O
Orçamento como Comício: Bilhões para Obras, Centavos para o Futuro
Enquanto
os outdoors espalhados por Santa Catarina anunciam um estado em ritmo de
"aceleração", os números reais do orçamento e o cotidiano das nossas
estradas revelam uma matemática perversa. Vivemos o fenômeno do "Orçamento de Campanha",
onde a prioridade da obra parece ditada pela conveniência do calendário
eleitoral e não pela necessidade técnica ou pela qualidade da entrega.
A Farra dos Anúncios e a Realidade das Pistas
O
governo Jorginho Mello encerrou 2025 com a marca impressionante de R$ 5,5 bilhões em investimentos
totais. Somente em março de 2026, foram anunciados R$ 215 milhões para o Alto Vale e outros R$ 136 milhões para a
assistência social em maio.
No
entanto, o brilho das assinaturas de convênios contrasta com a insatisfação crescente da
população. Relatos em diversas regiões apontam para:
ü Ritmo
Lento: Críticas
contundentes sobre a falta de máquinas e o avanço quase imperceptível de
promessas antigas.
ü Qualidade
Questionável: Alegações
de obras malfeitas e asfalto de baixa durabilidade em rodovias estaduais.
ü Fiscalização
sob Lupa: O próprio
Tribunal de Contas do Estado (TCE) tem levantado questionamentos sobre a
fiscalização dos contratos, colocando em dúvida se o dinheiro pago está
realmente se transformando em benefício duradouro.
A Matemática da Injustiça: Bilhões para o
Marketing, Cortes na Educação
Para
que a narrativa de eficiência sobreviva, o governo investe pesado em
propaganda: são R$ 444 milhões
em publicidade acumulados em três anos. Enquanto isso, a educação catarinense
sofre com o "apagão" de recursos.
Recentemente,
vimos o remanejamento de R$ 15
milhões que deveriam financiar bolsas de estudo e infraestrutura escolar. O
contraste é gritante:
ü Para
o asfalto (muitas vezes lento ou precário): Bilhões garantidos e anúncios festivos.
ü Para
a publicidade: Centenas
de milhões para manter a versão oficial dos fatos.
ü Para
a sala de aula: Cortes
e a sensação de que o futuro dos nossos jovens foi deixado para depois.
O Sentimento de "Promessa Vazia"
A
cobrança por entregas reais, em vez de novos anúncios, ganha força nas redes
sociais. O cidadão catarinense passou a monitorar de perto os compromissos
assumidos, gerando um sentimento de desconfiança em relação às "obras
estruturantes" que nunca chegam ao fim. O risco é o governo entregar um
estado de maquete: bonito na propaganda, mas esburacado e ineficiente na vida
real.
Concluindo: O Preço da Propaganda
Não
adianta pavimentar o caminho para a eleição com asfalto de baixa qualidade e
convênios apressados se estamos cavando um abismo na formação das novas
gerações. A "Mídia Boca de
Aluguel" continuará ignorando a lentidão das máquinas e os relatórios
do TCE, mas o eleitor, que enfrenta as rodovias todos os dias e vê o corte na
escola do filho, sabe que "acelerar convênios" não é o mesmo que
governar com prioridade.







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