terça-feira, agosto 18, 2026

Quem Sequestrou JESUS... (Parte IV)

 Pastores e Lideranças Inescrupulosas Sequestraram Jesus

Sequestraram o carpinteiro de Nazaré. Mutilaram o Evangelho, rasgaram o Sermão da Montanha e ergueram, sobre os escombros da fé popular, um balcão de negócios, chantagens e negociatas políticas. O homem que expulsou os cambistas do templo com um chicote de cordas hoje assiste, sob o véu da impunidade, sua figura ser transformada na maior mercadoria de um mercado sem escrúpulos.

O que se testemunha em praça pública não é apenas desvio ético; é uma subversão completa, violenta e calculada do texto sagrado.

Em nome do Nazareno que não tinha onde reclinar a cabeça, ergueram-se "bancos espirituais" e estruturas financeiras sombrias. Pastores e lideranças inescrupulosas transformaram altares em balcões de pirâmides financeiras, prometendo lucros milagrosos e rendimentos astronômicos a custa da boa-fé, das economias e da esperança de famílias inteiras. Usam a linguagem da graça para aplicar o golpe do vigário; oferecem o céu em troca do suor e da poupança do crente, vendendo a ilusão de que o Deus do universo opera como um doleiro ou um operador de risco.

Não bastasse o achaque ao bolso dos fiéis, sequestraram também a consciência cidadã. Nas vésperas dos pleitos eleitorais, a fé é instrumentalizada sem pudor. "Campanhas espirituais" e jejuns convocados do púlpito deixam de ser atos de devoção para se tornarem peças grosseiras de propaganda partidária e coação ideológica. A salvação da alma passou a ter lado no espectro político e candidato preferencial, reduzindo a mensagem universal de amor e justiça a um panfledo eleitoreiro de ocasião.

E onde o poder econômico da fé encontra o poder do Estado, o sacrilégio se institucionaliza. Vemos impérios religiosos se banqueteando com verbas públicas, abocanhando milhões em emendas parlamentares para financiar megaeventos e ostentações privadas sob o pretexto de "ação cultural" ou "social". O dinheiro da saúde, da educação e da infraestrutura do povo trabalhador é canalizado para inflar a influência de conglomerados de mídia e oligarquias religiosas que operam nos bastidores do poder como verdadeiros partidos políticos imunes à fiscalização.

Jesus pregou a partilha; eles pregam o acúmulo. Jesus esteve ao lado dos oprimidos e famintos; eles se aliam aos opressores em troca de privilégios e verbas. Jesus disse que o seu Reino não era deste mundo; eles lotearam a terra, o Estado e os cofres públicos em nome da sua própria vaidade.

Até quando a sociedade e os verdadeiros cristãos aceitarão passivamente que a figura que simbolizou a entrega, a simplicidade e a denúncia da hipocrisia seja mantida refém de empresários da fé, vendilhões da política e mercadores do sagrado?

Liberar Jesus do sequestro ideológico e financeiro promovido por esses grupos não é apenas uma urgência teológica: é um dever moral, ético e cidadão de todos os que ainda acreditam na dignidade humana.



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