domingo, março 15, 2026

O medo e o retrocesso anticivilizatório

 

https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/o-medo-e-o-retrocesso-anticivilizat%C3%B3rio/ar-AA1YFEK4?ocid=hpmsn&cvid=69b70d7aea5344b4bb7601d2259a0cee&ei=97

Esta é uma análise profunda e crítica publicada no portal MSN/Estadão, que discute o atual momento político e social do Brasil sob uma perspectiva histórica e sociológica. O texto foca no uso do "medo" como ferramenta de controle e no que o autor chama de um processo de "retrocesso anticivilizatório".


Aqui está a síntese dos pontos centrais:

1. O Medo como Arma Política

O artigo argumenta que o medo foi resgatado como o principal motor da política contemporânea. Não se trata de um medo racional (como o de uma doença ou crise econômica), mas de um medo fabricado contra "inimigos imaginários" (valores morais, instituições, grupos específicos).

  • O objetivo desse medo é paralisar o debate crítico e fazer com que a população aceite soluções autoritárias em troca de uma falsa sensação de segurança.


2. O Retrocesso Anticivilizatório

O autor define como "anticivilizatório" o movimento de desprezo pela ciência, pela cultura, pelo meio ambiente e pelos direitos humanos.

  • O texto destaca que estamos vivendo uma "inversão de valores", onde a violência verbal e a intolerância são celebradas como "liberdade de expressão", enquanto o conhecimento especializado é ridicularizado.


3. A Erosão das Instituições

A matéria alerta que o cerco às instituições democráticas (Judiciário, universidades, imprensa) não é acidental, mas parte de uma estratégia para desmantelar os freios e contrapesos do Estado. Isso permite que projetos de poder pessoais ou de grupos específicos se sobreponham ao interesse público.


4. A Desconexão com a Realidade

O artigo faz uma crítica severa à forma como as redes sociais e os algoritmos alimentam esse cenário, criando bolhas onde a mentira (fake news) se torna "verdade" para milhões de pessoas, dificultando qualquer projeto de nação baseado na cooperação e na racionalidade.

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>>>>> A Conexão com Chomsky


5. A Fabricação do Medo como Gatilho da Manada

Para Chomsky, a mídia e os sistemas de poder não dizem apenas o que pensar, mas sobre o que sentir. O artigo acima destaca que o medo é o motor do retrocesso.

·         A Conexão: Chomsky argumenta que, para controlar uma população em uma democracia, é preciso criar "fantasmas" (ameaças morais, ideológicas ou externas). Quando o medo é injetado no debate público, o indivíduo perde a capacidade crítica e busca proteção no grupo. É aqui que nasce o efeito manada: as pessoas se unem em torno de uma liderança autoritária ou de um discurso radical não por lógica, mas por instinto de sobrevivência (o "comportamento de rebanho").


6. A "Distração" e a Marginalização da Verdade

Chomsky fala frequentemente sobre a estratégia da distração: desviar a atenção do público dos problemas econômicos e sociais reais para questões emocionais irrelevantes.

·         A Conexão: O artigo menciona que enquanto discutimos pautas "anticivilizatórias" e ideológicas, os problemas estruturais são ignorados. No caso de Santa Catarina, isso se encaixa perfeitamente na  tese da Mitomania: o governo alimenta a "manada" com discursos ideológicos e marketing (a cortina de fumaça) para que ninguém questione o abandono das estradas, a falta de leitos ou as renúncias fiscais bilionárias.


7. A Simplificação do Discurso (O Anti-intelectualismo)

O artigo critica o desprezo pela ciência e pela cultura. Chomsky define isso como a redução do nível do discurso público.

·         A Conexão: Para que o efeito manada funcione, o discurso deve ser simples, binário ("nós contra eles") e emocional. Ao ridicularizar o conhecimento técnico (como o licenciamento ambiental ou a viabilidade econômica), o poder político garante que a manada siga o "pastor" sem fazer perguntas complexas.


Concluindo: A fabricação do consenso

"A relação entre o retrocesso que vivemos e o pensamento de Noam Chomsky é assustadora. Chomsky nos ensina que o efeito manada é o resultado de uma 'fabricação do consenso' baseada no medo. O artigo do Estadão confirma: o medo é a arma para o retrocesso anticivilizatório.

Em SC, vemos a aplicação cirúrgica dessa técnica. O governo utiliza a mitomania para criar uma manada digital e barulhenta, focada em pautas morais e inimigos imaginários. Enquanto a manada corre em direção ao abismo ideológico, o projeto de poder para 2026 avança silenciosamente sobre os recursos públicos, as estradas da Serra continuam em ruínas e a ciência é tratada como um estorvo. “Como dizia Chomsky, a população é tratada como um ‘rebanho desnorteado’ que precisa ser distraído enquanto as elites políticas operam a máquina do Estado em benefício próprio.”

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