A Ilusão Ideológica
bolsonarista: Como a Submissão ao Trumpismo Cobrou o Seu Preço no Comércio
Exterior Brasileiro
O pragmatismo e a defesa irrestrita dos interesses nacionais deveriam ser as bússolas de qualquer política externa de Estado. No entanto, a história recente do Brasil nos mostra o custo amargo de quando a diplomacia é sequestrada por um alinhamento ideológico cego. O recuo histórico das exportações brasileiras para os Estados Unidos não é apenas um reflexo da agressividade comercial norte-americana; é a evidência clara do fracasso estratégico promovido pelo clã Bolsonaro, que escolheu a submissão pessoal em detrimento da soberania econômica do país.
Análises recentes da jornalista Miriam Leitão revelam um cenário preocupante: a participação dos EUA nas exportações brasileiras despencou para irrisórios 9,3% do total comercializado pelo Brasil — atingindo o menor nível em 30 anos. Essa retração acelerada joga por terra a narrativa de que a proximidade ideológica com Donald Trump traria benefícios reais para o setor produtivo nacional.
A Influência Negativa do Clã Bolsonaro: Silêncio Obsequioso e Comércio Assimétrico
O motor imediato dessa derrocada foi o pacote de pesadas barreiras e tarifas alfandegárias de importação impostas pelo governo de Donald Trump, que chegaram a atingir o patamar de 50% sobre produtos estratégicos. Essa barreira tarifária tornou os produtos manufaturados e semi-elaborados do Brasil proibitivos e sem competitividade na fronteira americana.
A ironia reside no comportamento do clã Bolsonaro diante desse ataque direto à nossa economia. Em vez de uma reação altiva e da busca por salvaguardas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), o que se viu foi a manutenção de uma postura de vassalagem. O resultado dessa passividade foi um comércio profundamente assimétrico: enquanto as nossas exportações para a maior potência do mundo desabaram, o Brasil continuou aumentando as importações de produtos vindos dos EUA, operando um crônico e agravado déficit comercial com os norte-americanos.
Da Liderança à Margem: Os Números do Recuo
Para entender a gravidade do colapso, basta olhar o retrocesso histórico em curto intervalo de tempo. No início dos anos 2000, o mercado norte-americano chegou a concentrar entre 25% e 26% de tudo o que o Brasil exportava. Antes do recente impacto protecionista, essa participação ainda resistia em 12,4%. Cair para 9,3% significa que o Brasil perdeu um espaço vital de valor agregado.
Paralelamente, como aponta Miriam Leitão, há um fator estrutural de longo prazo: a nossa pauta exportadora acabou empurrada e cada vez mais dependente da China e do fornecimento de commodities. Ao abrir mão de disputar o mercado americano com produtos industriais de maior margem de lucro por pura incompetência diplomática, o país acelerou sua reprimarização econômica.
Concluindo: O Custo de Confundir Diplomacia com Idolatria
O caso das tarifas de Trump e do silêncio cúmplice da extrema-direita brasileira deixa uma lição pedagógica para o empresariado, para as cooperativas e para a gestão pública: governos passam, mas as relações comerciais de um país devem ser perenes e baseadas em dados frios, soberania e reciprocidade.
O clã Bolsonaro ofereceu aplausos e palanque político a um projeto ultranacionalista ("America First") que, por definição, visava estrangular concorrentes comerciais como o próprio Brasil. Ao confundir amizade pessoal e idolatria ideológica com política externa, o antigo governo entregou submissão e recebeu em troca a destruição de três décadas de inserção comercial no mercado americano. A reconstrução da nossa relevância global exige
profissionalismo, diversificação e, acima de tudo, o fim da diplomacia de joelhos.








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