quarta-feira, julho 22, 2026

VAI PIORAR... E PIORAR MUITO... Como o Pior Congresso da História "Alimenta" o El Niño... (Parte XII)

 A aprovação de leis que fragilizam a proteção ambiental atua diretamente como um fator multiplicador dos impactos do El Niño e das queimadas.

Se o El Niño cria a condição climática (seca e calor) e o uso do solo gera o gatilho (o fogo), a legislação permissiva cria o ambiente de impunidade e incentivo econômico para que a devastação ocorra em larga escala.

No Poder Legislativo (Câmara dos Deputados e Senado Federal), essa contribuição para o aumento da devastação ocorre principalmente através de quatro mecanismos institucionais:

1. Flexibilização do Licenciamento Ambiental

Quando o Congresso aprova projetos que afrouxam as regras de licenciamento ambiental (como o "licenciamento por adesão e compromisso", onde a própria empresa declara que cumprirá as regras sem fiscalização prévia), ocorre uma redução drástica do controle estatal.

ü  O impacto: Empreendimentos de alto impacto (mineração, agronegócio predatório, infraestrutura mal planejada) passam a se instalar com menor rigor técnico, resultando em desmatamento legalizado de grandes áreas de amortecimento que antes protegiam os biomas.

2. Annistia à Grileiros e Incentivo à Grilagem

Projetos de lei que buscam regularizar terras públicas ocupadas ilegalmente (as chamadas "PLs da Grilagem") alteram os marcos temporais para a regularização fundiária.

ü  O impacto: Ao estender prazos para anistiar quem desmatou e ocupou terras públicas ilegalmente no passado, os parlamentares sinalizam para o mercado ilegal que vale a pena invadir, derrubar a mata e atear fogo hoje, pois uma nova lei de anistia será aprovada no futuro. Isso retroalimenta o ciclo de invasão da Amazônia e do Cerrado.

3. Desmonte da Fiscalização e Perdão de Multas Ambientais

Propostas que reduzem a autonomia de órgãos como IBAMA e ICMBio, ou que criam mecanismos para perdoar, parcelar indefinidamente ou dificultar a cobrança de multas por infrações ambientais, enfraquecem o poder de polícia do Estado.

ü  O impacto: O custo do crime ambiental torna-se menor do que o lucro obtido com a exploração da terra queimada. Sem o efeito dissuasório da punição, a certeza da impunidade encoraja o uso do fogo como ferramenta rápida e barata de "limpeza" do solo.

4. Redução de Unidades de Conservação e Terras Indígenas

Propostas legislativas que buscam desfazer, reduzir a área (desafetação) ou rebaixar a categoria de proteção de Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas (TIs) atacam justamente os escudos mais eficientes contra o fogo.

ü  O impacto: Dados de satélite demonstram consistentemente que Terras Indígenas e UCs de proteção integral são as áreas que menos queimam e menos sofrem com o El Niño, pois a mata contínua mantém a umidade interna. Quando o Legislativo reduz essas áreas ou cria barreiras para novas demarcações, abre-se espaço para a fragmentação florestal, tornando toda a região mais vulnerável aos incêndios.

A Equação da Devastação: 

Ao aprovarem um arcabouço legal permissivo, deputados e senadores transformam a vulnerabilidade natural provocada por fenômenos como o El Niño em uma catástrofe anunciada. A lei deixa de ser um instrumento de salvaguarda do bem comum para se tornar uma garantia de desresponsabilização de quem degrada.

 A Lista da Vergonha: Quem escolheu a flexibilização (Lei 15.190/2025)?

O elenco dos nomes daqueles deputados que votaram a favor do PL 2.564/2025; é o mesmo que votou a favor da flexibilização das regras de licenciamento ambiental no Brasil, que foi consolidada pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei Federal 15.190/2025), originada a partir do PL 2.159/2021. A legislação unificou as diretrizes do setor e entrou em vigor no início de 2026.

São representantes que, em vez de buscarem soluções para evitar desastres ambientais, preferiram facilitar o caminho para quem destrói o nosso bioma:

 Partido

Deputado(a)

PL

Caroline de Toni, Daniel Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé Trovão

MDB

Cobalchini, Luiz Fernando Vampiro, Pezenti

NOVO

Gilson Marques

PP

Coronel Armando

PSDB

Geovania de Sá

União

Fabio Schiochet

 


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