Esta análise reestrutura os pontos fundamentais da tese de John Mearsheimer aplicada ao contexto da crise petrolífera e à presença militar russa no Caribe durante o governo Trump.
I. O
Conceito Fundamental: Hegemonia Regional
Para entender a agressividade de
Donald Trump, é necessário aplicar o pilar do Realismo Ofensivo de Mearsheimer:
·
A Doutrina Monroe na Prática: Grandes potências são
inerentemente paranoicas. Elas não toleram que outras potências (Rússia ou
China) operem no seu hemisfério.
·
Paranoia Sistêmica: O que parece "arrogância" é, na verdade, uma resposta
sistêmica. Quando os EUA percebem submarinos russos nas suas rotas
petrolíferas, o Estado entra em modo de sobrevivência para evitar que o seu
"quintal" se torne um posto avançado inimigo.
II. O
Desespero Estratégico e a Dissuasão
A reação do governo Trump pode
ser lida como um esforço para mascarar a percepção de declínio da hegemonia
americana:
·
A Arrogância como Escudo: O uso de retórica agressiva e sanções
extremas serviu como tentativa de Dissuasão
(Deterrence). O objetivo era sinalizar a Moscou que o custo de
apoiar Caracas seria insustentável.
·
Vulnerabilidade Energética: O desespero surge da constatação de que,
apesar da produção interna, a infraestrutura energética dos EUA é vulnerável a
bloqueios navais no Caribe, uma artéria vital para o comércio global.
III. O Papel
da Rússia: Retaliação e Equilíbrio
A presença de submarinos russos
não é um evento isolado, mas uma peça de um jogo de "equilíbrio de
poder":
·
Transbordamento Geopolítico: Como a OTAN avançou sobre o
Leste Europeu (esfera russa), Putin respondeu projetando força na Venezuela
(esfera americana).
·
O Bloqueio Naval: A utilização de tecnologia submarina para monitorar rotas
petrolíferas é a prova de que a competição entre potências já não respeita
fronteiras geográficas tradicionais.
IV.
Conclusão: A Tragédia da Grande Política
Mearsheimer define a geopolítica
como uma "tragédia" porque:
1.
Inevitabilidade: Independentemente do presidente (Trump ou outro), os EUA seriam
compelidos a agir contra a influência russa na região para garantir a sua
segurança.
2.
Danos Colaterais: Nesse choque entre gigantes, a estabilidade da Venezuela e o
bem-estar da sua população tornam-se secundários frente aos interesses de
segurança nacional de Washington e Moscou.
Resumo da
Tese: A
agressividade de Trump foi a face visível de uma potência tentando
desesperadamente reafirmar o controlo sobre uma rota comercial vital, no exato
momento em que os seus rivais descobriram como explorar as suas
vulnerabilidades geográficas.







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