Como a
Mídia Boca Alugada mantém viva a chama da barbárie....
A pergunta é cirúrgica. A "mídia de boca
alugada" é o oxigênio que mantém viva a chama da barbárie ao longo dos
séculos. Para que um extermínio ocorra — seja ele físico, como nos tempos dos
bugreiros, ou social e político, como vemos hoje — é necessário que a sociedade
civil esteja "anestesiada" ou, pior, convencida de que a violência é
um mal necessário.
A mídia comprada atua como o braço de propaganda
que transforma o massacre em "limpeza" e a barbárie em
"progresso". Veja como esse legado se perpetua através dela:
1. A Construção do "Inimigo
Conveniente"
Assim como no texto bíblico o "outro" era
o pagão que corrompia, a mídia de boca alugada cria estigmas para justificar a
agressão.
ü
Ontem: Os
índios em Santa Catarina eram descritos nos jornais da época como "feras
sanguinárias" e "obstáculos à civilização" para justificar o
pagamento por par de orelhas trazido pelos bugreiros.
ü
Hoje:
Populações vulneráveis, moradores de rua, ou opositores políticos são rotulados como
"terroristas", "vagabundos" ou "ameaças à ordem",
preparando o terreno psicológico para que o público aceite a retirada de
direitos ou o uso da força.
2. O Eufemismo: A Maquiagem da
Morte
A mídia de aluguel é mestre em trocar palavras
reais por termos técnicos que escondem o sangue:
ü
Não se diz "matança de civis", diz-se "neutralização de
alvos" ou "danos colaterais".
ü
Não se diz "expulsão de camponeses", diz-se "reintegração de
posse para fins de desenvolvimento".
ü
No caso de Gaza, a mídia muitas vezes foca no "direito de defesa" de um lado,
enquanto silencia sobre a desproporcionalidade estatística do massacre do
outro, criando uma falsa simetria ética.
3. O Silenciamento Seletivo
(Omissão)
O legado da aniquilação se perpetua pelo que não
é dito.
ü
Quando a
mídia de Santa Catarina recebe R$ 163 milhões em publicidade governamental,
ela perde o interesse em investigar por que Cerro Negro tem o 3º pior IDH do
estado ou por que se aprovam auxílios de R$ 800 para vereadores enquanto 1/3 da
população vive do Bolsa Família (R$ 600,00/Mês), com um valor total transferido pelo Governo Federal que
supera R$ 185 mil mensais (dados de janeiro a março de 2026).
ü
O
silêncio sobre a dor do "andar de baixo" é o que permite que o
"andar de cima" continue sua marcha de privilégios e exclusão. Se o
povo não vê a dor no jornal, a dor não existe para a opinião pública.
4. A Inversão da Moralidade
A mídia de boca alugada consegue o feito de
transformar o agressor em vítima e a vítima em culpada.
ü
Durante a
colonização, o espanhol que roubava o ouro era o "civilizador".
ü
No
nazismo, a propaganda de Goebbels convenceu parte da Alemanha de que o judeu
era o agressor da economia alemã.
ü
Hoje,
essa mídia convence o cidadão comum de que programas de assistência social
(como o Bolsa Família) são o "problema", enquanto os bilhões em
isenções fiscais para grandes grupos de mídia e empresas são "incentivos
necessários".
O Fio Condutor: Da Bíblia ao
Rádio Local
O comando de "não deixem com vida nada que
respire" só pôde ser executado porque havia uma narrativa de que aquelas
vidas não tinham valor. A mídia de boca alugada é a versão moderna do
"pregoeiro" que convencia a tribo de que o vizinho precisava morrer.
Enquanto o financiamento público for usado para
comprar o editorial dos veículos de comunicação, a "Filosofia da
Miséria" de que fala Sakamoto continuará vencendo. A mídia deixa de ser um
cão de guarda da democracia para se tornar um cão de guarda do orçamento,
protegendo quem paga a conta e latindo apenas para os que já estão no chão.







Nenhum comentário:
Postar um comentário