Sobre o Dinheiro Público em Santa Catarina
Quem
acompanha os canais oficiais do governo de Santa Catarina é bombardeado
diariamente por uma narrativa de perfeição: obras por todos os lados, gestão
eficiente e um estado que parece saído de uma peça publicitária. No entanto,
quando confrontamos a propaganda institucional com a realidade das ruas e dos
dados orçamentários, o cenário muda de figura.
Para
romper o silêncio e exercer o verdadeiro controle social, trazemos hoje três perguntas incômodas que a
máquina pública e a imprensa tradicional tentam, a todo custo, ignorar.
Pergunta 1: Como abrir a
"caixa-preta" dos R$ 444 milhões da publicidade estatal?
O
governo catarinense investe pesado em propaganda: são assustadores R$ 444 milhões acumulados em
publicidade nos últimos três anos. Diante dessa dinheirama, a pergunta que não
quer calar é: Quais são os
caminhos legais para termos total transparência sobre o destino desse recurso?
Precisamos
de respostas exatas sobre três pontos:
1. Como
as agências contratadas (atualmente OneWG Multicomunicação e Ápice 360º/FLB)
planejam a mídia e intermedeiam a compra desses espaços?
2. Quais
critérios técnicos — se é que existem — são usados para escolher onde e quando
veicular cada campanha na televisão, rádio, jornais e portais digitais?
3.
Qual
é o ranking real da
distribuição desses recursos por veículo contratado? Quanto, afinal, vai para
os mega grupos de mídia que dominam o estado, como a NSC Comunicação, o Grupo
ND e o Grupo SCC?
A
população tem o direito de saber se o dinheiro dos seus impostos está
financiando informação útil ou apenas comprando o silêncio de linhas
editoriais.
Pergunta 2: Avenida Carahá: Onde foram parar
os R$ 23 milhões que sumiram no trajeto?
Em
Lages, a revitalização da Avenida Carahá foi anunciada com pompas e foguetes
pelo governo, que prometeu um aporte milionário de R$ 27 milhões para uma transformação completa. A
prefeitura chegou a anunciar a finalização dos trabalhos com sucesso. No
entanto, quem caminha pela Carahá e analisa a execução física da obra percebe o
abismo: o que foi efetivamente entregue e visível gira em torno de apenas R$ 4 milhões.
A
pergunta que não quer calar é límpida: Onde estão os outros R$ 23 milhões prometidos para a
Carahá? A conta simplesmente não fecha entre o marketing político e o
asfalto sob os nossos pés.
Pergunta 3: Por que a mídia "boca de
aluguel" esconde os R$ 44,7 milhões do PAA Federal?
Nos
últimos três anos (2024, 2025 e 2026), o Governo Federal destinou cerca de R$ 44,7 milhões para Santa
Catarina por meio da modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS) do Programa
de Aquisição de Alimentos (PAA). Esses repasses do Ministério do
Desenvolvimento Social (MDS) e da Conab sustentam a agricultura familiar e
combatem a fome na ponta, estruturados assim:
ü R$
15,5 milhões
repassados diretamente para municípios prioritários catarinenses;
ü R$
12 milhões destinados
exclusivamente ao PAA Indígena;
ü R$
12 milhões em
projetos aprovados via Conab;
ü R$
3 milhões
direcionados por meio da Secretaria de Estado da Assistência Social (SAS/SC);
ü R$
2,2 milhões focados
no pagamento direto a agricultores locais e associações regionais.
Diante
de um volume tão expressivo de recursos que movimentam a nossa economia
solidária e garantem comida na mesa, a pergunta que não quer calar é: Até quando a mídia local,
dependente das verbas estaduais, vai esconder esses números e omitir a
importância do apoio federal para o povo catarinense?








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