Artigo 2:
As Cicatrizes do Arbítrio (1964-1985)
Para
compreender por que a defesa da democracia em 2023 foi tão visceral, é preciso
revisitar o abismo de onde o Brasil escapou. A ditadura militar não foi apenas
um período de ausência de eleições; foi uma reconfiguração da psique estatal
para enxergar o cidadão como um inimigo em potencial.
A
Institucionalização do Medo
O Ato
Institucional nº 5 (AI-5), de 1968, representa o ápice desse processo. Ao
suspender o habeas corpus e
fechar o Congresso, o regime eliminou a última linha de defesa do indivíduo.
Neste capítulo, exploramos como o silenciamento das artes, da imprensa e das
universidades criou um vácuo de pensamento crítico que permitiu a proliferação
de uma narrativa oficial ufanista, enquanto nos porões do DOI-CODI, o Estado
torturava em nome da "moral e dos bons costumes".
O Legado de
Impunidade
Diferente de
vizinhos como a Argentina, o Brasil optou por uma transição baseada na Lei de
Anistia de 1979, que "perdoou" tanto perseguidos quanto torturadores.
Esta escolha política deixou feridas abertas. A ausência de uma justiça de
transição plena permitiu que o saudosismo autoritário permanecesse latente em
setores das Forças Armadas e da sociedade civil, aguardando um momento de crise
para reemergir.







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