segunda-feira, julho 13, 2026

Cresça... Cresça e Apareça Governador.... A Cronologia da Mediocridade (Parte VIII)

 A Postura Política de Jorginho Mello

A análise do conjunto de episódios que marcam a trajetória de Jorginho Mello, especialmente após assumir o governo de Santa Catarina, revela um padrão de comportamento centrado na espetacularização da agressividade e no tensionamento das regras democráticas. Longe de adotar a liturgia e o decoro esperados do cargo máximo do Executivo estadual, o governador frequentemente recorre a táticas de comunicação infantilizadas, intolerância com minorias e deboche institucional.


Linha do Tempo Cronológica

 

Atuação Conflituosa na CPI da Covid-19

2021

Como senador, integrou a tropa de choque governista, envolvendo-se em discussões ríspidas, defendendo tratamentos sem eficácia científica e atacando o relatório final da comissão.


Declaração sobre Características Demográficas (Pomerode)

Julho de 2021

Durante evento oficial, exaltou o município mencionando "a cor da pele das pessoas". O caso foi levado ao Ministério Público Federal, que posteriormente arquivou a representação por não configurar crime de racismo.


Declaração de Enfrentamento ao MST (Xanxerê)

Maio de 2023

Já como governador, afirmou publicamente na feira ExpoFemi que se o movimento tentasse ocupar terras no estado "vai levar o cacete da polícia", defendendo a ação policial sem necessidade de ordem judicial prévia.


Uso da Força e Intervenção na Barragem de José Boiteux

Outubro de 2023

O governo estadual autorizou o uso da Polícia Militar para desocupar a área e garantir o controle das comportas da barragem, resultando em confronto físico direto com a comunidade Laklãnõ Xokleng.


Sugestão de Separação do Brasil (Curitiba)

Agosto de 2024

No evento Construa Sul, declarou em tom de brincadeira que, se o cenário nacional não funcionasse, passaria "uma trena" para criar o país do Sul, gerando polêmica por flertar com o separatismo inconstitucional.


Intimação e Depoimento à Polícia Federal

Fevereiro de 2025

Foi intimado pelo STF a depor após afirmar publicamente que autoridades investigadas por atos antidemocráticos — e proibidas de manter contato — continuavam conversando frequentemente.


Publicação do Vídeo com Taco de Madeira

Novembro de 2025

Gravou um vídeo em seu gabinete oficial batendo um porrete/taco de madeira na mão, ironizando de forma agressiva um decreto federal de proteção a defensores de direitos humanos e ao MST.


Fim das Cotas Raciais nas Universidades Estaduais

Janeiro de 2026

Sancionou a lei aprovada pela Alesc que extinguiu os recortes de raça e gênero nos vestibulares e seleções públicas de ensino superior em Santa Catarina, mantendo apenas as cotas sociais.


Primeiro Semestre de 2026

Divulgou materiais institucionais sugerindo, em tom de sátira, o controle migratório de pessoas em situação de rua que chegam a Florianópolis, recebendo duras críticas de organizações de assistência social.


Ofensas Verbais a Lideranças Indígenas

Julho de 2026

Durante vistoria às obras da Barragem Norte, hostilizou manifestantes locais com palavrões ("vai para a puta que o pariu") e mandou uma liderança feminina "ir à merda" ao ser cobrado por promessas habitacionais atrasadas.

Os acontecimentos podem ser sintetizados em três eixos principais de atuação:


1. Erosão do Decoro e Apelo à Violência Visual

O uso de símbolos de agressão física dentro do gabinete oficial — como o episódio em que bate um porrete de madeira na mão para ameaçar movimentos sociais — demonstra uma tentativa de canalizar o debate público através da intimidação. Essa postura se repete na retórica verbal, como na promessa de dar "o cacete da polícia" em opositores e no uso recente de insultos de baixo calão contra lideranças indígenas que cobravam o cumprimento de acordos firmados pelo próprio Estado.


2. Intolerância Social e Institucionalização do Preconceito

A atuação governamental traduziu-se em medidas que fragilizam pactos de direitos humanos e conquistas sociais históricas. A sanção da lei que extingue as cotas raciais nas universidades estaduais caminha na contramão das diretrizes nacionais de reparação e inclusão. Paralelamente, campanhas jocosas como o "Passaporte Catarina" e declarações focadas em características demográficas (como a "cor da pele" da população local) revelam uma visão excludente de cidadania, que discrimina minorias e marginaliza populações vulneráveis, como as pessoas em situação de rua.


3. Flertes Separatistas e Desprezo pelo Pacto Federativo

A fragilidade no entendimento da complexidade democrática também se manifesta no desrespeito às instituições nacionais. Sugerir "passar uma trena" para separar a região Sul do restante do país enfraquece o princípio constitucional da união indissolúvel dos Estados. Esse isolamento político e o constante bate-boca com o governo federal reduzem a atuação diplomática de Santa Catarina a um palanque ideológico permanente, priorizando o engajamento de redes sociais em detrimento da articulação técnica e republicana.




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