terça-feira, julho 21, 2026

Um Ato Revolucionário... A libertação é um processo comunitário....

 O Futebol sem Estrelas e a Construção Coletiva do Saber

Para Freire, a educação e a transformação social nunca são impostas por um "líder messiânico" ou por uma elite esclarecida. A libertação é um processo comunitário: "Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão".

O futebol praticado por essa jovem geração espanhola reflete com precisão essa máxima. Não vimos um time jogando para alimentar o ego de um único astro, mas sim onze atletas trabalhando em sintonia, onde o passe é um ato de generosidade e a bola circula como a palavra em uma roda de conversa.

Quando jovens atletas entram em campo de cabeça erguida, sem recorrer ao antijogo ou à violência, eles recusam a lógica de que "para vencer é preciso esmagar o outro". Eles demonstram que a verdadeira maturidade profissional reside no compromisso com o grupo e com a beleza do processo.


A Passividade que Alimenta o Opressor e a Necessidade de Reagir

Paulo Freire também nos alertou historicamente sobre o risco de nos acostumarmos com estruturas injustas ou medíocres: o opressor só domina enquanto os oprimidos naturalizam a dominação e não reagem. Transpondo esse conceito para a cultura do esporte e da vida pública, por muito tempo aceitou-se que o futebol "de alto nível" precisava ser truculento, arrogante ou focado em estrelas intocáveis.

Aceitar essa mediocridade como norma é uma forma de passividade. Quando uma equipe jovem decide redefinir as regras do jogo — propondo a ética, a leveza, o diálogo com a bola e o empenho coletivo —, ela reage a esse sistema. Ela prova que existe outro caminho viável, vitorioso e profundamente humanizador.


O Futebol como Ato de Amor e Esperança

Ao final de Pedagogia do Oprimido, Freire nos lembra que a revolução e a educação são, em essência, atos de amor e de coragem. E ver jovens talentos jogarem com um sorriso no rosto, respeitando o adversário e valorizando o companheiro ao lado, nos devolve a esperança.

A conquista do mundo por essa Seleção Espanhola vai além das estatísticas de posse de bola ou dos gols marcados. Fica a lição política e humana: seja no campo, na sala de aula, na cooperativa ou na comunidade, as vitórias mais transformadoras e duradouras são aquelas construídas de mãos dadas, com ética, simplicidade e solidariedade.



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