A Urgência Climática e o Desmonte Ambiental no Congresso
A
Terra não envia recados com cortesia; ela responde com fatos. A sucessão
estarrecedora de tragédias climáticas que devasta o Sul do país — desde os
ciclones devastadores de 2023 e a catástrofe sem precedentes de maio de 2024
(que atingiu 95% do território gaúcho) até as novas cheias e tornados que
voltaram a atingir o Rio Grande do Sul — deixou de ser uma anomalia esporádica
para se tornar um padrão assustador.
No
entanto, insistir em culpar apenas fenômenos naturais como o El Niño é uma
covardia intelectual. O El Niño pode ser o gatilho, mas a pólvora é fabricada
pela mão humana. O que presenciamos no Brasil é a trágica aliança entre o
aquecimento global e a deliberada omissão legislativa.
Enquanto
a ciência grita que a conservação da cobertura vegetal e das Áreas de
Preservação Permanente (APPs) é a única barreira capaz de amortecer enxurradas,
conter deslizamentos e regular o microclima, o Congresso Nacional insiste em
caminhar no sentido oposto. Nos últimos anos, assistimos a uma marcha acelerada
para afrouxar o Código Florestal, flexibilizar o licenciamento ambiental e
criar mecanismos que dificultam a aplicação e a cobrança de multas por
infrações ambientais.
Criou-se
no país uma sensação perigosa de impunidade para quem devasta. Ao enfraquecer o
poder de fiscalização dos órgãos ambientais e anistiar passivos de
desmatamento, parlamentares atuam como verdadeiros cupins da legislação de
proteção da natureza. Cada hectare de floresta nativa derrubada, cada mata
ciliar destruída e cada restrição fiscalizatória aprovada no Brasília têm um
custo direto e imediato: o agravamento das enxurradas e o transbordamento dos
rios que deixam milhares de famílias desabrigadas nos Vales, na Serra e nas
regiões metropolitanas.
Não
se trata de mero debate ideológico entre desenvolvimento e preservação. É uma
questão elementar de sobrevivência econômica e humana. Negar a emergência
climática e enfraquecer as leis de proteção ambiental em nome do lucro imediato
de poucos é um ato de irresponsabilidade com as presentes e futuras gerações.
Enquanto
os gabinetes em Brasília continuarem facilitando o desmatamento e
inviabilizando as punições ambientais, o povo continuará pagando a conta com
suas casas, suas memórias e suas vidas. A natureza já deixou claro que não
negocia com o fisiologismo. Ou reconstruímos o rigor das nossas leis ambientais
e a responsabilidade ecológica, ou continuaremos a contar os mortos e os
destroços a cada nova tempestade.
A Lista da
Vergonha: Quem escolheu a flexibilização (Lei 15.190/2025)?
O elenco dos nomes daqueles deputados catarinenses que votaram a favor do PL 2.564/2025; é o mesmo que votou a favor da
flexibilização das regras de licenciamento ambiental no Brasil, que foi
consolidada pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei Federal
15.190/2025), originada a partir do PL 2.159/2021. A legislação
unificou as diretrizes do setor e entrou em vigor no início de 2026.
São representantes que, em vez de
buscarem soluções para evitar desastres ambientais, preferiram facilitar o
caminho para quem destrói o nosso bioma:
|
Partido |
Deputado(a) |
|
PL |
Caroline de Toni, Daniel
Freitas, Daniela Reinehr, Ricardo Guidi, Zé Trovão |
|
MDB |
Cobalchini, Luiz Fernando
Vampiro, Pezenti |
|
NOVO |
Gilson Marques |
|
PP |
Coronel Armando |
|
PSDB |
Geovania de Sá |
|
União |
Fabio Schiochet |








Nenhum comentário:
Postar um comentário