terça-feira, julho 14, 2026

Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros...... A Cortina de Fumaça do Racismo Institucional:... (Parte XXV)

 Enquanto o Estado Sangra com a Corrupção, a Alesc Propõe um Retrocesso Civilizatório

Para qualquer catarinense lúcido e comprometido com a justiça social, é impossível assistir ao atual cenário político do nosso estado sem um misto de perplexidade e profunda indignação. Em uma afronta direta à história, à dignidade humana e à própria ordem constitucional, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) volta a articular uma tentativa de desmantelar a política de cotas raciais, poucos meses após o Supremo Tribunal Federal (STF) — o guardião máximo da Constituição Nacional — sepultar juridicamente essa tese absurda.

Esse movimento parlamentar não é apenas um deboche explícito aos poderes constituídos e às decisões da corte máxima do país; é uma agressão deliberada e um tapa na face da população negra e parda, historicamente submetida a séculos de opressão, exploração e humilhação sistêmica. Ao tentar asfixiar as políticas de reparação e equidade racial, setores do nosso legislativo acenam para velhos ideais de supremacia, operando uma política que flerta abertamente com o autoritarismo e a exclusão social.

No entanto, o cinismo dessa agenda ganha contornos ainda mais graves quando analisamos o que os deputados estaduais estão tentando esconder. A obsessão em atacar as cotas raciais funciona como uma conveniente cortina de fumaça para desviar a atenção do verdadeiro e vergonhoso recorde que Santa Catarina ostenta: o de ser um estado assolado por um ecossistema de corrupção sistêmica que sangra os cofres municipais.


Os Números do Escândalo: O Estado dos "Prefeitos Presos"

Enquanto os legisladores gastam energia e recursos públicos para tentar blindar privilégios históricos na educação e no serviço público, o poder municipal catarinense desmorona diante de investigações policiais.

Desde agosto de 2020, Santa Catarina alcançou a estarrecedora marca de 30 prefeitos presos em pleno exercício do mandato. Isso significa que mais de 10% dos 295 municípios do estado tiveram seus chefes do Executivo detidos por envolvimento em esquemas de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro. A lista mais recente de capturas inclui o prefeito de Balneário Piçarras, Tiago Baltt (MDB), alvo da Operação Regalo.

A distribuição partidária desses 30 prefeitos presos revela que o lamaçal é amplo e democrático entre as forças políticas tradicionais que dominam o estado:

Ø  MDB: 9 prefeitos presos

Ø  PP (Progressistas): 6 prefeitos presos

Ø  PL: 5 prefeitos presos

Ø  PSD: 4 prefeitos presos

Ø  Outras legendas (União Brasil, Patriota, Republicanos, Podemos, PT e PSDB) somam as demais prisões.


A Epidemia de Operações em 2026: A Verdadeira Urgência de SC

Apenas no primeiro semestre de 2026, uma avalanche de operações do Ministério Público (MPSC), do Gaeco, do GEAC e da Polícia Federal demonstrou que a máquina pública catarinense está sequestrada por cartéis e esquemas de propina de norte a sul do estado:

ü  Operação Gaiola Digital (Julho de 2026): Desmantelou fraudes e direcionamento de licitações na contratação de softwares de gestão pública em importantes cidades como Blumenau, Rio do Sul e Lages.

ü  Operação Pão e Circo (Julho de 2026): Expôs um cartel milionário no setor de eventos que fraudava shows municipais em cerca de 18 prefeituras catarinenses, resultando no afastamento do prefeito de Governador Celso Ramos e no bloqueio de R$ 9 milhões em bens.

ü  Operação Estoque Zero (Julho de 2026): Deflagrada pela Polícia Federal na região serrana (Lages e São José do Cerrito), revelou um esquema de lavagem de dinheiro e descaminho de eletrônicos sem nota fiscal, bloqueando mais de R$ 14,5 milhões dos envolvidos.

ü  Operação Benaia (Junho de 2026): Flagrou corrupção aduaneira e lavagem de dinheiro envolvendo um servidor da Receita Federal em Itajaí que favorecia empresários mediante propina.

ü  Operação Regalo (Maio de 2026): Investigou fraudes pesadas em contratos de obras públicas, levando à cadeia prefeitos e agentes do alto escalão municipal.

Essa estrutura criminosa de assalto ao erário não poupa serviços básicos: a gigantesca Operação Mensageiro (que sozinha levou 17 prefeitos à prisão) revelou um esquema bilionário de propinas até no lixo que é coletado em nossas cidades.


Concluindo: Prioridades Invertidas e Cumplicidade Moral

A lição que fica para a sociedade catarinense é nítida. Nossos legisladores não estão preocupados em construir um estado mais justo, moderno e eficiente. Se estivessem, estariam propondo comissões de inquérito, endurecendo o controle de contratos públicos, fiscalizando as licitações viciadas de TI e os shows superfaturados que anestesiam o interior catarinense.

Em vez de focar no combate à corrupção endêmica que desvia o dinheiro da saúde, da segurança e das estradas dos catarinenses, a Alesc prefere reviver batalhas ideológicas derrotadas na Justiça, cujo único propósito prático é atacar os direitos da população negra para agradar a sua base mais radicalizada.

O ataque às cotas raciais em Santa Catarina é um insulto à história, mas é também um ato de covardia política. É a elite governante tentando legislar sobre o preconceito para que ninguém preste atenção nos camburões da polícia estacionados na porta das prefeituras. Não passarão. A lucidez democrática exige que continuemos denunciando o circo legislativo e exigindo honestidade de quem deveria estar servindo ao povo, e não se servindo dele.



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