.



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