O EMBARGO Á CARNE BRASILEIRA (UE)... AS BARREIRAS DE RASTREABILIDADE GEOPOLÍTICA E PENALIZAÇÃO FINANCEIRA... E AS PRATICAS ANTI-NATUREZA BOLSONARISTAS
Essa engrenagem socioambiental e
econômica funciona através dos seguintes pontos:
1. O Modelo da Pecuária Extensiva e a
Ocupação do Solo
Historicamente, o desmatamento no Brasil
é impulsionado pela expansão da fronteira agrícola e, principalmente, pela
pecuária extensiva de baixa produtividade (poucos animais por hectare).
ü Quando a produção é de
baixa eficiência tecnológica, o produtor precisa de mais terra para colocar
mais gado, avançando sobre áreas de floresta nativa.
ü Em contrapartida,
quando o setor tenta migrar para modelos de alta densidade (confinamentos ou
semiconfinamentos), as condições de aglomeração aumentam o estresse dos animais
e o risco de proliferação de doenças. É justamente nesse cenário de alta
concentração que o uso subterapêutico de antimicrobianos (antibióticos na ração
ou na água) é frequentemente adotado de forma contínua para prevenir infecções
em massa e acelerar a engorda dos animais.
2. A Ilusão da Produtividade
""Barata", via Medicamentos
O uso de antimicrobianos proibidos pela
UE como promotores de crescimento (como a virginiamicina e a bacitracina)
funciona na pecuária como um “atalho” químico.
ü Em vez de o setor
investir em infraestrutura cara, melhoria profunda do bem- estar animal,
rotação de pastagens e manejo sustentável, o uso constante desses medicamentos
mascara as deficiências de sistemas produtivos precários.
ü Essa engorda
artificialmente acelerada garante uma carne mais barata para o mercado de
commodities de volume. O lucro gerado por esse modelo de baixo custo operacional
e alta escala frequentemente capitaliza o setor para continuar expandindo suas
fronteiras físicas de terra, alimentando o ciclo de compra e desmatamento de
novas áreas nos biomas vulneráveis.
3. O Nexo com a Rastreabilidade (O Calcanhar de Aquiles Comum)
O motivo exato pelo qual o Brasil foi
punido pela União Europeia foi a incapacidade de provar e rastrear
documentalmente ao longo de toda a cadeia produtiva que os animais exportados
estavam livres dessas substâncias.
ü Essa mesma fragilidade
de governança e falta de sistemas de rastreabilidade “do nascimento ao abate”;
é o que permite o chamado “esquentamento de gado”; (ou lavagem de gado) no
desmatamento.
ü Animais que nascem e
pastam ilegalmente em áreas recém-desmatadas de proteção ambiental ou terras
indígenas são transportados para fazendas legalizadas antes do abate para obter
o selo de exportação.
ü A ausência de um
sistema de controle público rigoroso, centralizado e transparente protege tanto
o uso indiscriminado de antibióticos na ração quanto a destruição florestal clandestina.
4. A Pressão por Grãos (Soja e Milho) e
o Desmatamento Indireto
Os antimicrobianos não são injetados boi
a boi no pasto; eles são misturados industrialmente na ração animal
(especialmente na avicultura, suinocultura e no confinamento bovino).
ü O aumento da produção
animal intensiva, apoiada por esses aditivos químicos de crescimento gera uma
demanda gigantesca por ração farelada.
ü A produção desse
alimento exige safras massivas de soja e milho. Para abrir espaço para essas
monoculturas de grãos destinadas à nutrição animal, biomas inteiros como o
Cerrado e a Amazônia sofrem desmatamentos diretos e indiretos severos
(conversão de pastagens antigas em lavoura, empurrando a fronteira da pecuária
ainda mais para dentro da floresta nativa).
Concluindo: Duas Faces da Mesma Moeda de
Governança
Do ponto de vista da sustentabilidade
global, o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária e o desmatamento ilegal
compartilham da mesma raiz ética e gerencial: a busca pela maximização do lucro
de curto prazo através da externalização dos custos ambientais e sanitários.
Ao punir o Brasil pela falta de controle
de medicamentos, a União Europeia sinaliza que o mercado internacional não mais
aceitará importar produtos baseados em cadeias de suprimento opacas e sem
compliance sócio-sanitário.
A resposta para o país, tanto para salvar
seus biomas quanto para recuperar seus mercados de exportação até setembro, passa
obrigatoriamente pela mesma ferramenta de gestão: tecnologia de rastreabilidade
total, rigor fiscalizatório e transição para práticas agroecológicas e solidárias.
A Lista da Vergonha: Quem escolheu a
flexibilização?
Abaixo, elenco os nomes daqueles que votaram
para flexibilizar o licenciamento ambiental. São representantes que, em vez de
buscarem soluções para evitar desastres ambientais, preferiram facilitar o caminho
para quem destrói o nosso bioma:
|
Partido |
Deputado(a) |
|
PL |
Caroline de Toni, Daniel
Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé Trovão |
|
MDB |
Cobalchini, Luiz Fernando
Vampiro, Pezenti |
|
NOVO |
Gilson Marques |
|
PP |
Coronel Armando |
|
PSDB |
Geovania de Sá |
|
União |
Fabio Schiochet |








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