Do Papel
à Cascata: O Abismo entre o "Protocolo" e a Realidade no Salto
Caveiras
A mídia "boca alugada" de Lages amanheceu
em festa. Pelas manchetes, parece que o mirante do Salto Caveiras já está
pronto, com fita cortada e turistas batendo fotos. Mas, para quem sabe ler um
contrato e conhece os trâmites da administração pública, a notícia real é bem
menos esfuziante: o que foi assinado é apenas um Protocolo de Intenções.
No dicionário da política em ano eleitoral,
"Protocolo de Intenções" é o equivalente a uma promessa de namoro que
depende da aprovação de dez tios jurídicos, dois avôs regulatórios e uma conta
bancária que ninguém sabe se está cheia.
1. A Ilusão da
"Entrega"
Por que a mídia local trata um documento de
intenções como se fosse a entrega das chaves? A resposta está no Pix da
publicidade governamental. É preciso manter a narrativa de que a cidade é um
canteiro de obras, mesmo quando a única coisa que avançou foi o gasto com papel
e caneta para a foto oficial.
Um protocolo de intenções não garante recurso, não
dispensa licitação e, muito menos, resolve o licenciamento ambiental — que,
como bem sabemos, em áreas de usinas hidrelétricas, é um processo complexo e
demorado.
2. O Jogo das Responsabilidades
O texto é vago: a Celesc "estuda" a
cessão, a Prefeitura "propõe" a infraestrutura. Na prática, o que
temos é o seguinte:
ü
Jurídico e Regulatório: O pedido ainda vai passar por análise. Ou seja,
pode ser vetado a qualquer momento.
ü
Modernização da Usina: Esta, sim, tem data e licitação (maio de 2026). A
ampliação da potência é o negócio real da Celesc. O "parque" é o
adereço político para tornar a obra industrial mais palatável ao público.
3. O Salto Caveiras Merece
Respeito, não Fantasia
O Salto Caveiras é um dos maiores patrimônios
naturais da Serra Catarinense. Tratá-lo como moeda de troca em protocolos
vazios é um desrespeito com o lageano que espera, há décadas, por uma
infraestrutura turística digna.
Vender a intenção como fato consumado é uma
estratégia para anestesiar a cobrança. Se o projeto não sair — como tantos
outros "protocolos" que dormem em gavetas — a mídia de aluguel simplesmente
esquecerá o assunto, partindo para a próxima "intenção" bombástica.
Concluindo: Menos Fotos, Mais
Cronogramas
Como técnico que sou, prefiro ver o cronograma
físico-financeiro, o licenciamento ambiental aprovado e o empenho
da verba. Até lá, o Parque do Salto Caveiras continua sendo o que sempre
foi em vésperas de eleição: um belo mirante de papel, construído sobre um mar
de boas (e convenientes) intenções.
O povo de Lages não quer mais protocolos. O povo
quer a obra. E a mídia, se fosse séria, estaria perguntando: quem vai pagar,
quando começa e qual o prazo real de entrega? O resto é silêncio comprado.
Protocolo
vs. Realidade: O que a mídia não te conta
|
O que a Manchete diz |
O que o Documento Real significa |
O que falta para ser VERDADE |
|
"Governo cria o Parque
Salto Caveiras" |
As partes assinaram um papel
dizendo que "gostariam" de fazer algo no futuro. |
Orçamento empenhado,
Licenciamento Ambiental e Edital de Obra. |
|
"Celesc cede terreno
para a Prefeitura" |
A Celesc deu um
"ok" preliminar, mas o jurídico ainda pode vetar a qualquer momento. |
Escritura de cessão de uso ou
contrato de comodato assinado e publicado. |
|
"Turismo será
impulsionado agora" |
Não há tijolo, nem mirante,
nem data para o primeiro turista entrar. |
Projetos executivos de
engenharia aprovados e canteiro de obras instalado. |
|
"Modernização da Usina
garante o Parque" |
A prioridade da Celesc é
lucro e energia (9,40 MW). O parque é apenas um "anexo" político. |
Prova de que o lucro da
ampliação será reinvestido na infraestrutura turística local. |
Enquanto
a mídia lageana celebra o 'papel assinado', quem trabalha com projetos reais
(como a execução de PRADs ou Planos de Restauração) sabe que a distância entre
uma intenção e uma entrega é medida em suor, técnica e dinheiro real — coisas
que não aparecem na foto oficial.
Como
diz o ditado popular: 'De
intenção, o inferno está cheio'. O povo de Lages já está cansado de ser
guiado por miragens. Queremos ver o cronograma, queremos ver o orçamento e,
acima de tudo, queremos que parem de tratar o cidadão como alguém que não sabe
a diferença entre um plano e uma realização.







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