terça-feira, janeiro 13, 2026

Temos Ódio à Ditadura... Ódio e Nojo... (Parte IV)

 

Artigo 2: As Cicatrizes do Arbítrio (1964-1985)

Para compreender por que a defesa da democracia em 2023 foi tão visceral, é preciso revisitar o abismo de onde o Brasil escapou. A ditadura militar não foi apenas um período de ausência de eleições; foi uma reconfiguração da psique estatal para enxergar o cidadão como um inimigo em potencial.

A Institucionalização do Medo

O Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 1968, representa o ápice desse processo. Ao suspender o habeas corpus e fechar o Congresso, o regime eliminou a última linha de defesa do indivíduo. Neste capítulo, exploramos como o silenciamento das artes, da imprensa e das universidades criou um vácuo de pensamento crítico que permitiu a proliferação de uma narrativa oficial ufanista, enquanto nos porões do DOI-CODI, o Estado torturava em nome da "moral e dos bons costumes".

O Legado de Impunidade

Diferente de vizinhos como a Argentina, o Brasil optou por uma transição baseada na Lei de Anistia de 1979, que "perdoou" tanto perseguidos quanto torturadores. Esta escolha política deixou feridas abertas. A ausência de uma justiça de transição plena permitiu que o saudosismo autoritário permanecesse latente em setores das Forças Armadas e da sociedade civil, aguardando um momento de crise para reemergir.

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