O
Marketing que Mascara o Veneno — A Incoerência de um Governo contra a Vida
O governador Jorginho Mello convoca servidores para
lançar o programa "Catarinas por Elas", em mais uma de suas produções
cinematográficas de marketing. No palco, o discurso é de proteção à mulher. Na
prática da caneta, porém, o que se vê é o desmonte das redes de apoio que
sustentam a dignidade feminina, a segurança alimentar e a saúde pública de
todas as famílias catarinenses.
1. A Incoerência Institucional:
Tirar com uma mão e "fingir" com a outra
Não há proteção real às mulheres em um governo que
ataca os pilares da justiça social:
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Fim das Cotas Raciais: Ao extinguir as cotas nas universidades estaduais,
o governo retira a escada de ascensão social das mulheres negras, as maiores
vítimas de violência e desigualdade econômica no estado.
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Veto à Agricultura Familiar: Ao vetar a compra mínima de 30% de alimentos da
agricultura familiar, o governador atinge diretamente as mulheres rurais, que
são a espinha dorsal da produção de alimentos saudáveis. Sem autonomia
financeira no campo, a vulnerabilidade dessas mulheres à violência doméstica só
aumenta.
2. O Crime Invisível: Beber
Veneno sob o Selo da Legalidade
Enquanto o marketing tenta brilhar, o Parecer
Técnico nº 01/2024, assinado pela Dra. Sonia Corina Hess (UFSC), traz o
"raio-X" do que realmente estamos consumindo. Os dados são alarmantes
e expõem a "mídia boca de aluguel" que silencia sobre o copo d’água
do catarinense.
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O Mapa da Contaminação: 155 municípios (52,5%) de SC bebem agrotóxicos. No
Sul Catarinense, o índice sobe para assustadores 76,1%.
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O Coquetel de Ituporanga: No Vale do Itajaí, o município de Ituporanga
registrou 23 ingredientes ativos de agrotóxicos na água tratada. Imbuia
registrou 17.
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Venenos Banidos: O relatório aponta que bebemos substâncias banidas na União Europeia e
até no Brasil, como o carbofurano e o metolacloro.
3. A Saúde em Xeque: Câncer,
Suicídio e Malformações
A ciência não mente: o parecer da Dra. Hess
estabelece uma correlação sombria. Onze microrregiões de Santa Catarina
(incluindo Chapecó, Joinville, Lages e Ituporanga) apresentam taxas de mortalidade
por câncer, suicídio e incidência de anomalias congênitas superiores à
média nacional.
É aqui que a negação das obras federais do governo
Lula (como o saneamento e infraestrutura) e o ataque ao STF se revelam como estratégia
de distração. O governador prefere brigar com Brasília do que explicar por
que o Glifosato em Santa Cecília e Arvoredo está 200 vezes acima do
limite permitido na Europa.
4. O "Catarinas por
Elas" vs. a Realidade das Catarinas
De que adianta um programa de marketing para
mulheres se o Estado:
- Permite que elas e seus
filhos bebam águas contaminadas que geram anomalias fetais?
- Retira o direito à
universidade (cotas)?
- Asfixia economicamente as agricultoras (veto aos 30%)?
Concluindo: A Fábrica de
Fantasias
Como ensina Noam Chomsky, o governo Jorginho
Mello trata o cidadão como uma criança, oferecendo "brinquedos" de
marketing enquanto esconde o "remédio amargo" do envenenamento
químico. O programa "Catarinas por Elas" é uma máscara de bondade
sobre um rosto de descaso técnico e social.
Santa Catarina não precisa de convocações de
servidores para eventos de fachada. Precisa de água potável nos padrões
europeus, de respeito às cotas, de apoio à agricultura familiar e de um
governador que pare de negar os investimentos federais para focar na saúde de
quem realmente vive aqui.
"O glifosato em Arvoredo e
Santa Cecília foi aferido em concentrações mais de 200 vezes superiores ao
permitido na União Europeia. O 'dentro da lei' brasileiro é o envenenamento
permitido pelo Estado." (Baseado no Parecer Técnico 01/2024 - Dra. Sonia
Hess).







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