quinta-feira, julho 09, 2026

Enquanto isso... no mais Nazifascista e Corrupto dos Estados Brasileiros...... A Anatomia da Bajulação... (Parte XXIV)

 Como o Teatro Político Corrói a Democracia em Santa Catarina

Para os cidadãos lúcidos — aqueles que se recusam a deixar o discernimento ser contaminado pelas paixões cegas e pelo ódio —, o cenário político atual em Santa Catarina tem emitido sinais profundamente alarmantes. O que testemunhamos de forma recorrente em diversas esferas públicas do nosso estado não é o livre exercício do debate democrático, mas sim um desvio crônico do propósito fundamental do serviço público.

Esse fenômeno nos remete diretamente ao clássico Breviário dos Políticos, obra atribuída ao Cardeal Mazarino no século XVII, que mapeia com precisão cirúrgica a bajulação e a subserviência como táticas de autopreservação, manutenção de privilégios e blindagem corporativista. No entanto, para além do mero ridículo institucional, é preciso dar o nome correto a essa engrenagem. Trata-se de corrupção.

Para além da corrupção "clássica" — aquela que envolve o desvio direto de dinheiro público e o pagamento de propinas —, existe uma variante mais sutil, invisível aos portões dos tribunais de contas, mas igualmente corrosiva para o tecido republicano. Abaixo, anatomizamos os quatro eixos dessa degradação institucional:


1. Corrupção Moral e do Caráter Político

Esta é a camada mais evidente da crise de representatividade. Ela deforma o próprio sentido e a dignidade do mandato outorgado pelo voto popular.

ü  O Abandono do Mandato: O parlamentar municipal é eleito e pago para legislar sobre a realidade local e fiscalizar o Executivo em prol de sua comunidade. Quando vereadores utilizam a tribuna, o tempo regimental e a estrutura da Casa para aprovar moções de "louvor" a figuras externas sem qualquer relevância local comprovada, ou para declarar autoridades federais como persona non grata por pura divergência ideológica, opera-se o abandono do mandato real. A política de resultados é substituída por um teatro infantiloide.

ü  A "Insanidade" da Vassalagem: A necessidade de prestar vassalagem a líderes políticos ou às suas dinastias familiares atinge contornos delirantes. O agente público corrompe a própria biografia e rebaixa a estatura da instituição que representa na expectativa de ser mantido na órbita de influência, garantindo favores e a perpetuação de suas benesses corporativas.


2. Corrupção Simbólica e das Honrarias Públicas

As distinções, medalhas e títulos de um Estado servem para chancelar o mérito extraordinário e o serviço prestado à coletividade. Quando esses símbolos são capturados, a própria história das instituições é aviltada.

ü  A Concessão de Honrarias sem Mérito: O uso de condecorações centenárias de corporações de Estado para agraciar figuras políticas sem qualquer folha de serviços prestados à segurança pública local — ou ao estado de Santa Catarina — esvazia o significado da própria comenda. É um ato que desonra diretamente os profissionais de carreira que sacrificam suas vidas diariamente e que de fato mereceriam tal distinção.

ü  A Moeda da Impessoalidade Rompida: O galardão público passa a funcionar como moeda de troca privada para a compra de prestígio partidário. Esse movimento atropela frontalmente os preceitos constitucionais da moralidade e da impessoalidade, transformando o patrimônio simbólico do povo em um balcão de negócios de vaidades.


3. Corrupção do Debate Público e Desinformação

A retórica política é o canal pelo qual a sociedade civil se organiza. Quando a mentira e a distorção técnica passam a balizar as justificativas oficiais, o discurso público é corrompido.

ü  A Manipulação Deliberada da Verdade: Em vez de pautar as discussões em dados técnicos, critérios legais, orçamentários ou logísticos — como exige a complexa gestão de grandes ativos logísticos e infraestruturas do estado —, as decisões administrativas são deliberadamente traduzidas sob o manto de "revanche" ou perseguição. Cria-se uma narrativa ficcional que alimenta o ressentimento em detrimento da verdade.

ü  A Violência contra a Civilidade: A intolerância e a difusão do pânico moral convertem-se em ferramentas metodológicas de gestão da narrativa. O ódio substitui o argumento, interditando o diálogo civilizado e impedindo que o foco retorne para onde deveria estar: a resolução dos problemas reais enfrentados pelos contribuintes.


4. Corrupção da Eficiência e do Uso de Recursos

Muitos argumentam que atos meramente simbólicos não geram danos ao erário. Trata-se de um erro crasso de contabilidade pública e de eficiência administrativa.

ü  O Custo do Tempo Público: O tempo de uma sessão legislativa, as horas trabalhadas por equipes técnicas e assessores, o aparato burocrático e os custos operacionais de produção e entrega de moções e cerimônias são integralmente custeados com o dinheiro dos impostos pagos pelo cidadão. Desviar a finalidade desse aparato para palanque ideológico e bajulação personalista configura, na essência, uma grave dilapidação do princípio da eficiência, tipificando o desvio de finalidade dos recursos públicos.


O Diagnóstico Necessário

Precisamos rejeitar categoricamente a normalização dessas práticas sob o rótulo de que isso é "apenas a política como ela é". O diagnóstico é consideravelmente mais severo: estamos diante de uma manifestação de corrupção profunda. Ela pode não perfurar diretamente os cofres, mas perfura e esvazia a integridade, a ética e a própria finalidade da existência do Estado.

A verdadeira política — aquela voltada para o bem comum e para a construção coletiva — é sufocada por uma corte de vassalos modernos que ignoram as demandas urgentes da sociedade em nome de uma necessidade insana de agradar os detentores do poder de turno. Manter a capacidade de se indignar contra esse cenário não é apenas um direito; é o primeiro sinal de saúde cívica e de resistência democrática.






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