quarta-feira, julho 29, 2026

VAI PIORAR... E PIORAR MUITO... A Conta da Insensatez.... (Parte XIII)

 A Urgência Climática e o Desmonte Ambiental no Congresso

A Terra não envia recados com cortesia; ela responde com fatos. A sucessão estarrecedora de tragédias climáticas que devasta o Sul do país — desde os ciclones devastadores de 2023 e a catástrofe sem precedentes de maio de 2024 (que atingiu 95% do território gaúcho) até as novas cheias e tornados que voltaram a atingir o Rio Grande do Sul — deixou de ser uma anomalia esporádica para se tornar um padrão assustador.

No entanto, insistir em culpar apenas fenômenos naturais como o El Niño é uma covardia intelectual. O El Niño pode ser o gatilho, mas a pólvora é fabricada pela mão humana. O que presenciamos no Brasil é a trágica aliança entre o aquecimento global e a deliberada omissão legislativa.

Enquanto a ciência grita que a conservação da cobertura vegetal e das Áreas de Preservação Permanente (APPs) é a única barreira capaz de amortecer enxurradas, conter deslizamentos e regular o microclima, o Congresso Nacional insiste em caminhar no sentido oposto. Nos últimos anos, assistimos a uma marcha acelerada para afrouxar o Código Florestal, flexibilizar o licenciamento ambiental e criar mecanismos que dificultam a aplicação e a cobrança de multas por infrações ambientais.

Criou-se no país uma sensação perigosa de impunidade para quem devasta. Ao enfraquecer o poder de fiscalização dos órgãos ambientais e anistiar passivos de desmatamento, parlamentares atuam como verdadeiros cupins da legislação de proteção da natureza. Cada hectare de floresta nativa derrubada, cada mata ciliar destruída e cada restrição fiscalizatória aprovada no Brasília têm um custo direto e imediato: o agravamento das enxurradas e o transbordamento dos rios que deixam milhares de famílias desabrigadas nos Vales, na Serra e nas regiões metropolitanas.

Não se trata de mero debate ideológico entre desenvolvimento e preservação. É uma questão elementar de sobrevivência econômica e humana. Negar a emergência climática e enfraquecer as leis de proteção ambiental em nome do lucro imediato de poucos é um ato de irresponsabilidade com as presentes e futuras gerações.

Enquanto os gabinetes em Brasília continuarem facilitando o desmatamento e inviabilizando as punições ambientais, o povo continuará pagando a conta com suas casas, suas memórias e suas vidas. A natureza já deixou claro que não negocia com o fisiologismo. Ou reconstruímos o rigor das nossas leis ambientais e a responsabilidade ecológica, ou continuaremos a contar os mortos e os destroços a cada nova tempestade.

A Lista da Vergonha: Quem escolheu a flexibilização (Lei 15.190/2025)?

O elenco dos nomes daqueles deputados catarinenses que votaram a favor do PL 2.564/2025; é o mesmo que votou a favor da flexibilização das regras de licenciamento ambiental no Brasil, que foi consolidada pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei Federal 15.190/2025), originada a partir do PL 2.159/2021. A legislação unificou as diretrizes do setor e entrou em vigor no início de 2026.

São representantes que, em vez de buscarem soluções para evitar desastres ambientais, preferiram facilitar o caminho para quem destrói o nosso bioma:

 Partido

Deputado(a)

PL

Caroline de Toni, Daniel Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé Trovão

MDB

Cobalchini, Luiz Fernando Vampiro, Pezenti

NOVO

Gilson Marques

PP

Coronel Armando

PSDB

Geovania de Sá

União

Fabio Schiochet




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...