domingo, junho 07, 2026

Eles Mentem... Mentem... Mentem... Sabuja, Cretina e Escrotamente... Mentem... (Parte VI)

 

Texto 4:  Alerta Vermelho para a Ciência Nacional

O que um comentarista político bolsonarista Boca Alugada no telejornal ND Notícias, transmitido pela NDTV (afiliada da Record TV no estado, e provavelmente a que recebeu a maior fatia daqueles R$ 444 milhões da publicidade estatal do governo  catarinense); extremamente “preocupado”  em desqualificar a UFSC por razões eminentemente ideológica, NÃO comentou sobre a queda das Universidades brasileiras no ranking mundial...

Este artigo traz dados frescos do ranking global da CWUR (Center for World University Rankings) e ilustra de forma prática o diagnóstico que vínhamos conversando: o Brasil tem volume, mas sofre com a concorrência de países que injetam verbas massivas em suas instituições.

Abaixo, apresento uma síntese estruturada do artigo e, em seguida, a relação organizada das universidades brasileiras rankeadas:

 

1. O novo levantamento da CWUR:

Avaliou as 2.000 melhores instituições de ensino e pesquisa do mundo. Embora o Brasil tenha conseguido emplacar um número expressivo de representantes (52 instituições ao todo), o dado mais alarmante é a tendência de queda generalizada: cerca de 87% das universidades brasileiras perderam posições em comparação com edições anteriores.


2. Principais Pontos de Destaque:

ü  A Hegemonia Asiática: Refletindo diretamente o modelo de forte apoio estatal que analisamos, a China assumiu a liderança mundial com 360 universidades no ranking, superando os Estados Unidos, que ficaram com 313.

ü  O Recuo no Bloco de Elite: Das 10 melhores universidades brasileiras, 9 caíram de posição. A USP caiu 1 posição; a UFRJ perdeu 15; a Unicamp desceu 10; e a Unesp despencou 22 posições.

ü  A Exceção Resiliente: A UFRGS foi a única do Top 10 nacional que resistiu à queda, mantendo exatamente a mesma colocação (476ª) nos últimos dois anos.

ü  O Diagnóstico do CWUR: O presidente da organização, Nadim Mahassen, foi cirúrgico ao apontar que o declínio brasileiro deve-se à dificuldade de competir em desempenho de pesquisa contra instituições globais altamente financiadas, dificultando a retenção de talentos e a produção científica de ponta em escala.


📊 Relação das Universidades Brasileiras no Ranking

Para facilitar a leitura, organizei as 52 instituições listadas no texto por sua ordem de classificação nacional, destacando a posição que ocupam no cenário mundial:

O Top 10 Nacional (Bloco de Elite)

Universidade de São Paulo (USP) — Posição Global: 119º

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — Posição Global: 346º

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) — Posição Global: 379º

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — Posição Global: 476º

Universidade Estadual Paulista (Unesp) — Posição Global: 479º

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — Posição Global: 508º

Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) — Posição Global: 621º

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) — Posição Global: 682º

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — Posição Global: 732º

10º Universidade Federal do Paraná (UFPR) — Posição Global: 799º

Posições de 11º a 30º (Faixa Intermediária Alta)

11º Universidade de Brasília (UnB) — 837º

12º Fundação Getúlio Vargas (FGV) — 885º

13º Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) — 886º

14º Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) — 891º

15º Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) — 959º

16º Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) — 969º

17º Universidade Federal do Ceará (UFC) — 1002º

18º Universidade Federal Fluminense (UFF) — 1006º

19º Universidade Federal de Pelotas (UFPel) — 1013º

20º Universidade Federal de Viçosa (UFV) — 1015º

21º Universidade Federal da Bahia (UFBA) — 1024º

22º Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) — 1071º

23º Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — 1102º

24º Universidade Federal de Goiás (UFG) — 1129º

25º Universidade Federal do ABC (UFABC) — 1183º

26º Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) — 1214º

27º Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) — 1275º

28º Universidade Federal de Uberlândia (UFU) — 1283º

29º Universidade Federal da Paraíba (UFPB) — 1284º

30º Universidade Federal do Pará (UFPA) — 1295º

Posições de 31º a 52º (Presença Global Expandida)

31º Universidade Federal de Lavras (UFLA) — 1302º

32º Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) — 1347º

33º Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) — 1382º

34º Universidade Estadual de Maringá (UEM) — 1422º

35º Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) — 1479º

36º Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) — 1482º

37º Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) — 1539º

38º Universidade Federal de Sergipe (UFS) — 1595º

39º Universidade Estadual de Londrina (UEL) — 1601º

40º Universidade Federal do Rio Grande (FURG) — 1629º

41º Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) — 1632º

42º Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) — 1715º

43º Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) — 1778º

44º Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) — 1827º

45º Pontifícia Universidade Católica Rio de Janeiro (PUC-Rio) — 1838º

46º Universidade Federal de Alagoas (UFAL) — 1931º

47º Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) — 1944º

48º Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) — 1952º

49º Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) — 1962º

50º Universidade Federal do Piauí (UFPI) — 1971º

51º Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) — 1974º

52º Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) — 2000º


Nota de Análise: Vale destacar a forte presença de institutos de pesquisa puros na lista (como Fiocruz, INPE, INPA, CBPF e IMPA). Como a metodologia do CWUR não pontua apenas salas de aula, mas foca muito na produção científica robusta, esses centros ganham visibilidade merecida internacionalmente ao lado das universidades.

O panorama desenhado por esse artigo do CWUR amarra perfeitamente todos os pontos que vínhamos discutindo: mostra a força resiliente das nossas instituições públicas e de pesquisa em se manterem em um clube global tão restrito, mas também deixa um alerta claro sobre a urgência de termos políticas de apoio previsíveis e consistentes para não perdermos terreno diante da agressiva competitividade internacional.

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