NÃO É
APENAS SOBRE O QUE FOI TIRADO, É SOBRE TUDO O QUE ELES NÃO PERMITIRAM QUE
MORRESSE. 19 DE ABRIL: DIA DE MEMÓRIA E LUTA.
Neste 19 de abril, não pedimos celebrações vazias
ou estereótipos de livros didáticos. Pedimos silêncio para ouvir o que a terra
tem a nos dizer — e ela fala em tons de resistência e luto. Hoje, homenageamos
o povo mais heróico destas terras: as nações originárias que, há mais de cinco
séculos, enfrentam o fim do mundo todos os dias.
A Cicatriz Aberta de Santa
Catarina: A Era dos Bugreiros
Não podemos falar de valentia sem falar da
crueldade que tentou calá-la. Em nossa Santa Catarina, a história oficial muitas
vezes tentou esconder o rastro de sangue deixado pelos bugreiros. Esses
"caçadores de gente", contratados para "limpar" o terreno
para a colonização e as estradas de ferro, cometeram atrocidades indescritíveis
contra os povos Xokleng e Kaingang.
Foram décadas de emboscadas, onde a vida indígena
era tratada como obstáculo ao progresso. Mas eles não contavam com a força
espiritual e a bravura de um povo que pertence à terra, e não o contrário. Cada
vez que um bugreiro tentava apagar uma linhagem, a mata se encarregava de
proteger a semente da resistência.
Séculos de Violência, Milênios de
Dignidade
A perseguição não foi apenas física. Foi a
escravidão disfarçada, a exploração desenfreada e o apagamento cultural. Foram
as doenças trazidas como armas e o roubo sistemático de territórios sagrados.
Ainda assim, diante de todas as formas de violência, os povos indígenas
permanecem de pé.
Homenageamos hoje:
ü
A Valentia: De quem
protege as florestas com o próprio corpo, sendo os verdadeiros guardiões da
biodiversidade que ainda nos resta.
ü
A Sabedoria: De quem
entende que o rio é um antepassado e que o progresso que destrói a natureza é,
na verdade, um suicídio coletivo.
ü
A Herança: Que
pulsa no nosso sangue, nos nossos nomes, na nossa culinária e, acima de tudo,
na nossa luta por justiça social.
O Compromisso com o Amanhã
Homenagear o povo indígena hoje significa,
obrigatoriamente, apoiar a demarcação de terras, combater o marco temporal e
denunciar a violência que ainda ceifa vidas nas aldeias e retomadas.
O povo indígena não é o nosso passado; eles são o
nosso único futuro possível se quisermos um planeta vivo. Que a valentia de
cada guerreiro e guerreira que tombou sob as lâminas dos bugreiros e dos
exploradores se transforme em combustível para a nossa indignação e para a
nossa solidariedade.
Honra aos povos originários.
Ontem, hoje e para sempre.








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