segunda-feira, janeiro 05, 2026

AOS BOZOLÓIDES RAIVOSOS E DELIRANTES > Relatório: A Crise na Venezuela sob a Lente do Realismo Ofensivo

Esta análise reestrutura os pontos fundamentais da tese de John Mearsheimer aplicada ao contexto da crise petrolífera e à presença militar russa no Caribe durante o governo Trump.

I. O Conceito Fundamental: Hegemonia Regional

Para entender a agressividade de Donald Trump, é necessário aplicar o pilar do Realismo Ofensivo de Mearsheimer:

·         A Doutrina Monroe na Prática: Grandes potências são inerentemente paranoicas. Elas não toleram que outras potências (Rússia ou China) operem no seu hemisfério.

·         Paranoia Sistêmica: O que parece "arrogância" é, na verdade, uma resposta sistêmica. Quando os EUA percebem submarinos russos nas suas rotas petrolíferas, o Estado entra em modo de sobrevivência para evitar que o seu "quintal" se torne um posto avançado inimigo.

II. O Desespero Estratégico e a Dissuasão

A reação do governo Trump pode ser lida como um esforço para mascarar a percepção de declínio da hegemonia americana:

·         A Arrogância como Escudo: O uso de retórica agressiva e sanções extremas serviu como tentativa de Dissuasão (Deterrence). O objetivo era sinalizar a Moscou que o custo de apoiar Caracas seria insustentável.

·         Vulnerabilidade Energética: O desespero surge da constatação de que, apesar da produção interna, a infraestrutura energética dos EUA é vulnerável a bloqueios navais no Caribe, uma artéria vital para o comércio global.

III. O Papel da Rússia: Retaliação e Equilíbrio

A presença de submarinos russos não é um evento isolado, mas uma peça de um jogo de "equilíbrio de poder":

·         Transbordamento Geopolítico: Como a OTAN avançou sobre o Leste Europeu (esfera russa), Putin respondeu projetando força na Venezuela (esfera americana).

·         O Bloqueio Naval: A utilização de tecnologia submarina para monitorar rotas petrolíferas é a prova de que a competição entre potências já não respeita fronteiras geográficas tradicionais.

IV. Conclusão: A Tragédia da Grande Política

Mearsheimer define a geopolítica como uma "tragédia" porque:

1.     Inevitabilidade: Independentemente do presidente (Trump ou outro), os EUA seriam compelidos a agir contra a influência russa na região para garantir a sua segurança.

2.     Danos Colaterais: Nesse choque entre gigantes, a estabilidade da Venezuela e o bem-estar da sua população tornam-se secundários frente aos interesses de segurança nacional de Washington e Moscou.

Resumo da Tese: A agressividade de Trump foi a face visível de uma potência tentando desesperadamente reafirmar o controlo sobre uma rota comercial vital, no exato momento em que os seus rivais descobriram como explorar as suas vulnerabilidades geográficas.


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