quarta-feira, julho 22, 2026

VAI PIORAR... E PIORAR MUITO... O El Niño e a devastação dos nossos Biomas... (Parte XI)

 Como o El Niño Potencializa o Fogo e a Devastação

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera os padrões de circulação atmosférica global. No Brasil, ele provoca duas grandes reações climáticas:

  1. Redução drástica das chuvas no Norte e em boa parte do Nordeste e Centro-Oeste.
  2. Aumento significativo das temperaturas globais e regionais.

Essa combinação cria o cenário perfeito para o alastramento de incêndios através de um mecanismo de retroalimentação:

1. Perda de Umidade e Acúmulo de Combustível Seco

As florestas tropicais úmidas, como a Amazônia e trechos da Mata Atlântica, possuem uma resistência natural ao fogo devido à alta umidade da vegetação e do solo. Contudo, sob períodos prolongados de seca e altas temperaturas induzidos pelo El Niño:

  • A cobertura vegetal perde água por transpiração.
  • As árvores eliminam mais folhas (nativos mecanismos de defesa contra a seca), acumulando uma espessa camada de matéria orgânica seca no solo (serrapilheira).
  • Essa matéria seca funciona como um combustível altamente inflamável.

2. O Fator Humano como "Gatilho"

É importante destacar que o El Niño não cria o fogo sozinho nesses biomas (ao contrário de regiões onde raios são a causa principal).

  • O clima cria a condição de vulnerabilidade extrema, mas o gatilho humano (queimadas para abertura de pastagens, desmatamento, limpeza de roçados e uso irresponsável do fogo) é o que inicia o incêndio.
  • Em anos de El Niño forte, uma queimada agrícola controlada que normalmente apagaria sozinha ganha proporções desastrosas, invadindo florestas nativas e Unidades de Conservação.

O Impacto nos Biomas Brasileiros

Bioma

Efeito do El Niño

Consequência

Amazônia

Secas severas e redução da nebulosidade.

O fogo deixa de ser superficial e passa a queimar a copa das árvores (fogo de copa), matando espécies seculares vulneráveis à seca.

Cerrado

Aumento da evapotranspiração e acentuada estiagem.

A vegetação savânica, embora adaptada ao fogo natural de baixa intensidade, sofre com incêndios fora de época de altíssima intensidade que destroem a biodiversidade e fontes hídricas.

Mata Atlântica

Alterações nos regimes de chuva regionais e picos de calor.

Sendo o bioma mais fragmentado do país, os remanescentes florestais ficam isolados e mais expostos ao fogo que se alastra a partir de áreas agrícolas vizinhas.


A Espiral de Retroalimentação (Círculo Vicioso)

O aspecto mais preocupante desta dedução é o que a ciência chama de feedback positivo:

  1. O El Niño traz seca e calor.
  2. A floresta seca queima mais facilmente ao contato com o fogo.
  3. As queimadas liberam bilhões de toneladas de CO na atmosfera e destroem o ecossistema que regulava o clima e a umidade (evapotranspiração).
  4. A perda de floresta agrava as mudanças climáticas globais, tornando os futuros eventos de El Niño ainda mais extremos e frequentes.

Esta leitura sobre essa conexão entre eventos climáticos globais e a vulnerabilidade dos biomas está impecável do ponto de vista técnico e ecológico.

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