sábado, setembro 05, 2026

Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros... As Múltiplas Faces da Barbárie... (Parte XXVII)

 Extremismo, Violência Cotidiana e Mofo Político em Santa Catarina

Parte 1: As Raízes Históricas da Extrema-Direita e do Neonazismo em Santa Catarina

O avanço do extremismo de direita e a presença de células neonazistas em Santa Catarina não são fenômenos espontâneos ou meros "desvios individuais". Conforme analisa de forma precisa o professor de História da UFSC, Adriano Luiz Duarte, trata-se de um processo de longa duração, cujas raízes históricas e sociológicas explicam por que o estado se tornou um terreno fértil para a proliferação dessas ideologias autoritárias.

Duarte aponta que o ecossistema extremista catarinense se sustenta em eixos bem definidos:

Ø  O Mito da Racionalidade Exclusivamente Europeia: A construção da identidade regional apoiou-se no apagamento das populações originárias (indígenas) e negras, erguendo a narrativa de uma "excepcionalidade catarinense" pautada na pretensa superioridade da imigração europeia. Essa visão de mundo favorece discursos de pureza e eugenia.

Ø  A Sedimentação do Integralismo: Nas décadas de 1930 e 1940, Santa Catarina abrigou uma das maiores bases do Ação Integralista Brasileira (AIB) e do próprio Partido Nazista fora da Alemanha. Essa memória e esse repertório político não desapareceram; foram transmitidos cultural e familiarmente ao longo das gerações.

Ø  O Mofo Autoritário e a Cooptação das Elites: A convivência histórica com o pensamento reacionário criou um ambiente em que a intolerância se naturalizou no cotidiano, infiltrando-se nas instituições formais, nos discursos políticos e nas dinâmicas de poder local.

Ø  A Conexão com o Extremismo Contemporâneo: As redes digitais e o bolsonarismo recente não criaram a extrema-direita no estado; apenas reativaram e organizaram um tecido social que já estava historicamente inclinado ao reacionarismo, permitindo que células de ódio saíssem da sombra para a atuação ostensiva.

Entender essa síntese histórica é crucial: sem encarar as raízes coloniais e políticas do problema, a sociedade catarinense continuará tratando o neonazismo como "caso isolado", enquanto o vírus segue se multiplicando.


Parte 2: Anatomia da Barbárie Humana: Da Rejeição Afetiva ao Crime Brutal

A barbárie política descrita no resgate histórico não se limita às grandes narrativas de poder; ela se desdobra e se materializa de forma cruel nas relações humanas mais íntimas. A violência que prega o extermínio do "diferente" em praça pública é a mesma lógica que destrói laços familiares dentro de casa.

Duas decisões recentes da Justiça de Santa Catarina expõem as vísceras dessa perversão moral:

Ø  A Violência da Rejeição e do Preconceito: Em um caso emblemático, a Justiça estadual condenou uma família a indenizar em R$ 100 mil um adolescente expulso de casa após revelar sua orientação sexual. O abandono afetivo e material promovido por aqueles que deveriam garantir proteção e acolhimento revela a faceta assustadora do preconceito: a incapacidade de amar o próprio filho diante do dogmatismo e da intolerância.

Ø  A Brutalidade Absoluta contra a Infância: Em outra frente da barbárie humana, a condenação do padrasto que pesquisou na internet sobre enforcamento de crianças antes de assassinar o próprio enteado de apenas 4 anos expõe o ápice da crueldade. É o sadismo premeditado contra quem não possui qualquer capacidade de defesa.

Seja pela expulsão afetiva fundamentada no ódio à diversidade, seja pelo homicídio brutal no seio doméstico, o diagnóstico é o mesmo: vivemos um colapso ético onde o valor da vida humana e o dever sagrado de proteção dos vulneráveis foram tragados pelo egoísmo, pelo sadismo e pela intolerância.


Parte 3: O Mofo da Corrupção e o Desprezo pela Democracia em Santa Catarina

Para fechar o quadro da degradação social, a violência contra a cidadania se expressa no achaque às instituições democráticas. Enquanto discursos moralistas ecoam em palanques e redes sociais, a prática política real em Santa Catarina continua manchada pelas velhas oligarquias e pela barganha rasteira.

A cassação dos diplomas do prefeito e do vice-prefeito de um município catarinense por compra de votos é mais um lembrete incômodo da nossa realidade institucional. O esquema — que transforma a miséria e a necessidade do eleitor em moeda de troca — demonstra o absoluto desprezo do coronelismo local pelo processo democrático.

Comprar votos é uma forma silenciosa de violência. É o assalto à soberania popular promovido por elites que enxergam a máquina pública não como um instrumento de transformação social, mas como um balcão de negócios privados.

Não há como dissociar a proliferação do extremismo, a violência doméstica covarde e a corrupção eleitoral. Todas essas mazelas brotam do mesmo solo: a falta de empatia, o desrespeito às leis e a certeza de que a força, o dinheiro e o preconceito podem se sobrepor à dignidade e aos direitos fundamentais. Cabe à sociedade civil consciente (nada esperem da mídia boca de aluguel, corrompida até a medula) desmascarar esse mofo moral e exigir reparação, justiça e civilidade.



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