A Postura Política de Jorginho Mello
A análise do conjunto de episódios
que marcam a trajetória de Jorginho Mello, especialmente após assumir o governo
de Santa Catarina, revela um padrão de comportamento centrado na
espetacularização da agressividade e no tensionamento das regras democráticas.
Longe de adotar a liturgia e o decoro esperados do cargo máximo do Executivo
estadual, o governador frequentemente recorre a táticas de comunicação
infantilizadas, intolerância com minorias e deboche institucional.
⏳ Linha do Tempo
Cronológica
Atuação Conflituosa na
CPI da Covid-19
2021
Declaração
sobre Características Demográficas (Pomerode)
Julho de 2021
Declaração
de Enfrentamento ao MST (Xanxerê)
Maio de 2023
Uso
da Força e Intervenção na Barragem de José Boiteux
Outubro de 2023
Sugestão
de Separação do Brasil (Curitiba)
Agosto de 2024
Intimação
e Depoimento à Polícia Federal
Fevereiro de 2025
Publicação
do Vídeo com Taco de Madeira
Novembro de 2025
Fim
das Cotas Raciais nas Universidades Estaduais
Janeiro de 2026
Primeiro
Semestre de 2026
Ofensas
Verbais a Lideranças Indígenas
Julho de 2026
Os
acontecimentos podem ser sintetizados em três eixos principais de atuação:
1. Erosão do Decoro e Apelo à Violência Visual
O uso de símbolos de agressão física dentro do
gabinete oficial — como o episódio em que bate um porrete de madeira na mão
para ameaçar movimentos sociais — demonstra uma tentativa de canalizar o debate
público através da intimidação. Essa postura se repete na retórica verbal, como
na promessa de dar "o cacete da polícia" em opositores e no uso
recente de insultos de baixo calão contra lideranças indígenas que cobravam o
cumprimento de acordos firmados pelo próprio Estado.
2. Intolerância Social e Institucionalização do
Preconceito
A atuação governamental traduziu-se em medidas
que fragilizam pactos de direitos humanos e conquistas sociais históricas. A
sanção da lei que extingue as cotas raciais nas universidades estaduais caminha
na contramão das diretrizes nacionais de reparação e inclusão. Paralelamente,
campanhas jocosas como o "Passaporte Catarina" e declarações focadas
em características demográficas (como a "cor da pele" da população
local) revelam uma visão excludente de cidadania, que discrimina minorias e
marginaliza populações vulneráveis, como as pessoas em situação de rua.
3. Flertes Separatistas e Desprezo pelo Pacto
Federativo
A fragilidade no entendimento da complexidade
democrática também se manifesta no desrespeito às instituições nacionais.
Sugerir "passar uma trena" para separar a região Sul do restante do
país enfraquece o princípio constitucional da união indissolúvel dos Estados.
Esse isolamento político e o constante bate-boca com o governo federal reduzem
a atuação diplomática de Santa Catarina a um palanque ideológico permanente,
priorizando o engajamento de redes sociais em detrimento da articulação técnica
e republicana.








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