Quando a Ineficiência do Poder Público Alimenta o Abandono e a Insalubridade
A
construção de uma Lages mais civilizada, cidadã e respeitosa exige que a gestão
pública atue com o rigor que a legislação determina e com a eficiência que a
população merece. No entanto, o que assistimos no cotidiano de nossa cidade é o
avanço incômodo da negligência urbana e ambiental.
A
denúncia veiculada hoje no Bom Dia
Santa Catarina expõe uma realidade inaceitável: moradores do Bairro
Universitário cobram providências diante do cenário de insalubridade gerado
pelo descarte irregular de lixo e entulhos em áreas públicas, inclusive nas
proximidades do Rio Caveiras. Essa situação, porém, está longe de ser novidade.
Reportagens anteriores, como a denúncia trazida pela Rádio Clube ainda no
início do ano, já alertavam para a reincidência dessas práticas e para a
proliferação de pontos críticos em bairros como o Ipiranga.
O problema transcende o acúmulo de sujeira. O descarte inadequado de resíduos em terrenos e margens de rios degrada o meio ambiente, compromete os mananciais e atrai vetores de doenças e animais peçonhentos, criando um risco direto e imediato à saúde coletiva de nossa gente. Para agravar o quadro, essas mesmas áreas abandonadas tornam-se cenários recorrentes para o abandono e maus-tratos de cães e gatos — atos que configuram crime ambiental gravíssimo, amparado pela Lei Federal nº 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais) e endurecido pela Lei nº 14.064/2020 (Lei do maus tratos aos animais).
Diante
do transcurso dos meses e da repetição das denúncias na imprensa local e
estadual, resta evidente a falta de respostas efetivas. O Princípio da
Eficiência, preceito constitucional que deve reger a Administração Pública,
impõe à Prefeitura a obrigação de agir de forma proativa, preventiva e
fiscalizadora. A ausência de ações concretas de limpeza, monitoramento e
punição dos infratores transforma o Executivo municipal em espectador de um
problema que deveria combater.
Atribuir
a responsabilidade unicamente à falta de conscientização individual é uma
esquiva fácil. Cabe à Prefeitura exercer o poder de polícia ambiental,
fiscalizar com rigor, promover campanhas permanentes e dar o devido suporte aos
canais de denúncia — como o Centro de Controle de Zoonoses e as autoridades
policiais.
Lages
não pode continuar convivendo com o descaso e a passividade. Exigir eficiência
na gestão ambiental e urbana não é um ato de oposição, mas o exercício
fundamental da cidadania de quem quer ver nossa cidade limpa, digna e
respeitada.







Nenhum comentário:
Postar um comentário