O EMBARGO Á CARNE BRASILEIRA (UE)... AS BARREIRAS DE RASTREABILIDADE GEOPOLÍTICA E PENALIZAÇÃO FINANCEIRA... E AS PRATICAS ANTI-NATUREZA BOLSONARISTAS
Para além do embargo à carne bovina por
conta do uso de antimicrobianos, a União Europeia (EU) possui um arsenal de
mecanismos regulatórios, econômicos e tecnológicos direcionados a coibir o que
classifica como “práticas anti-natureza”;
Caso o Brasil avance na flexibilização
de leis ambientais ou na concessão de facilidades para o desmatamento, o cerco
internacional tende a migrar de barreiras estritamente sanitárias para
barreiras de rastreabilidade geopolítica e penalização financeira.
Os principais tipos de bloqueios que o
bloco europeu pode consolidar incluem:
1. O Bloqueio por Desconformidade
Normativa (Regulamento de Desmatamento da UE - EUDR)
Este é o mecanismo mais severo e direto
contra a perda de vegetação nativa. A legislação europeia contra o desmatamento
(European Union Deforestation Regulation) estabelece um corte temporal rígido:
commodities agrícolas produzidas em áreas desmatadas após 31 de dezembro de
2020 não podem entrar no mercado comum europeu.
ü O Bloqueio na Prática: O regulamento funciona como um bloqueio
documental e geográfico. Ele exige que os importadores europeus façam uma diligência
devida (due diligence) rigorosa, comprovando a geolocalização exata (coordenadas
de satélite) dos polígonos de produção. Se a legislação brasileira conceder
anistias ou facilitar a supressão vegetal, a regra europeia simplesmente ignora
a legalidade interna e veta a entrada daquele lote se houver desmatamento detectado
após a data de corte. Os principais alvos são soja, carne bovina, madeira,
café, cacau, óleo de palma e borracha.
2. O Bloqueio Tarifário pelo Carbono
(Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono - CBAM)
O CBAM (Carbon Border Adjustment
Mechanism) foi desenhado para evitar o vazamento de carbono, taxando produtos
importados de países com legislações climáticas frouxas. Inicialmente focado em
indústrias pesadas de insumos (como o cimento, o ferro e os fertilizantes), há
uma forte pressão política para que o mecanismo seja estendido ao setor
agropecuário.
ü O Bloqueio na Prática: É um bloqueio econômico. Se a matriz
produtiva de um país parceiro eleva suas emissões de gases de efeito estufa — o
que ocorre diretamente com a queima de biomassa, uso intensivo de combustíveis
e desmatamento —, o produto é sobretaxado ao cruzar a fronteira da UE. Essa tarifa
ecológica retira artificialmente a competitividade do produto brasileiro frente
aos concorrentes que adotam práticas de baixo carbono.
3. O Bloqueio de Acesso a Capital e
Investimentos (Diretiva de Devida Diligência de Sustentabilidade Corporativa -
CSDDD)
Aprovada para alinhar o setor financeiro
e as grandes corporações aos parâmetros de governança ambiental, social e corporativa
(ESG), essa diretiva obriga grandes empresas europeias a monitorar e mitigar
impactos ambientais e violações de direitos humanos em toda a sua cadeia de
suprimentos global.
ü O Bloqueio na Prática: Trata-se de um bloqueio financeiro e
reputacional de longo prazo. Se bancos ou fundos de investimento europeus
constatarem que empresas brasileiras estão se beneficiando de “;facilidades
para o Desmatamento”, eles são legalmente forçados a desinvestir, cancelar
linhas de crédito internacional e romper contratos de fornecimento. O impacto
atinge não apenas o produtor de campo, mas as Tradings e esmagadoras de grãos
que financiam as safras.
4. O Bloqueio por Rotulagem e Combate ao
Greenwashing
A União Europeia aprovou diretrizes
rígidas que banem alegações ambientais genéricas (como “produto eco-friendly”; “;carbono
neutro; ou “sustentável) que não sejam amparadas por certificações
independentes e metodologias científicas robustas.
ü O Bloqueio na Prática: É um bloqueio de valor de marca. Se o
sistema de controle público de um país perde credibilidade ambiental, seus
produtos perdem o direito de acessar os nichos de mercado de maior valor
agregado (os Eco-Labels). A produção é rebaixada ao mercado comum de commodities
baratas de volume, reduzindo drasticamente as margens de lucro de toda a cadeia
exportadora.
5. A
Lista da Vergonha: Quem escolheu a flexibilização?
Abaixo, elenco os nomes daqueles que votaram
para flexibilizar o licenciamento ambiental. São representantes que, em vez de
buscarem soluções para evitar desastres ambientais, preferiram facilitar o caminho
para quem destrói o nosso bioma:
|
Partido |
Deputado(a) |
|
PL |
Caroline de Toni, Daniel
Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé Trovão |
|
MDB |
Cobalchini, Luiz Fernando
Vampiro, Pezenti |
|
NOVO |
Gilson Marques |
|
PP |
Coronel Armando |
|
PSDB |
Geovania de Sá |
|
União |
Fabio Schiochet |








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