terça-feira, junho 02, 2026

Três Perguntas que Não Querem Calar...

 

Sobre o Dinheiro Público em Santa Catarina

Quem acompanha os canais oficiais do governo de Santa Catarina é bombardeado diariamente por uma narrativa de perfeição: obras por todos os lados, gestão eficiente e um estado que parece saído de uma peça publicitária. No entanto, quando confrontamos a propaganda institucional com a realidade das ruas e dos dados orçamentários, o cenário muda de figura.

Para romper o silêncio e exercer o verdadeiro controle social, trazemos hoje três perguntas incômodas que a máquina pública e a imprensa tradicional tentam, a todo custo, ignorar.


Pergunta 1: Como abrir a "caixa-preta" dos R$ 444 milhões da publicidade estatal?

O governo catarinense investe pesado em propaganda: são assustadores R$ 444 milhões acumulados em publicidade nos últimos três anos. Diante dessa dinheirama, a pergunta que não quer calar é: Quais são os caminhos legais para termos total transparência sobre o destino desse recurso?

Precisamos de respostas exatas sobre três pontos:

1. Como as agências contratadas (atualmente OneWG Multicomunicação e Ápice 360º/FLB) planejam a mídia e intermedeiam a compra desses espaços?

2.  Quais critérios técnicos — se é que existem — são usados para escolher onde e quando veicular cada campanha na televisão, rádio, jornais e portais digitais?

3.    Qual é o ranking real da distribuição desses recursos por veículo contratado? Quanto, afinal, vai para os mega grupos de mídia que dominam o estado, como a NSC Comunicação, o Grupo ND e o Grupo SCC?

A população tem o direito de saber se o dinheiro dos seus impostos está financiando informação útil ou apenas comprando o silêncio de linhas editoriais.


Pergunta 2: Avenida Carahá: Onde foram parar os R$ 23 milhões que sumiram no trajeto?

Em Lages, a revitalização da Avenida Carahá foi anunciada com pompas e foguetes pelo governo, que prometeu um aporte milionário de R$ 27 milhões para uma transformação completa. A prefeitura chegou a anunciar a finalização dos trabalhos com sucesso. No entanto, quem caminha pela Carahá e analisa a execução física da obra percebe o abismo: o que foi efetivamente entregue e visível gira em torno de apenas R$ 4 milhões.

A pergunta que não quer calar é límpida: Onde estão os outros R$ 23 milhões prometidos para a Carahá? A conta simplesmente não fecha entre o marketing político e o asfalto sob os nossos pés.


Pergunta 3: Por que a mídia "boca de aluguel" esconde os R$ 44,7 milhões do PAA Federal?

Nos últimos três anos (2024, 2025 e 2026), o Governo Federal destinou cerca de R$ 44,7 milhões para Santa Catarina por meio da modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS) do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Esses repasses do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e da Conab sustentam a agricultura familiar e combatem a fome na ponta, estruturados assim:

ü  R$ 15,5 milhões repassados diretamente para municípios prioritários catarinenses;

ü  R$ 12 milhões destinados exclusivamente ao PAA Indígena;

ü  R$ 12 milhões em projetos aprovados via Conab;

ü  R$ 3 milhões direcionados por meio da Secretaria de Estado da Assistência Social (SAS/SC);

ü  R$ 2,2 milhões focados no pagamento direto a agricultores locais e associações regionais.

Diante de um volume tão expressivo de recursos que movimentam a nossa economia solidária e garantem comida na mesa, a pergunta que não quer calar é: Até quando a mídia local, dependente das verbas estaduais, vai esconder esses números e omitir a importância do apoio federal para o povo catarinense?



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